[SPOILERS] “A Better Man” foi um episódio de primeiras. A primeira vez que o Bruce Greenwood teve um papel mais proeminente ao longo de um episódio. A primeira vez que um dos membros da desaparecida equipa do Dr. Emmet Cole dá sinais de vida. A primeira vez que me deixou algo aborrecido, e por várias razões.
Uma delas, e a qual não me levou a desfrutar tanto deste episódio como dos outros, foi a história que o mesmo se propôs a contar, nada mais que um recontar de uma história já recontada mil e uma vezes. O mesmo se poderia dizer do episódio anterior, mas enquanto essa história me fez remontar para filmes de aventura pelos quais hoje tenho muito carinho, a história deste episódio fez-me remontar para filmes pelos quais não tenho o mínimo de respeito. Toda a questão do “tecnologia captura alma” não só é um cliché mas, pior que tudo, uma premissa que sempre achei ridícula. É uma metáfora, eu sei, uma forma de brincar com o facto da tecnologia ter vindo desmistificar alguns mitos urbanos e outras alegorias relacionadas com o sobrenatural, mas a mim sempre me pareceu algo descabida esta relação tecnologia/sobrenatural.
Na continuação da busca pelo Emmet e a sua equipa, a tripulação do Magus encontra um dos operadores de câmara desaparecidos, Jonas (Scott Michael Foster), enforcado numa árvore. Só que, apesar de estar desaparecido há meses, ele ainda está vivo e ao ser levado para bordo do Magus leva consigo a ira da selva, ira essa manifestada através de chuvas de pássaros mortos, nuvens de insectos e autênticas monções.
O episódio, tal como os anteriores, teve ritmo. Ritmo realmente é coisa que não lhe falta, mas esse é talvez um dos seus problemas. Menos ritmo e mais caracterização dos personagens bem como um solidificar da narrativa eram ideais. Neste episódio, eles dão-se ao trabalho de dar a conhecer o novo personagem que estão a introduzir, mas, no final, ele decide agir exactamente da forma contrária àquilo que nos tinham mostrado até ali (decide ser altruísta quando tudo até ali mostrara que ele era completamente egoísta), ao optar por se sacrificar em prol da sobrevivência de um grupo de pessoas que minutos antes dele o fazer estavam dispostas a abandoná-lo de novo na selva. Outro problema que tive com o episódio em termos de caracterização de personagens vai ao encontro de que a maioria daquelas pessoas por quem nos pedem para torcer estavam dispostas a abandonar um jovem na selva só para se salvarem a si próprias.
Durante a tentativa de suicídio do Jonas, o telemóvel que tinha capturado a alma do ancião parte-se e liberta a mesma. A selva não o queria, apenas queria que a alma fosse libertada (daí talvez advenha o facto de o ter conservado vivo durante todo aquele tempo). E foi isto, e é aqui que encontro um dos maiores problemas que identifico à série neste momento: a resolução das suas histórias. No primeiro episódio, faz-se uma ferida numa mão, escorre-se sangue para dentro duma espécie de recipiente de madeira e resolve-se o problema. No segundo episódio, desenterra-se um esqueleto e coloca-se o mesmo dentro dum charco e resolve-se o problema. No terceiro episódio, faz-se um discurso e mostra-se vontade de se sacrificar pelo resto da equipa e resolve-se o problema. Neste quarto episódio, parte-se um telemóvel, libertando uma alma, e resolve-se o problema. E isto leva-me a crer que tudo o que seja elemento sobrenatural se contenta com pouco…
A série deveria tentar ser mais original nas histórias a que se propõe a contar, tentar solidificar a narrativa ao invés de colocar os personagens a correrem de um lado para o outro durante quase a totalidade dos episódios, dar espaço aos seus personagens para respirar (tal como aconteceu por breves instantes no início deste episódio) e, especialmente, não optar pelas saídas previsíveis e fáceis na altura de a encerrar a história. “The River” tem bastante potencial mas deveria aproveitá-lo bem melhor do que isto.





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