[SPOILERS] No meio é que está a virtude e no caso de “Justified” está também a faísca. O início de um rastilho que se acendeu e que agora só rebenta no fim. Já não há volta amigos, os dados estão lançados, e é do género carrinhos de choque: todos contra todos.
Esta temporada está de tal forma (bem) estruturada que o início dos confrontos foi guardado para algures a meio caminho. Estamos lá, mais coisa menos coisa, e este “When the Guns Come Out” é o ponto sem retorno. Tivemos direito às introduções, às apresentações e agora, de forma audaz, acabaram-se os olás. Já todos se conhecem e nós já sabemos o que todos querem.
Arrancamos a todo o gás com mais um banho de sangue. Assim, como tem sido hábito, sem prévio aviso. Boom, boom. A clínica de Oxy de Boyd (Walton Goggins) é atacada, sob o olhar amedrontado de uma prostituta. Fica uma testemunha e fica a questão: quem ordenou este ataque? E mais uma vez, é extraordinária a forma como “Justified” consegue fazer tanto com tão pouco. Em menos de uma hora este sexto episódio faz pelos thrillers policiais mais que os últimos dez anos de cinema do género.
O esquema segue a clássica investigação porta a porta com um detective ressacado ou destroçado. No caso de Raylan (Timothy Olyphant) a opção é a segunda pois Winona (Natalie Zea) deixou-o, mais uma vez. Somos assim guiados por uma homem que precisava de fugir, que quer estar além , mas tem de estar ali. A fazer o que sempre fez: combater o crime. Esse toque de desespero, de insatisfação e esgotamento, foi oferecido na perfeição.
Os maus continuam muito maus, melhores que nunca: Quarles (Neal McDonough) continua a arrepiar, quer seja pela descontracção, quer seja por a vítima secreta amarrada à cama e Limehouse (Mykelti Williamson) continua a encher uma sala, com a sua postura de velho da terra obrigado a partir para guerra porque um dos seus fez porcaria. Um dos seus foi o responsável por iniciar o incêndio, por colocar duas partes rivais em guerra. É o fim de um descanso e existe aqui um contraste interessantíssimo: por um lado o homem da cidade que quer criar novos negócios, por outro o homem do campo que quer ficar no seu canto, com aquilo que sempre foi seu. No meio disto tudo dois anti-heróis, de lados separados da lei.
Foi mais um episódio muito sólido, carregado de boa acção e bom mistério. É praticamente impossível fazer melhor.





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