[SPOILERS] “What do we say to the God of Death? Not today!” Se a verdade é que, quando se começa esta história, nem sempre é fácil ficarmos apegados ao que estamos a ler/ver devido às tramas desconexas, ao elevado número de personagens e à mitologia passada que teima em saltar para o presente, chega também aquele ponto em que percebemos que há, aqui, algo de verdadeiramente bom.
Deste lado, ao ler os livros, o momento foi exactamente este. Se de início a história não cativou por aí além, e apenas graças a uma boa escrita da parte do autor, recheada de cliffhangers que não nos deixam pousar o livro no final de cada capítulo, foi avançando, quando cheguei a este ponto algo ficou claro: não podia esperar nem mais um minuto para saber o que iria acontecer às minhas personagens favoritas, para ver o que iriam fazer agora que o jogo mudou, o tabuleiro é totalmente novo e se começam a preparar as próximas jogadas. E mesmo que isso implicasse não dormir para ler sofregamente capítulo atrás de capítulo, esperando mais de 200 páginas para saber o que estaria a acontecer à minha personagem preferida – tudo valia a pena. Tal como este episódio.
Recheado de eventos, “The Pointy End” apresenta-nos diálogos interessantes, cenas memoráveis, lançamento de alicerces de histórias futuras. E tudo isto num episódio que é, essencialmente, de transição, entre as grandes reviravoltas de “You Win of You Die”, e o que promete ser um “Baelor” de cortar a respiração. Mas também, não esperávamos menos de um episódio escrito por George R.R Martin, não é?
King’s Landing
Uma das cenas mais aguardadas por estas bandas, era a última lição de dança de Arya (Maisie Williams) com Syrio Forel (Miltos Yerolemou). E se acabou por ser mais curta do que a original, não desapontou. De maneira nenhuma. Para quem teve a Arya como personagem preferida desde o início, como é o caso de esta que vos escreve, vê-la ficar, de repente, sozinha e abandonada num território hostil, com o pai preso e acusado de traição, a irmã em cativeiro e os restantes elementos da sua casa assassinados a sangue frio, é assustador – tão assustador quanto deve ser para a rapariga, que não só perde tudo aquilo que conhece mas, também, se vê obrigada a fazer uso dos ensinamentos do irmão bastardo e usar a ponta mais afiada num rapaz anónimo da capital que a queria capturar e levar para junto da rainha. A juntar a isso, a tristeza pelo desaparecimento de uma das mais queridas personagens da série, Syrio Forel, e temos um início de episódio banhado a lágrimas, que rapidamente se transformam em lágrimas de raiva ao perceber que, ao contrário da irmã, a sonsa da Sansa (Sophie Turner) não só nada faz para proteger a sua família como, pelo contrário, ainda prejudica.
Que Sansa tinha a cabeça nas nuvens, já nós tínhamos visto de início. Mas que, depois de ver a sua Casa a ser dizimada, de saber que a irmã está desaparecida e que o pai está nas masmorras, acusado de traição, ainda faz tudo o que Cersei (Lena Headey) lhe diz, desde escrever aquela carta ao irmão mais velho, a implorar, à frente do recém-coroado Joffrey (Jack Gleeson), e de toda a corte, pela vida do seu pai, é de bradar aos céus. Ai personagem mais burra… não admira que seja o meu segundo ódio de estimação desta saga, depois de uma outra personagem sobre a qual falaremos um dia. Claro que nos livros esse ódio é exacerbado pelo facto de toda esta história se ter precipitado por causa das queixinhas que a Sansa foi fazer à rainha, e que aqui não foi reproduzido, mas mesmo assim… raiva!
