[SPOILERS] Depois de dois bons episódios, “House” volta a cair em qualidade e traz-nos um caso médico com potencial mas que acabou por desiludir e uma história secundária completamente desviada do fio condutor do episódio.
Como pessoa que devora tudo o que são vídeos promocionais das séries que acompanha, quando vi os deste episódio e reparei que a série se iria debruçar sobre o tema da família, mais concretamente de pais e filhos, não pude, como não posso sempre que acontece, deixar de imaginar que era desta que iam finalmente voltar ao assunto quase tabu do pai biológico de House (Hugh Laurie).
De facto, este é uma das muitas pontas soltas que a série tem deixado para trás que mais curiosidade me desperta. Para um protagonista cuja maior obsessão são os puzzles e resolvê-los, ele próprio é ainda, e depois de oito anos, um puzzle para o público. A verdade é que sabemos muito pouca coisa sobre a personagem mais disfuncional da série, principalmente no que toca à sua infância e adolescência. Assim, foi com alguma expectativa que assisti ao episódio, e como já vem a ser habitual a série escapa-se mais uma vez ao tema, apenas com uma pequena menção de Wilson (Robert Sean Leonard). Assim todo o potencial deixado pelo caso da semana foi completamente desperdiçado, pelo menos pela parte de House.
Passando ao episódio em si, de que maneiras afectam os pais a personalidade de um filho? Que papel têm os genes na nossa formação como pessoas? E mais importante do que isso – pelo menos para House – como é que os pais de Adams (Odette Annable) a “estragaram”? Todas estas questões são levantadas ao longo do episódio, e aos poucos ficamos a saber mais sobre cada personagem. Chase (Jesse Spencer), Park (Charlyne Yi) e Adams, são um mistério resolvido, esta última depois de mais um joguinho de House e de uma resolução completamente ridícula; de Foreman (Omar Epps) e Wilson temos uma vaga ideia; quanto a House já se sabe que é o mistério eternamente por resolver.
House: It’s normal to be screwed up. It’s not normal to romanticize it.
Sobre Taub (Peter Jacobson) também não temos essa resposta, mas este volta a ser o centro das atenções do episódio ou não fosse ele o único membro de todo o elenco com filhos. Neste caso, filhas, e até com nomes semelhantes (o que me ri com a expressão de gozo na cara de House quando Taub revela os nomes das filhas). Taub tem uma decisão a tomar e todo o caso médico e as questões que ele levanta formam um paralelo excelente com a sua situação.
O pai do paciente está morto e ele quer honrá-lo seguindo a sua carreira e tornando-se palhaço. Parece piada mas não é, e ainda menos piada tem quando o caso começa a carregar contornos mais escuros, num twist surpreendente. Os tais promos já anunciavam, mas com a prática uma pessoa começa a menosprezar o que eles dizem, pois bem desta vez a FOX tinha razão, esta não vi chegar. Convenhamos que a maneira como House descobre foi um pouco rebuscada, mesmo para House. Se muitas vezes quem vê consegue chegar lá ao mesmo tempo, desta vez foi mesmo uma daquelas epifanias de génio. De resto foi um caso banal, que nunca me conseguiu agarrar, o que é uma pena.
No final, Taub resolve não contar ao paciente a verdade sobre o pai, mas considera importante manter-se na vida das filhas, e anuncia que não vai deixar que a levem. Gostei desta decisão final e da conversa que Taub teve no fim com House. Há decisões fáceis, mais nem sempre são as que mais felicidade trazem às pessoas envolvidas. Taub já tomou a decisão fácil de contar das traições à mulher e deu-se mal, tal como House ouviu o coração e um ano depois goza do poder de uma pulseira eléctrica.
Taub: I didn’t tell him.
House: Your heart said he needed to know but your brain knew he’s better off without it. Following your heart is easy. Following your brain is tough.
Isto leva-nos à história secundária completamente escusada. House junta-se ao mais improvável dos aliados, o seu chefe, para manipular o pobre Wilson que oito anos depois continua a ser o “tapete” do melhor amigo. Se aquele final era para me deixar com um sorriso nos lábios, e se primeiro conseguiu ao demonstrar pela enésima vez o poder fantástico de manipulação de House, depois fez-me ter pena de Wilson e aperceber-me mais uma vez que não só Foreman é igual a House, como House (e Wilson, aliás) não mudaram nada desde o início da série.
House: As much as I’d like to kill you, murder violates my parole.
Por fim, tempo ainda para um caso da clínica à antiga, com um paciente que afinal não é tão hipocondríaco como eu achava. Não foi um daqueles memoráveis, mas tão cedo não vou esquecer as expressões de Chase e Taub quando vêm House beber a suposta urina do paciente. Deu para rir e sempre deu mais uns minutos de antena a um House no geral um pouco apagado.
Concluindo, um episódio claramente mais fraco, com um tom mais sério, que consegue um bom ritmo com muitas coisa a acontecerem em 40 minutos, mas que tal como todos os outros que o fizeram, falha ao apostar numa personagem secundária em vez de no protagonista que continua a ser a razão por que quem vê a série, ainda o faz.
O Melhor: O twist em relação ao paciente. Chase em modo espião.
O Pior: Pouco House. A história ridícula de Adams, quiseram surpreender mas não funcionou.





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