[SPOILERS] “The stallion who mounts the world. The stallion is the Khal of Khals. He shall unite the people into a single Khalasar. All the people of the world will be his herd.”
As profecias, os segredos e os mistérios são parte integrante de “Game of Thrones“. Desde o primeiro minuto, quando vemos o terrível ataque dos White Walkers à patrulha da Night’s Watch, quando ouvimos as ominosas palavras que indiciam a chegada do Inverno, percebemos que estamos perante o final de uma época dourada neste universo de Sete Reinos, sentimos que muitas mudanças irão acontecer e que, terminada esta história, poucos serão os que estarão de pé para acolher esta nova era. Depois de um período longo de introdução, de estabelecimento das personagens e de apresentação em linhas gerais da trama, na semana passada tivemos finalmente o arrancar em força da história e o inevitável caminho em direcção ao final, que continua esta semana.
Vaes Dothrak
Com a história de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) tão afastada de tudo o que se passa em Westeros, física e figurativamente, é natural que possamos, por vezes, esquecer que a viagem desta jovem, de menina assustada a Khaleesi decidida, é componente integral da história e que irá, inevitavelmente, afectar a vida nos Sete Reinos. Neste sentido, e depois de uns episódios onde a sua presença apenas indirectamente se fez sentir, é bom regressarmos a Vaes Dothrak e termos a oportunidade de ver como Dany evoluiu nos últimos tempos, como a gravidez lhe parece ter dado a força necessária para se transformar na rainha de que este povo tanto precisava. Se comer corações de cavalo crus ainda parece ser algo difícil, já a forma como aborda o seu povo, como grita aos sete ventos o nome do seu filho Rhaego, mostra que Dany parece estar, finalmente, totalmente integrada nesta cultura que tanto a assustava de início. Mas se a assimilação da cultura e do papel que tem entre os Dothraki são importantes para a evolução da sua personalidade, é a forma como se altera a relação que mantinha com o irmão que acaba por se tornar a parte mais interessante deste episódio. A forma como Dany, ao contrário dos episódios anteriores, não hesita em enfrentar o irmão, como recusa baixar os olhos e esconder-se atrás dos seus protectores, como permanece determinadamente imóvel durante a “coroação” do irmão, é sem dúvida a maior prova de que esta mulher, que nada tem a ver com a menina que conhecemos há uns meros cinco episódios atrás, estará pronta para aceitar o seu papel de mãe do último dos dragões. “He was no dragon. Fire cannot kill a dragon.” Sábias as palavras desta jovem que ainda irá dar muito que falar.
E porque é impossível falar em dragões sem referir aquele que se considerou, sempre, como o expoente máximo desta raça moribunda, o que dizer de Viserys (Harry Lloyd), que percebe finalmente que todos os seus sonhos de grandeza foram em vão, e que consegue, da pior forma, aquilo que mais queria: a coroa? “You shall have a golden crown that men shall tremble to behold”, foi a promessa cumprida de Khal Drogo (Jason Momoa). De certa forma, Viserys é, também ele, um reflexo do final desta idade de ouro, deste longo Verão que se prepara para dar lugar aos perigos e ameaças do Inverno. Brutalmente afastado ainda em criança de tudo o que conhecia, para alcançar os seus sonhos de grandeza, de voltar a Westeros, derrotar aqueles que fizeram cair a sua família e retomar o seu lugar como líder, vendeu a irmã a “selvagens” em troca de um exército mas, no final, vê caírem por terra todas as suas aspirações com a pesada coroa dourada que fecha em grande este episódio e que não deixa, certamente, ninguém indiferente.
Winterfell
Porque não só em terras do sul se começam a cristalizar as profecias, Bran (Isaac Hempstead-Wright) continua a sonhar com o corvo de três olhos, ao mesmo tempo que tem de lidar com ameaças bem mais presentes, graças a um encontro inesperado com Wildlings. Quando, no meio do passeio a cavalo com a nova sela desenhada por Tyrion, se vê cercado por selvagens fugitivos do lado de lá da Muralha, põe em risco todo o seu futuro, mas graças à intervenção do irmão mais velho Robb (Richard Madden), que cada vez mais se estabelece como senhor do castelo na ausência do pai, e da preciosa ajuda de Theon (Alfie Allen), que resolve a situação com uma seta certeira, sobrevive mais um dia. Se a pequena cena do sonho de Bran causa alguma interrogação, já a cena do ataque, infelizmente, sabe de certa forma a pouco, especialmente de quem estava à espera de mais uma grande intervenção dos direwolves de ambos os rapazes Stark. Que a falta dos direwolves tem sido sentida por quem conhecia já esta história, é dizer pouco: afinal, a ligação entre os humanos e os lobos era uma das mais fortes de toda a história e de extrema importância para tudo o que irá acontecer ao longo da trama. Não obstante a dificuldade óbvia de trabalhar com animais ou de recorrer ao CGI, esta relação poderia ter sido muito mais explorada na série, o que acaba por retirar algum impacto aos eventos que vamos vendo. Mas porque estas são desilusões exclusivas de quem já conhecia a história, talvez não tenham tanto impacto junto de quem chega à série em branco.
