Game of Thrones: 1×07 – You Win Or You Die (HBO)

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[SPOILERS] “I did warn you not to trust me!” De avisos, sugestões e conselhos que todos se recusam a aceitar, se fez mais um grande episódio de “Game of Thrones.”

Palavras para quê: o jogo está a mudar rapidamente em Westeros, as alianças forjadas a desintegrarem-se e a história a caminhar para o seu inevitável final. Pese a chegada tardia desta crítica, muito haveria certamente para discutir sobre este episódio, que conseguiu avançar de forma muito necessária a história e, ao mesmo tempo, lançar as bases para eventos futuros. Mas como entretanto já todos (excepto eu) devem ter visto o episódio seguinte, passemos rapidamente para a análise propriamente dita aos eventos de “You Win or You Die”.

Casterly Rock
“It’s the family name that lives on. It’s all that lives on. Not your personal glory, not your honor, but family.” Tywin Lannister (Charles Dance), certamente a mais famosa personagem que ainda não tinha dado um ar da sua graça na série, finalmente aparece e, em poucos minutos, deixa-nos ver de onde vem toda a maldade, altivez e arrogância da Casa Lannister. Através da sua conversa com o filho Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) fica claro que a família, a Casa, é o mais importante, e que deve ser preservada a todo o custo, mesmo que isso implique uma guerra contra os Stark por causa de Tyrion (Peter Dinklage). E, se a peculiar (mas excelente) cena de Tywin a esventrar e limpar um veado (símbolo da Casa Baratheon) deixa algo a adivinhar, é que não estará disposto a parar por ninguém… nem mesmo quando tem pela frente a coroa do reino.

King’s Landing
Se em Casterly Rock as ameaças são mais subtis, em King’s Landing Cersei (Lena Headey) não hesita em deixar claro aquilo que há muito todos, menos Ned (Sean Bean) já perceberam: “When you play the game of thrones, you win or you die. There is no middle ground.” Se a cena em si, uma das mais aguardadas de toda a série por quem conhece os livros, deixou algo a desejar, não tendo o impacto da original, conseguiu, mesmo assim, preparar-nos para o inevitável desfecho do episódio.

Desde o início percebemos que Ned está deslocado neste ambiente, que a sua vinda para a capital do reino foi a pior escolha que algum dia fez, uma vez que este ninho de intrigas, mistérios, alianças improváveis e facadas nas costas por detrás de cada esquina não se coaduna com alguém que põe a honra acima de tudo. Infelizmente para Ned, tanto os conselhos de Renly (Gethin Anthony), que tenta fazê-lo ver que a melhor opção para suceder no trono seria ele e não o irmão mais velho Stannis, como de Littlefinger (Aidan Gillen) caem em orelhas moucas no seguimento da morte do rei Robert (Mark Addy), ferido mortalmente durante uma caçada, e da nomeação de Ned como protector do reino até o verdadeiro herdeiro do rei (e não filho Joffrey, como Ned fez questão de escrever no testamento do rei) tenha idade suficiente para governar. “You only make peace with our enemies, my lord. That’s why it’s called making peace.” Como Littlefinger muito bem avisa, é necessário haver paz no reino, e isso implica acabar com os diferendos entre os Lannister, a casa mais influente de Westeros, e os Stark. Mas, como vimos desde que Ned resolveu colocar um prémio na cabeça de The Moutain e chamar Tywin Lannister de novo ao reino para responder pelos crimes de uma casa aliada à sua, a paz é algo que está longe da ideia da Mão do Rei, e aquilo que acaba por o condenar.

“Do you know what I learned losing that duel? I learned that I’ll never win. Not that way. That’s their game, their rules. I’m not going to fight them. I’m going to fuck them. That’s what I know. That’s what I am. And only by admitting what we are can we get what we want.” Um dos primeiros conselhos que Littlefinger deu a Ned foi nunca confiar nele. Infelizmente, Ned acredita na honra das pessoas, razão pela qual nem lhe passou pela ideia que Littlefinger o pudesse trair, oferecendo o apoio da City Watch (a “polícia” do reino) na hora de confrontar Cersei e Joffrey (Jack Gleeson) e, no final, usando essa confiança para matar os homens do norte. Littlefinger sempre foi uma das personagens mais interessantes dos livros, onde nem sequer tem um “point of view”, não dando acesso aos leitores ao que está a pensar e a sentir. Criou-se assim uma grande expectativa para ver como iria ser interpretado na série. Infelizmente, deste lado, a interpretação dada à personagem tem deixado muito a desejar, não só pela forma como fala, mas também por cenas ridículas como as passadas no seu bordel neste episódio. Se a confirmação que esta série iria ser feita pela HBO foi recebida com agrado, pela certeza de que apenas neste canal seria possível conseguir um nível aproximado da violência, gore e sexo que existe nos livros, havia também algum receio de que, tal como fizeram noutras séries, aparecessem cenas totalmente dispensáveis de sexo, que apenas ali estavam para distrair o telespectador. Até agora, e tirando alguns momentos menos importantes, não tínhamos tido razão de queixa, mas nesta cena… nesta cena foi tudo abaixo. Não só a interacção entre as duas prostitutas é ridícula, como ainda por cima a cena em si é totalmente contrária à personagem. Littlefinger é esperto, não iria debitar o seu plano a duas prostitutas, uma das quais acabadinha de chegar do norte. Não, esta cena de exposição (em mais do que um sentido) apenas roubou tempo que teria sido bem mais bem empregue a desenvolver outras personagens e histórias. E estes desperdícios de tempo é algo que esta série parece não conseguir evitar…

