[SPOILERS] A verdade, a traição, a mentira, três conceitos relacionados e já tantas vezes tratados nesta série. Surpresa é mesmo dizer que parecia a primeira vez e que “House” está em grande!
Se me tenho mantido bastante positiva em relação à série e ao seu futuro é por episódios como este que fico contente de o ter feito. Durante o Verão e seguindo as notícias e polémicas em volta da série e constantes rumores de que não havia vontade de continuar por parte da equipa técnica e criativa e mesmo do elenco da série, Hugh Laurie incluído, era David Shore, criador e produtor executivo da mesma, que servia como porta-voz e assegurava um regresso às origens e ao ambiente divertido e descontraído das primeiras temporadas apesar da seriedade dos assuntos e drama inerente à série.
É assim, com agrado que digo que este episódio cumpre exactamente isso. “The Confession” é o melhor da temporada, e se isso é dizer pouco porque ainda apenas vamos no quinto episódio, toma outra dimensão quando digo que é o melhor episódio desde o regresso de Thirteen (Olivia Wilde) na temporada passada, sendo que esse foi um acto isolado e um episódio daqueles “diferentes”, numa temporada de modo geral, fraca.
Começando pelo paciente da semana, Bob (participação especial de Jamie Bamber) é um estimado membro de uma pequena vila onde toda a gente se conhece, pelo menos até ao momento em que começa a confessar uma data de crimes, incluindo uma facadinha no casamento. Esta questão levanta grandes debates sobre fidelidade, traição e mentira, que qualquer fã da série reconhece como uma das temáticas preferidas de “House”.
Taub: Everybody Lies.
Ora este tema interliga-se perfeitamente com o acontecimento principal do episódio, o aguardado regresso de duas personagens chave da série, Chase (Jesse Spencer) e Taub (Peter Jacobson). Numa altura em que para além do protagonista já só há duas personagens que conhecemos desde o início (!) este regresso tem ainda mais importância.
Começando por Chase, foi ele que teve direito ao ‘momento House’ da semana ao ter a epifania habitual que resulta no diagnóstico final. Fiquei muito contente com o regresso de Chase, que é uma personagem com muitas dimensões e algumas delas ainda pouco exploradas. Se por um lado é um homem de fé, por outro já provou saber trabalhar para seu proveito próprio em detrimento dos colegas. Se acrescentarmos ainda a morte de um paciente e consequente divórcio, ficam todas as provas de que há pano para mangas no que toca a Chase.
Neste episódio tanto ele como Taub serviram como mentores às novas coqueluches da equipa e tivemos ainda oportunidade de assistir a um interessante debate entre Chase e Adams (Odette Annable) sobre fidelidade e mentira. Se Chase contou a verdade à mulher sobre o seu papel na morte de um paciente e foi abandonado, Adams foi vítima de traição mas preferia ter sabido mais cedo. São dois papéis contraditórios que deixam toda a gente sem saber o que é certo. O paciente acabou por mentir à mulher no final, mas será que o fez por ele próprio ou para poupar a mulher, uma vez que estava realmente arrependido? A verdade é que no fim do episódio ninguém fica com respostas, apenas mais perguntas, Adams, Chase e o paciente não sabem qual é a decisão certa, muito menos se há uma decisão certa e isso é o que faz estes dilemas tão interessantes e cativantes.
Dr. Park: [Para Taub] You’re a lot taller than I thought you’d be.
Quanto a Taub, começo por dizer que nunca fui a sua maior fã. Gosto da personagem, é engraçada e tem potencial, mas tem sido muito mal aproveitada e aquela história da traição e do casamento das temporadas passadas foi demasiado explorada e francamente aborrecida. Pois bem, não havia caso mais certeiro para assinalar o regresso de Taub, e fiquei contente por não o terem posto a ele a debater toda a questão das traições.
Assim coube-lhe a história secundária do episódio da qual gostei muito. Duas bebés nascidas na mesma altura cuja paternidade as mães clamam ser do mesmo homem, parece uma das novelas de House (Hugh Laurie) e claro que ele não podia deixar passar a oportunidade para criar uma das suas apostas e descobrir que bebé não é uma “Taubette” verdadeira.
House: Awkward… he knocked up two different women at the same time.
Claro que esta aposta não é inocente e advém da necessidade quase doentia de House de saber sempre a verdade, mesmo quando não é nada com ele. Vê-lo trabalhar em conjunto com Wilson (Robert Sean Leonard) para manipular Taub foi muito divertido e foi este ambiente descontraído e de comic-relief que a história secundária devia sempre ter e foi um dos factores que fez com que este episódio fosse tão bom.
Wilson: I can understand your confusion. I ate a baby for lunch today.
Uma nota ainda para Foreman (Omar Epps) e a sua dificuldade em arranjar um aliado para controlar House. Depois de Wilson ter recusado veemente, e do pouco interesse de Taub e Chase, não vai ser fácil para Foreman pois até por fazer nada House está a meter-se com ele.
Dr. Park: What exactly are they building back there?
House: A dream.
Finalmente o mistério do episódio, e umas das coisas mais surreais e engraçadas da série, a renovação do gabinete de House que afinal fica mais perto do gabinete de Wilson do que eu pensava e agora nem uma parede dividem. Brilhante!
Concluindo, um excelente episódio que espero que não seja caso único como os poucos bons que houve na temporada passada, mas sim o início de uma corrente de bons episódios que demonstre que ainda há boas ideias para pôr em prática.
O Melhor: O regresso de Taub e Chase.
O Pior: Sinceramente pode ser por ter acabado de ver o episódio, mas não me ocorre nada. Só se for mesmo o menor destaque de House no episódio.





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Só um reparo, ainda existem 3 personagens além de House que conhecemos desde o início: Foreman, Chase e Wilson
De resto excelente crítica e concordo plenamente: Melhor episódio desde há muito muito tempo!!
Sim, tens razão, estava a pensar naquelas que mantêm a posição que tinham no início e esqueci-me completamente do Foreman…