[SPOILERS] “I’ve got Seven Kingdoms to rule. One King, Seven Kingdoms. Do you think honor keeps them in line? Do you think it’s honor that’s keeping the peace? It’s fear… fear and blood.”
Fear and blood. “Ours is the fury”. “Unbowed, unbent, unbroken”. “Righteous in wrath”. “Winter is Coming”. Tal como deixam adivinhar as frases das diversas Casas que habitam os Sete Reinos de Westeros, a guerra, a morte, o sangue e a violência são os temas que desde sempre pautaram este território e que continuam a afectar tudo e todos, tal como se constatou neste belíssimo episódio.
Apresentadas que estão as personagens, as histórias passadas e as tramas actuais, há que passar finalmente para o que interessa, saltar directamente para a acção e deixar para trás as explicações enfadonhas, as personagens secundárias que não têm qualquer interesse e as tramas passadas que nada contribuem para o presente, certo? Errado. Se há coisa que “Game of Thrones” prometeu desde início, e que tem estado a cumprir na perfeição, é dar-nos a conhecer, lentamente, uma mitologia muito extensa, oferecendo-nos pequenos vislumbres, ao longo dos episódios, de tudo o que se passou no passado e que irá ter importância no presente ou mesmo no futuro. Tal como num bom livro, onde não nos dão tudo de mão beijada nas três primeiras páginas, isso significa que é preciso uma construção lenta das histórias e das personagens, que é preciso ter alguma paciência para conseguir identificar quem é quem, quais as suas lealdades e os seus objectivos, quais os caminhos traçados e as consequências dos mesmos. Talvez por isso, e por mais que se queira, alguma confusão sobre quem é esta ou aquela personagem que insiste em surgir quase do nada, em falar sobre uma história que desconhecemos e em prontamente regressar ao seu canto sem mais demoras, é natural, e nunca irá desaparecer. Afinal, como alguém disse e muito bem, não há um início desta história, desde o primeiro episódio que nos encontramos algures no meio dela, e que tentamos descortinar o que se passou.
Winterfell
“Family. Duty. Honor.” Por mais lições de história que tenha, e por mais promessas que ouça, a verdade é que para Bran (Isaac Hempstead-Wright) a vida não parece querer mais sorrir: paralítico, longe de quase todos aqueles que o amam, as palavras de Maester Luwin (Donald Sumpter) não conseguem trazer nenhum consolo, e a fúria com que estraga a mesa – com a ajuda de um pin em forma de peixe, símbolo da casa Tully à qual pertence a sua mãe – não nos deixam esquecer que, por vezes, a família, mesmo se o mais importante de tudo, pode ficar para segundo plano em relação ao dever e à honra. De lições de história está, também, Theon Greyjoy (Alfie Allen) certamente farto. A cargo da família Stark desde muito jovem, depois da derrota do seu pai numa rebelião sem sentido contra o rei Robert Baratheon, Theon não parece no entanto querer esquecer a grandeza da sua casa, fazendo questão de relembrar, a tudo e a todos, quem é e de onde vem. A questão que fica em aberto é, no entanto, se alguém o está a ouvir e a levar a sério…
Eyrie
“Mommy! I want to see the bad man fly!” Que a família está sempre em primeiro lugar para Catelyn (Michelle Fairley) ficou mais do que provado quando se colocou entre a adaga de um assassino e o corpo do filho, quando se predispôs a abandonar a casa e tudo o que conhece para se dedicar a uma viagem perigosa a caminho do sul, de forma a avisar o marido das suspeitas. No entanto, porque por vezes, quando se põe a família acima de tudo, se perde algum bom senso, os acontecimentos passados na estrada de leste, a caminho do Eyrie, a casa ancestral da família Arryn e agora domínio da sua irmã Lysa (Kate Dickie), provam que se calhar capturar Tyrion Lannister (Peter Dinklage) com apenas algumas suspeitas, não terá sido a melhor ideia. O ataque que o grupo sofre a caminho do Vale de Arryn, para além de animar quem reclamava de alguma falta de intensidade dos episódios até aqui emitidos, e mostrar que Tyrion tem não só uma língua afiada, mas consegue também desenvencilhar-se com um escudo, é importante para mostrar que, mesmo havendo um rei e mesmo havendo patrulhas na estrada principal, o crime não pára, que a violência e as lutas pelo poder, que tantas dores de cabeça dão na capital, passam quase despercebidas ao povo em geral. Como disse Ser Jorah Mormont há uns episódios atrás, o povo apenas quer boas colheitas, comida na mesa e ver a família crescer, não lhe interessa os jogos de bastidores com que se divertem os poderosos, e nas estradas, longe da Kingsguard, são os bandidos que dominam. Mas se a violência do ataque e do confronto que se segue nos conseguem despertar, é a chegada à fortaleza de Eyrie e às personagens que a habitam, que nos traz alguns dos melhores momentos do episódio.
