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	<title>TVDependente &#187; Battlestar Galactica</title>
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	<description>Onde a televisão é levada a sério</description>
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		<title>Battlestar Galactica: 4&#215;19 &#8211; 4&#215;20 &#8211; Daybreak, Parts 1 and 2 (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 14:27:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] &#8220;Dei Kobol una apita uthoukarana / Ukthea mavatha gaman kerimuta / Obe satharane mua osavathamanabanta / Api obata yagnya karama” Acabou. &#8220;Battlestar Galactica&#8221;, uma das melhores e mais interessantes séries feitas nos últimos anos, chegou ao final. E acho que nenhum de nós conseguiu ainda assimilar esse facto. Para trás deixou seis anos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> &#8220;<em>Dei Kobol una apita uthoukarana / Ukthea mavatha gaman kerimuta / Obe satharane mua osavathamanabanta / Api obata yagnya karama</em>”</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-7280"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Acabou. &#8220;Battlestar Galactica&#8221;, uma das melhores e mais interessantes séries feitas nos últimos anos, chegou ao final. E acho que nenhum de nós conseguiu ainda assimilar esse facto. Para trás deixou seis anos de drama e ficção científica, de batalhas espaciais e reflexões, de política, religião, mitologia, guerra. Seis anos de grandes histórias, de grandes mistérios, de choques e alguns erros. Seis anos que nos obrigaram a pensar, a confrontar os nossos ideais, a aceitar os nossos defeitos. Seis anos que não vamos conseguir mais esquecer.</p>
<p style="text-align: justify;">A entrada nesta recta final há muito esperada trazia consigo uma grande expectativa. Seriam três horas suficientes para resolver todos os mistérios em aberto, para dar uma conclusão digna a histórias e personagens marcantes? Seriam três horas suficientes para nos fazer esquecer os vários erros e desvios percorridos neste final? A dúvida era grande, e o final foi certamente controverso, com dois campos bem distintos – os que adoraram, e os que saíram desapontados. Deste lado, ao sentimento de angústia pelo final da série aliou-se a incredulidade por algumas das opções tomadas, a raiva pelo desrespeito de alguns cânones, e a tristeza pelos mistérios que nunca serão resolvidos. Mas, ao mesmo tempo, ficou também a certeza de que nunca mais se irá conseguir esquecer esta história… por muitos anos que passem.</p>
<p style="text-align: justify;">Três episódios, três horas, três focos distintos. A opção de dividir esta recta final em três episódios foi certamente uma aposta interessante, permitindo a <a href="http://www.imdb.com/name/nm0601822/">Ronald D. Moore</a> unir a contemplação, a acção e a resolução; relembrar o passado, mostrar o presente e preparar o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O passado</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>How do we measure loss? How do we measure loss? We measure it in the faces of the dead. The faces that haunt our memories and our dreams. How do we measure loss? We measure it in our own faces. The ones we see in the mirror every day. Because it has marked each of us.</em>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify;">Se chocar desde início era o que queriam, a abertura da primeira hora da final foi certamente uma das maiores surpresas que &#8220;Battlestar Galactica&#8221; já nos apresentou. O regresso ao passado, a uma Caprica antes do Holocausto, não só nos dá a oportunidade de ver os belíssimos cenários que construíram para a série com o mesmo nome que irá estrear para o ano, mas também a oportunidade de saltar para dentro da mente das nossas personagens favoritas, de ver as perdas que sofreram e as escolhas que tomaram. Uma opção que pode parecer estranha na recta final, estes <em>flashbacks</em> foram, por um lado, interessantes, ao mostrarem-nos diferentes facetas de personagens que há muito julgamos conhecer, mas por outro… por outro acabam por parecer tempo desperdiçado. Será que ver que a atracção entre Lee (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0051397/">Jamie Bamber</a>) e Kara (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0755267/">Katee Sackhoff</a>) esteve presente desde o início era mesmo necessária? Que ver que a tragédia que rodeou Laura Roslin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001521/">Mary McDonnell</a>) foi a razão que a levou a virar-se para a política, que a possibilidade de deixar o serviço militar foi algo que Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001579/">Edward James Olmos</a>) contemplou seriamente, e que Baltar (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0130536/">James Callis</a>) tem no seu armário esqueletos bem mais antigos do que pensávamos, eram assim tão importantes para o desenvolver da história?</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos argumentar, tal como Moore o fez, que “Battlestar Galactica” sempre foi mais do que uma mera história, mais do que um conjunto de cenas de acção com uma trama por detrás; que, pelo contrário, sempre foi mais sobre as personagens e sobre as suas escolhas. Podemos argumentar isso, e podemos até aceitá-lo… mas não podemos usá-lo como desculpa para ignorar o fio condutor que, desde a primeira temporada, guia esta história. “Battlestar Galactica” sempre foi uma série de destaque pela soma das suas partes – uma história intrigante, recheada de mistérios, com personagens magnificamente interpretadas por grandes actores. Se retiramos um dos elementos, ficamos com uma série mais pobre… e com muitos fãs descontentes por essa galáxia fora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O presente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>It&#8217;s about perfection, that&#8217;s what it&#8217;s about. It&#8217;s about those moments when you, when you can feel the perfection of creation, the beauty of physics, the wonder of mathematics, you know, the elation of the action and reaction. And that is the kind of perfection that I want to be connected to.</em>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify;">Das escolhas do passado para as do presente, o salto é pequeno. A Galactica está a morrer, a tripulação prepara-se para abandonar a protectora que durante os últimos quatro anos a acolheu, e o que fica para trás são apenas as faces dos desconhecidos que já não têm quem mais chore por eles.</p>
<p style="text-align: justify;">O memorial de fotografias foi uma das imagens mais fortes que a série nos apresentou desde o primeiro episódio, aquela que maior ligação estabeleceu com a nossa realidade, e aquela que marcou todas as personagens desta série. Neste memorial figuraram fotografias de familiares, amigos e colegas perdidos no ataque às colónias e nas várias batalhas ao longo dos anos. Neste memorial recordaram-se Duck, Nora, Kat e Dee, reuniram-se amigos e inimigos. Junto a este memorial sentimos o desespero de Lee e Anders (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0873998/">Michael Trucco</a>) e assistimos às dúvidas de Starbuck sobre a sua verdadeira identidade. Talvez por isso, pelo impacto que este memorial teve desde início, o gesto de levar consigo as fotografias dos conhecidos na hora da partida seja bonito, mas a imagem de uma fotografia de Athena (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0661825/">Grace Park</a>) e de Hera (<a href="http://www.imdb.com/name/nm3028264/">Alexandra Thomas</a>) nele colado pareça totalmente deslocada. Quem poderá ter colocado a fotografia no memorial? Não terá sido, certamente, Helo (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0671886/">Tahmoh Penikett</a>), que ainda acredita num possível salvamento da filha, e muito menos Athena, que chora já a sua morte. Não foi, de certeza, Adama, que ao ver a fotografia ganha a coragem necessária para