[SPOILERS] O episódio desta semana é um daqueles que tenta fugir ao habitual e apresentar algo de novo e presenteia-nos com não um, mas dois casos da semana. Mais especial do que isso, um dos pacientes já nem está vivo.
Realmente, já tínhamos visto de todo o tipo de pacientes nesta série, de todas as idades, géneros, raças e nacionalidades. Raios, até um rato já tinha sido objecto das obsessões do protagonista. Porém, aqui House (Hugh Laurie) volta a surpreender ao levar as suas obsessões até ao limite, ao decidir-se em descobrir o que matou um rapaz de quatro anos, mesmo que para isso tenha de voltar à cadeia.
House: I don’t see creed, color, pulse.
Ao contrário do que esperava, e do que costuma acontecer, este caso paralelo não conseguiu despertar em mim curiosidade ou empatia. Talvez tenha sido pelo pai da criança andar sempre de garrafa na mão, ou pelo facto de terem tentado dramatizar a situação com uma data de clichés e de forma forçada, mas simplesmente não me consegui importar com aquela família.
House: Death is a consequence, not a symptom.
O mais interessante acabou mesmo por ser a dúvida que fica sempre, será esta obsessão de House, um puro vício, ou vem de um trauma como o da paciente (viva) da semana e uma vontade de resolver os problemas dos outros, que vem por sua vez de uma compaixão bem mascarada? A verdade é que comecei aqui a ver algumas mudanças, ainda que subtis na personalidade de House e isso agradou-me. Esperava que a sua insensibilidade fosse um entrave à solução deste puzzle, mas conseguiu manter a racionalidade e ser até sensível quando falou principalmente com o pai do rapaz.
Adams: What happened to your eye?
House: I grabbed Park’s ass.
Mas este caso vai trazer mais consequências para House, para além da físicas, se bem que seja apenas tempo extra na clínica. Gostei imenso da conversa final entre Foreman (Omar Epps) e Wilson (Robert Sean Leonard), se bem que tenha sido uma situação demasiada arrastada e explorada. Wilson fez uma discrição certeira da tarefa de Foreman e parece-me que ele se apercebeu disso. Para já, está apenas a tentar ser mais duro do que a sua antecessora, mas a verdade é que nunca ninguém conseguirá controlar House.
Wilson: We have a problem.
Foreman: Does it limp?
Enquanto o chefe andava entretido com o seu puzzle, no hospital a equipa andava ocupada com o caso oficial da semana, sem dúvida um dos mais interessantes e com um desfecho mais surpreendente de ultimamente. Foi um verdadeiro twist e gostei que tivessem ido buscar o acidente referido logo no início do episódio e torná-lo clinicamente relevante. Também gostei que um dos procedimentos a adoptar tivesse sido o hipnotismo, algo que já sabíamos que Chase (Jesse Spencer) domina. Mesmo mais à parte, acabou por ser House a ter a chave para o diagnóstico final, mas é preciso referir que a equipa trabalhou toda bem uns com os outros e gostei de ver isso.
Park: Why would you lie about that?
Chase: To avoid conversations like this.
A situação comic relief da semana coube desta vez a Chase, mas também a Park (Charlyne Yi) que com a sua curiosidade me fez lembrar House. Esta história para além de me ter despertado a atenção e ter gerado alguns risos, traçou ainda um paralelo curioso com a doença da paciente. Será a personagem da televisão uma segunda personalidade de Chase? E porque se submeteria Chase a fazer aquelas figuras?
Concluindo, um episódio que teve um dos melhores casos médicos dos últimos tempos, mas que falhou em não ter sabido aproveitá-lo melhor. Com esta paciente e com a sua doença, gostava de ter visto mais interacções com House, pois acho que em condições normais, também ele ficaria muito interessado. Para além, disso mais uma vez a série esquece o que foi feito para trás e a situação de Taub (Peter Jacobson) é completamente deixada de lado. Sei que não fiquei fã e que se deve tentar balançar as histórias por todas as personagens, mas uma história com aquela importância merecia seguimento.
Para o próximo episódio, as expectativas estão em alta uma vez que é a chamada fall finale, e para uma temporada que até tem conseguido uns bons momentos, era bom acabar o ano em grande.
O Melhor: Já há muito tempo que ninguém dava uma chapada a House. E foi bem dada!
O Pior: Não duvido que perder um filho seja das coisas mais dolorosas por que um ser humano consiga passar, mas a forma forçada como lidaram com o assunto acabou por cair no melodrama e não criar tanta empatia com o espectador.





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Só agora é que tenho tido tempo para acompanhar esta temporada, sem correr grandes riscos tem conseguindo agradar. Estou a comentar porque apesar de House se encontrar num patamar de apenas satisfaz + as tuas reviews continuam a merecer nota máxima e espanta-me que tenha poucos comentários. Eu mesmo só estando a seguir a série agora ao fim de cada episódio passo por aqui para ver o que uma especialista em House pensa do episódio
Muito obrigada Ricardo, nada com um bom comentário para manter a moral. Esta temporada tem estado mais fraquinha em termos de comentários, o que se percebe dada a qualidade também mais baixa da série. Pode ser que a notícia do cancelamento volte a despertar mais interesse por aqui