[SPOILERS] “He’ll see that fairy tales are just that… That there’s no such thing as love at first sight or first kiss. He’ll see reality.”
O mais recente episódio de “Once Upon a Time” traz-nos uma Branca de Neve (Ginnifer Goodwin) badass, o início duma história de amor da qual já sabemos o fim e o (obrigatório) primeiro triângulo amoroso da série.
Não tinha grandes dúvidas que, quando surgiu a notícia de que estava a ser preparada uma série onde os personagens principais eram personagens dos contos de fadas, o romance seria parte intrínseca da mesma. E eu não tenho qualquer problema com romance ou histórias de amor. Apenas considero que como a maioria é apresentada na ficção é… bem… demasiado ficcional, artificial, conto de fadas. Porém, se há sítio em que encaixa bem uma história de amor desse género é exactamente em “Once Upon a Time”.
Assim, este episódio incide naquele que é o principal casalinho da série: a Branca de Neve e o Príncipe Encantado (Josh Dallas), cujo nome agora sabemos ser James. E, uma vez que a série se propõe a contar duas histórias distintas, apesar de interligadas, nada melhor do que irmos por partes:
- No reino de fantasia, somos transportados para a primeira vez que estes dois se encontraram. A Branca de Neve não é propriamente aquela menina dócil que se pensava que seria. Na realidade, ela é uma espécie de versão feminina do Robin dos Bosques (sendo que, ao contrário deste, ela só rouba a Rainha e nunca dá nada aos pobres). Temos ainda oportunidade de ter alguns momentos de acção (com lutas de espadas e trolls que são mesmo patifes a sério e não se limitam a navegar a Internet e a deixar comentários tristes) e de descobrir que, afinal, o Príncipe Encantado já tinha noiva (cuja inserção na história tem bem mais significância na parte final do episódio) antes de, tal como vimos no piloto, ter casado com a Branca de Neve e ter tido a pequena Emma.
- Entretanto, no Maine, encontramos a Mary Margaret (aka Branca de Neve) sujeita à maldição e sem grandes vislumbres de felicidade no seu futuro, isto até o pequeno Henry (Jared Gilmore) a conseguir convencer que a chave para a sua felicidade pode ser o John Doe (aka Príncipe Encantado) e, por isso mesmo, ela tem de o tentar acordar do coma em que ele caiu devido a ter sido severamente ferido no mundo de fantasia, na altura em que a maldição alcançou o castelo. Tal como esperado, ele acorda, pelo meio desaparece, e, no final, aparece em cena só para partir o coração à Mary Margaret, uma vez que a manipuladora de serviço, a Regina/Rainha Má (Lana Parrilla), conseguiu inventar uma esposa para o John Doe e assim continuar a alimentar a infelicidade eterna que ela tanto deseja para a Branca de Neve.
O episódio é algo desequilibrado exactamente porque existem dois tipos de personagens em ambos os mundos. O bom da versão das personagens do mundo de fantasia é que temos a oportunidade de as ver no seu habitat natural, com personalidades próprias, enquanto que na nossa realidade elas parecem ser algo condicionadas devido ao estarem sujeitas à maldição. Com o incentivo do Henry, elas parecem querer evoluir para algo mais, parecem querer ganhar vida, mas enquanto a Rainha Má levar à sua avante estarão sempre condicionadas a não ser mais do que uma pálida versão de quem foram no mundo de fantasia.
Para finalizar, gostava apenas de fazer uma referência ao quão irritante é o fraco CGI das séries da ABC. Em “Once Upon a Time” o CGI é necessário pela história a que a série se propõe contar, por isso, e como estamos a falar duma série de televisão com orçamento limitado, paciência. Mas em séries como “Revenge” e “Pan Am”, com casas e cenários feitos em CGI fraco e deveras óbvio, isso só contribui para um aumento do sentimento de que estamos perante algo “chunga”. Isso não invalida a que as séries tenham ou não qualidade, porque até têm e não é isso que está em causa, mas fica sempre o sentimento que poderiam ser mais agradáveis de seguir se não estivéssemos constantemente a ser distraídos por mau (e muitas vezes desnecessário) CGI.
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Eh que nota tão fraca! Por acaso enganei-me e votei no 9 e não no 8 como pretendia… Ainda assim, achei um grande episódio. À la LOST, como esperávamos em que a Branca de Neve afinal é uma Kate que não facilitou em nada a vida da raínha e assume que lhe “estragou a vida” (explodiu com a casa do rei?). Continuo a gostar muito desta série, e o facto de ser passada quase sempre no meio do matagal nem deu para reparar tanto no CGI.