dar início ao ataque final às forças <em>cylon</em>. Não, a dúvida de quem colocou esta fotografia no caminho de Adama ficará para sempre no segredo dos deuses de Kobol (ou, quem sabe, de um único deus, aquele cujo nome não deve ser pronunciado), e serve apenas como catalisador para a já tradicional cena do separar das águas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os grandes discursos de Adama são uma marca desta série. Do sentido recordar dos erros do passado no início da mini-série, ao poderoso &#8220;<em>So Say We All</em>&#8221; do final da mesma, dos calmos momentos com Roslin no final das eleições até à grande despedida em &#8220;Exodus, Part 2&#8243;, os discursos de Adama nunca deixaram de surpreender, de motivar, de emocionar todos os que os ouviram; nunca deixaram de nos fazer, também a nós, espectadores, acreditar que algo de muito importante estaria a caminho. E não podemos dizer que este último discurso de Adama tenha desapontado. O problema não foi a emoção do discurso, nem mesmo ver as pessoas a escolher um ou outro lado, ver aquela linha vermelha a dividir o convés. O problema é que este acaba por transmitir uma sensação de <em>déjà vu</em>, de algo repetido, algo que já teve um maior impacto&#8230; algo previsível. As águas dividem-se, mas não trazem grandes surpresas &#8211; todos os elementos essenciais da história, todos os heróis que há quatro temporadas seguimos, fazem a escolha certa, e mesmo aqueles que de início parecem relutantes, acabam por aceitar o seu papel e passar para o lado dos anjos, tal como estava predestinado. Ao ouvir este discurso, é impossível deixar de pensar no anterior de &#8220;Exodus&#8221;, e nem mesmo a chegada de uma debilitada Roslin, que não poderia nunca abandonar aqueles que mais ama, consegue fazer-nos esquecer o momento bem menos grandioso mas mais sentido da despedida das tripulações da Galactica e da Pegasus, a imagem de uma outra linha marcada no chão que todos, em conjunto, apagaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Tentando apagar das nossas mentes o absurdo facto que o destino do que resta da humanidade se encontra agora nas mãos do namorado do Gaeta, o recém-nomeado Almirante Hoshi (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0238694/">Brad Dryborough</a>), e do presidente Romo Lampkin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0791968/">Mark Sheppard</a>)*, a preparação do ataque à Colónia traz consigo um facto bem curioso, algo que, mais uma vez, nos obriga a pensar no destino da humanidade e dos <em>cylons</em> enquanto raças distintas. A transformação de Anders num híbrido foi uma das ideias mais interessantes desta recta final da série; depois de, durante anos, ser visto apenas como &#8220;o gajo que a Starbuck anda a enganar&#8221;, o Anders ganhou uma nova dimensão quando descobriu que era um dos famosos <em>Final Five</em>, detentor de um quinto dos mistérios desta história. Desde o seu ferimento no &#8220;The Oath&#8221;, vinha a caminhar no sentido de uma existência cada vez mais mecânica, mas o seu despertar há uns episódios atrás foi uma boa surpresa, uma evolução que prometia algo excitante para a história. E mesmo que a sua trama não tenha sido tão importante como de início se julgava, a imagem de Anders, como híbrido, ligado aos controlos da Galactica no meio do CIC, é arrepiante. Depois da mistura da tripulação, depois de ver o seu casco ligado por material orgânico, a chegada do híbrido Anders é o momento em que a Galactica ganha vida, tal como as <em>basestars</em>. Poderia-se, assim, ter regressado à questão sobre o que significa ser humano, que tão debatida foi nesta série. Mas o caminho escolhido foi outro, e o destino deste híbrido acaba por ser bem diferente do que originalmente imaginado.</p>
<p style="text-align: justify;">[<em>*Ninguém?? Não haveria numa frota de 35.000 pessoas ninguém mais qualificado para ser presidente do que o homem que vê fantasmas de gatos?! Então e o Boxey? Podiam ter escolhido o Boxey!</em>]</p>
<p style="text-align: justify;">Se a evolução do Anders foi inesperada, já a mudança de atitude à última hora de Baltar era mais do que óbvia. Terá alguém realmente acreditado que Baltar não iria ficar na Galactica para a batalha? Tirando o facto de ele estar presente, desde o início, na visão da Casa da Ópera, as suas  mudanças de personalidade ao longo desta quarta temporada tornavam óbvio que ele iria ficar até ao final&#8230; mesmo que isso fosse, de certa forma, contrário à personalidade da personagem. De presidente a prisioneiro, de homem da ciência a homem da fé, Baltar teve mais personalidades distintas do que qualquer Pretender, sem nunca parecer realmente confortável em nenhuma delas. Baltar mantém-se, do início ao fim, um mistério. Nunca chegamos a saber o que realmente sente, quem realmente quer ser. O Baltar que vimos, por breves momentos, na prisão da Pegasus, junto de Gina, poderia ser o verdadeiro Baltar, mas rapidamente é substituído por uma nova reencarnação, alguém que não pensa nas consequências dos seus actos, no destino que sela para os humanos em New Caprica, nos ânimos que agita ao falar do deus único, ao pôr armas nas mãos de civis fanáticos. O seu arco nesta quarta temporada, sem qualquer direcção óbvia, acaba por confluir com a trama principal da forma mais simples &#8211; escolhendo permanecer a bordo da Galactica, de forma inexplicável, para a batalha final onde é colocado, por sorte, junto de Caprica Six (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1065454/">Tricia Helfer</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Roslin e Adama, Tigh e Ellen, Kara e Lee&#8230; todos estes casais mostraram dinâmicas muito interessantes nesta série, mas nenhum deles se compara ao casal Baltar e Six &#8211; em todas as suas encarnações. A primeira Six que tivemos o prazer de conhecer nada mais era do que a típica <em>sexybot</em>, a mulher-fatal com os seus vestidos arrojados, presente na série para fazer as delícias dos <em>fanboys</em> mais ardentes. Mas, ao longo desta viagem, a Six que conhecemos mudou, evolui, passou a mostrar personalidades distintas que nos permitiam identificá-la mais facilmente do que através de qualquer penteado. Deixando de lado versões que rapidamente desapareceram, como Gina, Natalie e Sonja, a Caprica Six que agora vemos é totalmente diferente daquela que, nos <em>flashbacks</em> de Baltar, recordamos. Esta Caprica Six passou pelo horror do <em>download</em>, acordando para uma nova realidade em que se tornou a heroína de uma raça onde todos eram, até então, iguais. Esta é a Six que conseguiu unir os <em>cylons</em> em torno de um novo sonho &#8211; viver em harmonia com os humanos em New Caprica -, para rapidamente o ver desmoronar. Esta é a Six que arriscou tudo pelo amor da sua vida &#8211; Baltar -, mas que por ele foi traída. Esta é a Six que traiu a sua raça para salvar Hera, que seduziu Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/">Michael Hogan</a>), que carregou dentro de si o potencial futuro da raça <em>cylon</em> e que, no final, se encontra tão sozinha como de início. E porque, numa série onde a história se repete, o destino não poderia ser outro, ver Caprica Six e Baltar reunidos no final, prontos para concretizar a visão que há muito esperamos, é algo que não podemos deixar de desejar. Infelizmente, tudo isto teria tido muito mais impacto se, em vez de passar o tempo nas várias camas do seu culto, Baltar tivesse, em qualquer episódio desta quarta temporada, pensado em Caprica Six, ou se esta tivesse referido Baltar em qualquer das suas falas. Mas porque não podemos mudar o percurso desta história, a oportunidade de vê-los reunidos no final, a concretizarem a tão esperada visão da Casa da Ópera, no meio de uma batalha sangrenta, acaba por fazer-nos esquecer de algumas destas incongruências.