Um ano sem “machadar” é muito, muito tempo. Da última vez, corria o ano de 2010 e o Halloween fora um pretexto para fazer um “Machadada” especial, com direito a vídeo e tudo. Este ano, porém, decidi voltar às origens, se bem que com algumas alterações. Para quem não conhece esta rubrica, uma vez que já passou um ano e tudo, a mesma passa por uma listagem das séries que vou acompanhando neste momento e como as categorizo de acordo com a qualidade que lhes atribuo, bem como uma listagem daquelas séries que simplesmente desisti de ver.
Categoria 1: Isto sim é televisão!
O que é a Categoria 1? É composta por séries que simplesmente se tornaram imprescindíveis de seguir neste momento.
Boss: “Homeland” é a melhor estreia desta temporada, mas “Boss” não lhe fica muito atrás. Com uma poderosa interpretação de Kelsey Grammer, esta é uma série onde ninguém é só herói e ninguém é só vilão. São personagens falíveis, são personagens de carne e osso. Junte-se a isso uma visita ao lado mais negro dos bastidores da política e temos uma série indispensável.
Homeland: É para muitos (lista em qual me incluo) a melhor estreia desta temporada. Fantásticas interpretações e excelente escrita são os seus principais argumentos. Tem um conjunto de personagens bastante forte que mesmo que lhe retirassem a componente de thriller (e dispensavam-se as reviravoltas à la “24”…) a série conseguiria suster-se baseando-se apenas na contínua exploração deles.
Parenthood: “Parenthood” é uma série sobre família, sobre os dramas do dia-a-dia, sobre amores e desamores, sobre o ser pai ou o ser mãe. Nada de novo aqui. Nada de revolucionário. Não há premissa mais básica que esta. E, ainda assim, a série conseguiu ganhar espaço de destaque aqui nesta casa. Quando o elenco é excelente, a escrita apurada e os personagens bastante empáticos, nos quais qualquer um facilmente se reconhece, então por mais comuns que sejam as histórias que uma série se proponha a contar não há maneira de falhar.
Parks and Recreation: Ainda que lhe falte a consistência da segunda temporada, “Parks and Recreation” continua a demonstrar ser a comédia mais consistente da corrente temporada (passo o pleonasmo).
Categoria 2: Like! (sim, isto é uma referência ao Facebook…)
O que é a Categoria 2? É composta por séries que não estando actualmente num patamar superior de qualidade, conseguem revelar-se como bastante agradáveis de seguir.
Grey’s Anatomy: Desconsiderada por muitos (onde me incluí durante algum tempo no passado), “Grey’s Anatomy” é hoje uma série bem mais madura do que era há uns anos. Continua a preocupar-se demasiado com os relacionamentos amorosos das personagens e continua a embarcar por alguns exageros, mas quando quer consegue ser um bom drama médico.
Happy Endings: Os clones de “Friends” são comuns e “Happy Endings” é mais um, mas com o seu leque de personagens muito próprias a série conseguiu libertar-se dos estigmas e ganhar uma identidade. Para quem espera e desespera por “Cougar Town” tem aqui uma excelente alternativa.
Harry’s Law: Sofreu uma transformação profunda para esta segunda temporada. Tornou-se mais séria e, consequentemente, mais série. A escrita continua a ser uma das suas características mais fortes (para aqueles que não criaram anticorpos aos argumentos demasiado politicados do David E. Kelley, claro…) e a presença de alguns convidados de luxo (Alfred Molina e, especialmente, Jean Smart) têm dado à série uma segunda temporada equilibrada.
Hart of Dixie: A partir do momento em que se consegue abstrair do facto de esta série ser uma fotocópia mal tirada de outras do mesmo género (especialmente “Northern Exposure”), “Hart of Dixie” até é simpática e uma boa companhia para aqueles momentos em que não apetece ver nada que se leve muito a sério.
Modern Family: Arrebata todos prémios mas não é melhor comédia da televisão norte-americana actual. Ainda assim, esta terceira temporada tem estado mais apurada em termos humorísticos do que a anterior, onde a flutuação na qualidade dos episódios foi uma constante.
Once Upon a Time: Eis uma série familiar que sabe jogar com os diferentes trunfos que detém. Para já, continua a “enfeitiçar”. Daqui a uns tempos logo se verá se o feitiço não se desvanece.
Psych: Com um excelente arranque de temporada até admira estarmos na presença duma série que já dura há seis épocas. É realmente uma pena que continue a ser tão desconhecida por estas bandas, pois realmente merece ter mais alguns fãs.
Revenge: Um guilty pleasure no mais lato sentido da expressão. Sabe-se que não se está perante algo extraordinário, mas dá prazer seguir. Uma soap com elementos de mistério a fazer relembrar “Dallas”.
