[SPOILERS] “The things I do for love.” Romântico ou fraternal, simples amizade ou sentimento incondicional, o amor é um dos elementos que rege as nossas vidas, para bem e para o mal, e que acaba também por ser uma das bases em que assenta toda a história de “Game of Thrones“. Isto é, o amor, o poder, a vingança e muito, muito mais.
Bem-vindos a uma nova época, bem-vindos a um novo mundo, bem-vindos a Westeros. Depois de uma longa espera, finalmente chegou o dia em que as personagens, locais e eventos que, nos últimos quinze anos, conquistaram leitores um pouco por todo o mundo, ganham forma e cor numa espectacular produção da HBO. Com alguns percalços, é certo, e com muita desconfiança por parte daqueles que se entrincheiram firmemente no campo “Fantasia? Não, obrigado!” (nos quais eu, salvo raras excepções, me incluo), chegou a hora da verdade. Iria “Game of Thrones” impressionar cépticos dos dois lados da cerca? Iria conseguir agradar a gregos (os leitores mais acérrimos) e a troianos (os que não conhecem os livros e que desconfiam geralmente deste tipo de histórias), criando um meio-termo aceitável a todos? As opiniões parecem ser favoráveis, mesmo com algumas vozes discordantes, mas por estas bandas, e enquanto fã da saga, não há que enganar: grande começo para o que promete vir a ser uma grande série.
Para todos os que mostram alguma desconfiança, que não são adeptos da fantasia e que temem dar o primeiro passo, um conselho: não se deixem enganar por rótulos, “Game of Thrones” irá ter elementos de fantasia, alguns apresentados brevemente na abertura deste episódio com os terríveis White Walkers (mais conhecidos por Others nos livros) e outros que prometem despertar mais tarde, mas é, no fundo, uma história bastante real e que está muito mais próxima de nós. O dever, a honra, a protecção da família, a luta pelo poder e a traição são dignos de um qualquer outro drama da casa que nos trouxe “The Sopranos“, “Deadwood“, “The Wire” ou “Rome“, e prova que depois que séries como “Battlestar Galactica” conseguiram transpor géneros, outras certamente as seguirão. Para todos os que conhecem a história de fio a pavio, que leram os livros seja uma ou dez vezes e que mal podem esperar por dissecar todos os pontos e reviravoltas presentes, um pedido: não deixem spoilers nos comentários. Lembrem-se de como foi bom serem surpreendidos com uma morte ou com um regresso, com uma cena mais calma ou com as maiores batalhas. Discutam o que quiserem nos comentários, mas sempre pensando nos outros que estão a descobrir este mundo pela primeira vez. Usem e abusem destas minhas análises, mas fiquem desde já com a certeza de que qualquer spoiler será imediatamente eliminado. E nem precisamos de uma Ice para o fazer.
Feitos os avisos e lançados os pedidos, seguimos então para o episódio que deu início a esta aventura. De forma a poder facilitar a vida a quem se sente ainda um pouco perdido, iremos dividir as análises pelos diversos locais onde se passa a história, um pouco como vimos nos belíssimos créditos iniciais da série (cuja primeira versão podem ver e rever aqui, e que prometem evoluir ao longo da temporada).
Para lá da Muralha de Gelo:
Na floresta branca, silenciosa e assustadora, três homens seguem no encalço de um grupo de Wildlings, mas encontram, no seu lugar, a morte às mãos de inimigos há muito desaparecidos e de que apenas sobraram as lendas. Tal como nos livros, esta primeira introdução à história revela pouco sobre a parte mais “fantástica” da série, deixando no ar algumas questões que ficam por resolver e podendo criar mesmo alguma confusão. Quem são os Wildlings, cujos pedaços de corpos os cavaleiros encontraram num círculo na neve? Quem os matou? Quem é aquela criança sombria que regressa dos mortos? Qual a história dos White Walkers e que importância terá isso para a trama desta série? Em traços largos, os Wildlings são inimigos de Westeros, que vivem no lado norte da Muralha. São povos nómadas, vistos como bárbaros pelos habitantes a sul da Muralha e que, por vezes, atacam quem ousa trespassar o seu território. Já os White Walkers, são uma raça de criaturas míticas que vivia para lá da Muralha e que conseguem despertar os mortos. Há 8000 anos que ninguém ouve falar deles, tendo-se transformado em lendas e histórias que se contam para assustar as crianças, mas parecem estar a regressar agora que o Inverno está a chegar… e sim, haveremos de regressar a esta história, mas espero que tenham alguma paciência, pois o nível de fantasia na série aumenta muito lentamente ao longo dos livros (e dos episódios). Os White Walkers voltarão… quando menos os esperarem.
