Once Upon a Time: 1×06 – The Shepherd (ABC)

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[SPOILERS] Os contos de Grimm parecem estar de volta à ribalta, com Hollywood a ir buscar ao baú as histórias por todos nós conhecidas e a moldar-lhe a identidade à sua maneira. “Snow White and the Huntsman” e “Mirror, Mirror” são duas apostas para o próximo ano em termos cinematográficos, “Grimm” e “Once Upon a Time” foram apostas para esta temporada televisiva.

“Once Upon a Time” tem sido claramente uma aposta ganha. É uma série familiar no seu íntimo e tem cumprido como tal. Não é um “Lost” mas também nunca o pretendeu ser. Não é um “Fables”, apesar de todas as por demais óbvias semelhanças, porque assenta num outro tom (e diferença de tom não é sinónimo de menor ou maior qualidade, apenas significa uma diferença nas abordagens) e porque mais do que se deixar cair no facilitismo que é tornar-se uma cópia conseguiu estabelecer uma identidade própria.

E para estabelecer essa identidade muito têm contribuído as suas personagens que, tal como em episódios como este “The Shepherd”, tornam fácil o gerar duma empatia para com eles (e, como se sabe, a construção duma relação empática entre as personagens e a audiência é um dos principais alicerces para que se apreciar uma história).

Este episódio volta a focar-se na relação David (Josh Dallas)/Mary Margaret (Ginnifer Goodwin), relação essa que é um dos fundamentos para que os “happy endings” voltem a ser uma realidade e estas pessoas possam regressar às suas origens. Enquanto no presente, e no mundo “real”, estes dois continuam os seus encontros e desencontros, com ele indeciso se deve seguir a razão (e ficar com a sua suposta mulher) ou o coração (deixar a mulher e ficar com a Mary Margaret), é através do passado (em concreto, o passado do Príncipe Encantado), e do mundo de “fantasia”, que chegam as maiores surpresas.

Tal como o próprio título do episódio deixou logo antever, o Príncipe Encantado não é quem nós supusemos ser à partida (surpresa!). Na realidade, este Príncipe Encantado que temos vindo a conhecer é nada menos do que o irmão gémeo perdido do verdadeiro Príncipe Encantado, cujas circunstâncias da vida (e, claro, a interferência do omnipresente Rumpelstiltskin – Robert Carlyle) os levaram a ser separados à nascença.

E com a morte do verdadeiro Príncipe Encantado (surpresa!), este irmão perdido passa por se tornar a solução para resolver um grande problema: o Rei Midas (Alex Zahara), o tal que consegue transformar em ouro tudo aquilo em que toca, quer unir os reinos e para isso pretende colocar o Príncipe Encantado em teste (mandando-o matar um dragão) para ver se ele é merecedor da mão da sua filha, a Kathryn (Anastasia Griffith). Mas com o verdadeiro Príncipe Encantado morto tal seria impossível.

É então que entra em cena um mero pastor a quem a crise também atormenta e por isso mesmo acaba por sucumbir aos desejos da troika lá da terra (neste caso não é uma troika mas apenas uma pessoa, o já mencionado Rumpelstiltskin). Negócio aqui, negócio ali, e a troca é feita. O pastor torna-se no príncipe, mata o dragão e é obrigado a casar com a princesa por força da vontade do ganancioso rei (e pai adoptivo do verdadeiro Príncipe Encantado), que lhe garante que o arruína para a vida caso ele não lhe faça a vontade.

Existem vários aspectos nesta história que são por demais conhecidos, é verdade, mas as virtudes de “Once Upon a Time” não são a originalidade do seu conceito (baseia-se em contos que existem na cultura ocidental há séculos, duh) e sim a forma como a série consegue tornar muito próprio aquilo que já toda a gente conhece. O facto de ser semelhante a outros produtos de ficção (sejam em que formato forem) é irrelevante na medida que também esses outros produtos não são mais que variações do material original. Aliás, os próprios irmãos Grimm, a quem muitas vezes é atribuída a autoria dos contos, não foram mais que meros colectores e organizadores de lendas e folclore popular que já existiam. E aí está. Nada se cria, tudo se reinventa. A grande diferença é a forma como a reinvenção é feita e “Once Upon a Time” soube ganhar o seu espaço.