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a primeira parte de &#8220;Daybreak&#8221; foi de reflexão, de contemplação, esta segunda hora é claramente o grande momento de acção, aquele para o qual, há muito, nos estávamos a preparar. Não sendo uma série onde a acção é o foco principal, &#8220;Battlestar Galactica&#8221; habituou-nos, desde a mini-série, a grandes batalhas espaciais, momentos quase realistas que nos transportavam para o calor da batalha. Para esta despedida, não esperávamos menos do que um confronto épico entre as duas forças. Mas se para muitos fãs mais antigos, ver a Galactica a atirar-se para dentro da colónia <em>cylon</em> e, especialmente, ver duas gerações de <em>cylons</em> em confrontos físicos fosse um sonho finalmente realizado, para quem sempre gostou do lado mais &#8220;limpo&#8221;, mais realista destas batalhas, o confronto final acaba por ser desapontante. Sim, ver os <em>raptors</em> a partirem para o assalto do museu que tão bem conhecemos é uma boa homenagem ao início desta história, e o prazer de ver Starbuck e Apollo de novo no seu elemento é sempre imprescindível. Mas enquanto no &#8220;Ressurection Ship, part 2&#8243;, no &#8220;He That Believeth in Me&#8221; e mesmo no &#8220;The Hub&#8221;, a forma como os combates nos foram apresentados parecia realista, neste &#8220;Daybreak&#8221; tornou-se mais difícil esquecer que o que estamos a ver são efeitos gerados num computador. Agradar a todos seria difícil, e desta vez ganharam aqueles que preferiam o épico ao realismo. Felizmente, poderemos sempre rever as grandes batalhas do passado.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto o ataque dos <em>cylons</em> destruía lentamente a Galactica por fora, dentro da colónia o resgate de Hera acaba por ser mais simples do que se pensava, graças a uma redenção final mais do que esperada. Se há personagem que consegue rivalizar com Baltar a nível de mudanças de personalidade, é Boomer. Depois de enganar tudo e todos e raptar Hera, dando origem a este confronto final, Boomer acaba por decidir terminar a sua existência do lado dos anjos, matando mais um Simon (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0941796/">Rick Worthy</a>) e devolvendo a pequena de volta aos seus pais, sendo prontamente morta por Athena. Muito embora revermos a Boomer da mini-série no <em>flashback</em> traga consigo alguma nostalgia, há muito que este modelo em particular deixou de estar junto dos nossos corações, tendo sido substituída por Athena. E, por isso, a sua morte acaba por não ter o impacto desejado. Boomer estava marcada para a morte. A sua viagem termina aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a Hera, a sua viagem ainda está no início, com o regresso à Galactica a representar o culminar de anos de suspense, de mistério, de especulações. A visão da Casa da Ópera, uma das mais marcantes do final da primeira temporada, era um dos mistérios que mais queríamos ver resolvidos, um dos momentos mais aguardados de sempre desta série. Foi nesse momento, há três temporadas atrás, que esta série deixou a categoria de drama/ficção científica, para se afirmar num patamar completamente diferente. Era, por isso, necessário surpreender com a sua resolução. E de facto conseguiram-no fazer&#8230; para o bem e para o mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixando de lado o facto de que Hera, o objectivo máximo desta missão, vagueia pelos corredores sem que ninguém a apanhe, fugindo de tudo e de todos, incluindo da mãe e de Roslin, o momento em que Baltar e Six a encontram, e em que percebemos que a Casa da Ópera é, na verdade, a Galactica, é um momento solene, tal como o é a chegada ao CIC e a revelação dos Final Five na varanda, concretizando assim a visão de D&#8217;Anna em &#8220;Rapture&#8221; . Infelizmente, a solenidade do momento é totalmente destruída momentos depois, quando Cavil (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001777/">Dean Stockwell</a>) hesita na sua vingança, agora que tem Hera em seu poder, e fica pasmado a ouvir o discurso sobre anjos de Baltar. Quem se lembra de &#8220;Quantum Leap&#8221; não pode ter deixado de soltar um grito de vitória quando, em &#8220;Lay Down Your Burdens&#8221;, descobrimos esta adição ao elenco de &#8220;Battlestar Galactica&#8221;. Um grande actor, Dean Stockwell conseguiu, ao longo das temporadas em que participou, criar uma personagem tão malévola mas, ao mesmo tempo, tão irónica, que é impossível deixar de gostar dela. Mesmo que, graças a &#8220;No Exit&#8221;, a personagem tenha ganho uma dimensão totalmente diferente, ao ser ele o génio por detrás de tudo o que se passou, sabíamos que, ao chegar a este confronto final, Cavil não iria nunca desistir de lutar. O que terá então acontecido a esta personagem tão marcante? Terá o verdadeiro Cavil morrido, sendo substituído por qualquer um dos seus clones? Sim, porque esta é a única justificação para o Cavil ouvir o ridículo discurso de Baltar sobre deus e anjos e seres de luz, para ter aceite parar o ataque quando era óbvio que poderia ganhar e por, no final, quando o plano dá para o torto e Tyrol (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234928/">Aaron Douglas</a>) vinga a morte de Cally matando Tori (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0788907/">Rekha Sharma</a>), se suicidar. Cavil podia ser muitas coisas, mas cobarde não era. O Cavil, o <em>cylon</em> frio e calculista que conhecemos em New Caprica, que arrancava olhos a torto e a direito, que sugeria um novo extermínio, teria levado consigo todos quanto possíveis antes de sucumbir a uma bala. E nunca, mas nunca, se teria suicidado.</p>
<p style="text-align: justify;">De uma acalmia breve, regressamos assim de novo ao conflito aberto, com as explosões a ameaçarem a sobrevivência de todos. Sem um plano alternativo, sem outra saída que não saltar para outro local, qualquer outro local, é a Starbuck que todos recorrem. E é Starbuck que, finalmente, concretiza o seu destino, e salva toda esta tripulação. A música que tanto a intrigou em &#8220;Someone To Watch Over Me&#8221;, a música que pai lhe ensinou em criança, a mesma música que despertou os <em>Final Five</em>, é na verdade a chave de uma sequência de coordenadas, uma sequência de coordenadas para onde Kara envia a nave. &#8220;<em>Kara Thrace is the harbinger of death. She will lead them all to their end.</em>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O futuro</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>I&#8217;ll see you on the other side.</em>&#8221; O momento em que vemos as crateras da lua, em que se desvenda aquele belo planeta azul, é o momento em que a série se destruiu, para mim. A Terra, o sonho destes sobreviventes, aquilo por que lutaram, por que desesperaram, por que morreram, era o pedaço de chão escuro, cinzento e morto que a frota encontrou em &#8220;Revelations&#8221;, que descobrimos em &#8220;Sometimes a Great Notion&#8221;. Esta nova Terra, como a intitula Adama, um planeta verdejante, com uma flora e uma fauna ricas, com humanos primitivos, não deveria existir. O universo de &#8220;Battlestar Galactica&#8221; pode não ser real, pode não ser credível em muitos pontos&#8230; mas sempre foi realista.A descoberta da solução para todos os problemas desta frota como o é esta nova Terra, representa um contra-senso quando pensamos na historia que, até aqui, nos estava a ser contada, e isso acontece devido, em grande parte, ao facto de não ser dada qualquer explicação.</p>
<p style="text-align: justify;">Os defensores poderão aqui, mais uma vez, citar as palavras de Moore, e afirmar que, na vida real, raramente temos direito a explicações, a finais muito bem arquitectados, onde tudo faz sentido. É verdade, sim. Mas também é verdade que ignorar tudo o que vem para trás, esquecer todas as dúvidas, os mistérios, as tramas que, durante anos, se desenvolveram, não é a melhor forma de terminar uma grande história. Mesmo aqueles que, como eu, defendiam um final triste e arrasador para esta história, poderiam ter aceite um final mais feliz, caso este fizesse sentido na história. Infelizmente, e mais uma vez é preciso pôr as culpas em quem escolheu o caminho para esta história, aquilo a que assistimos foi ao ignorar de tudo o que ficou por resolver, à cronologia que tanta questão fizeram de mencionar, ao papel determinante que as várias personagens tiveram e ao destino que, desde o início, nos indicaram.</p>
