[SPOILERS] Finalmente! Rejubilo de alegria ao anunciar que esta semana tivemos um episódio que, não tendo sido nada de portentoso, tem o mérito de ter sido o mais excitante desde o início da temporada!
Começamos com mais um dos monólogos de Mary Alice (Brenda Strong), desta vez relativamente à paranóia, o medo irracional de que alguém nos observa e nos persegue com a intenção de nos fazer mal. Ora bem, tendo em conta a descoberta que Bree (Marcia Cross), Lynette (Felicity Huffman) e Gabrielle (Eva Longoria) fizeram, paranóia seria apenas um eufemismo.
Susan (Teri Hatcher) continua “às turras” com o seu professor de arte, André Zeller (Miguel Ferrer). Ora parece que o senhor tem um coração de pedra que nem mesmo em relação ao seu filho parece ceder. Susan fica chocada primeiro pelo facto de a sua função, enquanto assistente de Zeller nomeada por ele próprio, seja tomar conta do filho que ele só vê uma vez por mês e que precisa de “despachar” para Susan porque tem um valioso quadro para pintar. Depois, porque a postura também algo fria e reprimida do pequeno Jasper parece ser fruto da relação distante com o pai. Mas depois de algum tempo com a calorosa dona de casa e o pequeno MJ (Mason Vale Cotton), o rapazinho fica super contente com a ideia de ir pedir doces pelas casas de Westeria Lane e divertir-se no Halloween. E para conseguir uma autorização de Zeller, Susan esconde-lhe o tal quadro e como moeda de resgate obriga-o a ir com eles na noite de Halloween. É durante a caminhada por Westeria Lane percebe que, para ele, o trabalho estará sempre primeiro, por muito que ele queira ser um pai melhor.
E a ameaça que Zeller deixa no ar é bastante enigmática: se Susan se tornar numa verdadeira artista, também a família poderá passar para segundo plano. Ela garante-lhe que isso nunca acontecerá, e conhecendo Susan como conhecemos (já lá vão oito temporadas…) estaríamos dispostos a acreditar que ela jamais trocaria Mike (James Denton), Julie (Andrea Bohen) e MJ pela arte. O que Andre lhe diz é que ela poderá não ter escolha… Será este o desfecho de Susan? Uma artista famosa, divorciada e sem o amor do pequeno MJ? Não me parece. Uma pessoa que é desajeitada e afectuosa durante mais de quarenta anos não muda de personalidade assim, mas nunca devemos dizer “nunca” e por algum motivo eles estarão a dedicar-lhe uma storyline assim na temporada final.
Como já se esperava surge o primeiro embate Lynette/Jane (Andrea Parker). A nova namorada de Tom (Doug Savant) é uma senhora prendada: é médica, elegante, educada, e até estudou design de moda durante um semestre em Fraça, onde aprendeu a falar francês, imagine-se. Depois de perceber que a concorrência é forte, Lynette não está disposta a fraquejar e decide que ela própria fará o fato de Carnaval de Penny (Darcy Rose Byrnes) seguindo uma longa tradição familiar na relação mãe/filha… que começa este ano. Não sendo uma costureira nem nada que se pareça, Lynette não consegue fazer um fato decente para a filha. E eis que chega Rennée (Vanessa Williams) para salvar o dia, anunciando triunfante que conhece um costureiro, vencedor de três prémios Tony e viciado em cocaína que faria o fato sem qualquer problemas. O melhor foi quando Penny desceu as escadas. Não vinha de gatinha, vinha de gata assanhada! Com meias de renda! E um chicote! E a miar, toda entusiasmada! A sério. Lindo. Parti-me a rir. E depois Tom a dizer que naquela figura a filha parecia que ir pedir notas e não doces, na noite de Halloween. Felizmente Jane percebeu o que se estava a passar e discretamente ofereceu-se para ajudar Lynette e costurar uma saia que Penny pudesse vestir. As duas tiveram uma poderosa conversa que começou muito bem, com uma cortês troca de elogios entre elas, mas que descambou quando Lynette lhe pediu para ela se afastar de Tom e deixá-los tentar recuperar o casamento. Aí Jane é implacável: Tom é um homem espectacular, Lynette teve a sua oportunidade e deixou-a escapar devido ao seu feitio autoritário, agora: azar.
Outch! Por muito que queiramos torcer pela nossa heroína e odiar Jane, a verdade é que as coisas não são assim tão simples e a nova namorada de Tom tem muita razão naquilo que diz… E Lynette sabe-o.
