Californication: 4×02 – Suicide Solution (Showtime)

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[SPOILERS] “Californication” é uma série que conjuga muito bem o seu lado burlesco com o tom mais sério que empresta a certas temáticas. E fá-lo tão bem porque é completamente convincente nestas mudanças e porque as apresenta como algo lógico perante o desenrolar das histórias.

O início e o fim deste episódio são dois extremos (da série) que se tocam e que são tão característicos da mesma. Hank (David Duchovny) e Marcy (Pamela Adlon) na mesma cama é algo que se espera da série. Um Charlie (Evan Handler) nu – de taco de críquete em riste – a entrar no quarto aos gritos é mais um elemento banal que se adiciona à cena. Momentos descontraídos, com diálogos ligeiros, alguma piada e que culminam numa “ternurenta” cena.

To my dear beautiful daughter: I’m writing you a letter. That’s right, a good old-fashioned letter. It’s a lost art really, like handjobs–shit. I have a confession to make: I didn’t like you very much at first. You were just this annoying little blob. You smelled nice, most of the time, but you didn’t seem to have much interest in me, which I of course found vaguely insulting. It was just you and your mom against the world. Funny how some things never change.

Mas o final deste “Suicide Solution” é também mais um daqueles momentos típicos da série. Um Hank regressado de mais uma noite de “cowboyada” continua a senda de álcool que tinha iniciado algumas horas antes, junta-lhe alguns comprimidos e depois, ironicamente, tem aquele momento de completa lucidez em frente à máquina de escrever. Um homem/marido/pai amargurado com as burrices que tem feito ao longo da vida e que se abre totalmente à filha por intermédio de uma folha de papel e algumas palavras dactilografadas.

So I cruised along doing my thing, acting the fool, not really understanding how being a parent changes you. And I don’t remember the exact moment everything changed, I just know that it did. One minute I was impenetrable, nothing could touch me. The next my heart was somehow beating outside my chest, exposed to the elements. Loving you has been the most profound, intense, painful experience of my life. In fact it’s been almost too much to bear.

Naquele momento Hank sabe exactamente quem é, o que vale perante os olhos dos outros e sabe que se encontra quase (?) num beco sem saída. Ele vê-se num sítio escuro e impotente de mudar o rumo dos acontecimentos. Um enorme momento da série e que fica facilmente gravado na minha memória.

As your father I made a silent vow to protect you from the world, never realizing I was the one who would end up hurting you the most. When I flash-forward my heart breaks, mostly because I can’t imagine you speaking of me with any sort of pride. How could you? Your father is a child in a man’s body. He cares for nothing and everything at the same time. Noble in thought, weak in action. Something has to change, something has to give. It’s getting dark, too dark to see.

Perante isto, os destaques do resto do episódio tornam-se avulsos e menos importantes (embora tenham sido também muito bons):

  • Becca (Madeleine Martin) parece querer voltar a ter importância que merece. Foi convincente nas cenas com o pai e os seus diálogos voltaram a ser bastante pertinentes e a mexer com Hank (e connosco).
  • Hank é um homem de muitas mulheres. Mas a cena com a advogada fez-me rir muito pois aquela sua maneira de mudar o tom da conversa à medida que a sua interlocutora entra (ou não) no jogo dele, torna tudo muito interessante. E David Duchovny continua excelente.
  • Rob Lowe tem uma participação ao seu melhor estilo. Sempre gostei bastante deste actor e ele aqui mostra-me mais uma vez o porquê. Eddie Nero tem piada, entrou bem no espírito da série e colocou Charlie em sentido. Muito bom.

Hank é uma personagem fascinante. Consegue ser rude e simpático, charmoso e ordinário, cavalheiro e arruaceiro ou amante de muitas mulheres mas perdidamente apaixonado pela sua família. É um homem errante, irresponsável e imaturo. Mas temos sempre uma enorme simpatia por ele.

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Liebe ist, was sich ergibt, wenn man Sex hat.