<p style="text-align: justify;">A Terra que os sobreviventes encontram é a nossa Terra, há 150.000 anos atrás. Nela identificamos os continentes que ainda não se separaram; é nela que os sobreviventes aterram, onde decidem viver sem qualquer tecnologia, que lhes permita recordar aquilo que perderam. É nesta Terra que os cerca de 35.000 sobreviventes das Colónias, mais umas centenas de Leobens (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0719678/">Callum Keith Rennie</a>), de Sixes e de Sharons decidem ir viver em harmonia. Um sentimento muito bonito, este dos sobreviventes, inspirado numa &#8220;brilhante&#8221; ideia de Lee, que implica espalhar a população um pouco por todos os locais, para assegurar a sua sobrevivência. Mas, é claro, uma ideia completamente inacreditável. Será mesmo credível acreditar que uma população que tanto sofreu, ao longo destes anos, que tão revoltada se mostrou contra os seus lideres durante o motim, se mostrasse disposta a abandonar a pouca tecnologia de que ainda dispunha, a cortar todos os laços com o seu passado, para iniciar uma vida dura num planeta desconhecido? Será que a experiência devastadora de New Caprica não lhes ensinou nada? Será que esta população acreditava mesmo que, espalhada, poderia vir a reproduzir-se em número suficiente para sobreviver, com ou sem a ajuda dos nativos?</p>
<p style="text-align: justify;">Dúvidas que ficam por esclarecer, tal como muitos dos mistérios lançados ao longo dos anos e que ficam em aberto, como a questão da origem de Kobol, dos deuses de Kobol, o destino do Daniel, a identidade do pai de Kara, a identidade de Kara, a identidade das Head Figures e tantas, tantas, tantas outras tramas. O mais gritante, o ponto de consenso geral, acaba por ser a falta de uma explicação credível da identidade da Kara, de como pode ela ter morrido na outra Terra, regressado à vida, e ter liderado a Galactica até este novo planeta. A (pouca) justificação dada, de que tudo isto estava escrito, que era tudo um plano de deus (ou da entidade superior à vossa escolha), é demasiado simples, uma saída fácil para uma trama que, pelos vistos, se revelou demasiado complicada para sequer tentar resolver. Para quem acompanhou esta série religiosamente durante quatro anos, este é o ponto que mais revolta cria. E que tira parte do impacto aquilo que para trás ficou.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas porque não vale a pena chorar por algo que está fora das nossas mãos, se deixarmos de lado toda a desilusão pelas perguntas sem resposta podemos ainda tirar algo de bom destes momentos finais. A despedida entre Kara e Anders é, provavelmente, o momento mais terno e mais sentido do episódio. Kara sempre foi um espírito rebelde, alguém que, tal como a pomba que Lee perseguiu no seu apartamento, nunca se deixou apanhar, nem mesmo por aqueles que amava. Mas Anders, de início um mero divertimento, conseguiu, aos poucos, roubar-lhe o coração, e no final do seu caminho, guiando as naves em direcção ao Sol ao som da música da série original, numa das mais belas imagens da final, sabemos que espera apenas pela chegada da sua mulher ao outro lado. Também de despedidas se fez a relação de Adama daqueles que para si eram mais importantes. O lar que, também Adama, procurou ao longo destes anos, encontrou-o junto de Roslin, e é por isso que a sua decisão de partir para com ela passar os momentos finais se revela a única possível. A história de Roslin e Adama foi uma das mais bem construídas de toda a série e aquela que mais saudades irá deixar, e mais do que a morte tão adiada de Laura Roslin, aquilo que iremos guardar é a história que os dois viveram.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o futuro da humanidade e dos <em>cylons</em>, representados pela imagem de Hera a brincar, como qualquer outra criança, pelos campos, podíamos assim ter fechado esta história. Mas porque, no final, mesmo os bons escritores não conseguem resistir a tentar deixar a sua marca, somos brindados com um epílogo perfeitamente dispensável.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Battlestar Galactica&#8221; sempre teve crítica social, sempre tentou fazer-nos confrontar os nossos erros de forma subtil. Nunca o tentou fazer, pelo contrário, da forma que aqui vimos . O salto de 150.000 para o futuro, para a Nova Iorque dos tempos actuais, mais do que proporcionar um aparição especial a Ronald D. Moore, é claramente uma tentativa de nos assustar, de nos mostrar que, tal como o povo das Doze Colónias, nos encontramos no mau caminho. E mais, que devíamos ter cuidado a quem damos ouvidos, representados pelas figuras da Head Six e do Head Baltar e a sua conversa sobre &#8220;<em>He That Shall Not Be Named</em>&#8220;. Infelizmente, tudo isto é perfeitamente dispensável, pois toda a série foi uma alegoria da nossa realidade, do caminho em que nos encontramos, e daquilo que poderemos vir a encontrar se não pararmos. Não precisamos de ver robôs a dançar ao som de &#8220;All Along Te Watctower&#8221; do Jimmy Hendrix para nos preocuparmos com o nosso caminho &#8211; para isso, mais vale regressar ao passado e rever esta série desde o início.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/65.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: 4&#215;18 &#8211; Islanded in a Stream Of Stars (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2009 21:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “You know sometimes I wonder what “home” is. Is it an actual place? Or is it some kind of longing for something, some kind of connection?” Qual a parte mais difícil de escrever as críticas aos episódios finais da nossa série favorita? Saber o que dizer, conseguir transpor para o papel (ou, neste caso, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span><em> “You know sometimes I wonder what “home” is. Is it an actual place? Or is it some kind of longing for something, some kind of connection?”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span id="more-7081"></span></em>Qual a parte mais difícil de escrever as críticas aos episódios finais da nossa série favorita? Saber o que dizer, conseguir transpor para o papel (ou, neste caso, para o monitor) aquilo que nos passa pela alma ao dizer adeus para sempre a personagens e histórias que nos marcaram. E quando se demora tanto tempo a escrever um texto quanto deste lado, é natural que a tarefa se torne ainda mais difícil, ao encontrar nos poisos regulares textos brilhantes de outros que conseguiram pôr em palavras aquilo que sentimos. Talvez por isso, estas críticas nunca soem tão bem no monitor quanto na minha mente. Talvez por isso, à demora de uma viagem cansativa se tenha juntado a dificuldade em dizer mais do que disse Myles do <a href="http://memles.wordpress.com/" target="_blank">Cultural Learnings</a> na sua brilhante <a href="http://memles.wordpress.com/2009/03/09/battlestar-galactica-islanded-in-a-stream-of-stars/" target="_blank">análise ao episódio</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas porque a noite ainda agora começou, e a espera pelos episódios finais de “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>” se faz ainda sentir com intensidade nesta sexta-feira, não há como escapar ao inevitável e tentar ordenar os pensamentos dispersos antes de iniciar o texto sobre um episódio que conseguiu, por diversos momentos, partir-nos o coração.</p>