Winterfell:
“Winter is coming”. No castelo mais a norte de Westeros, há milénios lar da família Stark, a normalidade irá ser quebrada por uma decapitação inevitável e pela chegada de notícias perturbadoras da capital dos reinos, King’s Landing.
Senhor do castelo, Eddard ‘Ned’ Stark (Sean Bean), é um homem sério e justo, que acredita na honra e no dever acima de tudo, mesmo quando isso prejudica os seus. “The man who passes a sentence should swing the sword”: Se mais fosse preciso para estabelecer a personagem, a cena da decapitação, para além de mostrar algum gore e de fazer a ponte para o prólogo, ilustra de forma clara quem é esta personagem cuja história iremos seguir. Ned vive em Winterfell com a mulher, Catelyn (Michelle Fairley), os cinco filhos e o filho bastardo. Sem sequer entrarmos no resto dos habitantes de Winterfell, com tão grande elenco após apenas alguns minutos de série é natural que haja alguma confusão, e que a mesma aumente com a chegada do rei de Westeros, Robert Baratheon (Mark Addy) e da sua corte. Nos livros o sentimento é o mesmo, embora a estrutura com que estes foram escritos, que nos mostra a cada capítulo o ponto de vista de uma personagem distinta, permita esclarecer algumas dúvidas que possam surgir, proporcionando-nos um olhar diferentes sobre os diversos eventos. Aqui, no entanto, não havendo essa possibilidade, torna-se necessário repetir constantemente os títulos e afiliações, ou mesmo inserir cenas que não existem no original, de forma a estabelecer o que se está a passar no ecrã. E é aqui que o episódio se torna algo pesado para quem conhece as histórias dos livros. Para nós, todos estes momentos expositivos, como aqueles em que Jon se esforça por estabelecer que Catelyn não é a sua mãe, mas que Ned é o seu pai, ou mesmo a cena em que Cersei (Lena Headey) e Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) Lannister, respectivamente a rainha-consorte de Westeros, e o seu irmão gémeo, falam sobre a morte de Jon Arryn, Mão do Rei (o primeiro-ministro lá da zona, mais ou menos) parecem forçados. Para quem foi atirado de pára-quedas para esta história, no entanto, estes são momentos essenciais para conseguir perceber quem está do lado de quem. Afinal, nos livros podemos perder-nos, durante mais algum tempo até conseguirmos encontrar o nosso caminho na história (e admito desde já que só na releitura do primeiro volume me apercebo de quem é quem). Já na televisão, são as audiências que ditam tudo, e convém que ninguém desista ao final de apenas um episódio.
Mesmo com algumas cenas algo forçadas e condensadas, é possível, neste primeiro episódio, estabelecer um pouco das personalidades dos Stark, dos Baratheon e dos Lannister com a ajuda de algumas pequenas cenas e trocas de olhares que não passam despercebidas.
- Casa Baratheon (Brasão: Veado): Robert Baratheon, o rei de Westeros, não tem nada que enganar. Gosta de boa comida, boa bebida, boas mulheres, e não se importa de o mostrar a tudo e a todos, nem mesmo à mulher. Melhor amigo de Ned quando os dois eram jovens, derrotou a casa Targaryen e assumiu o controlo dos Sete Reinos. Algo unidimensional, por vezes, Robert consegue, mesmo assim, ter alguns momentos em que mostra um lado diferente, nomeadamente a cena na cripta com Ned, quando os dois visitam o túmulo de Lyanna Stark, irmã de Ned e prometida de Robert, ou quando oferece a Ned o cargo de Mão do Rei e o casamento entre o seu filho, Joffrey (Jack Gleeson) e a filha de Ned, Sansa (Sophie Turner), cenas nas quais Mark Addy se superou.
