Once Upon a Time: 1×02 – The Thing You Love Most (ABC)

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[SPOILERS] “Mirror, mirror on the wall…” Não é surpresa para ninguém que a Rainha Má (Lana Parrilla) seja a grande antagonista desta história. Claro que, com o vasto leque de personagens que existem no mundo dos contos de fadas, mais tarde ou mais cedo a série explorará outros (não será por acaso que o Rumpelstiltskin tem também um papel de destaque) mas, para já, a Rainha Má e a sua vingança contra a Branca de Neve (Ginnifer Goodwin) são o foco principal da série.

Ao contrário do piloto, em que o ambiente e o universo apresentado pelo mesmo facilmente me encantou (okay, “encantar” talvez seja um adjectivo exagerado para reflectir o meu sentimento para com o piloto mas era óbvio que teria de fazer este trocadilho mais cedo ou mais tarde), o segundo episódio foi-me conquistando aos poucos.

Os flahsbacks

Apesar de não ser igual per se, a estrutura dos episódios (o facto de existirem flashbacks e destes se focarem primordialmente numa personagem só) são bem ao estilo de “Lost” (o que não é de estranhar visto quem são os criadores desta nova série) e este episódio focou-se no que a Rainha Má teve de abdicar para conseguir exercer a sua vingança sobre a Branca de Neve.

Os primeiros flashbacks do episódio não foram muito abonatórios para o mesmo. Introduziram uma nova personagem, a Maleficent (Kristin Bauer), a primeira de uma longa lista (*) a ser encarnada por uma cara conhecida de quem acompanha com regularidade a generalidade da televisão norte-americana, mas o resultado foi pouco mais que uma incrivelmente cheesy luta entre esta e a Rainha Má (os efeitos especiais, neste caso, jogaram claramente contra a série) e estabeleceu exactamente aquilo que já sabíamos: a Rainha é má, muito má, má como as cobras e pior que ela não há.

(*) Não só “Once Upon a Time” conseguiu atrair um elenco fixo de caras bem conhecidas, como tem um rol de papéis secundários (recorrentes e participações especiais) preenchidos com vários actores que facilmente serão reconhecíveis e que, mais importante que tudo, (alguns) dão garantias de qualidade. Neste episódio tivemos então as presenças de Kristin Bauer (“True Blood”) e Giancarlo Esposito (“Breaking Bad”), e para os próximos episódios vamos contar com as presenças de Richard Schiff (“The West Wing”), Emma Caulfield (“Buffy the Vampire Slayer”), Alan Dale (“Lost”), Harry Groener (“Buffy the Vampire Slayer”), David Anders (“Alias”), Jessy Schram (“Falling Skies”) e Anastasia Griffith (“Damages”).

Já na outra porção de flashbacks, os da segunda metade do episódio, as coisas mudam porque a Rainha Má ganha uma personalidade. Ela continua má, é verdade, e continua a ter atitudes de vilania, mas é-nos revelado um outro lado, uma outra camada da sua personalidade onde ela se revela como alguém que, lá no fundo, consegue sentir tudo aquilo que as pessoas normais sentem. Para cumprir o seu sonho de vingança, ela terá de fazer sacrifícios (matar a pessoa que mais ama, o próprio pai) e sacrifícios é algo só alcançável por alguém que tenha alguma bondade no seu coração (alguém 100% malvado não teria qualquer problema ou remorsos em fazer fosse o que fosse), mesmo que esta esteja bem enterrada e poucas vezes venha ao de cima. E esta foi a primeira vez que pudemos testemunhar que a Rainha Má, afinal, não é aquela personagem plana que inicialmente parecia que iria ser, o que é sempre bom já que personagens unidimensionais são meio caminho andado para afastar as pessoas duma história. Por outro lado, estes últimos flashbacks providenciaram ainda uma interessante interacção Rainha/Rumpelstiltskin (Robert Carlyle), que deixou no ar a dúvida sobre se ele sabe ou não o que se passa após a maldição ter sido libertada e todos os personagens terem sido transportados para o Maine.

No presente

A luta pela atenção do pequeno Henry (Jared Gilmore) levada a cabo pelas suas duas mães, Regina (aka Rainha Má) e Emma (Jennifer Morrison), dominou esta porção do episódio e não deu muito espaço aos restantes personagens (**). A dinâmica entre as duas (“Your move”) teve piada e os paralelismos entre a “nossa” realidade e os contos de fadas (as maças, o facto da versão “real” do Espelho Mágico – Giancarlo Esposito – ser um dos repórteres de um jornal intitulado “The Daily Mirror” – será esta uma versão americana do famoso tablóide britânico?) também e são claros pontos positivos. Pela negativa, se a prestação da Lana Parrilla me agradou mais neste episódio, a da Jennifer Morrison continua-me a parecer demasiado constrita (talvez a actriz precise de não levar o papel tão a sério e descontrair-se mais, pois pareceria certamente mais à vontade).

(**) Apesar de terem surgido algumas cenas que terão certamente bastante importância no futuro da série: a Emma a descobrir que a Mary Margaret é a Branca de Neve, logo a sua mãe, e a revelação que foi o Mr. Gold que trouxe o Henry para Storybrooke, quando a Regina decidiu adoptar uma criança, sem que ela soubesse do histórico do miúdo.