Suburgatory: Uma premissa banal mas bem trabalhada e alguns personagens caricatos concedem-lhe os trunfos suficientes para 20 minutos bem passados.
Survivor: O programa já viu melhores dias mas também já viu piores. Esta temporada tem sido agradável de seguir, se bem que estes episódios mais recentes beneficiariam de alguma agitação.
The Good Wife: Já viu melhores dias mas continua a não desapontar. O facto de ter um grupo de personagens bastante forte e as diferentes formas como aborda o sistema de justiça norte-americano são os seus maiores trunfos e esses são motivos mais que suficientes para manter a série acima da linha do medianismo.
The Walking Dead: O ritmo é lento (a passo de zombie mesmo, se bem que não destes zombies vistos na série mas sim dos outros que não se lembram de começar a correr desenfreadamente de um momento para o outro) e as personagens estão a levar o seu tempo a ser trabalhadas, é verdade, mas também é verdade que estamos perante uma série cujo foco é a condição humana e não sobre quem mata mais zombies.
Categoria 3: How the mighty have fallen/ Tens de dar mais que isto!
O que é a Categoria 3? É composta por séries que já viram melhores dias no caso das mais antigas ou aquelas que ainda não revelaram argumentos para me cativar verdadeiramente no caso das novas.
American Horror Story: Começou como uma manta de retalhos, passou por um pico (os episódios de Hallowen) mas agora, apesar de mais consistente, não tem conseguido fugir ao bocejo. Ainda assim, há esperança para esta série.
Community: Oh, quem te viu e que te vê… Dois episódios de jeito em oito é um mau prenúncio para esta temporada, ainda por cima quando poderá vir a ser a última da série.
Dexter: Será esta a pior temporada da série? Talvez não, mas não anda muito longe. Incrivelmente (ou não…), uma série que é tão resguardada por um bom número de pessoas, em seis temporadas só conseguiu fazer duas que valem mesmo a pena, uma razoável e três medianas… É pouco. É muito pouco.
Fringe: À semelhança de “Dexter”, “Fringe” recebe bem mais carinho do que aquele que dá. A série teve uma fraca primeira temporada e metade da segunda época também não foi grande coisa. E agora está a ter uma má primeira metade desta quarta temporada. Ora, se adicionarmos uma e meia a outra meia, isso totaliza duas (o equivalente a duas temporadas). E se a série foi boa durante temporada e meia, ser má durante duas temporadas dá-lhe claramente um saldo negativo…
Hell on Wheels: Vi com bons olhos o regresso do Western à televisão mas, até agora, a série ainda não me conseguiu prender devidamente nem à sua história nem às suas personagens. Não a vejo por tão maus olhos com que alguma crítica especializada a acolheu, mas tenho tido alguma dificuldade em ficar cativado. Não é nenhuma “Deadwood”, isso é de certeza…
How I Met Your Mother: Estranhamente, continua a ser a primeira série que quero ver do alinhamento de séries que vejo nas madrugadas de segunda-feira, mas “How I Met Your Mother”, apesar de um leque de bons personagens (excepto o Ted, claro), perdeu parte da sua essência nos últimos anos que nunca mais conseguiu recuperar e dificilmente alguma vez conseguirá.
Misfits: Uma personagem não é uma série, mas quando é uma das personagens mais influentes a sua falta é terrivelmente sentida. E ainda mais quando arranjam para o seu lugar uma mera fotocópia mal tirada. Junte-se a isso alguma desinspiração por parte do criador da série e temos a temporada mais fraca de “Misfits” até hoje.
New Girl: Precisa de me mostrar mais argumentos além da cara laroca da Zooey Deschanel e até agora ainda não o fez.
Raising Hope: O facto de continuamente deixar-lhe acumular episódios não joga nada a seu favor. Continuo a gostar da série mas não tanto como gostei noutros tempos.
The Office: Começou bem a temporada, mas caiu bastante de forma e repentinamente, justificando com os mais recentes episódios que a série deveria ter acabado quando o Steve Carell decidiu abandoná-la (até porque, mesmo com ele ainda como protagonista, “The Office” já não era o que fora há umas boas temporadas).
Categoria 4: Só posso ser masoquista!
O que é a Categoria 4? É composta por séries que continuo a ver, e muito provavelmente continuarei por mais algum tempo, apenas por puro masoquismo.