- Casa Lannister (Brasão: Leão): Cersei e o irmão gémeo Jaime não têm nada que enganar, apresentando-se desde logo como os adversários desta história. Cersei é fria, maquiavélica, calculista, algo que, infelizmente, Lena Headey não conseguiu transmitir da melhor forma. Jaime, pelo contrário, parece mais descontraído, mais leve, como se vê na cena com o irmão mais novo, mas como se vê no final, igualmente calculista. Já Tyrion (Peter Dinklage), o irmão mais novo, teve poucos momentos para dar um ar da sua graça, mas nos que teve, conseguiu sem dúvida roubar as cenas. Seja rodeado de prostitutas ou numa simples conversa com outros discriminados (“All dwarfs are bastards in their father’s eyes“), Tyrion é certamente alguém a ter em conta e irá, certamente, ter as melhores deixas em todos os episódios
- Casa Stark (Brasão: Direwolf). Ned é sério e honrado. Catelyn, a sua esposa, parece perfeita para Ned, embora exiba alguma desconfiança quando se trata do filho bastardo do marido. Robb (Richard Madden), o filho mais velho, pouco destaque tem, mas parece aparentar uma cumplicidade com Jon (Kit Harington), o meio-irmão, e Theon Greyjoy (Alfie Allen), o protegido de Ned. Sansa é a típica rapariga muito feminina, em tudo oposta à irmã mais nova, Arya (Maisie Wiliams), uma maria-rapaz. Rickon (Art Parkinson), o mais novo, passa quase despercebido. Já Bran (Isaac Hempstead-Wright), o filho do meio, parece ser um pouco os olhos através dos quais iremos ver a história neste episódio. É com ele que começa a história, é por ele que passam os maiores eventos como a decapitação, a descoberta dos filhotes de Direwolf (um para cada um dos miúdos Stark e mais um, extra, para o bastardo Jon), a chegada do rei, vista do cimo das muralhas que tanto adora escalar e, finalmente, a maior revelação da história – a descoberta do incesto dos gémeos Lannister. Por ser os olhos através dos quais analisamos grande parte do episódio, a cena da queda da torre, provocada sem dó nem piedade por Jaime, torna-se ainda mais perturbadora, e deixa-nos ver que esta não é uma série para ver de ânimo leve, que as reviravoltas inesperadas serão abundantes, e que aqui ninguém está seguro. Literalmente.
Pentos:
Afastada de tudo e de todos, mas com um destino inevitavelmente ligado a Westeros, a jovem e inocente Daenerys (Emilia Clarke), uma das últimas descendentes da família Targaryen, antigos senhores de Westeros derrotados por Robert Baratheon, é obrigada a casar-se com um senhor da guerra local, de forma a ajudar o irmão Viserys (Harry Lloyd) a conseguir soldados para tentar reconquistar o trono perdido. Enquanto em Winterfell e King’s Landing é o poder e a usurpação do trono que terão destaque, em Penthos é o crescimento e a evolução desta rapariga/mulher, de princesa sem trono a Khaleesi, que nos irá guiar ao longo da temporada. Sem dúvida uma das personagens de quem mais se espera, é impossível dizer ainda se Emilia Clarke estará à altura da sua personagem, mas por agora conseguiu mostrar todo o desespero de se ver, mais uma vez, arrancada de tudo o que conhecia e essencialmente “vendida” por um reino. Tendo em conta a época (mesmo fictícia) em que se passa a história desta série, o casamento por conveniência de Daenerys (Dany, para os amigos) não causa tanta estranheza como poderia, mesmo se aquela cena final da “noite de núpcias” entre Dany e Khal Drogo (Jason Momoa) se tornou num dos pontos fracos da história, ao transformar em violação (mesmo que não explícita) uma cena que, originalmente, era bem mais consensual, e que nos deixava antever um outro lado da personalidade tanto de Dany como de Drogo. Já as cenas entre Dany e o irmão Viserys, essas sim, conseguem arrancar até do mais empedernido espectador, um sentimento de desprezo e de nojo. Perfeitamente interpretado por Harry Lloyd, este Viserys consegue ser ainda mais repugnante do que o original, e com poucas palavras e gestos, relembrar a todos os que conhecem os livros uma das características mais “peculiares” da casa Targaryen. Para manterem a pureza do sangue do Dragão (brasão da casa Targaryen), o casamento entre irmão e irmã é natural, e poderia mesmo ter acontecido com Dany e Viserys caso este último não tivesse de a vender para arranjar soldados. Com este dado na mão, a cena antes do banho de Dany consegue ainda tornar-se mais repugnante, e deixar-nos a pensar se não terá, com este casamento forçado, Dany escapado de algo bem pior. De qualquer forma, e mesmo se a sua história ainda está no começo, não tirem os olhos desta rapariga, pois para além do seu belo corpo que, de certeza, fez as delícias dos espectadores masculinos, ainda irá trazer muito à história. Aquele banho em água a escaldar e os ovos de dragão fossilizados que recebeu como prenda de casamento não são apenas decoração…
Muito mais haveria por contar, por discutir, por analisar. Do primeiro vislumbre do Hound (Sandor McCann) à chegada de Benjen Stark (Joseph Mawle), membro da Night’s Watch, protectora da Muralha. Das palavras premonitórias de Ned às dúvidas de Catelyn. Dos olhares frios de Cersei à fêmea direwolf trespassada pelo veado. Da cena adicionada, que poderá condicionar uma das histórias principais numa direcção inesperada, à cena totalmente omitida entre as crianças Stark e Lannister, que poderá levantar algumas dificuldades no futuro, este primeiro episódio de “Game of Thrones” não foi, de forma alguma, perfeito, mas conseguiu certamente cativar os que o viram. Espera-se que, nos próximos, a exposição fique um pouco para trás e se consiga avançar, da melhor forma, com a história. Por estas bandas, aguardam-se já, com ansiedade, os próximos capítulos da saga e promete-se tentar escrever um pouco menos nas próximas críticas.
