[SPOILERS] É ao som de “dude” que começa o episódio. O que aparentava ser apenas uma brincadeira/divertimento, em pleno Central Park, com um grupo de adeptos de BTT a aproveitarem a noite para uma escapada radical, resulta afinal no início de mais uma investigação, quando um corpo é descoberto.
Leonard Levitt, assassinado com três tiros [e com uma pena de pássaro, diligentemente guardada num bolso], era um funcionário do metro nova-iorquino, cuja função era trocar as lâmpadas dos túneis. Leo possuía o perfil ideal para ser uma vítima. Sem qualquer família, vivendo quase sem alguém dar pela sua presença, permanecendo naquele limbo onde a solidão se agrega ao desespero. Adensando o mistério em redor da sua personalidade, que se percebe ser introvertida, é encontrado equipamento topo de gama no seu acanhado apartamento. Microfones, binóculos de visão nocturna, e um mapa cheio de anotações, com as iniciais BHS em destaque, bem junto do local onde seria assassinado. Descontando as habituais teorias inverosímeis de Rick (Nathan Fillion), Kate (Stana Katic) começa racionalmente a interrogar suspeitos.
- Mario Rivera (Carmen Argenziano), supervisor de Leonard, antigo fuzileiro com uma apetência natural para o uso de armas, tinha sofrido uma queixa, por parte do subordinado, que lhe podia custar a perda do emprego e da reforma. Mario pensava ter descoberto o pote no fim do arco-íris. Em vez de estar repleto de ouro, como na fábula, tinha lâmpadas velhas. Um armazém repleto delas, convenientemente vendidas para a Costa Rica, recebendo em troca um monte de notas com as esfinges de presidentes americanos. Parecia ser um negócio lucrativo, não fosse a fixação e o zelo profissional de Leonard, que descobriu a tramóia. Mario tinha tudo para ser o culpado. Mas possuía, igualmente, um álibi. Descartado, segue-se o próximo…
- BHS. Ou, mais adequadamente, Bryan H Singer (David Dean Bottrell). É “convidado” a comparecer na esquadra, quando é descoberto que o equipamento electrónico, encontrado em casa de Leonard, era seu. E, como as suas iniciais apareciam em destaque no quadro feito por Leonard, parece ser um potencial candidato à vaga ainda em aberto: a de assassino. BHS mantinha um arrufo, inócuo, com Leonard, por causa de uma paixão em comum: a observação e catalogação de pássaros. É rapidamente descartado.
Quando o caso parecia estagnado, eis que a imaginação de Rick, com a ajuda dos livros de Conan Doyle e o seu incomparável personagem Sherlock Holmes, apontam uma solução, que se revela acertada. Leonard, como forma de atenuar a disputa que mantinha com BHS, tinha colocado uma máquina fotográfica, estrategicamente dissimulada numa árvore, para capturar as imagens de umas aves raras. Infelizmente, num daqueles acasos do destino, Leonard estava no local errado, à hora errada. Tornou-se involuntariamente uma testemunha de um rapto de uma criança. A última imagem captada pela máquina é elucidativa: o assassino a disparar contra Leonard. Este caso, uma espécie de “2 em 1”, leva a equipa policial noutra direcção. Mais interessante e muito mais complicada.
Baseados numa das fotos, conseguem descobrir a identidade do miúdo vítima do rapto. Tayler, (Gattlin Griffith) jogador de futebol numa liga infantil, filho de pais divorciados, parece ser o alvo de uma disputa familiar. Dean Donegal (John Pyper-Ferguson), pai da criança, tornado suspeito logo de imediato, é apenas um joguete no meio dum jogo cruel. Não tendo sido escolhido de forma aleatória, percebe-se que o facto de Dean ter acesso a um prédio específico é o motivo do rapto. Kate e Rick trabalham em conjunto, com celeridade, aproveitando as pistas enviadas de forma críptica por Tayler. Mantido cativo nas profundezas subterrâneas das linhas de metro, é libertado numa acção conjunta das forças policiais, juntando-se ao seu pai, no habitual momento cor-de-rosa.
O Melhor: Parece repetitivo, com as recentes escolhas a caírem, por sistema, em piadas/diálogos entre o duo de protagonistas. Mas eu gosto. Essa espécie de duelo, entre duas línguas afiadas, sempre com uma resposta corrosiva para alfinetar o parceiro. Rick comentava com Kate acerca de bichos de estimação, com o namorado da filha a ter um rato. Inocentemente, perguntou à detective: “What is the strangest pet you’ve ever had?” Réplica imediata: “You”!
O Pior: Nada de muito pouco abonatório. Dentro do género, “Castle” cumpre com as expectativas, mesmo quando parece que o piloto automático foi ligado. Se os casos, algumas vezes, dão a sensação de rebuscados [e até nem foi o que aconteceu nesta semana, com a dose calibrada de suspense, acção e pitadas de humor], existe sempre a notória empatia entre as diferentes personagens, criando situações de humor.
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Por um momento, cheguei mesmo a pensar que o miúdo estava morto. Trabalharam bem o suspense aí. E também gostei como o pai afinal era inocente.
Também posso-me estar a repetir mas eu adoro momentos entre a Alexis e o Castle.
:wink1:
Sem dúvida que essa empatia familiar, entre Rick e a filha, são dos momentos mais bem conseguidos da série. Temos assistidos a genuínas provas de dedicação paternal, criando laços que parecem nada ter a ver comum produto de ficção.