[SPOILERS] As pessoas são egoístas. Esta sempre foi uma das premissas principais de “House” e esta semana este princípio básico foi outra vez posto em cheque numa clara tentativa de retorno às origens de uma série que precisa de frescura.
O Paciente da Semana
Benjamin (Wentworth Miller) é generoso. Muito generoso. Demasiado generoso, e se tivermos a perspectiva cínica e desconfiada de House (Hugh Laurie), tão generoso que é doente. Generosidade, altruísmo e egoísmo são os valores postos em causa, e assim formam-se duas equipas: Adams (Odette Annable), Foreman (Omar Epps) e Wilson (Robert Sean Leonard) que defendem que altruísmo não é um sintoma ou uma doença, e House, Park (Charlyne Yi) e Thirteen (Olivia Wilde), com visões mais realistas e cínicas das pessoas e da vida.
Mas, cada um tem as suas próprias razões egoístas para defenderem estas posições. Adams trabalha de borla e ela própria sente que devia fazer mais pelos outros. Foreman está em total modo administrativo e não quer o seu único diagnosticador a tratar alguém que nem tem a certeza que esteja doente. Wilson, para além de ele próprio ter já doado um órgão, por razões altruístas, precisa de um rim para a sua paciente.
Do outro lado, House, apesar de precisar que a generosidade do paciente não seja um sintoma, para o bem financeiro do seu departamento, tem de estar certo da sua visão dos outros e aceitar altruísmo como algo natural vai contra tudo o que acredita. Park está acostumada a ter de lutar por tudo, e sabe pela sua experiência de vida que dar por dar, não é inato ao ser humano. Thirteen não se põe com teorias e, bem ensinada, manipula o paciente e prova a sua loucura.
No final tudo fica bem, pelo menos moralmente, para House que volta a provar a sua visão do mundo, ao declarar o paciente, agora mais egoísta, saudável. Foi uma cena final excelente e toda a moral e discussão em volta deste tema foi escrita de forma brilhante.
“House” volta assim à boa forma quanto a casos médicos e dá-nos um que nos faz pensar, como tão bem sabe fazer. Este caso em particular fez-me relembrar outros episódios que giravam em volta deste tema, como “No more Mr. Nice Guy” da quarta temporada, “Saviors” da quinta onde o paciente também achava que o seu filho não devia ser mais importante que as outras pessoas, ou ainda “Instant Karma” da sexta. Todos eles andavam à volta do altruísmo e egoísmo, e no caso do último até na questão do karma. Nesse caso, a riqueza desenvolvia-se a par com o azar pessoal, tal como neste caso onde o paciente perdeu a família.
House: I’ve been told that some people are just nice.
A Equipa da Semana
House: New girl, meet newer girl.
Todo este dilema moral foi depois muito bem interligado com outras histórias, que por sua vez se ligam naturalmente ao tema do altruísmo e do egoísmo, e consequentemente da culpa e moralidade de cada um.
Adams gosta de oferecer. Park não gosta de receber. Isto resulta em cenas muito divertidas entre as duas, e simultaneamente para conhecermos melhor a nova equipa de House. Adams é uma brisa de ar fresco, bonita, inteligente, rica, e com moral, é um pouco uma mistura de Thirteen, ao alinhar nos jogos de House de imediato, com Cameron, ao demonstrar ter uma vontade grande de ajudar os outros. Park é ainda uma incógnita, demonstrou não ter medo dos meios pouco ortodoxos de House e demonstrou saber jogar tão bem como Adams. Até agora, o balanço é positivo.
Dr. Park: You do know I punched the last person that pissed me off?
Dr. Adams: Was it Santa?
Thirteen
Como já era de esperar, House anda a assediar a antiga equipa para que voltem. Também como já era de esperar, Thirteen é a que oferece mais resistência. Para dizer a verdade, estou um pouco cansada deste volta e vai, e estes episódios de despedida já parecem sempre o mesmo. Mesmo assim é um prazer ver as interacções entre House e Thirteen. Não tendo sido tão brilhante como o episódio do seu regresso na temporada passada (nem podia ser, visto que esse foi inteiramente dedicado ao dito regresso) as situações foram todas bem pensadas e desenvolvidas. A cena final em que House despede Thirteen pela última vez é muito boa e bem reveladora do desenvolvimento não só de Thirteen como também de House que apesar de parecer ser a pessoa mais egoísta do mundo, demonstrou ser capaz de ver a felicidade quando esta lhe apareceu à frente, mesmo que apenas nos outros, e libertar Thirteen da sua culpa ao despedi-la.
Para concluir, um episódio muito bom de House, que ata algumas pontas soltas e com o regresso eminente de Taub (Peter Jacobson) e Chase (Jesse Spencer) dá o arranque definitivo à temporada, e consegue fazer algo que há algum tempo falhava: captar a atenção pelo lado médico do episódio com um excelente caso, não só da vertente médica mas também moral e ética, e então aí interligá-lo com as aventuras pessoais do protagonista e da sua equipa. Que venham mais destes.
O Melhor: Depois de Sara Tancredi (Sarah Wayne Callies), Michael Scofield conhece Greg House – o caso da semana.
O Pior: Percebo e respeito aquela tentativa de voltar aos bons velhos tempos com o caso da clínica, mas desta vez não resultou.





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Não percebi o caso da clinica. ´
É impressão minha ou a Olivia Wilde está bem mais cheínha?
Bom ep, gostei, gosto da nova miuda (acho q o Chase tb vai gostar). Só continuo a achar ilógico o chefe ser Foreman…não bate certo.
Concordo com tudo! O caso da clínica pareceu forçado, sim a Olivia Wilde está mais gordinha e o Chase vai adorar a nova médica. O Foreman ser o chefe é uma das piadas do ano, e também continuo sem perceber, mas pelo menos parece estar empenhado
Acho que o que saltou neste episódio como disse o Pedro , foi o optimo estado da Thirteen !
Esta Olivia é um delight para os olhos…meu Deus!
Acho que a “chinesinha estranha” é a assistente mais parecida com House que alguma vez a série teve…
Quem está mais gordo é o Wentworth Miller, notou-se muito!
Vai ser díficil aparecer alguém mais parecido com House do que Thirteen mas…
Gordo e velho! Mas a intensidade Scofield continua lá