Aliviando um pouco os ares e aproveitando para mudar de casa, o destino de Ser Barristan Selmy (Ian McElhenney), membro da Kingsguard e um dos mais leais defensores do monarca do trono (o terceiro, desde que Joffrey se sentou no trono) fica também aqui selado. Ser Barristan é um homem justo, leal, que apenas quer cumprir o seu dever até à morte, como manda a tradição. Infelizmente, Cersei é esperta e quer livrar-se de todos os que possam vir a ser uma peça no seu caminho, e isso inclui oferecer a Ser Barristan uma “reforma” forçada e substituí-lo por, nada mais nada menos, do que o irmão gémeo. Nada como ter os amantes à mão, especialmente quando o empecilho do marido já não está ali para a chatear…
Longe de tudo isto, mas inevitavelmente preso à história principal, a estadia de Ned (Sean Bean) nas masmorras é, de repente, agitada pela chegada de Lord Varys (Coleth Hill). Numa conversa tão curta, é interessante ver como tanto se consegue dizer sobre este reino e sobre quem nele vive: “Tell me something Varys. Who do you truly serve?” “The Realm, My Lord. Someone must.” Não há dúvida que todas as diferentes personagens que temos conhecido ao longo destes episódios fazem aquilo que mais lhes convém, não hesitando em passar por cima dos outros desde que isso signifique a vitória para o seu campo. E quanto a Varys? Estará ele, como defende, do lado do reino? Terá ele boas intenções? Duvido, mas a verdade é que quando temos em conta todas as forças que se estão a preparar para atacar, sejam os Dothraki a leste, ou os White Walkers a Norte, convinha mesmo ter alguém do lado do reino…
Vaes Dothrak
Decidido, Khal Drogo (Jason Momoa) não hesita em pegar na sua tribo e partir em direcção ao mar que o levará até aos Sete Reinos e ao trono que prometeu ao filho. Mas porque o caminho é longo, e a guerra custa ouro, é preciso arranjar forma de patrocinar os cavalos de madeira que os irão transportar até Westeros. E, para isso, nada melhor do que arranjar alguns escravos. Que os Dothraki são um povo meio selvagem, brutal, sem piedade, já nós tínhamos percebido. Daenerys (Emilia Clarke), e não obstante as afirmações do marido no episódio anterior, é que parecia ainda não estar muito ciente disso. Mas ao ver a forma como os guerreiros tratam o povo que com eles se cruzou pelo caminho, como as mulheres estavam prestes a serem tomadas à força, resolve agir. E isso prova ser má ideia, especialmente quando os guerreiros contestam a sua autoridade e forçam Drogo a declarar mais uma vez a sua surpremacia em mais uma espectacular (e também nojenta) luta. Aposto que os restantes guerreiros irão pensar duas vezes antes de dar à língua da maneira que deu o outro… e como ainda por cima Daenerys parece ter arranjado uma curandeira de serviço em Mirri Maz Duur (Mia Soteriou), nada os irá conseguir parar.
Muralha
Na Muralha, as notícias chegadas de King’s Landing exacerbam ainda mais os ânimos que já estavam exaltados com a descoberta macabra do episódio anterior. Os corpos de dois dos Rangers que acompanhavam Benjen Stark são a gota de água que faz transbordar o copo e que deixa Jon (Kit Harington) ainda mais desesperado do que estava. Mas porque as lutas entre meros humanos não se comparam ao que o poder sobrenatural tem para oferecer, o ataque do “zombie” ao Comandante Mormont (James Cosmo) e a resposta rápida de Jon, com a ajuda de Ghost, provam que por muito perigosas que as ameaças de sul sejam, não se comparam – nem de longe – com os perigos que o Norte tem para oferecer.
Winterfell
Com os eventos em King’s Landing a precipitarem-se, nada mais resta a Robb (Richard Madden) se não chamar os seus aliados e partir para a guerra, deixando sozinhos no castelo os irmãos mais novos Bran (Isaac-Hempstead-Wright) e Rickon (Art Parkinson). Afinal, não fosse Robb filho de Ned, não fosse ele também um homem do Norte. E se dúvida alguma havia que Robb não estava preparado para isto, este episódio meteu tudo em pratos limpos: Robb pode tremer, pode estar receoso, mas não hesita em confrontar aqueles que o querem rebaixar, seja com a ajuda do sempre fiel Grey Wind, seja com um olhar fulminante para a mãe Catelyn (Michelle Fairley), que finalmente deixa o Vale e regressa a Norte, para junto dos seus.
“Let him go. Tell Lord Tywin Winter is coming for him. 20 000 northeners marching south to find out if he really does shit gold.”
Tywin Lannister (Charles Dance) pode não se mostrar muito preocupado, agora que tem o neto (ou melhor Cersei) no poder, Jaime à frente do exército e Tyrion (Peter Dinklage) de regresso a casa, acompanhado pelo sempre fiel Bronn (Jerome Flynn) e uma trupe de selvagens das tribos das montanhas do Vale Arryn… mas esta ameaça de Robb não será de tomar de ânimo leve…
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Aquele gajo que faz de Drogo tem-me fascinado com a sua representação, típico dos wrestlers, mas empolgante. eu pessoalmente não gostei muito deste episódio.