[starreview]
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:wow:
Grande review.
Thanks!
Pronto, li até ao fim e como concordo com o que disseste só tenho uma coisa a dizer: Puppiiiieeees!
Oh pá, são tão LINDOS!!!
E nos braços do Robb e do Theon então, pareciam ainda mais pequeninos. E o Ghost… :loveyou: :loveyou: :loveyou:
sim, só gostaria de ter visto mais dos lobos no episódio. tirando essa cena e a cena final do bran, nao se viu mais os lobos, mas para o próximo episódio parece-me que vamos ter mais, não sei xD
Não te preocupes que os vais voltar a ver. Há seis lobos lindos para aparecerem no ecrã. O problema é quando crescerem.. palpita-me que daqui a uns tempos têm de substituir os cães que usaram aqui por bonecos em CGI…
Eu gostei, mas confesso que fiquei triste com o Jon Snow. é das minhas personagens favoritas e o actor não me cativou. Vamos ver comos e desenvolve, o facto de ser dos meus preidlectos também lhe põe muita pressão em cima.
Em compensação outro dos meus favoritos está perfeito. O Tyrion. Nunca duvidei do actor já conheço algum do seu trabalho e é formidável.
O Viserys, o bran, A Arya, o Ned, e até a Dany me pareceram belas escolhas de casting. devo-me estar a esquecer de uns quantos.
O Robb também é capaz de estar porreiro.
O Jon (e o Robb) ainda teve pouco que fazer. Vejamos o que acontece quando partir.
Sim, mas mesmo assim…
Ah o jaime também me pareceu bem
eu gosto muito do jon snow, penso que está bem. só não gosto é do cabelo, parece um penteado de gala do séc XIX ou XX xD
Os penteados são muito mauzinhos, por acaso. Os penteados da Cersei em King’s Landing então… ui! :s
Gostei da review, da separação por zonas e das apresentações das casas. Eu pensei fazer isso mas acabei por nao fazer quando escrevi sobre a série. A verdade é que para quem não conhece vai interiorizando ao longo dos episódios a mitologia, e pouco a pouco e sem se aperceber vai percebendo tudo sem esforço.
Acho que neste caso reviews sobre a série, para quem não leu os livros, vão ser mais importantes que o habitual porque vão permitir situarem-se na história que estiveram a ver, implementando-se assim de maneira harmoniosa a soma das partes que constitui esta história, personagens, casas e intrigas. Portanto parabéns pelo clareza no review. Como companheiro de leitura da saga e companheiro de critica da série fico contente com a qualidade desta análise e com a qualidade de quem analisa. Porque acho que se pode fazer as pessoas apreciarem um bocadinho mais a série ao ler estas reviews
Só queria fazer um comentário a parte do “promete-se escrever um bocadinho menos”. Não o faças :p também olhei para a review e pensei que fosse muito grande, mas cheguei ao fim e queria mais lol.
Também tenho pena que a cena entre a Dany e o Khal Drogo tenha mudado, mas penso que é para eles não precisarem de mostrar como é que eram as noites de eles os dois todos os dias. Apesar de preferir mais a versão do livro.
Já agora, de que cenas é que estás a falar aqui: “Da cena adicionada, que poderá condicionar uma das histórias principais numa direcção inesperada, à cena totalmente omitida entre as crianças Stark e Lannister” Não me estou a lembrar de nada :/
Só queria fazer um comentário a parte do “promete-se escrever um bocadinho menos”. Não o faças :p também olhei para a review e pensei que fosse muito grande, mas cheguei ao fim e queria mais lol.
Hehe… de qualquer maneira, quase metade deste texto era introdução à série, por isso…
Já agora, de que cenas é que estás a falar aqui: “Da cena adicionada, que poderá condicionar uma das histórias principais numa direcção inesperada, à cena totalmente omitida entre as crianças Stark e Lannister” Não me estou a lembrar de nada :/
Vou responder com a tag de spoilers, para não deixar ninguém de sobreaviso:
Ah, são tudo cenas que em ainda tenho que descobrir a “essencialidade” delas então :p Estou agora a ler esse livro, a 1ª parte.
Acho que estás a pensar demasiado à frente, não te esqueças que o George R.R. Martin está a supervisionar a história.
Ele dá uma ajuda na série, mas não é ele que decide o caminho a seguir.
De qualquer maneira, são duas cenas que só terão repercussão na season 3, e como até agora só sabemos que haverá season 2… não me vou preocupar muito com isso. ;P
As grandes decisões que tomam ele tem uma palavra a dizer e é questionado sobre as coisas. Nessas cenas que tu referes isso aconteceu que há um video a falar disso
Não li o livro e achei brilhante como não fiquei extremamente confuso ao ver o episódio, o que é óptimo, porque a história tem um aspecto extremamente complexo.
