[SPOILERS] E se, de repente, vos dissessem que tudo aquilo em que sempre acreditaram, tudo aquilo que deu forma à vossa vida, era mentira? Que era ilusão, algo criado para tentarem apenas que vos dessem atenção?
Nenhum de nós gosta de ser confrontado com verdades duras, mas pior do que isso é ser confrontado com situações como as que Tara (Toni Collette) viveu neste episódio, na sua primeira nova aventura pelo campus da universidade. Que o professor Harris (Eddie Izzard) ia ser osso duro de roer já dava para adivinhar nos primeiros minutos que esteve em cena no episódio anterior, mas que não fosse fazer caso da condição médica da nossa heroína, que não fosse fazer caso das mudanças de personalidade entre Tara e Shoshanna, entre Tara e T, foi algo inesperado. Para quem, como a maioria dos telespectadores, pouco ou nada sabe sobre o Transtorno Dissociativo de Personalidade, descobrir que não é visto, por alguns elementos da comunidade médica, como uma doença verdadeira, mas sim apenas uma forma de ganhar atenção dos outros e que nada mais é do que uma moda passageira, foi surpreendente, e talvez daí a reacção que tenhamos à crueza com que o Professor Harris fala com Tara. A ver se ele, tal como nós, não muda de opinião ao longo da série porque doença verdadeira ou mera mania, a verdade é que Tara tem um grande problema, que não a afecta só a ela mas também a todos os que a rodeiam e, especialmente, à sua família.
Relegada, geralmente, para terceiro plano, cabendo-lhe na rifas as histórias mais banais, desinteressantes ou, simplesmente, mais ridículas, a verdade é que desta feita foi em Kate (Brie Larson) que recaíram todas as atenções. Sem rumo na vida, farta de partilhar a casa com uma tia, um pseudo-tio e as suas promiscuidades, com diploma do secundário mas sem planos de maior, Kate quer sair do buraco em que vive e julga ter encontrado o seu caminho, ao inscrever-se para dar aulas de Inglês no estrangeiro. Mas com a relutância dos pais e, especialmente, com a necessidade de proteger a mãe de si própria, parece que (mais um) grande sonho de Kate vai ter de ficar para trás. Se “United States of Tara” consegue sempre proporcionar bons momentos de comédia, é nas cenas mais sérias, nas histórias mais sóbrias que se supera e aqui, mais uma vez, no rebolar de mãe e filha pelo chão, num “Mommy” sentido por entre gotas de sangue a escorrer, que o comprova. Uma cena que fica guardada na nossa memória, junto de tantas outras que esta série já nos proporcionou.
Menos dramáticas do que as anteriores, mas mesmo assim ainda importantes para o desenrolar da trama, foram as histórias de Max (John Corbett) e de Marshall (Keir Gilchrist). Enquanto um se vê a braços com uma crise financeira, e tem de tomar a dura decisão de vender o seu negócio, deixando sem trabalho o parceiro de tantos anos mesmo na altura em que ele mais precisava de dinheiro, já o outro vê-se, mais uma vez, confrontado com uma discriminação na escola, que pelo menos sempre deu azo a um espectacular vídeo-protesto, totalmente inverso ao que o professor esperava. Ainda vão sair daqui grandes realizadores… o próximo Tarantino, quem sabe?
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