[SPOILERS] Criada por Matthew Carnahan, esta é a nova série de comédia da Showtime e trata-se da adaptação do livro “House of Lies: How Management Consultants Steal Your Watch and Then Tell You the Time” da autoria de Martin Kihn. A série pretende contar as peripécias de um grupo de consultores de gestão, da Galweather & Stearn, que não parará por nada nem por ninguém para conseguir levar a sua avante.
Tudo começa com dois corpos nus numa cama a indicarem que tiveram uma bela aventura na noite anterior. Penso por momentos que me enganei e devo ter colocado o novo de “Californication” mas depois lembro-me que o David Duchovny é branco e então devo estar no sítio certo. Mas, infelizmente, a aura “Californication” voltaria a sentir-se ao longo do episódio.
“House of Lies” chamou a atenção para muitos por integrar como protagonista a estrela de cinema, Don Cheadle. Gosto bastante do actor que tem grandes filmes no seu currículo, entre os quais um dos meus predilectos, o “Boogie Nights”. Contudo, confesso que a minha maior curiosidade era em ver o regresso da detective adolescente mais famosa da TV, a bela Kristen Bell que neste episódio ainda soube a pouco, muito pouco. Apesar de ter sido de longe a personagem feminina mais interessante.
Mas voltando ao episódio. Quem está na cama é Marty Kaan (Don Cheadle) e a sua ex-mulher, Monica Talbot (Dawn Olivieri) que só por este episódio se arrisca a levar o troféu de mãe do ano 2012.
Marty Kaan, à semelhança de Alvy Singer (Woody Allen) em “Annie Hall”, quebra a barreira que separa o mundo da ficção do mundo da realidade para nos ir situando nas cenas. Por vezes estas “paragens” funcionam até como um dicionário técnico quando Marty nos explica as definições de várias expressões ligadas ao seu ramo profissional e que para muitos de nós serão totalmente desconhecidas.
Marty vive com o seu filho, Roscoe Kaan (Donis Leonard Jr.), e pai, Jeremiah Kaan (Glynn Turman). Como não tem qualquer intenção de retomar a sua vida de casado quando se apercebe da situação em que se encontra rapidamente trata de vestir Monica para não serem apanhados pelo filho de ambos e lhe dar assim a ideia errada, o que não acontece por muito pouco.
Quando Roscoe entra em cena com um lenço no pescoço percebemos imediatamente que é uma sugestão à sua homossexualidade, o que vem a ser sublinhado quando ao pequeno-almoço este revela ao pai que na escola vai concorrer ao papel de Sandy (Olivia Newton-John) do célebre musical “Grease”. Em relação a este objectivo, Marty não sabe bem como agir em relação ao seu filho e é chamado à atenção pelo próprio pai, um psiquiatra reformado, de que tudo pode não passar de uma fase em que a criança esteja apenas a querer chamar a atenção, uma vez que o seu agregado familiar está longe de ser o tradicional.
No que toca a minorias a indústria televisiva Americana está sempre demasiado preocupada com a sua introdução em séries, Deus os livre de terem uma série acusada de discriminação. O problema é que por vezes nota-se que há personagens que só lá estão para as estatísticas e demasiado coladas a estereótipos. Com isto não estou a afirmar que é o caso de Roscoe, até porque é demasiado cedo para saber. Apenas tenho vindo a reparar que actualmente tem havido uma maior incidência de personagens infantis homossexuais, nomeadamente como aconteceu em “Ugly Betty” e por isso mesmo penso que temos aqui um tipo de personagem que será cada vez mais recorrente.
Após esta breve introdução à vida familiar de Marty passamos para a vida profissional, onde rapidamente a sua equipa de consultores é apresentada, sendo eles Jeannie van der Hooven (Kristen Bell), Doug Guggenheim (Josh Lawson) e Clyde Oberholdt (Ben Schwartz).
O seu primeiro trabalho na série leva-os até Nova Iorque a fim de serem contratados pela MetroCapital uma grande firma que ganhou imenso dinheiro a partir de empréstimos hipotecários a custos elevadíssimos. Com a popularidade na lama e com o intuito de conseguirem receber os enormes cheques de bónus, esta empresa procura a melhor solução de se livrar desta situação e isso torna-se claro quando o presidente diz a Marty que eles não são a primeira empresa que chamam e que as manhas dos consultores ele já as topou todas. A fasquia é ainda mais elevada quando Marty descobre que a empresa da sua ex-mulher, a número 1 do país sendo a sua a número 2, foi também chamada. É caso para dizer: que a competição comece e que vença o melhor.
Logo na primeira noite em Nova Iorque, Marty e a sua equipa vão àquele local sagrado em que as grandes ideias de consultoria devem surgir, um bar de strip. Eu a inicio ainda pensei que estivessem lá com alguma razão para além da óbvia, afinal a Jeannie também foi. Porém, qual o meu espanto quando Marty sai com uma stripper chamada April (Megalyn Echikunwoke) deixando os dois membros masculinos restantes igualmente ocupados. Então e a Jeannie? Eu não a teria largado um segundo.
Esta cena ocorre apenas para que Marty seja apanhado bêbado com April por Greg Norbert (Greg Germann), um dos executivos da MetroCapital (foi bom voltar a ver este senhor). No entanto com um bom jogo de cintura (expressão sem segundas intenções) April consegue dar conversa a Greg e fazer-se passar pela esposa de Marty. O problema é que agora terão de ir jantar na próxima noite com Greg e a sua mulher, Rachel Norbert (Anna Camp).