Desde que arruinaram a Bússula Dourada no cinema, sou um céptico quanto a este tipo de adaptações, mas em 10 episódios é muito mais fácil não desvirtuar a história e mesmo sabendo que nem tudo pode ser seguido à risca, este primeiro episódio deixou óptimas indicações.
Vou ver a série e depois leio o livro, para ter outra perspectiva.
Vi ontem à noite o episódio e hoje, confesso, não parei de pensar na série. Já revi o primeiro capítulo, já li várias críticas, já fui ao site da HBO ver os mapas, as árvores genealógicas, etc, etc… agora só me resta esperar pelo próximo Domingo.
Se tivesse de escolher as minhas duas cenas favoritas, provavelmente optaria por aquela em que o Tyrion conversa com o Jon (as personagens com quem mais simpatizei, aliás) e, claro, a última cena, que me deixou de boca aberta. Twisted!
E sim, odeio o tal de Viserys…
:5:
A review está muito boa, syrin, não te contenhas nas próximas.
LOL.
Cuidado ao pesquisares na net, para não apanhares spoilers. Acredita que é melhor não saberes nada do que vai acontecer.
E… welcome to the dark side!
Bem, gostei bastante da crítica, pois por um lado explicaste algumas situações que podem não ter sido tão claros para os espectadores que não leram os livros, o que é muito útil, e por lado, avaliaste o episódio com clareza e evidenciaste os pontos altos e baixos. Acho que estamos mais ou menos de acordo.
O que achei, gostei da cena inicial, bastante tenso e assustador, e embora um pouco diferente do livro, penso que está muito bem assim, com aquela parte final fantástica. Os créditos iniciais são fantásticos, os não leitores da série ficam a saber mais da geografia de westeros, toda a ideia das construções a crescerem sob o movimento de máquinas, é muito artistica e orriginal. E a música que acompanha a viagem é fantástica também, do melhor que se tem visto na Tv. Aquelas notas do violino enquanto a camera desde até kings landing são absolutamente fantásticas. Todas as cenas acrescentadas foram importantes, uma vez que é através delas que nos é apresentado as personagens. os que leram os livros, podem ter achado um pouco aborrecido, mas penso que tinha de ser. Quanto às outras cenas, sinto que foram muito bem conseguidas e no geral retrataram bem as páginas do livro, com especial destaque para alguns dos diálogos retirrados à letra. Que presente para os fans! xD os diálogos são fantásticos, as personagens também, os cenários são dignos de um filme. Quanto as pontos negativos. Achei a cena da chegada do rei a Winterfell muito alongada e desinteressante, bem como a música que acompanhou essa cena. E achei a cena da descoberta das crias de lobo gigante muito pouco emocionante. Mas são coisas mínimas que não afectaram o episódio no geral.
Sim, a cena dos direwolves não foi tão emocionante como no livro mas vou ser sincera: a primeira vez que li o livro, essa cena não me disse nada, excepto a parte em que o Jon encontra o seu direwolf. A reacção do Jon aqui deixou-me algo descontente mas também temos de dar um desconto, pois o Jon nos livros tinha 14 anos, e aqui já é mais adulto.
Enorme review, ainda não li tudo, porque estou aqui com uma duvida.
O IMDB, especialmente no que toca a séries, é bastante incorrecto. Não ligava muito a isto. Mas também não estou a dizer que sim ou não à tua pergunta. Acho que no próximo episódio já se saberá.
Quem te manda andar no Imdb? Bad Pedro, Bad.
respondendo sucintamente à tua questão:
Que maldade
LOL!!!
PS. Só agora vi o episódio. Excelente review, syrin. Well done!
Por esta net fora, a grande discussão é: “OMG, há demasiada nudez e sexo na série. Culpa da HBO, de certeza.”
Obviamente esta gente nunca leu os livros.
Americanos… bah! :wink1:
Mas qual nudez? Só houve duas cenas da Dany (acho que vou passar a chamar-lhe assim como sugeriste que é mais fácil), aquelas da festa do casamento de mamas de fora e as prostitutas, que até nem mostraram assim tanto como isso (mas são prostitutas! faz parte não terem muita roupa). Esses gajos são malucos…
São americanos e basta. Reclamaram da cena da Dany na banheira… mas aquilo é importante para mais tarde, por isso…
Ah, e reclamaram da cena do Tyrion e das 4 prostitutas, pois dizem que n mostra o quanto o Tyrion é inteligente. Mas antes disso já tínhamos tido uma cena em que a Catelyn diz que o Tyrion precisa de muitas velas porque lê a noite inteira… Enfim. Eu achei que a cena tem piada e que apresentou bem a personagem que é o Tyrion. No livro, ele passa o tempo a pensar em prostitutas – na série, como não podiam mostrar os pensamentos dele, ilustraram. Parece-me bem.