<p style="text-align: justify;">Como muito bem foi explicado na análise acima mencionada, o tema da procura de um lar, de um local a que chamar casa, tem sido um dos temas principais desta história desde a mini-série. Desde a destruição das Colónias, Kobol, New Caprica, o planeta das algas, a Terra… todos estes foram locais que representaram um ideal, o sonho de encontrar um local onde este povo poderia descansar e reconstruir uma vida. Mas porque a realidade é mais cruel do que qualquer utopia imaginada, o que encontraram de cada vez foi apenas mais destruição, mais mortes, mais violência, mais desespero. E agora que a grande protectora destes refugiados, a poderosa Galactica, se encontra em final de vida, que a busca de mais um planeta habitável se mostra cada vez mais difícil e que o final está a chegar, a longa viagem em busca de um lar poderá nunca vir a ter o final feliz desejado. Mas para algumas das personagens que conhecemos desde o início, o local a que chamam lar poderá estar bem mais perto do que pensam.</p>
<p style="text-align: justify;">Starbuck, Baltar, Tigh, Helo, Adama e Roslin, Boomer. Cada uma destas personagens teve o seu objectivo desde o início, uma ideia definida sobre aquilo que eram, aquilo que queriam ser, aquilo que queriam fazer antes de morrer. Todos eles se viram, ao longo das quatro temporadas, obrigados a mudar as suas expectativas, aquilo que acreditavam e mesmo aquilo que eram. Para alguns, as mudanças profundas tiveram consequências graves; para outros, pelo contrário, as mudanças foram aquilo que acabou por salvá-los do caminho de destruição em que se encontravam. Nenhum, pelo contrário, saiu indiferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida um dos maiores mistérios desde o final da terceira temporada, o destino de Starbuck (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0755267/" target="_blank">Katee Sackhoff</a>) tornou-se ainda mais surpreendente quando descobriu na Terra devastada o seu próprio corpo carbonizado. Para alguém que, há muito, se tinha refugiado na imensidão do espaço, rebelando-se contra a família de sangue e construindo novas relações, Kara Thrace viu-se, de repente, desamparada, sem saber para onde se virar e em quem confiar. A profecia do híbrido da <em>basestar</em>, de que ela iria guiar a humanidade até ao seu fim, teve o seu desfecho trágico na Terra, mas a descoberta de uma relação mais antiga com os <em>cylons</em>, através da música tocada no episódio anterior, acaba por ser a última gota que a leva a tentar desvendar o mistério do seu passado.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Hera longe da Galactica, Anders (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0873998/" target="_blank">Michael Trucco</a>) a transformar-se lentamente no próximo híbrido e Leoben desaparecido em combate (provavelmente lá pelos lados da Califórnia, junto de <a href="http://tvdependente.net/category/criticas/californication-criticas/" target="_blank">Hank Moody</a>), Kara vira-se para Gaius Baltar (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0130536/" target="_blank">James Callis</a>) como último recurso. O que Kara estava à espera de conseguir com Baltar não conseguimos compreender: certamente não foram as falsas palavras deste no rádio, a sua conversa sobre misteriosos “anjos” (as headfigures?) que a convence a pedir ajuda para analisar as correntes que tirou do corpo queimado e obter a confirmação desejada. Mas certamente que ninguém – muito menos Kara – estaria à espera que Baltar não usasse esta nova informação para proveito próprio, como tem feito desde que o conhecemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário da maioria das personagens, a viagem de Baltar ao longo das temporadas foi a que menos se desviou da original. O Baltar que conhecemos na mini-série era um homem convencido e arrogante, seguro de si e da sua inteligência, firme na sua certeza de que iria conseguir, por isso, vingar. Não era um homem maldoso, tendo contribuído para o genocídio da Humanidade por puro desconhecimento de causa. E, no entanto, também nunca foi alguém capaz de pedir desculpas, de oferecer o seu sincero pedido de perdão pelos crimes que cometeu – consciente e inconscientemente. A confissão em frente a Roslin em “The Hub”, ao contrário de o desculpar, de certa forma, pelos seus pecados, serviu apenas como mais uma prova de que Baltar nunca conseguirá mudar, nunca irá deixar de ser quem é. E se a sua conversão num líder religioso nunca conseguiu, verdadeiramente, enganar ninguém, a forma como revela o segredo de Starbuck no final da magnífica cena do funeral que reúne três povos em crise, três fés que, há muito, se digladiam, acaba por confirmar este facto.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a revelação do seu segredo e a confirmação final do seu estatuto, não resta mais nada a Kara do que aceitar o seu destino, aceitar a nova condição do marido, e que poderá nunca vir a descobrir quem é. Nos seus olhos durante a conversa com Lee (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0051397/" target="_blank">Jamie Bamber</a>) junto ao memorial de fotografias, consegue-se identificar todo um leque de emoções, que terminam com a resignação de voltar a colocar a sua fotografia junto de outras figuras marcantes desaparecidas como Kat e Dee. Kara Thrace morreu em “Maelstrom”. No seu lugar está uma outra mulher, uma outra figura, cuja relação com os <em>cylons</em> permanece por explicar, mas que irá, certamente (espera-se, pelo menos), ser revelada no final.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto os <em>cylons</em> rebeldes, os modelos 6, 8 (e o desaparecido modelo 2) se preocupam em tentar solidificar a Galactica por mais alguns dias, os Final Five encontram-se também eles numa encruzilhada. Com a descoberta da verdadeira paternidade de Nicky, e a morte prematura de Liam, Hera é a última esperança para a continuidade da raça <em>cylon</em>, depois da destruição a que assistimos em “The Hub”. Por isso mesmo, a insistência de Ellen (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0894690/" target="_blank">Kate Vernon</a>) em lançar uma missão de resgate não é de admirar… tal como não o é a reacção de Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/" target="_blank">Michael Hogan</a>). Aquele que mais sofreu com a descoberta da sua verdadeira identidade, Tigh foi também o Final Five que mais depressa recuperou a boa forma e que mais depressa assumiu as suas anteriores responsabilidades como segundo em comando da frota. A sua casa, o seu lar, não estão, ao contrário do que Ellen afirma, com a mulher dos últimos milénios, e nem mesmo com Six (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1065454/" target="_blank">Tricia Helfer</a>), com quem ele por breves momentos tentou criar um novo lar. Para Tigh não há nada que enganar – a sua primeira responsabilidade é para com a Galactica, para com Adama, o seu amigo de longa data.</p>
<p style="text-align: justify;">Se para uns o lar é junto daqueles com quem serviram durante anos, para Helo (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0671886/" target="_blank">Tahmoh Penikett</a>), que andava desaparecido há muitos episódios até ao fatídico “Someone To Watch Over Me”, nunca ouve qualquer dúvida que o lar era junto da mulher, Athena (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0661825/" target="_blank">Grace Park</a>) e da pequena Hera, por quem ele tanto lutou ao longo dos anos. Enquanto a frota se encontrava em rebuliço, enquanto os ânimos se encontravam exaltados e as desconfianças entre as raças se mostravam impossíveis de controlar, a família Agathon representava uma ilha no meio de toda esta violência, o exemplo perfeito de que humanos, <em>cylons</em> e híbridos poderiam vir, um dia, a viver em harmonia uns com os outros. Mas com a fuga de Boomer da prisão, as cenas na casa de banho frente à mulher e a perda da filha, esta pequena ilha vê-se agora afectada por um furacão. A raiva com que Athena batia em Helo no episódio anterior desvaneceu-se, deixando no seu lugar uma dor tão grande, que não há palavras que consigam explicá-la. A dor da perda de um filho, por que Helo e Athena passaram na segunda temporada, torna-se agora pior ao saber do destino mais do que provável da criança quando chegar às mãos de Cavil, e levam Helo a pedir desesperadamente a Adama que o deixe partir numa missão suicída em busca da filha. Num episódio com vários momentos marcantes, é quase impossível não ficar emocionado com as lágrimas que conseguimos ouvir nas palavras de Helo, e muito menos deixar de desesperar pelo destino da pequena Hera.</p>