King’s Landing
“This is what matters: I can’t rule the kingdoms if the Starks and the Lannisters are at each other’s throats.” Com os ânimos entre os Stark e os Lannister cada vez mais exacerbados, e o primeiro sangue a jorrar no chão de King’s Landing, torna-se claro que a guerra estará próxima. Se o primeiro golpe foi já desferido por Jaime Lannister (Nicolaj Coster-Waldau), com o assassinato de Jory e dos restantes homens da Mão do Rei, Ned Stark (Sean Bean) não lhe irá ficar atrás. Com a recusa de Robert (Mark Addy) em aceitar a “demissão” de Ned, e a partida do rei para mais uma caçada, afastando-se de todos os dilemas que persistem no reino, fica a cargo de Ned governar e, após a descoberta de um surto de violência e pilhagem pelo reino fora a cargo de Gregor “The Mountain” Clegane como retaliação pela captura de Tyrion, vingar-se de quem tão impunemente matou os seus homens de confiança. Ao retirar o título a Gregor Clegane em frente a tudo e a todos, ao exigir a captura deste cavaleiro e o seu regresso à capital para ser julgado pelos crimes cometidos, Ned está a atacar directamente os Lannisters, pois a Casa Clegane é fiel à Casa Lannister. Mais do que isso: depois da fuga da cidade de Jaime Lannister, exigir o regresso do seu pai, Tywin Lannister, para responder pelos crimes cometidos por The Mountain, é um ataque cerrado à honra não só de uma das casas mais influentes e poderosas do reino, mas também à Rainha que, como sabemos, põe a sua família acima de tudo e não hesita em matar todos os que lhe fazem frente.
Qual o próximo passo a dar, e qual a resposta dos Lannister, só iremos descobrir nos próximos episódios, mas uma coisa é certa: é mesmo melhor Ned começar a fazer as malas e a preparar-se para deixar King’s Landing com as filhas Arya (Maisie Williams) e Sansa (Sophie Turner), independentemente dos desejos destas, pois nada de bom poderá estar para chegar. Resta saber é se Ned irá mesmo conseguir fazê-lo, agora que finalmente descobriu o mistério que o andava a importunar desde a sua chegada, e a razão mais provável pela qual Jon Arryn foi assassinado: os bastardos de Robert, todos morenos como todos os Baratheon, e tão diferentes dos filhos “oficiais” Joffrey (Jack Gleeson), Myrcella e Tommen, lourinhos como os Lannister…
Eyrie
Muito se poderia dizer sobre a passagem, esta semana, pelo Eyrie, que um impacto tão grande teve junto de todos no episódio da semana passada, especialmente devido à estranha presença da Lysa Arryn (Kate Dickie), do jovem Robin Arryn e da paisagem deste Vale, que tanto afecta quem tem o infortúnio de ir parar às “sky cells”, as prisões mais originais que vimos na tv nos últimos tempos. Muito se poderia também falar sobre o desespero de Catelyn (Michelle Fairley) ao perceber que a irmã não só não pretende ajudá-la, como ainda por cima, devido à sua falta de percepção, acaba por facilitar a vida a Tyrion (Peter Dinklage), permitindo-o jogar com os ânimos da audiência presente no castelo e ganhar a sua liberdade, com uma pequena ajudinha de Bronn (Jerome Flynn), o homem que conheceu na estalagem no episódio passado e que tão graciosamente lhe ofereceu o quarto a troco de dinheiro. Mas porque, por vezes, uma análise fica aquém do que vemos na televisão, nada como recrear aqui o discurso de Tyrion, certamente um dos melhores momentos de todo o episódio e que ilustra, da melhor forma, a capacidade que este homem tem de manipular os outros sempre – mas mesmo sempre – com um sorriso sarcástico nos lábios.
Where do I begin, my lords and ladies? I’m a vile man, I confess it. My crimes and sins are beyond counting. I have lied and cheated… gambled and whored. I’m not particularly good at violence, but I’m good at convincing others to do violence for me. You want specifics, I suppose. When I was seven I saw a servant girl bathing in the river. I stole her robe. She was forced to return to the castle naked and in tears. If I close my eyes, I can still see her tits bouncing. When I was 10 I stuffed my Uncle’s boots with goatshit. When confronted with my crime, I blamed a squire. Poor boy was flogged and I escaped justice. When I was 12 I milked my eel into a pot of turtle stew. I flogged the one-eyed snake. I skinned my sausage. I made the bald man cry into the turtle stew, which I do believe my sister ate. At least I hope she did.
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Se houve problemas de fluidez em alguns dos episódios anteriores, acho que foram totalmente sanados neste “A Golden Crown”, que é para mim o melhor da série até ao momento. Adorei todas as cenas no Eyre, gostei que tivessem humanizado um bocado o Viserys antes de o matarem (de forma brilhante, diga-se!) e gostei que o Ned, de uma vez por todas, tenha começado a impôr-se, lá na capital.
Não senti falta nenhuma do Jon Snow. Pela segunda vez consecutiva.
:5:
Excelente episódio e também o próximo foi excelente, agora é que a coisa vai doer!!!