E quando vi TOLL Bridge saiu-me um “Are you serious??”
Tu exageras um bocado nas comparações a Lost, rapaz. Não te cuides não…
Eu acho que há comparações que podem ser feitas, não entendo o teu comentário. Tens flashbacks centrados em personagens específicos e uma heroína que afinal foi ladra no passado… não posso comparar? não te cuides não
Uma história contada com recurso a flashbacks e flashforwards não é algo inventado por Lost, é um recurso muito conhecido até, e que se encontra do cinema à televisão à literatura a… enfim, a de tudo um pouco.
http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/AnachronicOrder
Parece-me muito estranho comparar a Branca de Neve à Kate quando tudo nesta história cheira a Robin dos Bosques, como o ZB até referiu.
Claro que cada um faz as comparações que quer e que lhe apetece. Mas neste caso parece-me que já estás a esticar um bocadinho a demais a corda. “Lost” é que foi beber – tal como todas as histórias – aos contos de fadas e aos clássicos, não o contrário.
Eu só falo em LOST neste caso específico porque são óbvias e explícitas as referências à mesma em Once Upon a Time. Se te incomoda, tenho pena… a minha opinião mantém-se (e para que conste não fui o único a achar que a Branca de Neve tinha um quê de Kate). Agora quem és tu para medir a minha corda ou falar em cuidar-me? Não concordavas com a minha comparação, mostravas o teu ponto de vista e seguias com a tua vida.
Passei por aqui só para dizer que além de ser óbvia a comparação com Lost ainda é mais óbvia fica depois de saber que os produtores são os mesmos, obviamente que há diferenças, mas quando é que não há, não vão fazer duas séries iguais, mas se formos a ver na essência, na estrutura da série, elas são bastante parecidas:
As personagens estão perdidas num novo mundo, com regras diferentes e fenómenos que não conseguem explicar e toda a sua história é contada com recurso a flashbacks,
Obviamente que isto não é inédito de Lost, mas foi um estilo que marcou a série (e isso percebe-se em meia dúzia de episódios), daí a comparação ser legítima.
Once Upon A Time promete, principalmente para quem gosta do tema de Contos de Fadas, e não, como foi dito aqui, “A história de amor” essa sim é uma comparação patética visto que a série não é propriamente um romance, mas mais um drama ou até um thriller, com o seu QB de comédia, tudo depende de como interpretamos as coisas, eu gosto bastante da genialidade com que os pequenos pormenores do mundo real são referências para um mundo encantado.
Para terminar só tenho a acrescentar que gostei bastante dos calções da capuchinho vermelho *.*
Concordo plenamente com as críticas ao CGI. Ainda não experimentei Pan Am, mas em Revenge é um bocado notório demais. Aqui… bom, é como dizes, damos um desconto. Mas é uma pena não investirem um pouco mais nisso.
A resposta a toda esta “discussão” é muito simples:
- Sim, a série em termos de estrutura segue os passos do Lost. Os criadores da série já falaram sobre isso várias vezes. É facto.
- Sim, a série tem easter eggs que remetem para o Lost espalhados pelos episódios.Os criadores da série já falaram sobre isso também. É facto.
- Não, o Lost não inventou os flashbacks (ou forwards ou afins). É facto.
- Mas não existe nenhuma série dessa listinha desse link, nem nenhuma que eu me lembre de ter visto (e eu já vi muita coisa) em que basicamente toda a série seja assente nessa estrutura. É facto.
- A única coisa que existem são alguns episódio soltos. É facto.
E como diria a Alberta Marques Fernandes: “contra factos não há argumentos”. Isto não é uma questão de opinião, ou de gosto, é… digam todos comigo… FACTO!
Quanto à questão da Branca de Neve/Kate, pessoalmente acho-a uma comparação deveras exagerada. Uma coisa é ter pormenores (também conhecidos como easter eggs) que nos remetam para o universo Lost. Outra é a caracterização de personagens. Duvido muito que, por mais que eles tenham orgulho em ter feito parte de outra série, se fossem colar tanto a ela. O que poderia acontecer era o facto deles terem terminado o Lost há tão pouco tempo e terem passado seis anos (porque foram dos poucos argumentistas que estiveram na série durante a totalidade da mesma) a escrever para aquelas personagens, poderiam ter aquilo tão embrenhado no seu DNA que algumas características entre as personagens poderiam ser semelhantes (se bem que este episódio até foi escrito pela Liz Tigelaar, que nunca fez parte do Lost, apesar de, claro, a construção das personagens são um trabalho de conjunto e não apenas de uma só pessoa). Se querem comparação, eu até a achei muito mais parecida com a Princesa Leia (apesar de ter referido o Robin dos Bosques no texto). Até porque a Kate era uma guerreira em todos os aspectos. A Mary Margaret, por sua vez, nem um osso de guerreira parece ter (pelo menos para já).