Rennée decidiu mascar-se de bruxa para o Halloween. Bem, mais ou menos. Para a noite do grande jantar romântico em casa de Ben (Charles Mesure) e da “primeira vez” entre ambos, Rennée decide produzir-se com todo o glamour que lhe é característicos e ainda acrescentar um pouco de “Woman Love Fluid” (nome suspeito, não?), uma droga do amor (what?) comprada na Chinatown de Fairview (ainda mais suspeito…). Uma senhora com o nível de Rennée recorre a produtos destes?! Bom, certo é que ela exagerou na dose.
Não adoraram ver a maneira como ela escorraçou as criancinhas, desejosa de passar à acção com Ben? E como depois assustou outro grupo de criaças, com a terrível alergia que tinha na cara? Mesmo assim Ben continua encantado com ela, resta saber se este interesse é genuíno ou apenas uma manobra de diversão.
Finalmente tivemos Bree e Gabrielle que não andaram numa caça aos gambuzinos, mas quase. A estratégia de ambas para impedir que as obras do mais recente empreendimento social de Ben avance consiste em apanhar vários espécimes de uma espécie de sapos em vias de extinção e “plantá-los” nas imediações do local onde o cadáver de Alejandro (Tony Plana) está enterrado. Convenhamos que este plano estava longe de ser brilhante ou infalível e claro que só serviu para nos por a dar umas boas gargalhadas.
Chegadas à noite de Halloween, sem sapos e com as escavações a começarem dentro de poucas horas, elas as duas não têm outra opção senão regressar ao local do crime e levarem consigo Lynette, munidas com mochilas, pás e todo o kit necessário para desenterrar um corpo já decomposto e transportá-lo! É quando as três chegam ao local que a paranóia se instala. A cova já fora aberta, o corpo já tinha desaparecido. Elas ficam perplexas a olhar para a imensa escuridão vinda das entranhas da terra, envolvidas pela escuridão da noite e do medo puro.
Parece-me óbvio que a pessoa que desenterrou o corpo e que, de certa maneira, quis impedir que as senhoras fossem (já) descobertas é a mesma que enviou o bilhete a Bree e que as quer conduzir à loucura. O suspense atingiu o seu pico e já não era sem tempo. Quando é que teremos a revelação deste segredo? Não sei, mas por enquanto podemos ir avançando com alguns suspeitos: Ben, Felicia Tillman (Harriet Sansom Harris), Zach Young (Cody Kash)… quem mais?
O Melhor: O cliffanger final. O fato de Penny. A conversa entre Lynette e Jane. O serão de Ben e Rennée.
O Pior: Este André Zeller é mesmo nojentinho.
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Como dizes e muito bem: o melhor episódio, so far, da temporada. Continuo a achar o mistério desinteressante, queria algo mais wow do que o padrasto da gaby…
Concordo que foi o melhor episódio, não só devido ao mistério mas também devido à comédia, que para mim tem estado excelente esta temporada!
Gostei bastante do arco de Lynette e sim, aquela conversa foi poderosa. Renné esteve hilariante e quando a vi com aquele nariz abatatado parti-me a rir. Susan teve uma história interessante (como tem sido nos últimos episódios) e aqueles diálogos com Andre têm sempre uma coisa de fascinante que não sei explicar!
Bree e Gabrielle foram espectaculares como sempre e aquele suspense final foi de tirar o fôlego a qualquer um.
Foi bom ver a Lynette incluída na tentativa do desenterro assim como uma Bree determinada e dark e concordo contigo quando dizes que a pessoa que desenterrou o corpo foi a mesma que escreveu a carta a Bree. Agora resta saber é quem!
PS: Mais alguem se arrepiou quando Alejandro apareceu do nada em frete a Carlos? E também ninguém acho a narração de Mary Alice excelente?
Susan teve uma história interessante (como tem sido nos últimos episódios) e aqueles diálogos com Andre têm sempre uma coisa de fascinante que não sei explicar!
Por acaso aqui acho que estás a exagerar, Renato. Aquela postura do artista sofredor e insatisfeito irrita-me profundamente. Artista que é artista pode ter as suas neuroses mas depois cura a cena com uns bons charros ou uma noite pecaminosa com uma menina. Mas não trata um filho daquela maneira. Não gosto nada deste gajo, mas acredito que a personagem possa vir a ter um grande propósito.
PS: Mais alguem se arrepiou quando Alejandro apareceu do nada em frete a Carlos? E também ninguém acho a narração de Mary Alice excelente?
Por acaso esqueci-me de fazer referência a essa cena na crítica. Foi realmente muito boa! O padrasto da Gaby estava com um sorriso tão macabro.
E os monólogos da Mary Alice são um dos ex libris da série. Sempre muito bem escritos e narrados!
Excelente review. Parabéns!
Obrigado, Caroline.