Era o Ronon Dex em Stargate Atlantis e é o novo Conan.
Por acaso de wrestler não tem nada. É (e sempre foi) modelo e actor.
Para além de Stargate Atlantis, onde se tornou conhecido, também entrou em Baywatch Hawaii (
Não disse que era wrestler, mas a atitude de drogo é wrestleríca.
Ele conseguiu o papel ao interpretar uma Haka.
Acho que é mais por aí. ;D
ele encaixa como uma luva no papel e apesar da falta de ética de drogo ele consegue criar empatia.
@Syrin,
O zombie não era um “White Walker”?
Hum… não. Há uma diferença entre os White Walkers e os mortos que eles reanimam (os tais que eu chamei de zombies)
The Others, known amongst the wildlings as White Walkers, are a race of creatures that have been recorded to exist north of the Wall. Before the events of A Song of Ice and Fire, the Others had not been seen on Westeros since the end of The Long Night over 8,000 years previous. In the Seven Kingdoms, the Others came to be regarded as an extinct race or simply a fairy tale. Events in A Song of Ice and Fire have proven this belief to be untrue.
Wights
Creatures killed by the Others reanimate as undead zombies called wights. The bodies of wights are freezing cold and their eyes glow blue. Wights will attack any living creature around them with surprising strength, and with a certain amount of intelligence and memories of their previous life (as indicated by an assassination attempt of the Lord Commander of the Night Watch). They feel no pain and will continue to fight regardless of injury.
Não sei qual o nome que deram em Português aos Wights… mas vou investigar. ;D
Também estava na dúvida porque as imagens que vi na net são de White Walkers
e esse reanimado tinha olhos pretos. Obrigado pelo esclarecimento.
PS: Winter is coming…
:axe2:
Existe mais um irmão Stark, o mais novo, nem sei se já tinham mencionado o rapazinho, mas só soube da sua existência hoje. Eu gostei muito do episódio, só não gostei do facto de não continuarem exatamente onde acabou o outro episódio, mas pronto.
Não só já o tinham mencionado várias vezes, como apareceu diversas vezes no episódio piloto.
Ai, essa falta de atenção… ;D
O episódio foi excelente, assim como a tua crítica.
A Sansa é mesmo sonsa!
Podiam acabar com ela de vez e aproveitar e acabar com o Joffrey também.
Estou ansiosa à espera do próximo.
sansa foi tudo aqui, menos sonsa. ela foi bastante calculista e diplomática, prova de que Ned Strk não criou nenhuma burra. Aliás, mesmo na cena do episódio anterior que faz desgostar dela onde não quis acusar Jofrey percebe-se que ela não foi sonsa, como o próprio Ned depois explicou a Arya. De resto é uma adoloscente apaixonada e porta-se como tal.
A Sansa? Calculista e diplomática? Onde?
A Sansa acredita em coisas bonitas, em príncipes encantados, em histórias cor de rosa. Não viste em nenhum momento da série a Sansa a ser calculista.
Ela recusou-se a falar sobre o incidente do Joffrey e da Sansa porque se defendesse a irmã não ia poder casar com o “príncipe encantado”. Para isso não é preciso ser calculista nem diplomática – apenas acreditar em finais felizes.
Acho que estás a falar de Sansa dos livros, porque a Sansa mostrada no filme, embora com atitudes merdosas, nas duas situações de perigo diante de autoridade, mostrou-se diplomata e respondeu bem. O facto de ela ter escrito a carta como lhe foi pedido não significa sonsice, significa saber sobreviver, aliás, por que “todos dizem palavras de rainha pela mão de sansa”? No livro não sei como ela é, mas na série ela não é a estúpida que vocês dizem, pelo menos ainda não.
Não, estava a falar da da série também.
Saber sobreviver ou não, o que está aqui em causa é que o que ela fez é uma ofensa à sua família, ao seu pai, à sua casa, ao norte em geral.
Ela é muito inocente, isso vê-se logo, daí ser facilmente manipulável por pessoas como a rainha. Mas eu, perdoem-me, tenho um problema com personagens “estúpidas”.
quer dizer que ela devia recusar, ser preso com o pai e morrer, em nome de honra? O melhor personagem da seria Thyron (acho eu, o anão, para resumir) sabe deixar a honra em último lugar para sobreviver, então por que essa atitude é ofensiva (para nós de fora) quando feita por sansa?
A Sansa e o Tyrion são diferentes, são de casas diferentes, tiveram uma educação diferente. Todo o ambiente que os rodeia é diferente.