Winterfell
A passagem por terras do Norte foi, esta semana, igualmente curta e, de certa forma, sem sentido. Theon (Alfie Allen) lá debita mais umas postas de pescada sobre a sua família, sobre a grandeza da sua casa e sobre o que poderá fazer à Wildling Osha (Natalia Tena) caso esta não o ajude num “probleminha” que ele tem. Já Osha, essa contenta-se em avisar Maester Luwin (Donald Sumpter) sobre os White Walkers. Nada que não soubéssemos, portanto, e que não merecia uma subida até ao castelo. Mais importante do que isso teria sido um maior destaque dado mais a norte…

The Wall
“A man of the Night’s Watch lives his life for the realm. Not for King or a Lord.. or the honor of this house or that house. Not for gold, glory,.. or women’s love. But for the realm.. and all the people in it. Here, in the wall, we are all one House.”

Na Muralha, é hora dos novos recrutas prestarem o juramento e serem incluídos na Ordem. Para Jon (Kit Harington), depois das perdas que sofreu, este é um momento que devia ser de grande alegria mas que acaba envolto em grande tristeza. O cavalo do seu tio Benjen regressa sem cavaleiro, o que prova que o primeiro Ranger poderá assim ter mesmo falecido, como todos parecem crer, e a descoberta macabra de Ghost, que regressa à Heart Tree onde Jon e o amigo prestaram o juramento com uma mão na boca, deixa adivinhar que forças malévolas poderão ter sido as verdadeiras responsáveis. Como se não bastasse a tristeza pelo destino de Benjen Stark, Jon descobre que é colocado não na ordem dos Rangers, como julgava, mas sim na dos Stewards, basicamente os criados da Muralha, que cuidam de todas as outras ordens. Vingança mais do que certa do mestre de armas, há pelo menos um lado positivo, como o faz ver Sam (John Bradley-West): Jon é escolhido para ser o assistente pessoal do comandante máximo da Muralha, Lord Commander Mormont, o que o poderá ajudar a aprender tudo o que é necessário para, um dia, se transformar no sucessor deste.

Vaes Dothrak
Enquanto em Westeros os reinos estão em fogo com a morte do rei e o feudo entre os Starks e os Lannister, em Vaes Dothrak é a tentativa (falhada) de assassinato de uma rainha que põe tudo em pé de guerra. Por mais promessas que tivesse feito a Viserys, Khal Drogo (Jason Momoa) não parecia estar verdadeiramente com grande vontade de atravessar o mar e ir fazer guerra para lados dos Sete Reinos. Mas tudo isso muda quando o assassino contratado por Varys a mando de Robert é apanhado, graças à ajuda de Ser Jorah Mormont (Iain Glen). Com a vida de Daenerys (Emilia Clarke) claramente em perigo, Khal Drogo não hesita e faz uma promessa ao seu filho por nascer:

“And to my son, the stallion who will mount the world, I will also pledge a gift. I will give him the iron chair that his mother’s father sat upon. I will give him seven kingdoms. I, Drogo, will do this. I will take my Khalasar west to where the world ends, and ride wooden horses across the black salt water, as no Khal has done before. I will kill the men in iron suits and tear down their stone houses. I will rape their women, take their children as slaves, and bring their broken gods back to Vaes Dothrak. This, I vow, I, Drogo, son of Bharbo. I swear before the Mother of Mountains, as the stars look down in witness.”

Há muito que nos perguntávamos o que fazia Jason Momoa nesta história, pois pouco ou nenhum destaque tinha tido. Bom, com esta cena finalmente percebemos porque foi escolhido para o papel graças à Haka que interpretou no casting. Grande cena, com muito impacto, e que nos deixa em pulgas para ver o que irá acontecer quando os Dothraki começarem o seu caminho de regresso aos Sete Reinos.

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Lista de EpisódiosNota (0.0/10.0)
Game of Thrones: 1×01 – Winter is Coming (HBO)8.5
Game of Thrones: 1×02 – The Kingsroad (HBO)8.5
Game of Thrones: 1×03 – Lord Snow (HBO)7.5
Game of Thrones: 1×04 – Cripples, Bastards, and Broken Things (HBO)7.0
Game of Thrones: 1×05 – The Wolf and the Lion (HBO)8.3
Game of Thrones: 1×06 – A Golden Crown (HBO)8.0
Game of Thrones: 1×07 – You Win Or You Die (HBO)8.4
Game of Thrones: 1×08 – The Pointy End (HBO)9.1
Game of Thrones: 1×09 – Baelor (HBO)9.6

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3 Respostas para “Game of Thrones: 1×07 – You Win Or You Die (HBO)” Subscribe

  1. Idolatrado 08/06/2011 às 06:16 #

    Melhor episódio até agora…

    :4meio:

  2. João Barreiros 08/06/2011 às 09:24 #

    Grande episódio! O Khal Drogo, só com aquele discurso, conseguiu já ganhar a minha admiração. Incrível o grau de influência que a Daenerys em tão pouco tempo consegue ter sobre ele. Óptima cena! Já o Ned tem-se mostrado demasiado ingénuo, coitado… as coisas não têm corrido bem para os Starks.

    Na muralha, basicamente nada se passa de relevante neste episódio. Ficava sempre aborrecido quando a cena cortava para lá. :wtf:

    :4meio:

  3. qui 08/06/2011 às 15:49 #

    Muito, mas mesmo muito bom episódio.
    O Ned Stark nem parece daquele mundo… tamanha ingenuidade.

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