Para terminar, e como me esqueci na crítica ao episódio anterior, eis algumas referências ao “Lost” encontradas no episódio-piloto:

  • O relógio está parado às 8:15;
  • O número da porta da Regina é o 108;
  • Um autocolante dos Geronimo Jackson no vidro traseiro do Carocha da Emma;
  • A mais óbvia: o close-up do olho da Emma a abrir quando ela está na prisão;
  • A exagerada: há quem considere que a forma como a maldição se espalha pelos vales faz lembrar o Smokey (parecer parece, mas não julgo que isso seja qualquer easter egg).

[starreview]

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Lista de EpisódiosNota (0.0/10.0)
Once Upon a Time: 1×01 – Pilot (ABC)8.0
Once Upon a Time: 1×02 – The Thing You Love Most (ABC)7.4
Once Upon a Time: 1×03 – Snow Falls (ABC)6.8
Once Upon a Time: 1×04 – The Price of Gold (ABC)7.6
Once Upon a Time: 1×05 – That Still Small Voice (ABC)8.4
Once Upon a Time: 1×06 – The Shepherd (ABC)8.3
Once Upon a Time: 1×07 – The Heart is a Lonely Hunter (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×08 – Desperate Souls (ABC)7.5
Once Upon a Time: 1×09 – True North (ABC)7.8
Once Upon a Time: 1×10 – 7:15 AM (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×11 – Fruit of the Poisonous Tree (ABC)7.0
Once Upon a Time: 1×12 – Skin Deep (ABC)9.0
Once Upon a Time: 1×13 – What Happened to Frederick (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×14 – Dreamy (ABC)6.5
Once Upon a Time: 1×15 – Red-Handed (ABC)9.5
Once Upon a Time: 1×16 – Heart of Darkness (ABC)8.8
Once Upon a Time: 1×17 – Hat Trick (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×18 – The Stable Boy (ABC)9.0
Once Upon a Time: 1×19 – The Return (ABC)9.0
Once Upon a Time: 1×20 – The Stranger (ABC)9.5
Once Upon a Time: 1×21 – Apple Red as Blood (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×22 – A Land Without Magic (ABC)9.8

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6 Respostas para “Once Upon a Time: 1×02 – The Thing You Love Most (ABC)” Subscribe

  1. syrin 02/11/2011 às 02:33 #

    A Jennifer Morrison está muito fraca neste papel. O que é uma pena, pois é um papel que exigia muito mais garra. Nas cenas em que entra parece-me sempre uma figura de cartão, não passa nenhuma emoção. Ou, pior, parece uma actriz a interpretar uma personagem. O que é extremamente mau.

    Já o Rumpelstiltskin é, até agora, a minha personagem favorita, com uma grande interpretação do Robert Carlyle – é isto que se exige de um protagonista. A reviravolta do Henry ter vindo da parte dele é bastante interessante e deixou-me intrigada para saber o que irá acontecer no próximo episódio.

  2. Armindo Paulo Ferreira 02/11/2011 às 10:41 #

    Estou ansioso por ver este episódio…

  3. Daniel Catita 02/11/2011 às 11:07 #

    Adorei, por completo. A Maleficient e a panóplia de universos e mitologias que a série pode abranger é fenomenal. Afinal existem mais bruxas más! :D Kristin Bauer <3

  4. Anónimo 02/11/2011 às 20:17 #

    Gostei, apesar de não ter sido tão bom como o piloto, estou a adorar toda a mitologia da série…

  5. Armindo Paulo Ferreira 08/11/2011 às 02:31 #

    Devo desde já dizer que estou rendido a esta série. É uma agonia quando o episódio acaba e não há mais nenhum minuto para ver.

    Adoro esta espécie de narração à laia de Luis de Camões, “in media rés”. Ao primeiro episódio somos logo abordados duma forma que nem o Lost fez. Sabemos o que sucedeu no passado, vimos a maldição a abater-se e o que representou para o futuro destas personagens dos contos de fada. Temos a profecia, sabemos quem é o legado vivo da Branca de Neve, que vai defrontar a Rainha Má no futuro… e… é como se o jogo já estivesse perto de terminar. Mas a série faz com que se consiga repensar no jogo e é aliciante conhecer qualquer prequela de cada acção que conduziu ao estado em que fomos introduzidos. É brilhante estruturalmente pois ao mesmo tempo também temos de seguir o pós-embate no futuro. É demais e reforço que nem Lost era sequer assim pois há um dado extra em “Once Upon A Time”: é a fantasia dum conto de fadas. Como se a realidade se permitisse a algo mais que ser a realidade ou ficção-cientifica.
    E à medida que mais vamos vendo mais perguntas fazemos. A série é inebriante para mim.

    Ahhh… a tua review ZB, ora bem… eu li e concordo. Foste analitico mas opinativo.
    Eu gostei bastante do episodio e até teria repetido a nota…

    Obs: quando vi que terminou até soltei um palavrão: “Já acabou? Ai fod…se!”
    É isto que eu quero duma série… não gosto de estar a ver uma e bocejar, mexer no iPhone, ver o facebook, etc e torcer que termine…

  6. Laura C. Gaboleiro 25/01/2012 às 13:48 #

    *Obs: quando vi que terminou até soltei um palavrão: “Já acabou? Ai ….!É isto que eu quero duma série… não gosto de estar a ver uma e bocejar, mexer no iPhone, ver o facebook, etc e torcer que termine…

    Estava a pensar o que poderia escrever para mostrar como esta serie apenas com um episódio conseguio cativar-me, mas acho que o Armindo já disse tudo. Desde Lost que não me sentia assim.

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