Também reclamam que a série só mostra mulheres a serem abusadas e vendidas. Well duh… estamos a falar da Idade Média! Queriam o quê, feministas por todos os cantos?! Enfim…
Melhores comentários que li no Fb do io9:
“A little t&a and the Americans go crazy; the Europeans don’t raise an eyebrow.”
“I was so confused, Game of Thrones, REMOVED sex scenes. An HBO show that has less sex than the book it’s based off of, how can that be?”
Uma comparação entre GoT e TB
https://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fio9.com%2F5793737%2Fwhich-hbo-pilot-has-more-nudity-true-blood-or-game-of-thrones&h=aa49d
Por acaso, em relação aos papéis das mulheres é que li algumas opiniões negativas. Até o Shawn Ryan tweetou sobre isso.
Como alguém lhe respondeu… keep watching.
Já agora, quanto à cena de sexo que não foi filmada: Quando Maester Luwin chega com a mensagem da Lysa Arryn para a Catelyn, onde diz que o marido Jon Arryn tinha sido assassinado pelos Lannister, o Ned e a Catelyn estavam os dois nús e ela até se passeia um bocadinho pelo quarto sem roupa.
Yes, GRRM is a pervert…
é, as pessoas que não leram os livros, iriam-se espantar com o nível de nudez que existe neles. deve ter tão ou mais nudez do que na série.
Não se pode dizer que a série não é fiel, nesse aspecto, mas não é exagerado tendo em conta os livros.
ha uma coisa que me chamou a atenção. aquela cena dos rapazes a barbearem-se parece-me que é só para consquistar público feminino xD pareceu-me, só isso xD
Ok, passei a tarde a falar nisto, por isso não me vou alongar muito, e apenas deixar três pontos:
1) O Martin tem uma qualquer disfunção de cariz sexual uma vez que “se és irmã, então tens de ter meter a jeito”.
2) Como é que o rei e a sua comitiva bazam de Winterfell e não se apercebe que a sua rainha não está presente ou sequer se encontra nas proximidades de malas feitas e pronta para ir embora? Ou a ideia é os gémeos ficarem em Winterfell (se é, então escapou-me completamente)?
3) Ao contrário de ti, o actor que faz de oxigenado não me fascinou e não achei o personagem assim tão opressor como isso (aliás, o Ricardo diz que nos livros a sua presença sombria sobre a irmã e o destino desta se sente de forma bem mais acentuada). Ok, mexeu-lhe nas mamas, obrigou-a a casar com um selvagem qualquer e disse-lhe que se fosse preciso deixava-a ser violada por um exército inteiro e os respectivos cavalos. Mas mesmos nestes três momentos, o único em que realmente senti alguma forte tensão entre os dois foi neste comentário dos cavalos. Nos outros, nem por isso (apesar dela decidir entrar em água a ferver e tudo).
Gostei bastante do início (mais White Walkers, por favor!) e gostei bastante do fim, apesar de já estar a adivinhar que o puto não iria ter grande sorte. Do meio, mais ou menos.
1) LOL. Os Stark n se metem nisso, só os Lannister é que são assim. Quanto aos Targaryen, faz parte da cultura deles casar irmão com irmã para manter a pureza do sangue do Dragão. Um bocado como na Europa, antigamente, se casavam primos direitos. Deixa lá, no próximo episódio há cenas lésbicas com a oxigenada boazona.
2) Eles saíram para uma caçada, não se foram embora de Winterfell.
3) Eu acho o Viserys muito exagerado nos livros, gostei muito mais da forma como o Harry Lloyd o interpretou. Mas são gostos… Ah, e não te fies pelo Ricardo que ele pelos vistos também estava meio a dormir quando leu os livros. Pois se nem percebeu quem é que estava a comer a Cersei no final do capítulo do Bran… mwhahahaha.
Já agora, já reviste o episódio bem acordado? É que isso de ver séries às 4 da manhã…
PS – Quanto aos white walkers… bom, espero que tenhas paciência, pois demora mas vale a pena. S3 FTW!
Deixa lá, no próximo episódio há cenas lésbicas com a oxigenada boazona.
Pois, eu reparei nisso no preview do próximo episódio.
E só fica a faltar a Lena Headey mostrar um bocado de pele.
Eles saíram para uma caçada, não se foram embora de Winterfell.
Ah, ok, erro meu então. Como antes de partirem o rei está a dizer ao Eddard que está contente de ele ter aceite a proposta para ser o seu braço direito, fiquei a pensar que já iam de partida.
