Homeland: 1×01 – Pilot (Showtime)

FacebookTwitterGoogle+


[SPOILERS] “Homeland” estreia apenas a 2 de Outubro, mas graças a essa maravilha tecnológica que é o pre-air, é possível ver o piloto antes dessa data. Baseada na série israelita “Prisioner of War”, vai-nos promete oferecer 12 episódios intensos de 1 hora. As comparações com “24” são inevitáveis e mal se começa a ver percebe-se porquê, alias, os dois produtores (Alex Gansa e Howard Gordon) vieram de lá.

O piloto inicia logo no meio da acção, com Carrie Anderson (Claire Danes), uma mulher absolutamente determinada (outra pessoa poderia descreve-la como obcecada e intensa), a tentar salvar um terrorista que pode conter informações sobre um futuro ataque em solo americano. Sabemos mais tarde que os seus métodos, sempre “fora da caixa”, a colocaram em cheque. Mas valeu a pena pela informação: “Um prisioneiro de guerra american foi convertido”.

O Sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), julgado morto há 8 anos, foi encontrado no Iraque depois de 8 anos em cativeiro. A mulher Jessica (Morena Baccarin), assim como toda a gente, julgava-o morto, por isso não é com grande choque que a conhecemos na cama com um dos amigos do “falecido” marido no inicio do episódio. Quase uma década é muito tempo para estar longe da mulher, de uma filha adolescente “clichentemente” revoltada com a mãe e de um filho que mal se lembra dele.

O reencontro com a família é obviamente estranho, mas curto, porque é imediatamente catapultado para um frenesim mediático, o qual, e um pouco ao contrario do que fazia prever o seu estado pós-traumatico, se safa (demasiado) bem.

A série desenrola-se à volta destas duas personagens, duas pessoas com as suas paranóias e determinações. Desde o primeiro momento que Carrie, ainda lembrando as ultimas palavras do seu informador, desconfia de Brody e coloca a casa do militar sob vigilância, contra todos os conselhos do seu recrutador e mentor, Saul. E começa a obsessão e a busca por provas que dêem validade ás suas teorias.

Para além de Saul (Mandy Patinkin), chefe da CIA para o Médio-Oriente, temos David Estes (David Harewood), Director para o Contra-Terrorismo da Agência, que funciona como antagonista de Saul. Enquanto Saul protege e orienta, David, não esconde minimamente que não gosta de Carrie, falta saber se por causa do incidente que criou no Iraque ou por motivos mais pessoais. Carrie é uma verdadeira pedra no sapato na imagem imaculada do seu chefe, afinal de contas, David é uma estrela ascendente na agência (o mais novo director de sempre) e não põe limite ao quanto alto pode chegar na hierarquia.

Os serviços secretos não perdem tempo em interrogar Brody, e apesar de prometer ser mansinha, Carrie parte “levemente” para a ofensiva, despertando flashbacks (é de presumir que vamos ver alguns ao longo dos episódios) e os primeiros buracos na história. O Sargento percebe que tem ali alguém com um olhar atento sobre todos os seus movimentos.

Os primeiros segredos começam rapidamente a aparecer. “Homeland” não parece ser aquele tipo de série que nos cria mais e mais perguntas e não responde a nenhuma, alias, nem precisa. Se for bem explorada, como parece estar a ser, tem muito por onde espremer e nos manter agarrados. Brody nega ter visto e feito certas coisas em cativeiro e Carrie toma anti-psicóticos (começa a ser bem visível as suas alterações de humor, a cena no vestuário é muito bem conseguida), e logo com isto deixam-nos a pensar qual dos dois estará errado.

Será que a obsessão de Carrie é pura suspeita ou faz parte da sua disfunção? Como vai lidar Jessica com este “involuntário” triângulo amoroso? Porque mentiu Brody durante o interrogatório? Porque matou o seu companheiro de armas? Foi obrigado para poupar a própria vida, ou fez parte do seu precesso de “conversão”?

“Homeland” é descrito como um thriller psicológico e político e percebe-se bem porquê. Está muito bem escrita e consegue prender-nos à história à medida que o tempo passa. Há um bom balanço entre as pausas dos diálogos e a acção, por isso não fiquem já entediados com a ideia de um thriller de uma hora. O casting das cinco principais personagens é muito bom: Claire Dannes está fantástica quer nos diálogos, quer na insanidade. Damian Lewis, num papel parecido com “Life“, faz-nos relembrar as saudades que tínhamos em vê-lo no pequeno ecrã novamente. Mandy Patinkin é a personificação de uma figura paternal, que cria empatia com o tom de voz mas ao mesmo tempo autoridade e Morena Baccarin é linda qb, mas já mostrou em “V” que não é só uma cara bonita. David Herewood para já só mostrou que tem as maiores orelhas da televisão, mas não levanta duvidas sobre a qualidade para nivelar com os restantes.

O canal, os actores, o trailer e a temática já tinham aguçado muito o apetite, e este piloto veio confirmar que algo bom e sólido pode vir aí nas próximas semanas. Pode surpreender pela negativa, mas seria mesmo grande surpresa. Para já leva esta nota porque acredito que tem margem para evoluir ainda mais.

O Melhor: Carrie a limpar-se no meio das pernas…posso jurar que nunca tinha visto isto numa série/filme, viva a TV por cabo!
O Pior: Poder fugir ao olhar do público mainstream… não deixem!