Achei irreal aquele encontro da Branca de Neve no restaurante, ainda mais irreal quando depois mostraram que afinal o seu par era o seu colega de trabalho. Considerando que estão metidos naquela cidade há vinte e oito anos, era mais que altura de se conhecerem a todos na cidade. E, será Henry a única criança da cidade? O tempo não passa, certo, todas as crianças de contos de fada não crescem, mas Henry cresce, por que carga de água ninguém estranhou? E se alguma criança nasceu na cidade depois da maldição é improvável que ela esteja apanhada pela maldição (tal como Henry não foi), e seria capaz também de ver a verdade
?
A Mary Margaret (aka Branca de Neve) é professora primária. O seu par é médico, não são colegas de trabalho (e o que tem de irrealista ir num encontro amoroso com um colega de trabalho?). E se ela é professora primária significa que há outras crianças na cidade (e apareceram uma carrada delas no piloto, numa cena em que ela está a dar uma aula).
Ela é professora, mas passa a vida no centro médico e foram 28 anos disso. Aliás, no último episódio mostraram como as suas crianças enfeitaram o hospital. E, o facto de existirem essa carada de criança é que me levou a interrogação, se o tempo não passa para os amaldiçoados é porque essas crianças não crescem e se elas não crescem, só Henry cresceu e se só Henry cresceu porque raio ele não perceberam que algo está errado? E se essas crianças crescem, porque raio não viram que os seus pais não envelhecem?
Tu esqueces-te que as pessoas que estão ali são antigos habitantes de um mundo onde há unicórnios, trolls, poções mágicas, poderes e afins, e que essas pessoas estão na cidade devido a uma maldição lançada por uma bruxa. Ou seja, é fantasia! Não tem de se reger pela lógica. Se vais escamotear tudo ao pormenor, vais retirar metade da piada à série. Seria o mesmo que andares a perguntar-te porque é que um beijo de uma pessoa consegue acordar outra dum coma profundo…
Eu sinceramente ainda não percebi bem a cena do tempo ter estado parado…
Mas o que é que há para perceber? O tempo estava parado devido à maldição. A maldição afecta toda a gente (incluindo crianças) que vive na cidade porque eles era todos personagens do mundo de fantasia. Apenas a Emma escapou à maldição como vimos no piloto. E uma vez que ela escapou, o seu filho também escapou.
Quanto ao resto, estamos a falar dum puto de 10 anos. Ora, provavelmente, este puto esteve sempre em casa até à idade de ir para a escola (eu quando digo sempre, não é literalmente, como é óbvio, mas sim sem ter prolongado contacto com todo o resto da cidade). Além disso, os putos quando são pequenos (digamos até aos 5/6 anos) apercebem-se lá eles se as pessoas mudaram ou não (e as pessoas mudam assim tanto? Conheço muita gente que nos últimos dez anos não mudaram assim grande coisa…).
Mas, seja como for, e como eu disse anteriormente, acho que isto é estar a entrar por territórios completamente desnecessários. A série é de fantasia. Não tem de se reger pelas nossas regras (por alma de quem é que um relógio começava de novo a funcionar simplesmente porque uma mulher chegava à terra?) e andar a fazer perguntas de tudo e mais alguma coisa só vai abrir portas a obsessão que vão acabar por estragar o resto.
Realmente, é uma boa critica pois analisa quase tudo. Eu nem sei que diga pois cada episodio desta série passa a correr e digo que mal termina solto um valente “Ai f_dasse… já acabou? Não há mais?”
Esta é a série do momento para mim! É tudo perfeito, inteligente e cativante de seguir.
E depois tem a Ginnifer Goodwin, que é para mim uma actriz entesoasmante.
Obs1: ahahah para: “momentos de acção (com lutas de espadas e trolls que são mesmo patifes a sério e não se limitam a navegar a Internet e a deixar comentários tristes)… lol
Obs2: o CGi nas séries de TV é sempre complicado porque se se faz num certo nivel elevado… o restante da temporada tem de o manter. E fica-lhes caro isso, portanto eu aceito bem o que tenho visto nestas duas séries (esta e a Pan Am). O problema é que se usa e abusa do green screen e noto mais nos actores a representarem no vazio (é reparar nos olhos), do que ver uma ou outra cena de CGI mais fraquito.
Como dizia… aceito bem este nível de efeitos visuais se a série for admirável pelas outras caracteristicas.