Já agora, já reviste o episódio bem acordado? É que isso de ver séries às 4 da manhã…
Ainda não. Tive a arranjar a versão 720p e depois revejo no fim-de-semana.
Eu suspeitava que era o Jamie, mas o GRRM nunca é muito claro. Nem sequer usa o nome dele. Digamos que insinua fortemente, mas deixa sempre a hipótese de ser o Tyrion (o que teria imensa piada)…
Insinua fortemente não, diz claramente, só não explicitamente. Sim, nunca diz o nome do Jaime, mas como te disse pelo twitter:
Pág. 83: “And whose fault is that, sweet sister?”
Pág. 85: “They looked so much alike as reflections in a mirror”
Com o primeiro até podia haver alguma dúvida, embora duvido que o Tyrion conseguisse pegar na Cersei e estarem naquelas posições. E além disso, a Cersei deixa bem claro que o Tyrion a repugna.
Agora a segunda frase… mais claro é impossível. O Jaime e a Cersei são gémeos idênticos, isso é referido diversas vezes antes desta cena. Tu é que estavas meio a dormir e nem te apercebeste.
Tanto me apercebi que te mandei uma mensagem a dizer quem era. :wink1:
Muito boa review, o texto fez-me mesmo querer ler os livros. Estou a pensar seriamente em comprar antes de continuar a ver esta série. Quanto ao episódio, eu gostei e a história cativou-me mas achei que algumas personagens não estiveram muito bem. Nomeadamente o Targaryen que parece mais um puto mimado do que um aspirante ao trono. Não sei explicar mas o papel dele irritou-me. Talvez seja esse o objectivo.
Obrigada.
Agora que começaste a série, sugiro que a vejas até ao final e que depois leias o livro. O livro é melhor que a série até agora, mas mesmo que até ao final venham a ser igualadas as duas versões, o livro permite-te um aprofundamento das histórias e das personagens que nunca iremos ter na série.
O Viserys Targaryen é pouco mais do que um puto mimado. E sim, é suposto irritar-nos solenemente (tal como a Sansa Stark. E o Joffrey (Lannister) Baratheon.
41 COMENTÁRIOS (desculpem tinha que dizer isto..)
Praí metade deles são respostas minhas, por isso… :whistle:
Normalmente não sou pessoa de comentar muito mas tenho de te dar os parabéns pela grande e muito boa review. Quem me dera escrever assim :$
Em relação ao episódio, gostei bastante. Esperemos que se torne na série sensação de 2011, pois tem tudo para se tornar.
:4meio:
Ei..43 comentários já? UAU!!!
Gostei MUITO do ep. A série se mantiver este nível entrará no TOP sem dúvida.
Claro q nesta fase ainda tenho dificuldades em saber quem é quem, os reinos, os nomes de familia, etc…mas isso virá com o tempo. Gostei do ritmo, gostei do ambiente, gostei das tricas (alguns clichês previsíveis mas q foram bem feitos). Há personagens bem diferentes cujos confrontos futuros, se existirem, serão bem interessantes.
Ver Jaime irmão gemeo de Cersei num frente a frente com Viserys?? Quem será o mais maquiavélico?
Curti imenso o guerreiro Khal Drogo que sem bater em ninguem conseguiu incutir imenso respeito.
PS1: E nesta terra é tudo de quatro? Xiça!!!
PS2: Grande texto!!!
LOL. Os gajos da série parecem ter um fetiche com isso.
No livro, a cena Cersei/Jaime era em pé encostados à parede. E a cena da Dany e do Drogo também era diferente. Oh well…
Excelente review, e comentários também, nem eu diria melhor.
De facto tinha, como muitas pessoas que leram os livros, uma expectativa muito alta em relação a adaptação. Fora pormenores, cortes, acrescentos(talvez necessários), felizmente que não desiludiu e não deitou aquela expectativa a baixo.
Pareceu me que quase todos actores enquadram-se bem nas personagens, mas ainda não posso afirmar que um ou outro está mal ou bem, porque ainda não apareceram as melhores cenas dos mesmos… por exemplo não gostei do Cão de caça, não parece ser bem o que estava a espera, e também outros aspecto em certos personagens.
Tenho pena é não terem dado tanto relevo aos lobos, achei a cena de os encontrar muito mal feita e sem emoção(talvez por causa de alguns personagens serem mais velhos na série do que nos livros). Mas eles vão ter o seu lugar a seu tempo
Quanto ao tommem e ao rickon, tive que dar um salto as cenas onde os conseguia encontrar(a chegada do rei)… alguém reparou que por breves segundos em que o tommem aparece, que ele não é gordo e tem cara de rato… também não têm importância, só vão ter mais algum relevo em “próximas temporadas”
Irra! Post Gigantesco! Leio em casa…
Boas!