Conhecendo a história à partida, havia uma grande expectativa de saber como iria a série conseguir retratar Lysa Arryn, e a verdade é que esta conseguiu corresponder à imagem que dela tínhamos feito e, de certa forma, até superá-la. A sua loucura, a forma como trata o filho Robin (Robert, nos livros) como se de um bebé se tratasse, incluindo tê-lo a mamar à vista de todos, numa das cenas mais perturbantes até agora vistas na série, ficou bem explícita, e o castigo que dá a Tyrion, colocando-o nas masmorras da fortaleza, que têm um “belíssima” vista para o vale, deixou tudo e todos assustados. Se algo acontecer, se por acaso Tyrion morre sem que a sua culpa na tentativa de assassinato de Bran seja provada, todo o reino entrará em polvorosa, especialmente o lado oeste, controlado pelos Lannisters, podendo arrastar consigo a liderança algo frágil de Robert Baratheon (Mark Addy). A ver vamos se Catelyn conseguirá controlar a situação, mesmo que isso implique ajudar aqueles que parece agora odiar com todas as suas forças.
King’s Landing
Com a maioria da acção a passar-se na capital do reino, pouco espaço restou para dedicar aos restantes locais, pondo, esta semana, a história de Jon na Muralha e de Daenerys em Vaes Dothrak um pouco de lado. Mas mesmo sem aparecerem, as suas presenças – especialmente a de Daenerys – fizeram-se sentir, e foram as causadoras de grandes fricções.
No rescaldo da morte de Ser Hugh of the Vale, última pessoa que tinha tido contacto com Jon Arryn e que podia ajudar a esclarecer a morte deste, Ned (Sean Bean) vê-se novamente sem qualquer pista para seguir, e é obrigado a perder tempo a tentar dissuadir o rei de participar num torneio que só poderia ganhar e que acaba num grande banho de sangue, cortesia dos irmãos Clegane, The Hound (Rory McCann) e The Mountain (Conan Stevens). O cansaço de Ned, a pouca vontade que tem de estar em King’s Landing e de servir o seu papel de Mão do Rei está cada vez mais claro, acabando por ser agravado com as preocupantes notícias que chegam de Vaes Dothrak.
O ódio de Robert pelos Targaryen é já conhecido de todos, e estende-se mesmo a pessoas indefesas, como é o caso de Dany, e de crianças que ainda nem sequer nasceram, levando ao repúdio de Ned pela decisão do rei de mandar assassinar a rapariga. Mas, por muito que nos custe aceitar esta decisão, não terá Robert e o seu Conselho, que está unanimemente do seu lado, razão, e não estará Ned a ser idealista demais? A notícia da gravidez de Dany coloca Westeros em perigo, não só porque os Dothraki de Khal Drogo são uma força que se deve ter em conta, mesmo se têm medo de atravessar o mar, mas porque, enquanto filha do antigo rei Aerys Targaryen, Dany, ou melhor, o seu filho, estaria na linha de sucessão ao trono, depois do irmão Viserys. Quando muitos em Westeros ainda se referem a Robert como O Usurpador, e com um reino que só foi unido à força sob o jugo dos Targaryen, mas que de há uns anos para cá se tem vindo a desintegrar, a ideia de um regresso ao passado poderia agradar a muitos, e colocar a coroa dos Baratheon em risco. Para Ned, esta situação é impensável, mas Robert, que neste episódio e especialmente na conversa com a mulher Cersei (Lena Headey) revela uma intrigante capacidade para racionalizar estes assuntos, é óbvio que algo vai mal pelos lados dos reinos de Westeros, e que a sua idade de ouro poderá estar prestes a terminar.
Five. One Army… a real army united behing one leader with a real purpose. Our purpose died with the Mad King. Now we’ve got as many armies as there are men with gold in their purse. And everybody wants something different.
You want to know the whole truth? I can’t even remember what she looked like. I only know she was the one thing I ever wanted. Someone took her away from me, and Seven Kingdoms couldn’t fill the hole she left behind.