Outros pontos de interesse:

  • Foi bom que a Emma (Jennifer Morrison) tenha descoberto já que o Sheriff (Jamie Dornan) anda a ter um caso com a Regina (Lana Parrilla), evitando assim que esta história se arraste em demasia.
  • Mas claro que a Regina ia dar a direcção errada ao David. Essa era óbvia. O que me surpreendeu foi o papel do Mr. Gold nesta conversa toda. Será este mais um indício para a revelação de que ele também se lembra da sua vida passada? E se juntarmos a isso aquele “Charming” que ele diz quando fala pela primeira vez para o David, então a possibilidade é ainda maior.
  • E por falar em lembrar, por momentos pensei que o David estava a dizer que se lembrava do mundo de fantasia… Mas depois lembrei-me que este é apenas o sexto episódio e é claro que ele não se podia lembrar do mundo de fantasia…
  • Se bem que o CGI da primeira luta do Príncipe Encantado foi fraco, todas as cenas com o dragão nem se saíram assim muito mal. E nota positiva ainda para a cenografia, tanto nas belas paisagens nas cenas da quinta como no ambiente criado para a visita à gruta do dragão.
  • Novo piscar de olhos ao “Lost”: Num episódio em que o Widmore (aka Alan Dale) é convidado especial não podia faltar o Whisky MacCutcheon.

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Lista de EpisódiosNota (0.0/10.0)
Once Upon a Time: 1×01 – Pilot (ABC)8.0
Once Upon a Time: 1×02 – The Thing You Love Most (ABC)7.4
Once Upon a Time: 1×03 – Snow Falls (ABC)6.8
Once Upon a Time: 1×04 – The Price of Gold (ABC)7.6
Once Upon a Time: 1×05 – That Still Small Voice (ABC)8.4
Once Upon a Time: 1×06 – The Shepherd (ABC)8.3
Once Upon a Time: 1×07 – The Heart is a Lonely Hunter (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×08 – Desperate Souls (ABC)7.5
Once Upon a Time: 1×09 – True North (ABC)7.8
Once Upon a Time: 1×10 – 7:15 AM (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×11 – Fruit of the Poisonous Tree (ABC)7.0
Once Upon a Time: 1×12 – Skin Deep (ABC)9.0
Once Upon a Time: 1×13 – What Happened to Frederick (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×14 – Dreamy (ABC)6.5
Once Upon a Time: 1×15 – Red-Handed (ABC)9.5
Once Upon a Time: 1×16 – Heart of Darkness (ABC)8.8
Once Upon a Time: 1×17 – Hat Trick (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×18 – The Stable Boy (ABC)9.0
Once Upon a Time: 1×19 – The Return (ABC)9.0
Once Upon a Time: 1×20 – The Stranger (ABC)9.5
Once Upon a Time: 1×21 – Apple Red as Blood (ABC)8.5
Once Upon a Time: 1×22 – A Land Without Magic (ABC)9.8

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8 Respostas para “Once Upon a Time: 1×06 – The Shepherd (ABC)” Subscribe

  1. Mbento 06/12/2011 às 22:28 #

    Adoro estas ligações ao Lost… quando vi aquela garrafa até dei pulos de alegria… Ainda para mais com o Widmore presente… sendo já a segunda referência certamente que irá haver mais ao longo da série…

    O inicio do episódio o CGI estava quase tão mau como no piloto, mas o dragão compensou depois… a série precisa melhorar neste aspecto, talvez com o sucesso evidente haja um pouco mais de orçamento para cenas deste género.

    E outro erro na linha da explosão da mina é quando o Principe pega na espada e se queima… ele tinha luvas caramba… como é que se queima só ao tocar? Como é que cometem erros destes?