Glee: Esta temporada as histórias parecem mais focadas do que na anterior, mas a componente musical parece já não conseguir o efeito “uau” com tanta facilidade (excepto o mais recente mash-up de músicas da Adele e pouco mais) e o sentido de humor da série (aquilo que mais me atraía à mesma) parece ter-se desvanecido também. Então, porquê continuar a ver? Boa pergunta…
Grimm: Um procedural na sua essência mas com elementos de fantasia/sobrenatural. Os casos são maus e as personagens precisam de ser melhor trabalhadas, mas é uma série para a qual tenho esperanças no futuro devido ao potencial que demonstra. Pode fazer algo mais ao género do que aconteceu com “Supernatural”, que também teve uma primeira temporada péssima, cheia de clichés e “monstros da semana” banais, e depois conseguiu construir uma identidade própria e estabelecer a sua história. Além disso, tem o David Greenwalt ao leme e como fã de “Angel” (que também teve uma temporada inicial semelhante, com muitos episódios “monstro da semana”, sendo a grande diferença o facto de ter vários personagens já estabelecidos em “Buffy the Vampire Slayer”) tenho esperanças que “Grimm” venha a ser algo mais do que é hoje.
Terra Nova: Leiam as minhas críticas aos episódios e perceberão facilmente porque aparece “Terra Nova” nesta categoria. Para aqueles que não vêem os episódios e consequentemente não vão ler as críticas, então a razão é muito simples: “Terra Nova” é uma daquelas séries que tem uma premissa interessante mas que acaba completamente desperdiçada devido a má escrita e ideias subaproveitadas.
Categoria 5: As benditas machadadas!
O que é a Categoria 5? É composta por séries para as quais simplesmente deixaram de fazer parte perdi a paciência e que, excepto alguma excepção, dificilmente alguma vez regressarei às mesmas.
2 Broke Girls: Até achei piada ao piloto mas os episódios seguintes pareceram-me mais do mesmo. Além de que as comédias da CBS têm a tendência de ser sempre todas muito… bem… mais do mesmo.
A Gifted Man: À semelhança de “2 Broke Girls”, também gostei do episódio-piloto de “A Gifted Man” mas o que se seguiu foi mais um procedural típico do canal onde a série é exibida. Tem um bom elenco (gosto bastante do Patrick Wilson desde o “Hard Candy” e o “Little Children”) e a premissa nem é má de todo, mas a sua repetibilidade tornou-se rapidamente exaustiva.
Enlightened: Ainda que goste da Laura Dern, não criei qualquer empatia pela sua personagem nesta série e, consequentemente, não achei piada alguma às suas desventuras.
Family Guy: Houve um período em que “Family Guy” era uma das minhas séries favoritas (tenho mesmo as edições DVD das primeiras temporadas). Hoje em dia, se bem que ainda consegue episódios imperdíveis, já não é série que me suscite interesse com regularidade.
Last Man Standing: Deplorável. E basta.
Man Up!: Poderia ser uma boa série… se tivesse um pingo que fosse de piada!
The Big Bang Theory: Desistir duma série ao fim de quatro temporadas não é fácil, mas este é mais um caso do quanto as séries da CBS são apenas um repetir da fórmula. Seja em séries policiais ou seja em comédias, raros são os exemplos de séries deste canal nos últimos anos em que as personagens são mais que meros papagaios e não estão sujeitas a repetir experiência atrás de experiência. E “The Big Bang Theory” não é um desses exemplos.
The Middle: Apesar de não ter um motivo de força maior que me tenha levado a deixar de gostar da série, a verdade é que apesar de ser uma boa comédia raramente consegue superar-se.
The Secret Circle: Depois do sucesso de “The Vampire Diaries”, a CW viu aqui uma oportunidade de espremê-lo. O problema é que história pode ser diferente mas o sentimento é o mesmo: série pipoca. E as pipocas são boas até ao momento em que uma daquelas cascas do milho se prende entre os dentes. Por isso, é melhor cortar logo o mal pela raiz e não comer pipocas.
Whitney: Não consegui acabar o piloto.
Categoria especial: Na gaveta!
Neste momento, são várias as séries que tenho colocadas de lado. As razões porque foram ficando para trás são as mais variadas, desde a falta de tempo para as ver que levou a que os episódios fossem acumulando, o receio ou a confirmação de irem ser canceladas, o estarem num determinado ponto que simplesmente não me suscitavam interesse suficiente para regressar às mesmas semana após semana, etc. Basicamente, todas as séries que estão nesta “gaveta” são séries que, em princípio, pretendo revisitar no futuro. São elas: “Chuck”, “House”, ainda com episódios da temporada passada em atraso, “Supernatural”, “The Vampire Diaries”, “Person of Interest”, “Prime Suspect”, “Up All Night”, “South Park”, “Ringer”, “Bored to Death”, “Pan Am”, “The Amazing Race” e “Star Wars: The Clone Wars”.




