[SPOILERS] “Hello. I’m your creator”. Nikki Heat. Personagem carismática, feminina, nascendo de uns rabiscos na margem de um caderno barato, até se transformar num ícone, derramadas milhares de letras para a caracterizar, por parte do seu autor. Em poucas palavras, Rick Castle (Nathan Fillion), escritor profícuo de policiais, define-a: Inteligente. Dinâmica. Complicada. Profunda. Generosa. Mas o sucesso catapulta-a das páginas dos livros para as telas de cinema. Poderá Rick avalizar a escolha da protagonista, ele que criou Nikki Heat tendo como pano de fundo a sua musa inspiradora, Kate Beckett (Stana Katic)?
Mas não é esse, claro, o ponto forte do episódio. Crime. Cadáveres ensanguentados. É aí, no meio de tragédias humanas, onde o Mal vive à espreita, que está o verdadeiro filão da série. Na empatia entre os diferentes personagens. Nas suas deixas. Nos diálogos de humor cortante. Como sempre, nas entranhas de Nova Iorque, aquele grupo restrito de detectives prossegue a sua missão. Capturar os criminosos. Por mais difícil que seja.
A vítima do episódio é Stacy Collins, uma casamenteira de sucesso, cuja profissão consistia em fazer de cupido, juntando almas solitárias num amor profundo. Atacada à saída de uma festa, em sua homenagem, vítima de um crime premeditado (só lhe roubaram as chaves de casa e escritório), vai ter a vida devassada pela equipa de investigação. Que segue dois caminhos distintos. Ryan (Seamus Dever) e Esposito (Jon Huertas) tomam as rédeas da busca no escritório, onde Stacy exercia o seu ofício. Já Kate e Rick, com a esbelta companhia de Natalie Gray (Laura Prepon), convidada pela detective para aprimorar o seu papel no cinema, tratam dos interrogatórios dos casais unidos pelo talento inato de Stacy.
O namorado, Brad Williams (Randall Batinkoff), torna-se o suspeito óbvio. Por várias razões, sobretudo pela acalorada discussão que teve com a sua cara-metade, pouco antes do fatídico acontecimento. O passional apaixonado, pese ter sido visto com Stacy no horário provável do assassinato, tem um álibi. Sólido. Mas deixa uma pista. Um potencial caso amoroso, entre Stacy e um desconhecido, que lhe ligava com enorme regularidade. Duke Jones (David Parker), ao invés de romântico empedernido, é um vigarista de largo cadastro, agora transfigurado em detective particular, a quem Stacy pagava somas avultadas para desenterrar todo o passado de potenciais clientes.
Em traços genéricos, depois das habituais voltas e reviravoltas, eis como termina a trama: Stacy, perdido o toque de Midas, começa a ficar frustrada por casar mulheres com homens que se revelam pouco escrupulosos, pouco depois das núpcias. Engendra então um plano que visa que as mesmas saiam, com a dignidade recuperada, dos votos sacramentais. O esquema resulta de uma simplicidade desarmante. Contrata uma prostituta que, depois de seduzir os incautos maridos, os filma nos momentos mais comprometedores. De posse desse material, Stacy obriga-os a um divórcio, que proporciona um bem-estar psíquico e material às suas clientes. Até que um deles, pouco disposto a abrir mão de uma fortuna, a confronta. E mata.
O Melhor: Claramente, a presença de Natalie, a protagonista do filme “Nikki Heat”, junto da equipa policial. Desde a renitência inicial de Rick (ainda por cima aguilhoado no orgulho por não ter sido reconhecido pela sua “criação”), às suas constantes tentativas de impressioná-la, passando pelo ar de adoração adolescente de Ryan, a presença de um novo elemento veio desestabilizar o status quo vigente, provocando alguma insegurança nos homens. E isso foi algo divertido. Tal como a reviravolta, com Rick a começar a idolatrá-la, complemento perfeito para a crescente animosidade de Kate com a sua quase cópia.
E, claro, o pedido de casamento de Ryan à sua namorada, Jenny (Juliana Dever). Íntimo e poderoso. Curiosamente, e numa nota à parte, ambos são casados na vida real.
O Pior: Numa série policial, não cabe na cabeça de ninguém que, seja nos interrogatórios ou nas prisões dos suspeitos, muitas delas envolvendo potencial violência, os detectives estejam rodeados de civis, como Rick e, neste episódio, Natalie. Não é credível…
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Gostei muito, principalmente das cenas entre a Natalie e a Beckett, e as ideias diferentes de Castle e Beckett para o pedido de casamento de Ryan, muito bom.
E não podia concordar mais com o que dizes sobre a presença de civis nos interrogatórios, foi mesmo uma das coisas que mais me fez confusão, só mesmo a presença de Castle, não é credível.
Só um pequeno reparo, penso que o nome da actriz era Natalie Rhodes, não Natalie Gray.
Thanks pelo comentário:)
Também fiquei na dúvida quanto ao nome da personagem, mas no IMDB aparecia creditada como Gray. Por acaso, inicialmente, tinha-a com o apelido Rhodes.
Episódio divertidíssimo. A ideia de civis a seguirem polícias não cabe na cabeça de ninguém, mas esta série brinca mesmo com isso. E muito bem, na minha opinião. Grandes tiradas neste episódio: “Hiding from Creepy Beckett.”
Eu pensava que era Natalie Rose. Mas adiante, eu gostei bastante do episódio. A reviravolta de ver Castle estar chateado por não ser reconhecido ao princípio para depois admirar a Natalie e a Natalie estar a copiar a Beckett.
Não sei porque, mas estou adorando ver Castle no meio de Fringe no Top 10-Melhores Episódios.
Tirando isso, foi um episódio muito bom mesmo. A “Creepy Beckett” foi mesmo de matar, tava idêntica. E foi idêntica de um jeito hilário, não sei mesmo dizer qual foi a melhor reação. O final foi ótimo, mesmo que essa namorada do Ryan tenha saído meio do nada.