[SPOILERS] É uma das estreias mais badaladas desta nova temporada televisiva, essencialmente pelo nome de J.J. Abrams que se colou à série e a quase todo o seu material promocional. Mais do que o real papel dele na série interessa é saber o que ela faz para trilhar o seu próprio caminho.
Sabendo que foram só dois episódios (muito pouco para avaliarmos uma série), pode-se dizer que muito ainda há para fazer. Há momentos bem conseguidos mas a sensação de estar a ver “Fringe” foi, por vezes, demasiado forte. E assim sendo torna-se difícil olhar para um produto novo e tentar ver para além daquilo que nos apresentam. Música, sequência dos episódios (boa abertura, pelo meio alguma confusão e um final com uma surpresa), a equipa, o despachar dos casos e a maneira – ao que tudo indica – como “Alcatraz” se desenrolará, levam a que as comparações sejam inevitáveis. Se é vantajoso ou não, só o tempo o dirá mas como apresentação de uma nova série não se pode dizer que traga vantagens imediatas.
A premissa é bastante interessante. A prisão de Alcatraz sempre serviu de inspiração para algumas histórias e eis que ela volta a estar na berlinda. Se oficialmente a prisão fortaleza foi encerrada em Março de 1963 com todos os seus prisioneiros a serem transferidos para outro estabelecimento prisional, na realidade o que aconteceu foram 302 desaparecidos, que simplesmente sumiram de um dia para o outro e que mais ninguém viu. Aqui o mistério alia-se às viagens no tempo e isso é coisa suficiente para me despertar grande interesse. E com aquela sequência de abertura, estava tudo muito bem.
O restante do episódio é que achei um pouco atabalhoado no seu argumento e apresentação das personagens. Sobre Rebecca (Sarah Jones) pouco se sabe para além da perda do seu parceiro e Emerson Hauser (Sam Neill) é um antigo guarda da prisão (vá lá que este envelhece!) e que comanda uma unidade secreta do FBI. Depois há Diego Soto (Jorge Garcia) – o, para já, eterno Hurley – que é um escritor/professor/faz-tudo e que de um momento para o outro está a trabalhar com uma detective num projecto ultra-secreto. Tudo andou em velocidade supersónica, presos vindos do passado estavam no presente e siga a música que a banda vem já aí atrás e nada de anormal se passa. Um pouco mais de caracterização das personagens teria trazido muito mais conteúdo para o que se passou.
E o primeiro preso, Jack Sylvane (Jeffrey Pierce), não se pode dizer que tenha cativado muito. Seja pela péssima representação do actor ou pela maneira como ele ziguezagueou pelas íngremes ruas de São Francisco em modo piloto-automático, o meu interesse pelo seu passado e pelas suas acções no presente foi bastante reduzido (e quando isto falha nesse tipo de estrutura, temos o caldo entornado). Ficamos a saber de uma importante chave e de que existe uma espécie de “Nova Alcatraz” que pretende concretizar o que a antiga não fez: manter os presos atrás das grades. Resta saber quem tem este plano, quem “comanda” os presos e o que verdadeiramente aconteceu com eles. Mistérios que existem ao fim do primeiro episódio, mas que soam a pouco.
O segundo tomo da série tem a vantagem de nos ter dado um preso, Ernest Cobb (Joe Egender), bem mais interessante que Jack. Tendo em conta que em Alcatraz estariam os presos mais perigosos dos E.U.A., Ernest preenche este perfil de maneira bem mais fiável do que Jack. Junte-se os seus flashbacks mais sumarentos em conteúdo, a melhor interpretação e as suas acções terem tido consequências mais alargadas, e temos já uma boa base para um crescimento na série. Mas no restante continuo a achar que as personagens ainda se movem num pequeno vazio narrativo. Correm de um lado para o outro, tudo se desenvolve rapidamente e continua a faltar algum peso à sua caracterização.
O final do episódio traz a (habitual?) surpresa: Lucy (Parminder Nagra) parece que também vem do passado (ou então ela consegue viajar para o passado). Daí fazer mais sentido toda a sua displicência em encarar estes aparecimentos e todo o seu secretismo. É, sem dúvida, um ponto de interesse a acrescentar mas resta saber o que sairá daqui. E claro que estou a assumir que ela não morre.
No passado dos prisioneiros estará, quanto a mim, a chave para o interesse daquilo que se passa no presente. De nada me vale seguir um sniper ou um outro qualquer bandido se pouco conhecer sobre as suas movimentações. Se falha isso, “Alcatraz” fica um “CSI”, “NCIS”, “Criminal Minds” ou qualquer outra série policial. E assim pouco a distingue das outras.
Esperemos para ver como a série evolui. O facto de ser baseada em casos não a faz, necessariamente, uma má série. Há muito por explorar e aqui, se me fosse permitido opiniar junto dos argumentistas, diria que é necessário mostrar muito do passado para contextualizar o presente e ansiar pelo futuro. Os primeiros passos estão dados.
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Duas notas:
1- Parece que o JJ Abrams gostou mesmo dos genéricos a explicar a premissa da série.
2- Sim, já percebemos, a protagonista tem umas mamas jeitosas! Não é preciso andar toda desabotoada a correr…
Tu não tens autorização para falar dessas coisas. Só o chefe
Nao percebi esse ponto 2…. Não é preciso o quê?????
BOOOOOOOOOOOOBS!!!!!!!!!!!!!
Parece-me ter alguma margem de progresso e que, com a devida evolução, pode realmente ser uma série a considerar nos próximos tempos.
Concordo em pleno com a tua crítica e com as tuas dúvidas em relação ao que pode (ou não) vir a aparecer nos próximos episódios.
Vamos ver.
Adormeci no 1º episódio, acordei a meio do segundo e voltei a adormecer. Vou ser sincero, não faço tensões de rever estes dois, talvez acompanhe o próximo, mas não achei graça nenhuma. Foi bastante entediante.
Banda sonora = Lost
É normal que seja parecida. O compositor é o mesmo
A mim fez-me lembrar os sons de Fringe, principalmente no primeiro episódio.
Adorei o piloto e gostei bastante do segundo. A série conseguiu cativar-me e tem um ritmo muito bom.