Se, por vezes, as cenas criadas especialmente para a série acabam por pesar nos episódios, não há dúvida que esta entre Robert e Cersei foi a melhor do episódio, permitindo-nos não só conhecer um pouco mais sobre a história e a relação destas duas personagens, mas também aprofundar as suas personalidades, especialmente Robert que, por não ser uma personagem com ponto de vista nos livros, estava pouco explorada e se tinha tornado algo unidimensional. Já outra cena adicionada, entre Renly Baratheon (Gethyn Anthony) e Ser Loras Tyrell (Finn Jones), foi mais controversa, não só pela “peculiar” situação em que os dois se encontravam (depilação? Seriously?!), mas também porque a relação entre os dois nunca foi confirmada em livro, apenas levemente tocada e, mais tarde, admitida pelo autor dos livros, George R.R. Martin. Mas deixando de lado a questão da orientação sexual do irmão mais novo do rei e do Cavaleiro das Flores, é a sua conversa que acaba por tornar a cena interessante, e ligá-la ao que está no cerne dos dilemas actuais na capital do reino: a coroa de Robert está ameaçada de todos os lados, não só pelos Targaryen do outro lado do mar, mas também por todos os inimigos dentro do seu próprio reino, como é o caso dos Lannister e, agora, possivelmente do próprio irmão. Os diversos avisos de Lord Varys (Conleth Hill) e de Littlefinger (Aidan Gillen), mestres da informação, espionagem e contra-informação tornam-se cada vez mais importantes, mas se há coisa de que temos a certeza, é que estes dois irão sair bem de qualquer situação em que o reino se encontre.
Mas porque o rei não é o único que estará em perigo, Ned Stark terá de cada vez mais cuidado com os amigos e inimigos que faz no reino. Não só existe já uma conspiração em torno da sua saída de cena, que Arya (Maisie Williams) descobre durante as suas lições nas catacumbas da fortaleza, onde vemos, pela primeira vez, as grandes ossadas de dragões, mas as palavras de Lord Varys são bastante ominosas: “He started asking questions”, diz Lord Varys na sua conversa com Ned sobre a razão da morte de Jon Arryn. Infelizmente, Ned não consegue deixar passar a oportunidade de descobrir o que aconteceu ao antigo mentor, aceitando a ajuda de Littlefinger e dirigindo-se a um bordel onde encontra não só mais um bastardo de Robert, uma menina desta vez, morena como o pai, mas também Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau), furioso pelas notícias recentes que dão conta da captura de Tyrion. Com a morte de Jory Cassel (Jaime Sives), capitão da guarda pessoal de Ned, e a lança que trespassa a perna deste homem do norte, fecha-se em grande mais um episódio, com a certeza de que a partir de agora, e até ao final, daqui a meros cinco episódios, não haverá mais nenhum momento para descansar.
[starreview]
[starrater]




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:pleasee: Não matem o Tyrion :pleasee:
É que é já a seguir!
Não sejas má. Ainda faltam uns episódios para tal acontecer. :whistle:
Xiuuuu, não spoiles a tchetcha!
:verysad: :verysad: :verysad:
Sem dúvida que Peter Dinklage é um dos melhores actores deste elenco.
Foi o episódio que mais me encheu as medidas desde o piloto, sem dúvida. As cenas no Eyre realmente foram muito estranhas. Não estava à espera de uma relação tão peculiar entre mãe e filho. Aquela primeira visão dos dois pôs-me desconfortável. :wtf:
Também gostei da luta do Hound e do Mountain e o duelo entre o Jaime e o Ned deixou-me boquiaberto. Estou cada vez mais ansioso por saber quem matou o John Arryn e porquê, tal como estou ansioso por descobrir a relevância dos bastardos de Robert para toda a questão.
Ah, e o Littlefinger e o Varys irritam-me com os seus vários enigmas! Quero saber mais!
:4meio:
Aquela primeira visão dos dois pôs-me desconfortável.
A ti e a todos! ;D
estou ansioso por descobrir a relevância dos bastardos de Robert para toda a questão.
Então, ainda não percebeste qual é?! ;D
estou ansioso por descobrir a relevância dos bastardos de Robert para toda a questão.