<p style="text-align: justify;">Aceitar a realidade, reconhecer os seus defeitos, contestar o seu papel, desesperar pela sua família. Todos os dilemas por que passaram as personagens atrás mencionadas, foram dilemas pelos quais passaram também os dois líderes da frota, Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001579/" target="_blank">Edward James Olmos</a>) e Roslin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001521/" target="_blank">Mary McDonnell</a>), que ao longo desta viagem foram evoluindo e que acabaram por encontrar um lar onde menos esperavam – um com o outro. Roslin acaba por ser a personagem que pega directamente no tema que gere todo este episódio, que tenta, através das suas palavras, convencer o homem que ama a não desperdiçar tudo, a aceitar a realidade e a deixar o seu primeiro grande amor – a sua nave – e partir rumo a um novo destino. Já tivemos diversas provas da casmurrice de Adama, da sua relutância em aceitar o desfecho inevitável. Por vezes, esta sua força foi determinante para a sobrevivência deste povo, mas agora que o fim se aproxima a passos largos, não há mais como evitar a mudança, e qualquer outra decisão apenas irá pôr em risco a sobrevivência de ambas as raças. As conversas entre Adama e Roslin ao longo das temporadas foram sempre marcantes, mas esta, com toda a carga afectiva que consigo acarreta, não nos consegue deixar indiferentes. As lembranças de um tempo mais feliz, mais simples, em New Caprica, que tivemos a oportunidade de ver em “Unfinished Business”, são o gentil empurrão que Adama precisa para ordenar o abandono da nave e a partida para a <em>basestar</em>. A decisão não é fácil de tomar, e mais uma vez dá azo a um cair em desespero, como vimos em “Maelstrom”, em “Revelations”, em “Sometimes A Great Notion”, mas é a única a tomar. O destino de Galactica, esta nave que durante quatro anos (seis, para nós) nos acompanhou, será o da sucata… ou talvez não, pois os planos de Adama e a imagem inicial de Hera no CIC deixa-nos com a certeza de que a despedida virá a ser explosiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Num episódio dedicado à procura do lar, fica a faltar mencionar uma personagem para quem este se tornou real nesta trama – Boomer. Quem acompanha esta série desde o início, não conseguiu de certeza deixar de dar um salto na cadeira quando, no final da mini-série, é revelada a verdadeira natureza de Boomer, aquela piloto tão simpática e enamorada. A sua história ao longo da série foi trágica, passando de mulher apaixonada a agente adormecido que tentou matar o seu “pai”, de vítima inocente na primeira temporada a máquina calculista, na terceira, durante a sua estadia na <em>basestar</em>, de amiga a traidora da sua própria raça, das suas próprias irmãs. Ao longo das temporadas, Boomer foi uma das personagens que mais instável se mostrou, e que apenas na ilusão de uma vida perdida, na projecção da sua casa com Tyrol encontrava o seu sossego. E se não temos qualquer dúvida que a projecção que mostrou a Tyrol serviu apenas para o enganar, não há dúvidas também que ver Hera na sua casa projectada, na sua vida imaginada, mudou qualquer coisa dentro dela, forçou-a a ver a criança com outros olhos, com os olhos de uma mãe que nunca o foi. Atingida tarde demais, esta constatação poderá já não ser ser suficiente para salvar a pequena Hera das garras de Cavil (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001777/" target="_blank">Dean Stockwell</a>). Mas até ao final, ainda restam mais alguns momentos para Boomer provar que é, também ela, merecedora do seu lar.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/85.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: 4&#215;17 &#8211; Someone To Watch Over Me (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 21:27:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “Life has a melody, Gaius. There’s a melody in everyone and everything. A rhythm of notes which becomes your existence once played in harmony with God’s plan.” As palavras da saudosa Head Six revelam-se cada vez mais ominosas nesta recta final da história. A música. Um som único que se destaca, que começa a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> <em>“Life has a melody, Gaius. There’s a melody in everyone and everything. A rhythm of notes which becomes your existence once played in harmony with God’s plan.”</em> As palavras da saudosa Head Six revelam-se cada vez mais ominosas nesta recta final da história.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-7035"></span>A música. Um som único que se destaca, que começa a esboçar uma cadência. Um conjunto de notas indefinidas, dissonantes, que procuram uma qualquer ligação. Bolas e traços numa pauta que começam a ganhar forma num <em>crescendo</em> lento até, finalmente, se revelarem em todo o seu esplendor. A música, uma das mais belas formas de arte, tem sido uma das mais valias de &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>&#8220;. Presente desde o início, foi a partir de &#8220;Kobol&#8217;s Last Gleaming&#8221;, na primeira temporada, que começou a evoluir e a impor-se, até passar a fazer parte integrante da história em &#8220;Crossroads&#8221;. Talvez por isso, há muito que a música de &#8220;Battlestar Galactica&#8221; tenha deixado de ser apenas uma mera banda sonora, para se tornar em mais um actor na série. E por isso é justo que, no final desta grande saga, haja um episódio em que a música seja o catalisador da história.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário de &#8220;Deadlock&#8221;, que nos deixou um gosto amargo de desapontamento na boca, em &#8220;Someone To Watch Over Me&#8221; a série regressa à boa forma, com um episódio que começa lentamente, focando dois dos mistérios que há muito permaneciam em aberto, e que nos carrega até ao final de forma subtil, revelando-se numa explosão de sons que não deixa ninguém indiferente. Aqui não há emoções falsas, transplantes de personalidades, aqui não há histórias paralelas ou novos mistérios; regressa-se, pelo contrário, ao ponto de partida desta segunda metade da temporada, com as dúvidas sobre a verdadeira natureza de Starbuck (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0755267/" target="_blank">Katee Sackhoff</a>) e de Tyrol (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234928/" target="_blank">Aaron Douglas</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira montagem de cenas, ao bom estilo que esta série já nos tem apresentado, é poderoso &#8211; mais do que vermos a rotina de Starbuck, conseguimos aqui quase tocar o sentimento de desânimo e de resignação que percorre toda a frota desde a descoberta da Terra devastada e, especialmente, desde o motim, que tão graves consequências teve. A Galactica está a morrer, e a tentativa desesperada de colocar componentes orgânicos da <em>basestar</em> na nave não parece estar a surtir os efeitos desejados, como vemos pelas luzes a piscar; a tripulação da nave é cada vez menor, com muitos dos antigos pilotos e <em>marines</em> presos desde o rescaldo do motim. E os que sobram, aqueles que têm de velar pela segurança dos milhares de humanos e <em>cylons</em> sobreviventes, vêem como ponto alto do seu dia a possibilidade de ganhar uma pasta de dentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Com tantas desilusões, é natural que o desânimo se imponha, e isso é mais do que visível em Starbuck. Aquela mulher decidida, o melhor piloto desta frota, a pessoa que sempre se mostrou  disposta a lutar, viu destruídas todas as suas ilusões no momento em que encontrou o seu próprio corpo carbonizado na Terra, em que descobriu que já não é mais aquela que pensava. Desde essa altura, Starbuck tem flutuado num mar de indecisões e de dúvidas existenciais, que apenas com a acção do motim parecem ter acalmado. Mas quando a rotina se instala, quando não tem mais contra o que lutar para se sentir viva, o que resta é alguém que está tão fora de si, que até precisa de ensaiar discursos e piadas para motivar os colegas, alguém que tenta afogar as mágoas com a bebida e que apenas consegue desabafar com um completo estranho.