[SPOILERS] Ao segundo episódio, o grande mistério da temporada é quase engolido por algumas histórias sem grande interesse que consomem minutos a mais.
A storyline de Susan (Teri Hatcher) foi a mais descabida de todas. Se por um lado compreendo este quase “desejo de morte”, de querer ser apanhada e responsabilizada pelo crime “maior” que cometeu com as suas amigas de longa data e de, portanto, querer arcar com as culpas do acidental “roubo” de um refrigerante no supermercado, daí para frente as coisas perderam um bocado o sentido. Algumas cenas com piada, outras nem por isso, a verdade é que forçar o castigo não é algo que as pessoas façam de livre e espontânea vontade. O fumar no hospital, não separar o lixo, comer bolachas a mais, rasgar a foto da bebé do polícia… não fez sentido. O que já me agradou mais foi a breve conversa com Carlos (Ricardo Antonio Chavira) e o partilhar desta acutilante culpa que os dois partilham.
E no caso de Carlos o problema começa a afectar seriamente o casamento com Gaby (Eva Longoria) naquilo que os dois sempre fizeram melhor: o sexo. Quando Carlos não é “capaz”, digamos assim, Gaby começa a ficar seriamente preocupada, porque o sexo sempre foi o combustível que fez arder o amor deste casamento. Depois temos o dilema mais velho das comédias românticas entre casais juntos há muito tempo: como apimentar a vida sexual?
A ideia de Gaby também não é propriamente das mais originais: aprender a dançar num varão de stripper. Apesar de Gaby já não ser uma amadora, ainda está a alguns meses de se tornar uma profissional… e ela não dispõe desse tempo de espera. Por isso a solução é deixar que seja a própria stripper a tratar dos preliminares para ela entrar em cena quando Carlos estivesse “no ponto”. A coisa não corre bem e a situação rapidamente se torna mais séria quando Carlos admite que a morte de Alejandro (Tony Plana) está sempre presente com ele, principalmente nos momentos com Gabrielle que acaba por ser uma recordação viva… do morto. E os Solis podem enfrentar aqui uma provação difícil ao seu casamento. Será que Gaby aguentará o período de abstinência até Carlos conseguir superar esta situação?
A guerra entre Lynette (Felicity Huffman) e Tom (Doug Savant) começa a fazer os primeiros estragos. Ele determinado a ser o “pai fixe”, ela determinada a não ser a “mãe má” passam várias vezes a batata quente de ter de dizer “não” ao pedido de Parker (Joshua Logan Moore) para ir a uma festa em casa de um colega que se adivinhava um antro da destruição com drogas, bebidas e adolescentes grávidas como pano de fundo. Como nenhum dos dois diz que não, Parker vai e termina a noite bêbedo e mal-disposto. Lynette, depois de beber cerveja de pernas para o ar para tentar entrar na festa, tem uma conversa com o marido, e ambos compreendem que este não é jogo em que cada um tenta ser o favorito dos filhos: eles precisam de ouvir “nãos”, de regras e de estabilidade, e isso não se consegue se o pai e a mãe andarem numa disputa constante. Será que a lição foi realmente aprendida? Algo me diz que não…
Rennée (Vanessa Williams) e Mrs. McCluskey (Kathryn Joosten) deram-nos alguns dos melhores momentos de comédia do episódio. Depois de saber, por intermédio de Mike (James Denton), que o atraente novo vizinho, Ben (Charles Mesure), se preocupa em ajudar os idosos, Rennée suborna Mrs. McCluskey para que esta se faça passar por sua amiga de longa data. Foi uma cena deliciosa ali à porta de casa da senhora! Ben, que não é burro nenhum, percebe que se trata de uma manobra de Rennée para o apanhar e resolve gozar um bocado com ela convidando-a para uma saída… Rennée, toda produzida, nem adivinhava que ia ter de enfiar uma touca e um avental para ir servir comida aos mais desfavorecidos. Quando ela percebe o que Ben está a fazer fica furiosa e faz uma saída dramática, como só ela sabe fazer. Mas já na rua os dois acabam por perceber que têm algo muito grande em comum: antes de uma vida adulta de luxos e sucesso tiveram uma juventude passada em locais como aquele, onde a pobreza toca todos e a solidariedade é tão necessária quanto repudiada pelos que a recebem. Uma vez mais lá temos esta transição aparentemente tão difícil, mas tão natural nesta série, da comédia para o drama.