Ora, li tudo (incluindo comentários) e tenho a dizer:
1-Odeio-te por estares a escrever sobre esta série.
Quando vais publicar o segundo livro?!
2- Obrigado por me fazeres sentir melhor pelo testamento que fiz em Borgias
3-Tens mais comentários neste post que nas reviews todas juntas do ultimo ano e meio do blog (já te disse que te odiava certo?!)
Em relação ao episódio em si:
1- O genérico é muito bom e ajuda bastante.
2- Talvez a parte inicial não precisasse de ser tão “longa”, um pouco monótona.
3- Estava a espera de um primeiro episódio confuso, com muitos nomes e lugares, mas penso que optaram bem no estilo, percebesse bem e faz uma boa introdução à série.
4- Personagens favoritas: a pequena Ayria, o príncipe Viserys (mau da fita com aquele toquezinha ácido), Tyron e (para além das razões obvias) a Dany. Acho que transmitiu bem as coisas, não sei se vai de acordo com os livros ou não, mas acho que o fez muito bem. Nota: que grande casting no Joffrey . Acho que ele vai ser mau da fita, se for…já tem meio caminho andado porque tem mesmo cara de “demónio”.
5-Menos favoritas: Desculpem mas Lena Headey é má actriz! já o foi em Terminator e continua a ser…minha opinião.
6-Gostei bastante. Esperava que me “levantassem mais do chão”, fosse mais avassalador, mas lá está…as malditas expectativas, que felizmente consegui controlar e disfrutar do episódio.
Brincadeiras à parte no inicio do meu comentário…excelente trabalho!! É difícil parar de escrever quando se esta a gostar do tema não é?! Não te inibas, que quem gostar, lê as “paginas” que for preciso
Continuação de excelente trabalho
PS- Odeio-te…
Finalmente cheguei a casa (após alguns dias a empanturrar-me em comida alentejana) e pude ver a série:
Muito positivo:
- O genérico. Fabuloso e fora do comum.
- Mark Addy como Robert + Sean Bean como Ned. Cuspidos e escarrapachados.
- Agradáveis surpresas com as miúdas Stark… tanto a Sophie Turner como a Maisie William.
- Apresentação da muralha e da trama em geral.
- Cenários.
- O sinistro Viserys, bem interpretado por Harry Loyd.
- Peter Dinklage… e a sua fabulosa voz.
Positivo:
- A Emilia Clarke e a Michelle Fairley são melhores do que eu estava à espera (talvez deixe de carpir o abandono da Jennifer Ehle).
- Ian Glen como Mormont (embora tenha aparecido pouco).
- Drogo. (Giro, o gajo!)
- A cena do casamento.
- O miúdo Bran.
- “The things I do for love.”
Menos bem:
- Esperava mais da Lena Headey e do Kit Harington.
- A consumação do casamento. (Gosto mais da versão original.)
:4: → muito boa adaptação, mas algo lenta em alguns aspectos. Julgo que os próximos episódios serão melhores.
acho que lena headley esteve bem. também este episódio nao deu para mostrar muito. esperemos que os próximos episódios dê para ver o que ela realmente consegue fazer. já o Kit Harington, também não este perfeito, mas está longe de estar mal. Só não gosto mesmo é do cabelo. simplesmente ridículo. como diz o robb na cena em que se estão a barbear, é preciso gostar mesmo do cabelo, mais do que gosta de uma rapariga, para o manter assim. por momentos até pensei que o ia cortar. xD mas pronto. sejam esses os principais defeitos.
Syrin, favor escrever mais que o texto ta pequeno
muito boa review, a divisao por casas foi boa ideia, e o teu backgroud dos livros permite a quem nao os leus ter outra perspectiva, e ja agora podes escrever mais que o pessoal nao se importa
o episodio esteve dentro das minhas expectativas, bons actores e bem escolhidos para os personagens
gostei do Viserys, apenas acho que em certos momentos a sua interpretaçao podia ter sido melhor
das poucas coisas que achei que podiam ter ficado melhores, era a cena inicial na floresta, que no livro era melhor, transmitia outro medo, mas aqui compreendo esta decisao, ate porque o tempo fica escasso
btw, a intro ficou muito boa
a cena inicial, no livro, é de facto melhor. também é mais longa e cheia de detalhes, dá para se instalar o medo no leitor. outra coisa: não sei se o espectador não vai confundir os white walkers com aquela critatura que passou a ter olhos azuis. :S
Muito bom o episódios, com algumas situações forçadas é certo, mas tratando-se de um plot tão complexo e com tantas personagens era realmente um mal necessário para entrar neste universo.
Os pormenores do episódio são fantásticos, desde a personalidade das personagens até ao ovo de dragão. Esta não vai desiludir.
:5: