[SPOILERS] Entre o fim da primeira temporada e o começo da segunda, muito mudou na vida dos Gallaghers, pelo que, consequentemente, muito mudou em “Shameless”. Contudo, e porque o que nos fez apaixonar por esta série foi o seu espírito, orgulhosamente libertino, a essência mantém-se: os Gallaghers continuam alegres, mas sem um tostão no bolso, o Frank (William H. Macy) continua um bêbedo irresponsável e a Fiona (Emmy Rossum) uma mãe-galinha pouco convencional.
À primeira vista, a mudança mais notória é a da passagem do tempo, com o despertar do Verão em Chicago. Deixámos os tons azuis, os cinzentos e o branco da neve na primeira temporada e abraçamos agora, na companhia de Fiona, cores mais quentes, como as que são tão características de um nascer do sol visto da praia. A ocupação profissional da irmã mais velha também parece ter sofrido algumas alterações, mantendo agora um emprego como empregada de balcão numa discoteca, um trabalho que lhe assenta na perfeição, ao permitir divertir-se e começar novos romances. O interesse recai de momento sobre Adam (James Wolk), que serve como “rebound” de Steve (Justin Chatwin), nas palavras de Veronica (Shanola Hampton) – que, atrás do balcão e com a língua mais afiada do que nunca, lá vai mandando as suas deixas hilariantes -, e que partilha com Fiona várias cenas bonitas, como a cena de sexo depois da noitada e a posterior corrida na praia. Para ser sincero, gostei da interacção e não senti a mínima falta da presença de Steve – pelo contrário, fiquei um bocado aliviado por a personagem não estar de volta, com os seus mistérios e meias verdades. Vamos ver se o relacionamento com Adam vai evoluir ou se, pelo contrário, o trabalho na discoteca lhe vai render mais algum interesse amoroso… ou se Steve vai dar o ar da sua graça… ou se será Tony (Tyler Jacob Moore) o escolhido (ZzzZzzZzzz) …! Neste campo da sua vida, Fiona não tem do que se queixar!
Se há alguém que definitivamente não mudou nem um bocadinho com a passagem do tempo é Frank, que continua o mesmo, sempre a meter-se em sarilhos graças à sua boca grande. Neste episódio, perde uma aposta e vê-se obrigado a arranjar o dinheiro o mais rapidamente possível, utilizando inclusive Liam para mendigar à beira da estrada. Mil e um esquemas lhe passam pela cabeça, e alguns deles chega mesmo a pôr em acção, para nosso contentamento! No fim, tem de recorrer à prostituição para arranjar mais umas massas, mas mesmo assim não é suficiente. O porquê do degradante ser ao mesmo tempo tão divertido? Não sei. Talvez Freud explique. Ou talvez seja o talento de William H. Macy.
Kevin: Nobody’s heard from Eddie?
Frank: Not a word. Man’s got no sense of responsibility. Leaving a family of three to fend for ourselves!
Pelo contrário, Sheila (Joan Cusack) e Karen (Laura Wiggins) evoluíram, agora que Eddie “desapareceu” sem deixar rasto. Sheila já consegue dar 99 passos fora de casa, continuando adorável de se assistir – um verdadeiro miminho, esta personagem! -, enquanto a filha, tendo admitido que é ninfomaníaca, está a tentar curar-se e, para grande desilusão de Lip (Jeremy Allen White), com a ajuda de um novo namorado. O que mais me deixa ansioso é o momento, que não deve tardar, em que Sheila consiga dar todos os passos suficientes para chegar ao Alibi… aí sim, conhecerá o verdadeiro Frank! Esta não me parece que vá ser uma temporada nada fácil para o nosso protagonista – assim espero!
Enquanto Fiona descansa da noite de trabalho (da qual só pode ser acordada em caso de fractura exposta e muito, muito sangue!), Debbie (Emma Kenney) ocupa-se da creche clandestina que montaram, sempre disposta a ajudar a irmã no que for preciso e demonstrando que continua a menina pequena mais madura de sempre.
Mas porque todos os negócios são legítimos para ganhar dinheiro – e especialmente porque os ilícitos são os mais divertidos! -, Lip divide-se em dois: por um lado, o “clube de combate”, que com as apostas rende algum dinheiro; por outro lado, a venda de droga produzida por Kevin (Steve Howey) ao volante de uma carrinha de venda de gelados. Ainda que continue a desperdiçar a sua inteligência, Lip tem mantido ligações ao ensino superior, nomeadamente através do contacto com o professor que na temporada anterior se mostrou interessado no seu intelecto. Gostava que a personagem seguisse o caminho académico ou que quisesse seguir mas não conseguisse por falta de oportunidade/disponibilidade, pois parece-me que, mesmo que apenas temporariamente, é uma situação que vale a pena explorar.
Já o Ian (Cameron Monaghan) não teve muito para fazer durante o episódio e o que teve não me entusiasmou minimamente. Tudo continua igual na vida da personagem: continua a trabalhar para o Kash (Pej Vahdat) e para a mulher e continua a querer seguir a carreira militar. Só se salvaram os momentos de interacção com Lip – que são sempre bons, aliás, resultado da química entre os actores -, porque toda a história da fuga de Kash foi desinteressante. Ainda bem que o Mickey, segundo a Mandy (outra coisa que mudou entre uma temporada e outra: a actriz que faz de Mandy!), vai sair da prisão brevemente para agitar o mundo de Ian.
Fiona: Gallaghers pay their debts.
Como não poderia deixar de ser, a conclusão foi agridoce – algo de que a série, espero, nunca irá abdicar. Como sempre, é Fiona quem salva o dia: dá uma lição de coragem a Frank e resgata Liam, pagando a dívida do pai com a droga extra que Kevin cultivou (quem diria que os Gallaghers e os Lannisters tinham tanto em comum?). Era altura para um final feliz, aparentemente. Contudo, o episódio só termina na pista de corrida, com Fiona a imaginar “o que poderia ter sido”, as oportunidades que perdeu com a escolha de cuidar dos irmãos mais novos que fez quando a mãe abandonou o lar. E quem melhor do que o demonstrar nos pequenos detalhes, como um brilhozinho súbtil nos olhos, do que Emmy Rossum? Esta jovem perdeu uma juventude e perdeu uma possível carreira desportiva, sendo este um sentimento que nem uma lareira acesa a arder erva consegue fazer esquecer!
“Summertime” foi o pontapé de partida para o Verão dos Gallaghers, um Verão que se avizinha promissor e quente em gargalhadas. Que bom que é que “Shameless” está de volta!





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Já tinha muitas saudades desta série!! E gostei bastante do episódio.
Bom regresso para Shameless. Já estava com saudades.
o único defeito para mim foi não terem dado o Eddie como morto e sim desaparecido, não estou a ver em como isso pode ser relevante para os próximos episódios.
A primeira imagem do episódio é um cartaz de um concerto a ser fixado em cima dos panfletos que dão o Eddie como desaparecido, por isso eu acho que, à semelhança, a série não mais vai abordar esse assunto. A mulher e a filha já não querem saber, por isso… acho que não é relevante a forma como ele desapareceu. Digo eu! ;D
Tao bom q foi
Anyway, os dois irmãos ganharam um cabedal e a Fiona ta cada vez mais b.. gira!
Ser pobre causa destas coisas… not
Tantas saudades!!!
Adorei o episódio.
As gargalhadas que não dei quando percebi o que o Frank foi fazer ao bar e depois aquela fila de homens. LOL