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Da tua categoria 1 só vejo duas, damn. Tenho de aproveitar a pausa agora para dar uma vista de olhos às restantes…
x2.
Da segunda vejo, 1.
Da terceira vejo, 5.
E depois Bored to Death que é a minha favorita, adoro as interpretações.
Deixei de ver, Walking Dead, Community, himym, terra nova, big bang, person of interest, pan am e house.
No geral estou de acordo com a lista, nas séries que vejo como é obvio, porque há muitas que nunca lhe peguei… só Walking Dead ia para a categoria 4, é mesmo puro masoquismo ver algo tão sem nada… mas enfim nada é perfeito.
Já sentia falta deste artigo…
Na generalidade, concordo com todas as tuas escolhas.
Parabéns pelo artigo
Ok…é desta que eu volto a pegar em Parenthood.
Das que vejo… Descia uma categoria no caso de Once Upon a Time e New Girl. Subia uma categoria a American Horror Story, HIMYM, Raising Hope, Fringe e ainda a 2 Broke Girls.
Gostei muito deste post!
Pronto, tenho mesmo que ver Boss. Não posso concordar com the gifted man porque transformou-se num dos meus guilty pleausures
Era só mesmo para te agradecer por incluires Parenthood na lista, está no topo das minhas favoritas e realmente é uma pena não ter mais atenção.
Quanto ao resto, confesso que é-me difícil largar uma série, por isso os pilotos que vi mantive e isso inclui Terra Nova (vejo no telemóvel no comboio com 50% de atenção e chega). De resto, Glee não está nada bom, mas tanto New Girl, mas principalmente 2 Broke Girls têm-me conseguido cativar.
Estava agora a referir isso numa das tuas reviews, Mafalda Neto. : ) O ZB pode ajudar à causa “Parenthood” com este post. Repetindo-me novamente, tenho pena que seja uma série com tão pouco “eco”…porque gostando-se ou não da história, é uma série muito bem conseguida e equilibrada a todos os níveis.
De resto, acho que esta lista do ZB é bastante interessante…e fazendo meia dúzia de trocas, concordo com a maioria das “categorias” nas quais as séries foram “integradas”. “Homeland” e “Boss” claramente na linha da frente das estreias…e em sentido contrário, principalmente por toda a expectativa que criou, “Terra Nova”…que no meu caso já levou a aclamada “machadada”. Esta lista também serviu para eu perceber que vejo demasiada “televisão”..ergh… :S
Óptimo artigo e concordo com a tua avaliação do How I Met your Mother, Terra Nova e Dexter. Das séries que descreveste, vejo poucas ou porque tenho pouco tempo ou estou a actualizar-me ainda noutras.
Já tinha saudades das machadadas! Este ano estou a dá-las mais por falta de tempo do que outra coisa mas The Middle, TBBT e HIMYM estão quase a ir. Glee, New Girl e Community são a decepção e 2 Broke Girls e Greys as simpáticas surpresas. Agora é aproveitar a pausa para actualizar-me em Homeland e Revenge.
Eu incluo nas “só posso ser masoquista”: True Blood, Dexter ( por mais que eu queira não consigo deixar de ver). De resto concordo com quase tudo e vou começar a ver Homeland;) Obrigada pela dica!!!
Da Categoria 1, só tenho andado a ver Parenthood, que está mesmo a ter uma temporada inspirada.
Da Categoria 5, apenas tenho visto The Middle e 2 Broke Girls. Adoro The Middle, mas mais pelas características das personagens, porque os episódios realmente bons têm sido poucos esta temporada. Já 2 Broke Girls, teve um início um bocado difícil, mas os últimos episódios têm sido hilariantes. E assim que os autores encontrarem um rumo certo para a série, acho que vai melhorar ainda mais.
Do que pouco que tenho visto até agora, apenas “cortei” Two and a Half Men (quis ver como iam continuar a série sem o Charlie, mas é mais do mesmo, sem piada nenhuma) e A Gifted Man (tenho a mesma opinião: depois de um piloto interessante a série começou a repetir-se, e duvido que algum dia passe disso).
Em termos de machadadas, a vítima vai ser How I Met your Mother e caso a quarta temporada de True Blood não me convença, também deixo de vez a série.
que mau, person of interest é bastante engraçado…..
?
Mas quem é que disse algo contra Person of Interest?
Ainda bem que tenho gostos e opiniões completamente diferentes se não via series.
“Chuck”, The Secret Circle, Grimm, Terra Nova, Fringe, American Horror Story, The Walking Dead, Once Upon a Time que para mim são as únicas que se aproveitam desta lista toda, é claro que todas as series tem episódios melhores e piores mas no geral são muito boas.