16 Respostas para “Californication: 4×02 – Suicide Solution (Showtime)” Subscribe

  1. syrin 22/01/2011 às 15:48 #

    Sempre disse que é quando Californication se mostra mais comedida, quando se leva a sério, que a série se supera, e isso ficou aqui mais uma vez provado. Todas as cenas com a Becca (que parece ter voltado ao normal, yey) foram muito boas, mas a carta final… uau. É por isso que eu gosto desta série, porque no meio do deboche, da comédia e do exagero, consegue dizer tanto de forma tão eloquente. Muito bom o episódio.

    • Maciel 22/01/2011 às 18:28 #

      É por isso que eu gosto desta série, porque no meio do deboche, da comédia e do exagero, consegue dizer tanto de forma tão eloquente.

      Completamente. Adoro como a série balança entre a comédia (com situações completamente surreais) e o drama.
      Mas há pessoas (duas letras. o nome começa com um z e acaba com um b) que só vêem gajas boas e sexo nesta série e depois acham-na overrated :mrgreen: ehehe

      • ZB 22/01/2011 às 18:38 #

        E eu a pensar que tu só gostavas da série por causa das gajas e no fim venho a descobrir que é por causa do Hank/Duchovny. Mau… ehehe :evil:

        • Maciel 22/01/2011 às 18:40 #

          ehehe. Claro que é o Hank que me puxa para a série. Ele é um gostosão como mais nenhum :)

          • ZB 22/01/2011 às 19:06 #

            Só falta descobrir que afinal tens uma página de fãs dedicada aos Irmãos Guedes. muaahahaha :mrgreen:

            • Maciel 22/01/2011 às 19:21 #

              Aos irmãos Guedes não. Mas tenho 37 dedicadas ao Bear :)

  2. syrin 22/01/2011 às 18:58 #

    Já agora, o que achaste da história da Marci? Está claro que ela está grávida. Só espero que não vá estragar o bom caminho que a história está a ter…

    • Maciel 22/01/2011 às 19:20 #

      Hmmm. Por acaso não levei para esse sentido. Mas realmente tem lógica.

      • syrin 22/01/2011 às 19:25 #

        Não levaste para esse sentido? Com aqueles enjoos todos e a Marci a dizer que sentia dores nas mamas? :s Se calhar sou eu que já estou a ficar influenciada com outras séries que vi em 2010, mas fiquei mesmo com essa ideia… :s

        • Maciel 22/01/2011 às 19:27 #

          :) Tu és mulher, eu sou homem. Eu levei para aquilo que ela comentou. Os sintomas encaixam. Mas realmente, pensando bem, és capaz de estar muito mais perto da verdade do que eu.

  3. musicslave 24/01/2011 às 15:05 #

    é por episódios com este que eu adoro a série.
    ver David a actuar é um prazer e neste episódio ele esteve muito bem, até dá para sentir a angustia porque Hank esta a passar

    tal como dizes e muito bem a série mostra todo o seu potencial ao conjugar muito bem a comédia com o drama.
    a histórias estão a fluir muito bem, com boas interpretações.
    apesar de ser homem a primeira coisa que pensei sobre a Marcy é que ela estava grávida..

    nunca é demais referir que a Sasha é muito gira :mrgreen: e quem diria que ela só tem 19 anos..

    • Maciel 24/01/2011 às 18:52 #

      ver David a actuar é um prazer e neste episódio ele esteve muito bem, até dá para sentir a angustia porque Hank esta a passar

      Tu controla-te rapaz. É que depois vem cá o zb e…

      Mas sim. Ele faz um papelão na série e muda de registo muito facilmente.

      • musicslave 24/01/2011 às 18:57 #

        lá tas tu a levar o que eu disse para outro lado :mrgreen:

        a Sacha é que era um prazer :mrgreen:

        • Maciel 24/01/2011 às 18:59 #

          a Sacha é que era um prazer

          Lá isso era. Naquela reunião ela mostrou alguns dos seus atributos :)

          • musicslave 24/01/2011 às 19:03 #

            e que atributos, ela( personagem ) parece ate inteligente, aliava-se assim 2 qualidades..
            este Hank é cá um sortudo :mrgreen:

          • ZB 24/01/2011 às 19:04 #

            Sim, sim, agora disfarcem a conversa a falar da Sasha… :evil:

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