Um jantar que na minha opinião não correu nada bem nem para eles nem para nós. Apesar do tom de comédia da série, achei tudo demasiado excessivo. Ainda nem 5 minutos passaram e já Rachel segue April para o WC revelando-se uma lésbica sedenta por “atenção”. A única coisa que gostei na cena foi o pormenor de salientarem que as duas foram ter sexo para a cabine dos deficientes, porque todos nós sabemos que são as maiores e mais limpinhas.
No final, a apresentação de Marty, que consiste em criar uma falsa amnistia por parte da firma, consegue apelar ao líder da mesma, alcançando assim a contratação da sua equipa. Este tipo de histórias deixa-me sempre com um sabor amargo na boca, por muito que Marty se gabe do dinheiro que retira destas empresas sanguessugas, a sua solução no final é do mais politicamente incorrecto que há, em uma palavra, é uma vigarice. Claro que numa série como “House of Lies” o importante é parodiar estas situações, isto é comédia afinal de contas. O sabor amargo que referi deve-se simplesmente à realidade de tais situações que devem acontecer com uma certa regularidade e as quais a série faz recordar.
Pelo meio ainda houve tempo para saber que o filho de Marty conseguiu o papel de Sandy, mas que uma das mães reclamou pois a sua filha pode não cantar tão bem como Roscoe mas é… mulher. Marty como o pai atencioso que é desloca-se até à escola para ensinar das boas à tal senhora e tecnicamente acabaria por fazê-lo, pois quando vê que essa mãe é um valente mulherão abdica imediatamente do papel do filho, valores mais altos se haviam elevado. O problema é que (novamente), para mim, Marty não é um Hank Moody (David Duchovny) e por isso as coisas não fluem tão bem nem com tanta classe neste departamento, pelo menos para já.
De uma forma geral achei o episódio bastante morno e gostava de ver a parte corporativa melhor explorada. Talvez a série ainda esteja à procura da sua própria linguagem, porque pelo menos o humor neste episódio não funcionou na sua totalidade. Há momentos bons mas que nunca me conquistaram. Aparenta ter um elenco sólido com uma dupla (Don Cheadle e Kristen Bell) que tem tudo para funcionar, mas precisa de um argumento melhor para conseguir vingar.
Este é apenas o piloto e não sou apologista de avaliar uma série por apenas um episódio muito menos o piloto. Dito isto, estou expectante que a série venha a melhorar no futuro e que encontre um lugar neste mundo competitivo da televisão.
O Melhor: O regresso de Kristen Bell e Greg Germann.
O Pior: O exagero por si só, mesmo que em tom de paródia, não eleva automaticamente o humor e parece que se esqueceram disso.
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Comédia? Isso para mim é uma novidade. Vi o piloto à uns dias e nunca pensei que seria “comédia”. Por esse prisma falhou totalmente.
Ignorando essa questão foi um começo razoável, q dá vontade de ver o próximo. Os termos técnicos são dificeis de captar o que impede uma melhor absorção do mundo q a série pretende retratar mas dá para perceber perfeitamente o contexto e a solução final.
E, bolas, basta ter Kristin Bell para ser uma das melhores séries do ano!!!!
Esta é uma série que vou continuar a seguir.
Gostei das interpretações, e estavam de alguma forma credíveis como profissionais, afinal é a minha área de trabalho, e gostei dos pormenores técnicos.
No entanto, achei o piloto muito fraquinho, pouca comédia e demasiado sexo, ah… e o local sagrado em que as grandes ideias de consultoria devem surgir não é um bar de strip.
Não podes provar que não
(Era apenas uma piada, no seguimento do texto eu explico que aconteceu tudo menos trabalhar)
Verdade. Não consigo provar que não.
E por isso irás ter que me aturar nas próximas críticas.
E sim, percebi a piada.
Jinhos,
Óptimo
É bom ter alguém dessa área por aqui, caso me escape alguma coisa
Foi um começo morno, e confesso que só vi por causa da Kristen Bell … Acho que tem capacidade para se tornar uma boa série, veremos.
Gostei mas concordo que aquela cena das duas na casa de banho foi desnecessária.
Eu gostei bastante do episódio, ainda tem que mudar algumas coisas, mas o Don Cheadle está fantástico, muito carismático e funcionou muito bem com o Greg Germann. Quanto à Kristen Bell, está muito longe da Veronica Mars mas, ainda não vi nada que me entusiasmasse por aí além na personagem.
Para mim o mais confuso ainda foi a situação do miúdo, ao contrário de na Ugly Betty, aqui a situação foi tratada com pouco cuidado.
O Don Cheadle é grande actor, certamente que é uma aposta segura.
Quanto ao filho não me quis pronunciar muito porque ainda quero dar tempo à série de mostrar o que quer fazer.
Acho que a cena de um menino a concorrer ao papel de uma mulher para dar umas gargalhadas é um bocado cliché, mas tudo bem.
Não gostei tanto como esperava gostar…
Concordo contigo quando comparas com Californication e espero que evite isso ao máximo. Cheadle e Bell são muito agradáveis de ver, mas não chega. É cedo para julgar.
E em 3 frases resumes a minha extensiva crítiva
Ena, Oh Vitor concordas comigo numa coisa? tb achas que a série tinha sexo a mais?
Lol, não é tanto ter sexo a mais (tais palavras nunca irão ser ditas por mim lol), é mais a sua banalização e simplismo.
Me gusta!
Só peguei para ver a Kirsten Bell mas nem se saiu mal. Gostei dos cortes para as explicações mas foi claramente sexo a mais.