Então, ainda não percebeste qual é?! ;D
Se ainda não percebeste João, é porque não fizeste o puzzle de tudo o que anda a passar. Ainda não falaram propriamente no assunto, mas se juntares tudo, está bem a mostra
Só tens mesmo que juntar as peças e a syrin até escreveu algo na critica q te pode ajudar a chegar a uma conclusão!
eu sou sincero também ainda não apanhei :wtf: a menos que seja um cliche de o filho da rainha ser dela e do irmão e os bastardos serem os legítimos herdeiros do trono, com John Snow a encabeçar
Sim, só se os filhos da Cersei não são filhos do Robert, o que faz dos bastardos os únicos herdeiros ao trono… ainda que por agora não tenha reparado em nenhuma outra pista, para além do mais evidente: o cabelo loiro de todos eles…
Não vou dizer se estão com a teoria certa ou não por causa dos spoilers, mas para desmistificar isso, os bastardos nos 7 Reinos não podem ser herdeiros de nada, excepto em algumas situações.
Situações como o Rei ou Lord de determinada terra o decretar como seu sucessor directo(muito difícil de acontecer), outra hipótese para que seja Lord, é que lhe tenha sido atribuída uma determinada terra conquistada. Depois há aquelas excepções dentro destas, mas quase sempre funciona assim.
Cenas 5 estrelas:
Robert & Cercei sitting in a tree… Confesso que, de início, a TV Cercei não me convenceu muito, mas neste episódio apanhei-me a gostar mais desta versão (menos diabólica e irracional) que da original. Well done, Lena Headey. O Mark Addy continua um portento, claro.
Creepy Lisa & son… Ick, ick, ick. São ainda piores que nos livros. Fascinantes como monstros numa feira de aberrações. :arrrgh:
Varys & Littlefinger as tongue gladiators. Tenho gostado muito, mas muito mesmo do Conleth Hill como Varys. E os diálogos foram do melhor.
Cenas 4 estrelas
O cão (Hound por Rory McCann) caiu-me no goto, tal como nos livros. E a luta com o mano do coração foi a minha preferida.
Gosto muito da dinâmica entre o Peter Dinklage e a Michelle Fairley. Espero que haja mais no próximo episódio.
Arya, a pôr os guardas… em sentido.
Cenas mais ou menos
Ora raios, o genérico mostrou sítios que não apareceram no episódio.
A luta entre o Jaime e o Ned podia estar melhor, mas gostei de alguns toques (faca no olho, lança na perna, murro no guarda).
— — —
Parece que os escritores dos episódios se desinibiram um pouco em relação à escrita original. A dinâmica da série ganhou muito com isso.
Boa review, siryn. (E a partir daqui estou morta para ver o acelaranço da coisa. Em especial a coroa de oiro.)
Foi, na minha opinião, o melhor episódio dos 5. Menos disperso e bem mais elucidativo.
Este foi sem duvida o meu episódio favorito até a data!
Ansiosamente a espera do próximo!!!
:4:
E mais uma excelente critica syrin!
:5:
isto foi bizarro.
Gostei bastante do episodio. A luta final foi diferente do livro, mas foi muito mais intensa, adorei.
Muito bom. As história às vezes parece não entrar à primeira e nada como ler os teus posts para dissipar algumas dúvidas.
:4meio:
PS – Uma dúvida: “…dirigindo-se a um bordel onde encontra não só mais um bastardo de Ned…” Em vez de Ned não querias dizer Robert?
:starwars:
Tens toda a razão, foi uma gralha. A quantidade de vezes que li este texto e não dei por isso… enfim. Vou já corrigir. Obrigada!
Mais um que achou este o melhor episódio até agora. De certo modo fez-me lembrar os filmes do Tarantino na medida em que teve várias cenas de diálogos bastante longas mas que são tão absorventes que é difícil de não estar envolvido na conversa (e a cena da Cercei com o Robert é excelente). Além disso, o gore também ajudou. Já tinha visto uma cabeça dum cavalo enfiada numa cama, mas uma decapitação “ao vivo” foi a primeira. :verycool:
Quanto aos bastardos…
Das melhores séries que já vi. Andei indeciso em ler os livros, mas ao fim de 15 minutos do primeiro episódio decidi-me a ler.
Falando da série que é isso que está em causa, ao fim de 5 episódios já dá para ter uma opinião bastante boa sobre a mesma e sobre as personagens. Posso dizer que o Ned está muito mas muito bem representado pelo Sean Bean e adoro o LittleFinger. Tá mesmo porreiro a personagem na série. Claro que o Tyron é o dos meus preferidos (de quem não é?).
Espero que a série mantenha este nivel :verycool: