[SPOILERS] “Finders keepers, losers weepers”. O lema dos Gallaghers, proferido durante o episódio por duas vezes, uma por Frank (William H. Macy) e outra por Fiona (Emmy Rossum), expressa bem a forma como esta família vive o dia-a-dia, num periclitante equilíbrio entre a moralidade das escolhas que fazem e a necessidade de alguns comportamentos que os permitam ultrapassar os obstáculos da difícil rotina.
Ao longo destes três primeiros episódios, Fiona tem sido testada. Testada com Jasmine (Amy Smart) e os vários pretendentes que ela lhe impinge, a maior parte deles casados e cheios de dinheiro, e testada, neste episódiom com uma Louis Vuitton “recheadinha” que encontra no metro. Se o seu primeiro instinto é gastar o dinheiro, pagando o almoço aos irmãos e amigos, rapidamente os remorsos se apoderam e a consciência fala mais alto. Restituir a dona da mala é o certo a fazer; Fiona sabe-o e tenta incuti-lo aos mais novos, apesar do exemplo em contrário que representa Frank. Por outro lado, também sabe que resistir a ir para a cama com Craig Heisner (Taylor Kinney), uma paixoneta de adolescente, seria a coisa certa a fazer, visto que ele é casado. Contudo, quando, apesar das suas boas intenções, a vida lhe traz alguns dissabores, na forma de desagrado e acusações por parte da dona da mala, Fiona desiste de resistir aos impulsos e dá ouvidos ao progenitor: “it’s every man for himself”.
É pena que a realização de um sonho, embora muito ansiado e fantasiado, por vezes não corresponda às expectativas. Há que ter muito cuidado com o que se deseja, sempre ouvi dizer. E se este seu erro a fez lembrar de Steve (Justin Chatwin), então é caso para dizer que há que ter ainda mais cuidado! Ou será que não? A verdade é que, ainda que com todos os seus defeitos, a presença de Steve sempre foi benéfica para Fiona, já que, anteriormente, ela nunca tinha estado tão à deriva como parece estar neste começo de temporada. De qualquer das formas, Steve, a apreciar uma bela estadia numa qualquer praia tropical com a melhor das companhias, não parece ter muita vontade em regressar a Chicago. Ou estarei enganado?
O que se segue agora na vida de Fiona? A mim parece-me cada vez mais claro que se está tudo a alinhar para que Fiona aceite um “trabalhinho” ao lado de Jasmine, com um qualquer amigo bem-sucedido de David. Se ao menos Fiona desse ouvidos mais vezes às sábias palavras de Veronica (Shanola Hampton) – uma personagem que está a crescer a olhos vistos e que rouba qualquer cena em que aparece! -, talvez se conseguisse livrar da má influência que esta sua nova amiga é.
Frank: You know what’s wrong with the organ transplant system? If you’re waiting for a new organ, you are just interfering with God’s plan. God’s plan is that you take what we are given and don’t complain. No one is satisfied with what they have anymore. Always trying to get something better. (…) If you’ve got a bum heart, that’s your lot in life. Don’t take someone else’s. It’s not yours. She got along with her heart all these years. Why’s she got to be greedy and want another one?
A diferença entre Fiona e o pai é que este último não resiste aos seus impulsos. Nunca. Se no episódio passado temi pelo que Frank pudesse ser capaz de fazer, este episódio veio para confirmar as minhas preocupações: o Gallagher matou a Butterface (Mollie Price). Porém, neste episódio a situação foi tratada de forma muito mais clara, divertida e, na parte final, com alguma emoção. O Gallagher arrependeu-se (tal como Fiona) e isso, não justificando o acto, faz a diferença para mim, como espectador. Ele pode ser o maior burlão da história, o pai menos responsável, a pessoa com menos escrúpulos que existe, etc., etc., mas é também alguém que não consegue matar outra pessoa de espírito livre: começa por elaborar na sua cabeça uma teoria sobre o porquê de ser contra o sistema de transplantes – e eu acho que uma parte de si acredita efectivamente no que está a dizer! -, e só depois comete o erro. E, mesmo assim, por vezes, muito raramente, arrepende-se. Isso faz toda a diferença.
Ainda por cima, desta vez a situação desenrolou-se de forma muito mais engraçada! O Frank a roubar o anel que seria para Karen (Laura Wiggins) e a gozar descaradamente com o seu namorado noivo, o pedido de casamento com o anel a não servir e a cena da morte de Dottie, tão estranha e ao mesmo tempo tão divertida, são cenas que me fizeram rir e, por isso, valeram a pena.
Será que o Gallagher vai cumprir o que prometeu a Dottie? Será que vai acender uma vela em seu nome todos os dias? Pelo bem da solvência financeira da igreja local, é melhor que não o faça!
