Castle: 3×10 – Last Call (ABC)

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[SPOILERS] Estávamos em meados da década de 80 quando uma música de Stevie Wonder fez furor. O “I just call to say i love you” era facilmente trauteável e destilava aquele sentimentalismo meloso que nos  levava a desejar ficar apaixonados por alguém. Compreensível. Os anos 80 eram assim. E o que tem a canção do músico americano a ver com o episódio desta semana de “Castle”? Nada. Absolutamente nada. Apenas me lembrei, num daqueles mecanismos cerebrais difíceis de decifrar, da letra da música, quando o telefone toca em casa de Rick. Mas aqui, mais do que um lembrete amoroso, o fito do telefonema é sempre um anúncio tétrico. Alguém morreu.

O caso que a equipa liderada por Kate (Stana Katic) tem em mãos nasceu numa pescaria. Literalmente. O corpo de um adulto, com uma tatuagem da marinha num dos braços e parte do crânio esmagado, foi pescado fortuitamente no rio Hudson. “We better close the beaches. No boating accident”. É este o espírito reinante na série. O humor, por vezes refinado, que ajuda a aligeirar o contacto com cadáveres. Rick Castle (Nathan Fillion), mais uma vez, mordaz nos comentários. Só faltou mesmo a música de Jaws…

Donald Hayes, a vítima, era um veterano da Marinha, estivador nas docas de Nova Iorque, ex-jogador compulsivo e que tinha sido alvejado, vários dias antes do evento fatídico, num dos braços. Para além disso, a investigação descobre que Donald tinha vendido o seu cartão do sindicato, por uma quantia algo irrisória. Intrigante é igualmente o desaparecimento do saldo existente na conta do falecido. A investigação descobre que o mesmo foi transferido para Wilbur Pittorino (Chris Mulkey), um pretenso empresário na área da gestão de resíduos, mas com pinta de mafioso com péssimo gosto para fatos. Wilbur torna-se suspeito, dado ter um passado ligado à agiotagem e a apostas ilegais. Mas tudo parece ter uma explicação lícita. Donny pretendia apenas comprar o bar de Wilbur, o mítico “The Old Haunt”, um poiso repleto de história, frequentado por uma fauna que inclui escritores (Castle incluído). Com vários interessados em adquirir o espaço boémio, poderia um dos investidores defraudados sentir-se tentado a um homicídio?

“So Castle, can i buy you a drink?” Antes que pensem que a voz de Kate, sussurrada e esbanjando sensualidade, tem outros propósitos que não o requisito principal de investigar no potencial local do crime, desenganem-se. O convite apenas serviu para espicaçar um pouco Rick. E a todos nós, que a veneram. Brian (Sam Page), bartender do espaço e putativo candidato à sua compra, fica sob escrutínio. Para gáudio de Rick, é feita uma visita social a um espaço até então secreto: um porão, que servia de escritório a Donny e onde Kate encontra uns pedaços de chumbo que não combinam com a decoração do local. Foi ali que Donny sofreu as lesões provocadas por um disparo. Nova frente se abre na investigação. Tudo pode estar relacionado com uma questão de assédio de um cliente a uma empregada. “Pick-up” Pete (Rand Holdren) tinha sido banido, após o incidente, por Donny. Poderia Pete, com cadastro por violência doméstica e portador de uma carabina, ter resolvido ser a hora da revanche? Poder, até podia, mas a investigação encontra um ponto pouco claro, que dispersa o foco da atenção. Com o bar a dar prejuízo, como podia Donny ostentar uma vida sem qualquer preocupação financeira? Simples. Vendendo algo de precioso a uma agência de leilões. Uma garrafa de álcool, repleta de história, pertencente ao espólio de um antigo mayor da cidade. Uma garrafa de vidro vermelho, similar a um pedaço de vidro encontrado no corpo da vítima. À primeira vista está encontrado o móbil do crime. Falta encontrar o perpetrador. Atenções voltadas para um recente milionário, que adquiriu a garrafa no referido leilão. Jeffrey (Guy Wilson), ou Magoo, nome de guerra que ostenta com orgulho, que revela ser um beco sem saída. Finalmente, é Castle que descobre a solução da trama. Um túnel, adjacente ao porão que servia de escritório, poiso propicio ao contrabando de bebidas durante a Lei Seca. Uma verdadeira cápsula do tempo, convenientemente preservada, onde Donny tinha achado o seu tesouro: uma enorme quantidade de garrafas de uísque, de extremo valor. O culpado é surpreendente: Heisler (Oliver Muirhead), o proprietário da leiloeira, único a conhecer o segredo de Donny, que descobriu uma forma alternativa de entrar no esconderijo.

O Melhor: A cena em frente do “Old Haunt”, quando Kate liberta os cabelos e retoca a maquilhagem. “Can´t get much out of Brian looking like a cop”. “Unbutton on more to be safe”, riposta Rick. E, respondendo à solicitação, abre mais um botão da camisa. WOW.

E, logicamente, a bela sequência final, com um brinde entre a equipa, entoando o “Piano Man”, de Billy Joel. Excelente tributo a todo o episódio, que abordou, mesmo de forma superficial, a fascinante época da lei seca.

O Pior: Partilho da indignação de Rick Castle. Mergulhar refrigerante num uísque antigo, de travo aveludado, devia dar direito a pena efectiva de cadeia. Mais a sério, existiu pouca coisa que não tenha agradado. Foi um episódio movimentado, repleto das habituais reviravoltas e envolto naquele embrulho que os episódios da série costumam ter: humor e acção, em dose calibrada. Foi um episódio cool.

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2 Respostas para “Castle: 3×10 – Last Call (ABC)” Subscribe

  1. Cláudia 13/12/2010 às 10:54 #

    Um bom episódio. E eu não aprecio muito os happy endings muito happy mas deste até gostei.

  2. Joana 13/12/2010 às 12:18 #

    Excelente episódio. Teve humor, acção, excelentes referências históricas. Acho que estava mais entusiasmada do que o Rick com aquele bar. Cenário espectacular na cave. E eles a cantar, lindo!

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