[SPOILERS]
Erickson: So we’ll just find another way to cut the balls off of this thing… I’ll talk to my guy at the agency.
Jack: Be careful. CIA may be on your side now, but they’ll throw you under a bus to cover their ass if they want to.
Erickson: I know how the game is played, Jack.
Outra vez! Fui completamente enganado por “Damages”… de novo. E agora que faço uma retrospectiva penso se este não terá sido o melhor episódio até agora… pelo menos é sem dúvida o que tem o título mais sugestivo.
Digo isto porque acho que foi um episódio completo, uma vez mais sem direito a flashforwards do futuro (sangrento) que se aproxima, é verdade, mas que nos proporcionou belos momentos e uma valiosa conversa que nos ajuda claramente a compreender melhor de onde vem esta carismática protagonista, de seu nome Patty Hewes (Glenn Close).
Recomeçamos exactamente onde parámos a semana passada. Ellen (Rose Byrne) e a sua nova testemunha, Nasim (Usman Ally), apanham um táxi e são seguidos por Jerry Boorman (Dylan Baker), que logo que surge a oportunidade suborna o taxista e passa para o volante do táxi, provavelmente com o objectivo de conduzir os seus dois clientes rumo a uma viagem sem regresso. Felizmente, a paragem em casa de Nasim para buscar a mala de viagem é o pretexto para que Ellen e Nasim sejam “salvos” pelos seguranças privados que Patty havia colocado a seguir-lhes os passos. Felizmente Patty sabe bem o que a casa gasta e também alerta Ellen para a necessidade do maior secretismo nas comunicações… uma vez que computadores e telemóveis podem estar a ser monitorizados.
O pedido feito a William Herndon (Judd Hirsh) também dá os seus frutos: o antigo mentor de Patty consegue um documento da CIA onde é referida uma operação encomendada à High-Star Security com o nome de código “Dust Devil”. Está assim explicado o DD, no verso da medalha de Chris (Chris Messina). Com aquele documento e o testemunho de Nasim, Patty está segura que Ellen poderá ter um caso promissor entre mãos e forçar a High-Star a facultar-lhe todos os documentos sobre a operação.
O círculo volta uma vez mais a apertar e Erickson deposita toda a sua confiança no advogado da High-Star, Jack Shaw (David Pittu), e em Boorman, que lhe assegura que Nasim não irá depor. Este Boorman é, de facto, genial! Até agora o vilão mais inteligente desta série. Estava adoentado (muito misteriosa a origem da sua gripe! Bem como a de Catherine! Terá algo a ver com os testes da empresa farmacêutica?… Ou estarei a fazer uma grande viagem?!). Esteve entretido com uma atraente mulher, aparentemente funcionária de uma outra agência americana, que visitava Nova Iorque a trabalho, com quem acabou num quarto de hotel (mais mamas em “Damages”!) graças a um X de fita fluorescente adesiva colado num poste de rua (??!!).
E ainda assim conseguiu engendrar um plano magnífico e eficaz que destruiu Nasim enquanto testemunha. Basicamente passamos o episódio todo a achar que Boorman quer rebentar com o autocarro que Ellen apanha todas as manhãs. Ele encomenda uma bomba, apanha o autocarro, activa o contador… mas esquece-se de carregar no botão que detonaria a bomba! E deixa o saco para ser encontrado por um rapaz que também ia no autocarro! Quando a bomba não detona e Ellen percebe que era ela a vítima daquele atentado eu fiquei… “What the fuck?! Estão a gozar comigo? Tudo bem que o gajo estava adoentado… mas vai-se esquecer que carregar do botão? Como é que me vai cometer uma falha destas?!” Mas tudo acontece por uma razão… E a análise da mala revela fios de cabelo que nos dão o ADN do suspeito. Uma equipa do FBI é enviada para o capturar.
Tudo dava a entender que iam no encalço de Boorman… e nesse momento começo a desconfiar. “Não, não vai ser assim. Vão trocar-me as voltas!” Dito e feito. O FBI invade os escritórios da Hewes & Associates e captura Nasim, que tinha acabado de começar a prestar o seu depoimento, interrogado pelo advogado da High-Star sob a supervisão de Ellen e Patty. “Ok. Lá está. Tinha de ser. E agora? Expliquem-me lá isto e de preferência já e de uma maneira que eu compreenda facilmente!”
Uma vez mais, dito e feito. Logo depois de perceber que o seu plano no táxi tinha falhado, Boorman arquitectou outro. Foi ao quarto de hotel que Nasim acabara de abandonar e trouxe restos da sua barba, que depois se limitou a “plantar” na mala com a bomba, certificando-se que um amigo seu no FBI introduzia Nasim na base-de-dados para que houvesse uma correspondência e o inocente homem passa-se assim a terrorista árabe. E o que dizer? Quando somos levados nesta viagem, percebemos que tudo não passou de uma manobra de diversão e que as peças mesmo assim encaixam todas… Mais não podemos fazer do que reconhecer que esta não é uma série qualquer e que os escritores podem ser tão “dissimulados” quanto as personagens que criam.