A Sansa, tudo o que fez até agora, foi trair a sua família. Traiu a irmã ao não contar a verdade sobre o incidente com o Joffrey. Traiu a sua casa ao escrever aquela mensagem que sim, todos perceberam logo que era da rainha. Traiu o seu pai ao fazer aquele apelo que, aos olhos da corte, confirma a culpabilidade do Ned. Quando, se formos a ver bem, o Ned nunca traiu o reino.
Desde que apareceu em cena que a Sansa se comportou como alguém que não se importa com a sua família, e que apenas tem na cabeça o príncipe encantado. Se isso é desculpa para alguns… maybe. Há quem goste da personagem – nos livros E na série. Eu, perdoem-me, mas não consigo.
eu não gosto de sansa, acho-a adolescente aluada, entretanto, diz-me o que imaginas que seria o desfecho em ambos os casos se ela não fizesse a carta ou mentisse sobre o príncipe?
Acho que o episódio beneficiou da escrita do GRRM, é verdade, mas a realização não foi das melhores… houve ali momentos muito mal encenados, como a cena em que a Arya mata aquele miúdo ou a parte em que o direwolf do Robb arranca os dedos a um dos seus aliados. Apesar disso, este episódio foi mais um excelente exemplar!
A cena em que o Drogo arranca a língua a um dos seus homens é fenomenal e já uma das minhas preferidas! Mal posso esperar que os Dothraki cheguem a Westeros, ainda que ache que isso só vai acontecer na próxima temporada…
A cena em que a Arya mata o miúdo também me deixou um bocado desapontada, esperava mais da cena.
A cena em que o Drogo arranca a língua a um dos seus homens é fenomenal e já uma das minhas preferidas! Mal posso esperar que os Dothraki cheguem a Westeros, ainda que ache que isso só vai acontecer na próxima temporada…
Jason Momoa FTW!
Essa cena foi de facto excelente….. mas o arrancar da língua quase que me provoca vómitos!
Quanta a Sansa….também a odeio de morte, a ela e ao Joffrey.
ray: !
Que burra a rapariga, já no livro eu tinha vontade de lhe bater!!
Eu não sei porquê mas acho que os Dothraki, Lannisters, Starks e companhia deviam era juntar-se e virar-se para Norte… Porque eles vêm aííií…. :yuuupiii:
:4meio:
Eles bem andam a dizer desde início: Winter is Coming!
Fui agora reler a tua review do primeiro episódio…
Então aquela criança do piloto de olhos azuis pertencia aos tais “zombies” e foi “tocada” pelos White Walkers.
Mas aquele que aparece no final da cena a decapitar já era um White Walker, verdade? The Others ou White Walkers são o mesmo…
A criança fazia parte de um grupo de Wildlings, os tais povos meio selvagens que vivem a norte da floresta, e que foi morta por um White Walker. Ao ser morta por um White Walker, transforma-se num zombie, os tais Wights
Os White Walkers (chamados Others nos livros) são criaturas iguais às que, no início do primeiro episódio, decapitam os rangers.
http://cdn.wg.uproxx.com/wp-content/uploads/2011/04/game-thrones-zombie.jpg
É isso então…
Estou-me a roer para saber mais…
O melhor mesmo era fazer como BSG, ver tudo seguido é tão bom…
Agora é esperar até Domingo…
Cheira-me que Khal Drogo irá ter problemas no futuro ao ter que quebrar as “tradições” dos seus homens usufruirem dos despojos de guerra. Uma coisa q não bate certo é sendo um povo de guerreiros, q entrou em tantas guerras deviam ter os seus próprios curandeiros e formas, diria até avançadas, de curar as feridas q devem ser mais q muitas naqueles homens guerreiros…q até entre eles lutam frequentemente.
Mas q a história aquece lá isso aquece.
E tivemos GHOST!!!!!
Qt eps terá?
10
Faltam 2 para terminar a temporada.
Só?
:verysad:
Epá, então e as temporadas de 20 e tal episódios já não existem…
Fringe tem, menos mal…
É que 10 episódios é francamente pouco para o tipo de narrativa que é… O desenrolar é lento, eu pessoalmente gosto disso, mas para compensar deviam fazer temporadas maiores… Vai ser um desespero… Querem ver que é desta que me agarro aos Livros…
As séries no cabo têm geralmente temporadas curtas…
Sim, experimenta os livros, prometo que não te vais arrepender. São bem melhores do que a série.