[SPOILERS] “Era uma vez…” Os contos de fadas ou histórias de encantar estão há muito enraizados na cultura ocidental. Quem não conhece a história da Branca de Neve, da Cinderela ou do Capuchinho Vermelho de cor e salteado? “Once Upon a Time”, a nova série da ABC criada por dois dos argumentistas de “Lost”, Adam Horowitz e Edward Kitsis, aproveita esse conhecimento geral que existe dos contos de fadas, pega em várias das suas personagens e dão-lhe um toque próprio colocando-as a viveram na nossa realidade, completamente alheadas do seu passado e presas temporal e espacialmente devido a uma maldição a que todos sucumbiram quando tentavam viver felizes para sempre na sua fantasiosa realidade.
Passando a algo mais concreto, a história é a seguinte: há 28 anos atrás, depois do Príncipe Encantado (Josh Dallas) ter salvado a Branca de Neve (Ginnifer Goodwin) com o tão famoso beijo e, posteriormente, se terem casado, nasce a sua filha Emma Swan (Jennifer Morrison). Neste bebé vai recair a esperança de todo um povo uma vez que, cerca de um ano antes, no dia do casamento do Príncipe com a Branca de Neve, a Rainha Má (Lana Parrilla) prometeu que uma maldição iria assolar o reino e transportaria todos os habitantes para um local onde nunca mais ninguém teria finais felizes. E quando a maldição finalmente se realiza, ela, a bebé, acaba por ser a única que consegue escapar. Vinte e oito anos passam e Emma não sabe nada sobre o seu passado, até que um dia um miúdo (Jared Gilmore), que ela deu para adopção há dez anos (e foi adoptado pela Rainha Má), lhe bate à porta e a leva até a uma pequena cidade do Maine, local onde que ele jura que vivem os antepassados dela, sem memória de quem são e presos no tempo e no espaço (se alguém tentar sair da cidade, algo de muito mau acontece). Emma, como seria de esperar, pensa em tudo aquilo como apenas conversa de miúdos mas decide ficar por Storybrooke quando este lhe implora para ela acredite em si e que lhe dê apenas uma semana para que lho possa provar. E assim se dá o início da aventura.
Como piloto de uma série de televisão, devo dizer que este episódio funciona extremamente bem. Ao fim de quarenta minutos, a história a que a série se propõe é bastante clara e as personagens que lhe vão dar vida são bem estabelecidas (se bem que aqui é fácil argumentar que o sentimento de que as personagens são facilmente estabelecidas existe porque nos são familiares e não apenas por mérito do piloto). Tal como acontecia em “Lost”, a série apresenta uma estrutura com duas linhas temporais e narrativas distintas e salta frequentemente entre o passado e o presente, oferecendo um constante e importante background que vão esculpir e fazer evoluir estas personagens, dando-lhe maior substância. O maior problema aqui será saber se a sua evolução poderá fugir à nossa já previamente existente percepção delas. Será possível ganharem uma identidade própria ou serão sempre aquela imagem que já temos definida delas?
Para ajudar a compor este quadro, temos ainda um trio bastante competente (se bem que poderia ser melhor) de protagonistas femininas (Jennifer Morrison, de “House”, Ginnifer Goodwin, de “Big Love”, e Lana Parrilla, de “Miami Medical”), ao qual se acrescenta ainda a presença de Robert Carlyle (“Stargate Universe”). A Jennifer Morrison é aquela com o desempenho mais constrito das três, mas o elo mais fraco acaba por ser a Lana Parrilla, pois a Rainha Má merecia uma prestação com mais pujança e carisma.
Foi um bom início, deixando a promessa que a série pode deixar a sua marca na temporada 2011/2012. Veremos é se o facto de ser lançada num dia em que tem como concorrência futebol americano e basebol não acaba por lhe ditar um… bem… final infeliz.
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Olha que eu achava que isto era uma banhada. Haha. Como já comentei algumas vezes, gosto de séries passadas em cidades pequenas e fictícias cheias de personagens peculiares. E nesta série é isto que mais me interessa. O ponto alto foi a capuchinho hardcore a discutir com a avózinha. Ainda não tenho muito a dizer sobre Once Upon a Time, há que ver mais um episódio ou outro.
Estou como o Daniel, quando vi o trailer pensei que a série ía ser uma grande banhada, mas até gostei do primeiro episódio. Agarrou-me o suficiente para continuar a ver, se bem que espero que a Jennifer Morrison pareça mais natural, houve uma ou outra altura que a rapariga parecia que nem andar sabia.
Esperemos pelos próximos episódios.
Aquelas cenas iniciais com a rainha má a andar em passo de voo foi ridicula… daí o meu receio que a série toda ela fosse uma patetice…. mas até se safou bem. O bom da série é que joga com a nossa memoria infantil dos contos de fadas e por vezes estamos mais empenhados em perceber quem é quem do que na historia… mas dado ser um episódio introdutório foi aceitável… foi fluido e mostrou o caminho que vai seguir. Só fica a duvida como é que vão conjugar a historia do mundo encantado com a realidade visto que a parte essencial do ‘feitiço’ já a sabemos…
achei uma bela surpresa, bons personagens e atuações convincentes também, além de um tema infantil ter ganhado bastante maturidade.
que otima audiencia que teve hein? 12 milhões não é pra qualquer um, espero anciosamente pelo proximo episodio
A minha duvida é qual é mesmo o mundo real… o mundo encantado é um mundo paralelo? Então temos a versão infantil de Fringe aqui? Que vai acontecer quando começarem a perceber que são personagens de contos infantis? Onde está o limiar entre um mundo e o outro e como é que isso vai ser explicado?
Contrariamente ao que esperava, gostei do episódio. Concordo que a Rainha Má podia ser muito, muito melhor, mas gostei de outros, como por exemplo a personagem do Robert Carlyle.
Não é um Fables, mas se conseguir desligar da minha Branca de Neve kick-ass e o Príncipe Encantado playboy, acho que vou gostar.
Gostei muito deste arranque de série.
Cativou-me totalmente esta “Once Upon A Time”, que se afigura ser uma série de bom entretenimento fantástico, misteriosa, intrigante, desafiadora de tal forma que até acho que trata muito bem a fantasia existente nestes contos, dotando-os de novos twists, acrescenta ainda saborosos cameos de personagens do mundo fantástico (Gepeto + Pinóquio, os anões, o lobo, as fadas madrinhas, etc).
Sendo escrita pelos mesmos que estiveram na série “Lost”, consegue deixar algumas psicadelas de olho: como o facto do relógio estar parado nas 8:15 (voo 815), serve-se de flashbacks para apresentar duas linhas temporais, tem paradoxos existenciais (filha e mãe da mesma idade), as próprias leituras proféticas do livro, alguém que explica que tem de voltar á sua terra… e quando a maldição se instala vemos um enorme fumo negro que tem vida própria… tudo saboroso de ver.
Venham mas é mais episódios e que não se lembrem de cancelar esta… pois isto tem potencial e quero ver mais!
De certa forma, lembrou-me imenso a série “Happy Town” (que também gostei), tendo este piloto de “Once Upon…” passado a voar e soube a pouco…
http://armpauloferreira.blogspot.com/2011/11/series-tv-once-upon-time-abc-2011.html