[SPOILERS] Esta semana, os Gallaghers preparam-se para a chegada do novo ano lectivo. Será que nos estaremos a despedir do Verão da série? E, mais importante, será que estaremos diante de mudanças realmente significativas ou diante de “mais do mesmo”?
Frank: We could put a hit out on her.
Fiona: She’s your mother.
Frank: Oh, like you haven’t thought about doing that to me before.
Peg (Louise Fletcher) continua a infernizar a vida de Frank (William H. Macy) e, apesar de um primeiro período de simpatia e conveniência, a infernizar também a vida de Fiona (Emmy Rossum), quando decide montar um laboratório de metanfetaminas com a ajuda de Carl (Ethan Cutkosky). Assim, tendo em vista tirá-la das suas vidas, Frank e a filha mais velha unem-se pela primeira vez, como já previa o final do episódio anterior. Nada como um adversário comum para aproximar dois velhos inimigos!
No entanto, parece-me que Peg, embora provocando vários problemas, tem boas intenções: à sua maneira, demonstra ao Carl qual é a sua verdadeira vocação, cessa com a disputa entre Lip (Jeremy Allen White) e Ian (Cameron Monaghan) e não hesita em oferecer presentes ou dinheiro quando algum dos netos precisa. É claro que a descoberta de que vai morrer, não a tendo mudado completamente – burro velho não aprende línguas -, pelo menos colocou-a no caminho da redenção. Redime-se, pois, da maneira como sabe, de acções menos adequadas que tomou ao longo da vida, nomeadamente da forma como criou Frank. Em termos de entretenimento, a história foi interessante, especialmente porque nos permitiu ver a Fiona e o Frank a ajudarem-se um ao outro; contudo, não conseguiu ter piada. Não obstante, as interacções entre o Carl e a avó, que foram mais esporádicas, fizeram-me as delícias. Que duo tão engraçado. Resta agora saber como vão os Gallaghers reagir à morte de Peg e, em especial, como irá Frank reagir…
Fiona, embora ainda continue perdida no meio de tantos pretendentes, sofre após a descoberta de todas as mentiras que o Steve-Jimmy (Justin Chatwin) lhe contou desde que se conheceram. Sofre com a sua ausência, mas, depois de tudo o que veio a saber, não consegue voltar a confiar. E depois da visão que foi ver o Jimmy de fio dental – WHAT THE FUCK? - quem a pode realmente culpar?!
Jasmine (Amy Smart) convida o grupo todo para uma festa no iate do amante e é aí que, aproveitando a fragilidade de Fiona, se aproveita para lhe roubar um beijo. Fiona fica sem saber o que pensar, mas, eventualmente, quando a volta a encontrar e esta lhe pede para ficar a viver em sua casa, decide pôr um ponto final na estranha relação. Gostei de ver a Jasmine a ser enxovalhada, ignorada por todos e sozinha. Será que vai parar por aqui? Ou será que, agora que a Fiona a rejeitou, vamos ver um novo lado desta mulher? Aqueles gritos de fúria no fim parecem-me responder à questão… só o tempo o dirá…
Entretanto, o triângulo amoroso Lip/Karen (Laura Slade Wiggins)/Jody (Zach McGowan) transforma-se levemente. Karen apercebe-se que não suporta o Jody nem a sua vontade de chorar após fazerem amor – WHAT THE FUCK? [2] – e expulsa-o de casa, voltando a envolver-se com Lip. A parte do episódio em que se goza à força toda com o Jody e a sua fraca personalidade foi hilariante, mas, se pensarmos bem e olharmos para o que estava a acontecer no episódio anterior, esta história não faz sentido nenhum. Na última vez em que se viram, Lip tinha-lhe dito que queria que fizesse um aborto e Karen esbofeteou-o; neste episódio, encontram-se os dois como se nada tivesse ocorrido e congeminam para se verem livres de Jody. Embora eu não acredite que o Lip quisesse mesmo que a Karen abortasse, nunca pensei que tão cedo confessasse que iria desistir da escola para criar o filho. Achei que faltou coerência a esta história. Para além de que não acho que a relação entre a Karen e o Jody vá terminar tão depressa. Afinal, o actor foi contratado para a terceira temporada como regular, por isso esta discussão deverá ser apenas passageira e, nesse sentido, absolutamente desnecessária.