Cai o testemunho de Nasim e caem também os documentos referentes à operação “Dust Devil”, com Erickson a falar com o superior de Boorman na CIA, para que o Departamento de Defesa censurasse todas as 50 caixas de papelada. Uma vez mais parece que ficamos sem caso!
Por último, o agravamento do estado de saúde de Catherine (Brooke Liddel e Kiley Liddel) bem como as consultas no psicólogo que Patty ainda tem que frequentar revelam-nos alguns detalhes precisos sobre a infância de Patty. O que aparentemente parecia uma inofensiva febre acaba por ganhar contornos mais graves quando sucessivos exames se provam inconclusivos em relação à doença que está a afectar Catherine. O mais recente prognóstico deixa-nos com uma probabilidade de 1/36 de a menina sofrer de leucemia. E a mais recente baby-sitter tem esperança que Deus possa ajudar. Contudo a oração ao adormecer e o terço pendurado na cama não são do agrado de Patty. De todo. Mas porquê?
Deus e a religião eram a fuga que a sua mãe – uma “fraca” nas palavras de Patty – encontrava perante os abusos por parte do pai – um homem violento e autoritário, a figura que Patty combate e tenta derrubar, uma e outra vez, na sua profissão, enquanto advogada. Uma fonte de esperança, para uma mulher incapaz de fazer frente ao homem que a magoava. E eu só pensava: tudo isto faz tanto, mas tanto, sentido.
Religião, fé, esperança, chamem-lhe o que quiserem… Patty coloca tudo à prova com um simples jogo de probabilidades. Uma folha de papel, rasgada em 36 pedaços. Um deles assinalado com um X canceroso, camuflado entre os restantes. Patty tira o primeiro papel rasgado. Limpo. Alívio. Tira o segundo e lá está ele: o temido X. Patty fica visivelmente preocupada, e não é para menos. É bom que comecem a dar mais destaque a esta relação, porque é sem dúvida uma storyline que nos cativa e que nos faz querer ver sempre mais, pelo simples facto de termos uma personagem sempre tão forte e em controlo de tudo que de repente fica completamente desamparada e a sentir-se incapaz de fazer o que quer que seja pela neta.
O Melhor: O grande twist final. A doença de Catherine e o efeito sobre Patty.
O Pior: Nada.
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adorei a cena da Patty com as probabilidades, simples mas muito eficaz.
como dizes e bem, agora ficamos a conhecer melhor a Patty, uma excelente personagem
quanto ao caso, não sei se o Jerry é o melhor vilão da série, mas se não o é não ficara muito longe.
o plano é realmente genial, tambem mas logo de inicio fiquei a estranhar ele querer rebentar com o autocarro, mas depois pensei que se alguem explode um escritorio tambem explodia um autocarro. Pensei o mesmo que tu, mas que burro é este que se esqueçeu de activar..
no final quando se preparava para ser preso, vi logo que não era ele, afinal isto É damages.
a doença dele não me parece inocente, tal como o seu sonho
Que sonho, musicslave? Já não me lembro…
enquanto “nos” estamos a pensar que ele vai ser preso, ele ta em casa doente e tem um sonho com uma arabe.
e lembrei-me de uma coisa um pouco forçada, o Jerry arranja o cabelo no quarto, ok, mas o Nasim já o tinha cortado à alguns dias, será que não existe o serviço de quarto? ele podia ter cortado o cabelo e/ou a barba, mas mesmo assim nunca seria aquela quantidade
Ah! Pois é, essa mulher!
Ainda bem que me lembras, foi algo que já me tinha passado completamente e mais tarde ou mais cedo eles de certeza que vão voltar a pegar nessa história.
Sim, às vezes há umas coisas que nós vemos que são um bocado puxadas a ferros.
Por exemplo quando o Huntley e os “vigilantes” ao serviço da Patty decidem agir no preciso momento em que o Boorman passa para o volante, quando o mais normal seria eles esperarem para ver qual era o destino da Ellen e do Nasim e só intervir caso eles fossem para um aeroporto ou algo do género…
Já para não falar que o plano do Boorman era um bocado arriscado porque a determinada altura o Nasim, sentado na parte de trás do táxi, poderia reconhecê-lo e entrar em pânico, sei lá.
Mas pronto, eu fecho um bocado os olhos a isso, porque são coisas mínimas comparadas com o grande quadro deste episódio.