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem segue atentamente esta série não ficou admirado pela revelação da identidade deste pianista que, de um momento para o outro, apareceu no bar da Galactica. Com uma paragem tão grande antes dos episódios finais, tornou-se quase impossível escapar às notícias que, dia após dia, chegavam sobre histórias importantes que iriam ser debatidas na série, sobre novas contratações e sobre novas personagens que iriam aparecer na história. Mas prova que, quando uma história é bem construída, mesmo estas notícias que se espalham não conseguem destruir a surpresa, é a forma como nos conseguimos rapidamente afeiçoar à personagem de &#8220;Slick&#8221; (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0188220/" target="_blank">Roark Critchlow</a>), o misterioso pianista.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixando de lado todas as alusões a “The Sixth Sense” que nos chegam no final, a relação entre Starbuck e Slick que é, na verdade, uma visão (projecção?) do seu falecido (?) pai, é mais do que uma oportunidade para relançar a discussão sobre o misterioso “Daniel” de “Deadlock”; é também uma oportunidade para Kara confrontar os seus próprios medos e indecisões, para largar o passado e aceitar a mudança; uma oportunidade para fazer as pazes com o pai que a abandonou, e para seguir em frente. A Kara que temos aqui, mais do que a Kara que predominou durante grande parte da quarta temporada, deitada no chão a gritar que estavam a ir na direcção errada, é a Kara que vimos, por momentos, em “Maelstrom”, a menina perdida, que virou as costas à memória do seu pai &#8211; o artista -, que se rebelou contra a mãe - a guerreira -, e que se foi refugiar no espaço, nas naves; a menina que encontrou o seu lugar – alguma paz de espírito &#8211; no fim do mundo. Mais do que o seu potencial de híbrido de duas raças, cada vez mais provável quando os acordes tocados em conjunto com Slick revelam, num momento sublime, ser da excelente versão de “All Along The Watchtower” de <a href="http://bearmccreary.com/" target="_blank">Bear McCreary</a>, este é o momento em que assistimos ao conciliar das duas facetas de Starbuck, algo que a irá guiar, certamente, até ao final desta história.</p>
<p style="text-align: justify;">O mistério de Kara pode ainda não ter sido resolvido. A sua verdadeira natureza, a ligação a Hera e à profecia do Híbrido, e o papel que terá no final desta história poderão ainda estar em aberto. Mas, com este episódio, temos finalmente a certeza de que caminhamos numa direcção clara, que a vida de Kara está intimamente ligada a esta história, e que a personagem irá ter um papel preponderante na sua conclusão.</p>
<p style="text-align: justify;">Do outro lado da nave, quem também está a ter problemas em conciliar a sua verdadeira natureza com aquilo em que sempre acreditou, aquilo por que sempre lutou, é Tyrol. Apagando da memória as atitudes absurdas e inacreditáveis tomadas no episódio anterior, “Someone To Watch Over Me” traz-nos de volta o verdadeiro Tyrol, aquele que muitos consideram o verdadeiro coração da Galactica.</p>
<p style="text-align: justify;">A viagem de Tyrol ao longo de toda esta série foi marcada por perdas descomunais e por traições várias, que o transformaram profundamente, sendo a morte de Boomer (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0661825/" target="_blank">Grace Park</a>), na segunda temporada, um dos momentos cruciais na sua evolução. Tyrol amava Boomer &#8211; disso não temos qualquer dúvida. E esta amava o Chief, não hesitando em sacrificar a sua vida para o salvar. Mas desde essa altura, desde esse momento triste, tudo mudou: as personagens cresceram, os seus sentimentos evoluíram, as suas histórias divergiram. Enquanto Boomer recomeçava em Caprica, junto dos seus irmãos e irmãs, Tyrol era confrontado por tudo aquilo que poderia ter tido e que perdeu, com a chegada de Athena à nave, acompanhada de Helo (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0671886/" target="_blank">Tahmoh Penikett</a>). A grande história de amor de Tyrol, que seguimos desde a mini-série, tinha terminado mal para o mecânico, deixando apenas um sentimento de revolta e de perda, devidamente explorado em “Flight of The Phoenix” e no duplo “Resurrection Ship”. O tempo passou, Tyrol e Boomer seguiram os seus caminhos, e nem mesmo o reencontro em New Caprica parece ter despertado qualquer sentimento escondido em Tyrol. Até, é claro, ao fatídico “Crossroads”, à morte de Cally, ao descobrir que o seu único elo de ligação aos humanos – o filho, Nicky – era, na verdade de outro. A partir daqui, o mundo de Tyrol sofreu uma reviravolta, e não é por isso de admirar que o regresso de Boomer à Galactica tenha causado tanto impacto.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem gostou, por uma vez, de ver um triângulo amoroso resolvido da melhor forma, como o foi o de Tyrol/Boomer-Athena/Helo na segunda temporada, este regresso ao passado soou um pouco forçado, apenas mais uma forma de criar um conflito desnecessário na recta final desta história. Mas como nem tudo é o que parece nesta série, a revelação final de que tudo não tinha sido mais do que um estratagema de Cavil para roubar um dos maiores tesouros da Galactica acaba dar sentido à trama.</p>
<p style="text-align: justify;">Por muito que Tyrol nos consiga emocionar com as projecções que partilha, pela primeira vez, com Boomer, com a felicidade patente nos seus olhos ao ver a casa e a família que sempre sonhou construir, não restava qualquer dúvida que tudo iria terminar mal. A traição final de Boomer era esperada, certamente, pois como Roslin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001521/" target="_blank">Mary McDonnell</a>) muito bem constata, Boomer é uma aproveitadora, alguém que explora as emoções dos outros, que delas se alimenta, alguém que usa as pessoas para conseguir alcançar os seus objectivos – alguém em quem não podemos confiar. Ao fazê-lo, ao pôr-se novamente nas mãos de Boomer, Tyrol viu cair por terra todas os seus sonhos e, ao mesmo tempo, deu origem àquele que será, certamente, o conflito final nesta série.</p>
<p style="text-align: justify;">Fazendo-se passar por Athena, Boomer rapta Hera e parte num <em>raptor</em>, de volta para junto de Cavil e dos seus seguidores, deixando atrás de si uma nave desfeita, por dentro e por fora. Se o momento em que vemos o convés da Galactica a ceder fica, inevitavelmente, gravado nas nossas memórias, a devastação que encontramos dentro da nave, junto da tripulação – a traição a Tyrol, o casamento em perigo de Helo e Athena, as dúvidas de Starbuck sobre a sua ligação a Hera, as visões e o colapso final de Roslin –, dá-nos com um aperto no coração, e promete não nos deixar descansar até ao próximo episódio.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/90.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: 4&#215;16 &#8211; Deadlock (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 15:25:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “Pure human doesn’t work. Pure cylon doesn’t work. It’s too weak.” Em poucas palavras, Saul Tigh resume habilmente um dos temas mais relevantes desta recta final de “Battlestar Galactica”. “All of this has happened before, and all of it will happen again.” Foram estas as palavras que nos contaram de início, as palavras que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #800000;">[SPOILERS]</span> </strong>“<em>Pure human doesn’t work. Pure cylon doesn’t work. It’s too weak.