    De resto também fiquei com a sensação, aliás já a tinha que o Mr. Gold também sabe o que se passou… certamente algo para explorar mais à frente, até porque alguém que teve um papel tão importante nos destinos de quase todos os personagens no mundo encantado certamente arranjou maneira de se proteger do feitiço ou tirar partido dele além do ‘ser alguém importante’.

    Curiosamente a protagonista Emma parece estar a perder cada vez mais protagonismo, é o problema de não ter um background como tem todos os outros personagens, não há nada sobre ela para contar por agora… ela começa a ser o elo mais fraco.

  2. Miguel 06/12/2011 às 22:39 #

    Ainda assim, o CGI conseguiu ser melhor que o de Terra Nova naquele peixe. Haha!

    Estou a gostar da série. Apesar de ainda não ter tido nenhum episódio fantástico, tem conseguido manter o nível e desenvolver as personagens de uma forma interessante.

  3. Pentacúspide 06/12/2011 às 23:51 #

    Midas não é um personagem de conto de fadas, mas da mitologia grega, meter Midas no meio disto desestabiliza um tanto (pelo menos para mim) a linha delimitada, porque antes ainda estavam a usar maioritariamente os personagens dos irmãos grimm, agora com isto, nem vou admirar se de repente saltar um hobbit, ou aparecer também a Alice e o seu espelho. E falando em espelho, o que é feito do editor de Mirror?

    • Mbento 07/12/2011 às 18:30 #

      Realmente o Midas ficou ali um bocado deslocado, mas também o dragão… a ideia deve ser alargar as possibilidade, ninguém disse que eram só personagens dos irmãos Grimm. A Alice não me admirava nada que por lá apareça…

      A ideia que passa é que existem vários reinos no mundo da fantasia, Midas seria um dos reis do outro lado, talvez por isso usaram alguém fora dos contos de Grimm.

      Ainda começam a aparecer os deuses gregos. lol

      • Pentacúspide 07/12/2011 às 19:10 #

        Pois, ainda vai acabar como o universo da Marvel.

    • ZB 07/12/2011 às 19:11 #

      A questão é que tal como os irmãos Grimm adaptaram histórias do folclore germânico, houve alguns mitos gregos que foram adaptados a contos para crianças por Nathaniel Hawthorne (um americano) em 1852. Logo, não é de estranhar que os americanos tenham enraizada na sua cultura esta história como sendo uma fábula.http://en.wikipedia.org/wiki/A_Wonder-Book_for_Girls_and_Boys

      A mim não me faz a mínima confusão porque a série nunca estabeleceu em lado algum que tinha de forçosamente contar histórias provenientes dos livros dos irmãos Grimm.

      E, já agora, uma vez que a Alice é do domínio público qualquer pessoa pode decidir introduzi-la na sua história mas a Disney (dona da ABC) não tem os direitos de distribuição dos livros do Tolkien por isso podes estar descanso que de certeza que nunca verás qualquer referência a hobbits na série…

      • Pentacúspide 08/12/2011 às 17:54 #

        Eu referi-me aos irmãos grimm apenas porque os personagens usados fazem parte do seu universo, podeiam aparecer personagens de perrault ou de andersen que não me fazia mossa, porque o que, inconsciente ou tacitamente, se estabeleceu é que a série explora personagens dos contos de fada clássicos.

  4. ArmPauloFerreira 12/12/2011 às 16:55 #

    A série tem me mantido o interesse continuamente. Este episodio não foi assim tão admirável como os anteriores (curiosamente também não houve vislumbres da Capuchinho, logo…) mas foi interessante e tivemos uma abordagem mais centrada no Principe Encantado, que parecia ser dos mais lineares e afinal, tinha muito para se contar sobre “ele”.
    Deve haver quem não aprecie esta série mas a verdade é que é (cá em casa) um encanto semanal para toda a familia (ou seja, pais e filhos -ainda da pré!).

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