Esta cena da coroação era das que eu mais esperava e não desiludiu. Foi um episódio mais sólido que já nos deu pequenos indícios do que aqui se vai passar. Adorei!
:4meio:
Gostei bastante… É impressão minha ou a Lysa Arryn e o seu filho estavam com um ar mais normal neste episódio… Na primeira aparição deles até tremi… lol.
Grande postura do Ned, assim é que é…
PS: Parece que houve uma surpresa e o episódio 7 já saiu…
Não foi propriamente uma surpresa, porque já se sabia desde a semana passada Aliás, eu avisei no Notícias da Manhã de Sábado.
syrin, antes de tudo vou-te culpar pelo tempo que gastei e que vou gastar a seguir esta série. Mesmo antes de ela começar andavas por aqui a falar com tanto entusiasmo, depois começaste a fazer reviwes tão longos ilustrados com acontecimentos dos livros (o que eu acho que não devia ser feito, visto que os dois são campos diferente, na TV é WYSIWYG), acabei por sucumbir à curiosidade e comecei a ver… agora quero ler os livros, porque já não suporto essa migalha de 50 minutos semanais… e o culpado és tu.
Três personagens que eu mais gosto da série: Thyrion, Dany e o bastardo. E aqui Thyrion simplesmente mostrou que apesar da sua figura pequena é bem maior que os que o rodeiam, e o actor que o representa tem mesmo presença e de sobra. Não pude deixar de exclamar quando a RAINHA LOUCA disse que o seu filho, JUSTIN IMBERBE, é que julgaria Thyrion, principalmente quando este só queria era ver o bad man a voar, uma boa alegoria perfeita para “COM GRANDES PODERES VÊM GRANDES IRRESPONSABILIDADES:
As minhas críticas não são ilustradas com os acontecimentos dos livros, apenas referi, em alguns casos, como é que as coisas correram nos livros em vez de na série. Eu avisei desde início que seria-me quase impossível dissociar as críticas à série dos meus conhecimentos do livro. Mas julgo que até agora não revelei nada que não tenha sido abordado na série. A única coisa que tentei fazer, desde início, é tornar mais claras as situações e as relações entre as personagens. Muitas das constatações que fiz estão presentes na série, só que por vezes passam despercebidas a quem não está a prestar muita atenção.
Quanto ao incentivar as pessoas a ler os livros… fazem bem, valem muito a pena. Por muito que goste da série e que ache que estão a fazer um bom serviço, os livros são muito melhores (e sim, eu sei que são media diferentes, mas por vezes há obras cinematográficas/televisivas que superam o original livro. Este não é, até agora, um desses casos).
Culpada, se faz favor.
O Tyrion é uma das melhores personagens da série e dos livros originais. Acho que esse é um ponto de que ninguém discorda.
Eu estou a gostar de game of thrones, que tem uma base literária que desconheço (de propósito até ao final da série)mas existe uma outra série de tv que também tem base literária e até foi nomeada para prémios (The Pillars of the Earth) alguém me sabe ajudar a saber se tem algo a haver com game of thrones ou é só uma novela ou algo diferente?!
agradeço ajuda!
The Pillars of the Earth é uma mini-série(8 episódios) que também foi adaptada de um livro. São histórias distintas, de diferentes autores, com muito pouco em comum, excepto de a acção decorre na idade média(ou lá perto).
Vale a pena ver e ler, apesar de só ter visto a série, já ouvir falar muito bem do livro. Game of thrones também vale a pena, porque a história é mais longa e nem sequer está terminada.
Excelente episódio.
Destaco as representações de Viserys (Harry Lloyd) e Tyrion (Peter Dinklage).
Aquela cena da coroação… caneco (mas já se estava mesmo a ver).
Confesso que não li nenhum livro por isso limito-me a tentar assimilar o que vejo. Sempre desconfiei que o príncipe era filho do Jaime.
Admito também (sei que é ridiculo) que estou sempre à espera de sair um dragão de algum dos ovos.
E o inverno não chega, nem nunca mais mencionaram os white walkers, que ainda não sei muito bem de que se trata.
já vi o episódio 7 e só posso dizer, a quem ainda não viu, “Upa Upa agora é que isto está a aquecer” :starwars:
Não fosse o spoiler involuntário que tive sobre uma das personagens por causa do actor em questão e estaria ainda mais engraçado
syrin, ola.
teu texto, o primeiro que li, ajudou a perceber um pouco mais “game of thrones”, que é um convite descarado para conhecer os livros.
não sou de ler muito, mas esta espera semanal “custa…”
hei de cá voltar pois o texto complementa, e muito bem, as lacunas que sinto ao ver o programa.
parabéns!
tadeu
Adorei o episodio e acho que e´ o melhor dos 7 que sairam ate agora. estou curioso para ver depois da serie acabar, como e que a serie ira ficar com os 10 episodios e se possa ver tudo de uma vez. penso que a segunda temporada ira ter mais sucesso. certamente muitas pessoas irao comprar o dvd e ver a serie toda, acumulando-se audiencia depois na temporada 2. Agora espera-se pelo episodio 8… e a review do episodio 7 xD