Fica ainda no ar um grande ponto de interrogação sobre qual o trabalho que Ben tem reservado para Mike, depois de descobrir o seu passado. Certamente que não quererá que ele simplesmente trate da canalização na sua nova obra.
Enquanto isso, Bree (Marcia Cross) anda preocupada de morte com o bilhete anónimo que recebeu na sua caixa de correio, escrito por alguém que supostamente sabe o que aconteceu na noite do jantar de vizinhos em Westeria Lane. As frases, transcritas palavra por palavra, do bilhete enviado a Mary Alice fazem com que Bree suspeite de Paul Young (Mark Moses). Foi com alguma surpresa que vi regressar tão cedo o viúvo de Mary Alice (Brenda Strong) e de Beth Young (Emily Bergl). Fechado na prisão, torna-se claro para Bree que não foi ele quem lhe enviou o bilhete. Paul dá-lhe, aliás, um valioso concelho que achei fantástico: ele diz-lhe para ela partilhar o segredo com as outras senhoras, para não o enfrentar sozinha nem se deixar absorver por ele… porque poderia acabar como Mary Alice.
Bree acaba por falar com Gabrielle, e ambas chegam à conclusão que é melhor não falar com Susan nem Lynette tendo em conta os problemas que ambas atravessam… e que o melhor seria Bree acabar tudo com Chuck, porque namorar com um detective seria estar a brincar com o fogo quando o objectivo é que este segredo ficasse enterrado – literalmente – para sempre. Mas quando Bree se prepara, a muito custo, para acabar tudo, recebe um telefonema, a partir da prisão, de Paul. Ele diz-lhe que um (ou mais) dos detectives que tinham investigado o suicídio de Mary Alice sabiam do conteúdo do bilhete… e que esse detective foi nem mais nem menos do que: Chuck (Jonathan Cake).
Uma vez mais, Bree deve ter sentido o chão a fugir-lhe debaixo dos pés. Chuck sabia o que se tinha passado, há muitos anos atrás, em Westeria Lane. Ele esteve lá na noite do jantar. Será que ele sabe da verdade? Terá sido ele a enviar o bilhete? Tudo é possível, mas não me parece que assim seja. Se é suposto que nós pensemos isso logo no segundo episódio da temporada é porque certamente ainda muita água vai correr debaixo da ponte. Mas por enquanto, num dúbio empasse sobre o que Chuck saberá ou não, Bree decide ficar com ele, mesmo que isso a amedronte.
O Melhor: O mistério em torno do bilhete, e o regresso de Paul. Rennée e Mrs. McCluskey.
O Pior: Susan.
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Ainda não vi o episódio, mas essa imagem tem um certo “q” de spoiler, dont you think ?
É para aguçar mais o apetite…
Acho que foi o mais importante do episódio. E aquele reflexo da Bree está engraçado!
Tirando o arco de Bree e o bilhete, a temporada ainda não me prendeu. Não acho piada nenhuma á Renée ou ao outro senhor que chegou. A Susan já parava de ser a deprimida, tenho saudades de quando ela me fazia rir (neste episódio fez, mas nada como de antes) ,enfim. Tudo fraco para já.
A Rennée teve alguma piada com a Mrs. McCluskey, pelo menos eu achei.
Mas se tirarmos o mistério do bilhete, não há nada de especial a acontecer…
Eu gostei do episódio! Achei que esteve ao nivel do anterior! Pela primeira vez gostei de toda a história do divórcio de Lynette, achei a trama da Gaby divertida e a de Susan tambem foi engraçada. Mas sem duvida Bree reinou neste episódio e este arco do bilhete está-me a prender bastante, ainda mais agora que as suspeitem remetem para Chuck. Foi bastante agradável ver mais de Renne neste episódio assim como do novo vizinho, que devo dizer que me despertou algumas suspeitas na conversa com Mike.
No geral foi um bom episódio e acho que merecia uma nota melhorzita! Aguardo o próximo!