A história que mais me agradou, como já vem sendo recorrente, foi a que envolveu o Kev (Steve Howey) e a Veronica (Shanola Hampton). Se Kevin mostra-se desde cedo magoado com a partida de Ethel, Veronica começa por se mostrar absolutamente indiferente, só para mais tarde se confessar desolada. Foi bom ver como a menina que acolheram, que era no início apenas uma forma de ganharem dinheiro, a conseguiu conquistar, sem que ela se apercebesse ou quisesse admitir. A cena no jardim, com uma Veronica bastante fragilizada – pela primeira vez na série, se não estou em erro – é impactante exactamente por isso, por ser a Veronica, uma das personalidades mais fortes e confiantes da série. Ao mesmo tempo, a cena abre novas possibilidades para o casal. Será que ainda antes do final da temporada veremos uma Veronica grávida? Kevin é sem dúvida a pessoa mais preparada para essa tarefa, como este episódio evidenciou várias vezes, seja na tristeza pela ausência de Ethel, seja pela necessidade de cuidar de Stan e na relutância em enfiá-lo num lar de idosos. Por isso mesmo, não me admirava que o destino lhes guardasse um bebé para um futuro recente.
Ian: I’m sick of living in your shadow.
Lip: Who the fuck’s asking you to?
Ian: It’s hard not to when all my clothes are hand-me-downs.
Lip: Yeah well, it’s not my fault I was born first or… more handsome or… smarter.
“Shameless” é sempre um prazer, nem que seja pelos diálogos aguçados, mas neste “A Bottle of Jean Nate” nem esses conseguiram ser excepcionais como habitualmente. O sentimento foi o de que nenhuma história conseguiu combinar com as restantes, como se não tivessem nada a ver umas com as outras – não houve nenhuma ideia de conjunto, do todo, ou qualquer sentimento de coesão. Para além disso, praticamente nada mudou. Foi um completo filler. O Lip e o Ian fizeram as pazes, sim, mas era óbvio que isso iria acontecer e, no fundo, a série continua a mesma, com eles chateados ou não. De resto, basicamente tudo permaneceu como estava.





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Concordo contigo. Dá a impressão que poderia ser mais.
Sobre Karen e Lip dizes o seguinte “mas, se pensarmos bem e olharmos para o que estava a acontecer no episódio anterior, esta história não faz sentido nenhum.” Ao qual eu acrescento que por não fazer sentido é que faz todo o sentido lol A Karen só pode ser bipolar ao algo parecido porque ela é sempre assim num minuto é santa no outro é uma P-TA, numa semana quer assentar, na outra só se quer divertir com o Lip. Ela sempre foi assim, e penso que foste tu que já escreveste que não dá para perceber se gostamos dela ou não, por isso mesmo ela é a personagem mais inconstante da série. Ora se o não fazer sentido é o recorrente, quando começar a fazer sentido aí é que estão a ir contra o que a personagem é e começa o sentindo a não fazer sentido eheh
Bom texto, episódio mediano…
Bom ponto de vista, mas não se aplica ao Lip. Ele não é seguramente tão instável como a Karen e neste episódio, sem explicação, voltou a encontrar-se normalmente com ela, como se nada se tivesse passado nos episódios anteriores, como se não tivessem andado zangados a maior parte do tempo. Sim, ele gosta dela, mas mesmo assim achei que faltou um momento de reconciliação ou pelo menos de tréguas…
Sim concordo. O grande problema foi a instabilidade da Karen arrastar-se ao Lip.