[SPOILERS]“I wear the chain I forged in life….I made it link by link, and yard by yard; I girded it on of my own free will, and of my own free will I wore it.”
Dez anos. Dez longos anos. Tempo que Kate Beckett (Stana Katic) carregou a dor da morte da sua mãe, enquanto mergulhava num mundo de demónios e fantasmas pessoais, lidando com o desaparecimento da progenitora da única forma que sabia. Trabalhando. De forma árdua. Intensa. Até que um dia, uma luz, uma pequena centelha de esperança, lhe trouxe um raro sorriso ao rosto. A verdade por detrás da morte violenta veio ao de cima. Kate, que a tinha perseguido ao longo de toda a sua carreira, sentiu que podia finalmente colocar um decisivo ponto final num mundo de angústia. Faltava apenas o último passo. Descobrir o mandante do crime. E este episódio colocou-a bem perto desse desiderato.
Tudo começa com um telefonema. Uma voz sussurrando, adensando um mistério ainda por resolver. John Raglan (Joel Polis), detective responsável pela investigação da morte da mãe de Kate, combinando um encontro. Para lhe contar algo que ela não sabe. Raglan é um detrito. Alguém prematuramente envelhecido, minado por um linfoma, depressivo por demasiados pecados cometidos, escudado atrás dum distintivo. Procurando acertar as contas com os erros, Kaplan praticamente não tem tempo de expor a aparente conspiração que está por detrás da morte de Johanna Beckett. Um tiro certeiro ceifa-lhe a vida, perante a ameaça de exposição.
A investigação pega na única pista disponível. 19 anos antes, Kaplan envolveu-se com Vulcan Simmons (Jonathan Adams), um meliante que controlava o tráfico na cidade que nunca dorme. Apostador compulsivo, Kaplan rapidamente ficou manietado numa teia de interesses e chantagens. É um vestígio animador. Vulcan, rei e senhor do negócio de estupefacientes, tem um ponto de ligação com Mrs. Beckett. Ela, moradora na vizinhança, tinha encetado um movimento cívico, galvanizando os moradores a combaterem o comércio despudorado das drogas. Mas o Vulcan actual é alguém mais experiente. Frio. Cínico. Capaz de penetrar na alma de Kate, usando-a como marioneta, num jogo de gato e rato durante o interrogatório. Somos confrontados com uma Kate diferente. Emocional. Como se algo lhe tivesse quebrado o verniz, que a mantinha polida e indiferente, em qualquer situação. Afastada do caso, após agredir Vulcan, Kate envereda por uma investigação particular, ajudada por Rick (Nathan Fillion). É o tempo de ver a devastação que a morte da mãe lhe trouxe, com a obsessão da descoberta do culpado a ocupar-lhe o quotidiano. Revelador o facto de ela possuir, em casa, uma espécie de altar onde pontificam as principais provas recolhidas até à data. A investigação tem agora duas frentes. A oficial, com Ryan (Seamus Dever) e Esposito (Jon Huertas) a conseguirem obter a impressão digital de um suspeito, Hal Lockwood (Max Martini). E a oficiosa, com Rick a descobrir fotografias antigas que podem lançar luz sobre as trevas do caso. Hal aparenta ser o sniper, autor do tiro que matou Raglan, mas é Rick que colhe os méritos maiores. Desvenda o motivo do assassinato de Johanna. No mesmo local onde ela tinha sido morta, outro crime anterior tinha acontecido. As fotografias encontradas por Rick comprovam que a mãe de Kate perseguia algum mistério, no assassinato de um agente infiltrado do FBI. Pulgatti, (John Pulgatti) mafioso e tornado bode expiatório dessa morte, estava a ser assessorado por Johanna, que tinha descoberto que um grupo de policias de dedicava a uma actividade bem mais rentável do que zelar pela lei. Sequestravam mafiosos, a troco de resgates chorudos. Assassinada por se ter aproximado da verdade, Johanna desvendou pistas que são agora aproveitadas. Passo a passo, o encontro com a verdade parece ser a realidade. Não fosse o desvirtuamento das regras básicas, tornando os caçadores em presas. Hal captura, numa manobra arrojada, Ryan e Esposito, procurando descobrir que informações possuem. São ambos resgatados, num arrojado plano e com um improvável herói: Rick. A verdade final não chega ainda a ser desvendada. Mas parece estar perto. Bem perto e, pela amostra do episódio de hoje, será servida num embrulho cheio de acção…
O Melhor: O melhor episódio da temporada? Dependerá do gosto de cada um. Para mim, sim. Claramente. Tenso, vibrante, com suspense capaz de criar um estado de ansiedade visível no espectador. Mas, estranhamente, igualmente intimista. Breves olhares. Gestos de carinho. Frases entrecortadas por silêncios que se complementam. Rick e Kate. Nunca, como até este episódio, a cumplicidade tinha atingido níveis tão elevados. Nunca eles tinham estado tão próximos. Unidos. E depois há o beijo. Usado como artificio para iludir a vigilância, no resgate da dupla de detectives prisioneira, foi mais do que um beijo técnico. Teve paixão. Fulgor. Pode representar o início de algo…
O Pior: Ter acabado tão depressa.
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Embora fantástico, este episódio (assim como muitos outros da série), pode ser resumido numa palavra “cliché”, e não o digo num mau sentido, mas estou desiludido com a maneira como abordaram o tema.
:4:
Muito bom. São episódios destes que me fazem desejar que a série desenvolvesse mais as personagens. Eu não me importo da série ser light mas episódios destes fazem desejar algo mais.
Para mim o melhor até agora. Algumas cenas deixaram-me com pele de galinha. Grandes interpretações também. Muito bom.
Acho que o melhor por acompanhr séries nesse estilo, procedurais, com certo drama mas tudo leve, é a graça desses episódios mais tensos. O melhor da temporada pra mim, e o beijo foi mesmo algo intenso. A melhor parte de todas. Mas foi interessante ver o comanherismo de Ryan e Esposito durante a seção de tortura.