Entretanto, Debbie (Emma Kenney) também está absolutamente imperdível, com a sua obsessão com a morte. Após o vislumbre do cadáver de Harry no lar de idosos, Debbie não consegue deixar de pensar no assunto. A sua interacção com a Ethel (Madison Davenport) no almoço, o facto de agora se vestir toda de preto, a música deprimente que ouve… é tudo só uma fase. Mas uma fase que representa o quanto Debbie tem vindo a crescer e como, rapidamente, se transformará numa adolescente.
Os escritores souberam aproveitar esta onda e colocaram Debbie a tranquilizar o pai no Alibi, após a morte de Dottie. Foi uma boa forma de pôr um ponto final nesta história e, claro, um dos melhores momentos de todo o episódio. Afinal, não é todos os dias que vemos o Frank numa demonstração de afecto tão clara como esta: um sorriso sincero direccionado a um dos descendentes. É também por isso, pela montanha russa de emoções que nos proporciona, que este episódio é o único da corrente temporada até ao momento que eu posso classificar como verdadeiramente surpreendente.






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Estes três episódios, para mim, não estão a corresponder ao que esperava. A Fiona está, como muito bem dizes, à deriva, e a série acompanha-a. As histórias sucedem-se, quase como se de sketches, e a série perde algum do seu encanto. Não sei se o Steve é o elemento que irá meter isto na ordem, mas olha, qualquer coisa agora seria bem vinda.
Quanto ao Frank… não estejamos aqui com preciosismos. Ele matou uma pessoa. E nada o conseguirá redimir. Eu sei que as situações em que o Frank se mete são um pouco do encanto da série, mas há que ter peso, conta e medida. Se vamos ao 3º episódio e ele já matou alguém, o que irá fazer durante o resto da temporada? As acções têm de ter consequências, não podemos deixar a coisa simplesmente andar assim, se não a história vai cair em exageros, e a personagem passar a ser totalmente irreal. Assim um pouco ao estilo “Weeds”.
Gosto cada vez mais da Veronica, estou para ver o que vai acontecer com esta história do bar.
Sim, ele é um assassino a partir deste momento. Mas, por outro lado, se pensarmos bem, o que ele fez a Dottie não é assim tão mais grave do que ele faz durante todos os outros episódios. A essência da personagem é esta total falta de escrúpulos. E cada vez mais acho que as suas histórias não são escritas de forma a que nós sejamos capazes de simpatizar com ele. Acho que o único objectivo é divertir-nos. Os filhos é que são o coração da série.
Para mim, e porque isto é uma série de televisão, o facto de ele se ter arrependido atenua o acto e faz-nos crer que no futuro o Frank não vai mais enveredar por esses caminhos. Acho que até ele se apercebeu de que atingiu o limite. Enfim, pelo menos é nisso que eu quero acreditar…
o que ele fez a Dottie não é assim tão mais grave do que ele faz durante todos os outros episódios.
Discordo totalmente. O Frank nunca tinha morto ninguém. Até este momento.
Divertir os espectadores é um coisa, mas a diversão não deve ser exagerada, pois isso faz com que a personagem deixe de ser “real” e passe a ser um arquétipo qualquer.
Sinceramente não me parece que o Frank tenha percebido que atingiu o limite, não da forma como acabou o episódio.Para mim ele irá continuar a fazer o que quer sem que haja consequências. E isso não é saudável nem para uma história nem para uma personagem.
Okay, literalmente a morte de uma pessoa é pior do que tudo o resto que ele já fez, sim. O que eu quis dizer foi que em todas as outras histórias anteriores ele demonstrou uma igual falta de consciência e o mesmo grau de egoísmo. Ele sempre foi assim. E o facto de ele ter morto uma pessoa não nos devia chocar, tendo em conta o que já conhecemos. Mas choca (também me chocou a mim), porque estamos sempre à espera que o Frank desça à terra… eu acho que isso nunca vai acontecer, ou pelo menos não tão cedo.
Neste momento, ele vai continuar a ser assim, claro. Mas acho que esta situação o veio alertar para o facto de que há limites. Ele percebeu-o. Não mais vai fazer algo TÃO mau, espero. Foi um primeiro passo para reconhecer que está errado: arrependeu-se. E o arrependimento não poderia vir de um simples roubo; o Frank tinha que bater no fundo.
Agora espero é que não comecem a escavar um fundo maior do que este, aí sim tornar-se-ia irreal…
Acho que foram longe de mais. O Frank a matar a Dottie só para ter o dinheiro não teve nada de engraçado, a meu ver e já compreendo o que o joao queria dizer no episódio anterior sobre a série estar a abrir um precedente perigoso.