[starreview]

[starrater]

Tags: , ,

- "You exist, because we allow it...and you will end, because we demand it!" @VitoRodriguesTV

15 Respostas para “Homeland: 1×01 – Pilot (Showtime)” Subscribe

  1. João Barreiros 17/09/2011 às 09:22 #

    Não deixo, não! É uma das novas séries que mais me tem deixado curioso. Vou só esperar para que estreie na Showtime, já que ouvi dizer que, ainda que mínimas, existem algumas diferenças entre o pre-air e o piloto oficial. Mas mal posso esperar…

    • Vítor Rodrigues 17/09/2011 às 13:34 #

      Pra já nota-se diferenças na censura (partes do corpo pixelizadas e palavrões cortados), vamos ver se ha mesmo alteração nas cenas, mas não me “cheira”.

      • João Barreiros 17/09/2011 às 13:39 #

        Sim, sim. Segundo o que li, é mesmo só isso.

      • ZB 02/10/2011 às 04:57 #

        Pois, quem quiser ver a Morena de mamas ao léu vai ter mesmo de sacar o episódio outra vez. eheh

        Quanto a mais diferenças, também julgo que não. O primeiro piloto tinha outra actriz a fazer de mulher dele. Este já tem a Morena. Além de que esta ripagem foi feita a partir do episódio disponibilizado no site oficial da Showtime. Não me parece que fossem pôr lá um piloto diferente (a censura compreende-se porque num site não se consegue restringir o acesso aos putos).

        • Anónimo 03/10/2011 às 23:39 #

          Que actriz é que a Morena veio substituir?

          • Anónimo 03/10/2011 às 23:42 #

            Nevermind, já encontrei a resposta… Laura Fraser

    • Anónimo 09/12/2011 às 20:21 #

      Finalmente vi o episódio. Um piloto que prende do início ao fim! As duas personagens principais estão muito bem conseguidas, e a Claire Danes, especialmente, esteve brilhante!

      Este fim-de-semana há maratona de “Homeland” para mim! :D

  2. LR 01/10/2011 às 22:45 #

    Grande episódio. Temos aqui um potencial enorme para fazer um grande série. Achei graça ao teu “Melhor” :D

  3. Anónimo 03/10/2011 às 23:40 #

    Muito bom o episódio. Adoro thrillers, e quando metem histórias de guerra, melhor ainda. Os actores estão todos excelentes, com grande destaque para a Claire Danes, que realmente supera todos os outros.

  4. PR 04/10/2011 às 09:35 #

    Mas quando é que a Claire Daines se tornou esta actriz ? I’m impressed!
    BTW… melhor piloto até ao momento

    • Ana Gomes 04/10/2011 às 09:57 #

      Eu também fiquei impressionada com o desempenho dela. Muito bom mesmo. Quanto ao episódio, adorei. Se continuar assim, temos série.

  5. Hugo Barreiros 05/10/2011 às 15:01 #

    Não me desiludiu nem um pouco. Muita gente “embasbacada” com a representação da Claire Danes, que para mim não foi de todo uma surpresa.
    Tem tudo para ser a grande série da temporada!

  6. Anónimo 05/10/2011 às 19:47 #

    Foi a série que mais atenção me despertou e depois de ver este episódio fico contente por não me terem desiludido.

  7. Henrique Rosendo 06/10/2011 às 23:47 #

    O que seria esse “limpar-se no meio das pernas…”?

    Não sou de Portugal. Como as expressões usadas são um tanto quanto diferentes, fica ruim de entender. Mas acho que deve ter sido engraçado hahaha

    PS. Não assisti ao episódio(por isso não entendi), mas achei interessante e vim aqui ler sobre.

  8. Anónimo 20/10/2011 às 10:57 #

    Vi o Piloto e este fim-de-semana já vou ver os episódios que se seguem.
    Uma estreia muito promissora.
    Traz um cheirinho a “Damages” que também me agrada, aquele tom de conspiração. Já para não falar de uma protagonista que é muito mais de que uma cara bonita.
    Por enquanto esta história do “big brother” está a cativar-me bastante.

    Boa review, Vítor!

Deixar um Comentário - Para comentários com SPOILERS, utilizem a tag: [spoiler]Comentário[/spoiler]

Photorecap: Game of Thrones: 2×07 – A Man Without Honor

[SPOILERS/NUDEZ/LINGUAGEM MENOS PRÓPRIA] A segunda temporada de “Game of Thrones” aproxima-se do fim e também os nossos ridículos photorecaps. Eis [...]

Podcast TVD 009: A revista da temporada!

Estava anunciado, atrasou, mas fica feito na mesma! É mais uma edição do Podcast TVDependente! Primeiro, temos de pedir desculpa [...]

Temporada 2012/2013: Guia de cancelamentos, renovações e novas séries (act.)

Perdido entre tantas renovações, cancelamentos e novas séries? Então, vamos dar-te uma ajudinha. Eis as novidades oficiais dos cinco canais [...]

As melhores duplas da TV, parte 2

O que faz uma boa série? Um bom argumento, actores competentes e uma realização exímia são elementos consensuais. Mas por vezes, [...]

Calendário de finais de temporada 2011/2012

O final da actual temporada está às portas e a necessidade de saber quando terminam as nossas séries favoritas aumenta. [...]

As melhores duplas da TV, parte 1

O que faz uma boa série? Um bom argumento, actores competentes e uma realização exímia são elementos consensuais. Mas por vezes, [...]