</em>” Em poucas palavras, Saul Tigh resume habilmente um dos temas mais relevantes desta recta final de “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6178"></span>“<em>All of this has happened before, and all of it will happen again.</em>” Foram estas as palavras que nos contaram de início, as palavras que nos guiaram &#8211; a nós e à frota &#8211; ao longo dos últimos quatro anos. Foram estas as palavras que, no episódio anterior, nos revelaram uma parte da extensa mitologia desta série. Mas porque nem sempre olhar para o passado é suficiente, há que pensar no futuro. E o futuro desta frota poderá ser bem diferente daquele que inicialmente idealizámos.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de tudo o que se passou, depois da descoberta da Terra destruída, da revelação dos Final Five, da aliança com os <em>cylons </em>rebeldes e do motim que quase destruiu esta frota de dentro para fora, existe claramente a necessidade de repensar antigas concepções, de começar a imaginar um futuro diferente, um futuro que irá ter de contar, obrigatoriamente, com a presença dos <em>cylons </em>rebeldes. Nos momentos cruciais da história recente, humanos e <em>cylons </em>trabalharam sempre em conjunto, relutantemente ou não, em defesa dos interesses comuns. E agora que a poeira assentou, que é preciso dar o próximo passo, será talvez necessário repensar o conceito de humano e <em>cylon</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Os números do motim não enganam &#8211; uma centena de mortos em apenas dois episódios, para além das perdas registadas depois da descoberta da Terra, deixaram esta frota e, especialmente, a tripulação da Galactica, com um grande défice de tripulação, algo que, aliado ao desgaste físico da nave, poderá pôr em risco a sobrevivência de todos. A única solução que por agora se apresenta é, naturalmente, combinar as duas tripulações, dando assim aos <em>cylons </em>rebeldes aquilo que tanto desejam: fazer parte da frota e garantir a protecção da Galactica. Infelizmente, como se viu durante o motim, nem todos estão de acordo com esta solução. A primeira tentativa de misturar as duas raças teve resultados desastrosos, mas agora que a Galactica está em perigo de se desmoronar, não há como escapar à realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que uma forma de solidificar o casco da nave, o material que os trabalhadores colocam na Galactica é a representação física do inevitável, da evolução deste povo que, lentamente, passou a integrar os seus antigos inimigos. Esta evolução começou, na verdade, já na terceira temporada, com a comissão atribuída a Athena (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0661825/" target="_blank">Grace Park</a>) e com a aceitação que a família Agathon parece ter conseguido, mas torna-se mais aparente neste episódio ao vermos os <em>cylons </em>a passearem calmamente pelos corredores e, especialmente, no acto simbólico dos robôs a colocarem, também eles, as fotografias das cópias perdidas no memorial dos mortos. Se o sentimento é bonito, e nos remete para a velha discussão do que significa ser humano, apresenta, no entanto, alguns problemas que têm sido demasiado evidentes nos últimos episódios.</p>
<p style="text-align: justify;">Do lado dos humanos, o sentimento negativo pela presença dos <em>cylons </em>a bordo da Galactica (ou de qualquer outra nave) é mais do que óbvio, tendo sido explorado durante os episódios dedicados ao motim. Mas se isso é um facto, porque é que, desde então, está a ser totalmente ignorado? O motim trouxe consigo mais do que o diminuir da tripulação, trouxe à luz do dia o descontentamento geral, que não podia mais ser ignorado. No entanto, desde o cair do pano dessa história, desde o fuzilamento dos instigadores da revolta, essas consequências parecem ter sido completamente ignoradas. O povo é, mais uma vez, silenciado, e nem mesmo a animosidade que vemos da parte da população de Dogsville em relação a Caprica Six parece conseguir reflectir o verdadeiro impacto que esta história teve há meros episódios atrás.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o total desaparecimento desta população é estranho e contrário àquilo que esperávamos, o maior representante da contradição do lado dos humanos acaba por ser o Almirante Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001579/" target="_blank">Edward James Olmos</a>). A sua firmeza em recusar tecnologias estranhas na sua própria nave, mesmo quando o exigia em outras naves, tornou-se desde logo num grande motivo de controvérsia, tendo em conta a personagem de que se trata, e nem mesmo o desespero de causa que o obriga a ir contra contra tudo aquilo em que acredita, aceitando que a Galactica fosse reparada com material da <em>basestar</em>, nos consegue justificar as sua últimas atitudes. Não obstante o facto de que, na realidade, ele não tem outra opção a não ser aceitar o inevitável e ordenar a operação, é impossível deixar de reparar que, nos últimos tempos, Adama se encontra inexplicavelmente indeciso &#8211; ora está a favor da integração da tecnologia nas naves contra tudo e contra todos, ora recusa que a mesma tecnologia seja usada para salvar a sua querida nave; ora permite a operação na Galactica, ora recusa que a mesma seja levada a cabo pelos <em>cylons </em>rebeldes. Mais do que o desespero pela destruição do sonho da Terra, mais do que o natural cansaço de uma viagem que parece não ter fim, e mais do que os possíveis efeitos do álcool e dos comprimidos que, ultimamente, o acompanham para todo o lado, esta contradição numa personagem que sempre foi tão segura de si própria, parece mais fruto de alguma indecisão dos argumentistas da série, do que de uma evolução orgânica da história.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas porque as contradições não se limitam ao lado humano da frota, também do lado dos <em>cylons </em>as situações inexplicáveis se sucedem. Como ficou claro em “Blood on the Scales”, os cylons humanóides rebeldes sofrem da falta de um líder que os guie e que os ajude a escolher o melhor caminho, sendo por isso natural que estejam indecisos. Mas a reviravolta surpreendente neste episódio, com os <em>cylons </em>a sugerirem uma retirada em massa quando, ainda há pouco tempo atrás, estavam a pedir asilo na frota, é por demais bizarra. Por mais que gostássemos de pôr as culpas desta situação no modelo <em>cylon </em>que mais gostaríamos de ver encaixotado para sempre &#8211; a Tori (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0788907/" target="_blank">Rekha Sharma</a>) -, é difícil fazê-lo, quando vemos que esta recebe o apoio de Tyrol (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234928/" target="_blank">Aaron Douglas</a>), naquela que é, provavelmente, a reviravolta mais inexplicável de sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">O Chief sofreu muito nos últimos tempos. Primeiro descobriu que era um <em>cylon</em>, uma espécie que sempre detestou, pela qual rejeitou o seu grande amor; contra a qual lutou com unhas e dentes. De seguida, vê a sua mulher desaparecer num suicídio inexplicável, que o leva quase à beira da loucura. É despromovido, procura um consolo inalcansável junto de um charlatão, e quase é morto quando a sua verdadeira natureza é descoberta. Como se já não bastasse tudo isto, a devastação da descoberta de uma Terra destruída é intensificada pela surpresa de que a sua única e ténue ligação à humanidade &#8211; o pequeno Nicky &#8211; é, na realidade, filho de outro. Com tantas contrariedades, não é de estranhar que o pobre Tyrol se encontre dividido quanto à sua verdadeira natureza, mas nada justifica a inexplicável atitude neste episódio, ao escolher o lado de Tori e dos <em>cylons </em>rebeldes e apoiar o abandono da frota. Este não é o Tyrol que conhecemos, não é o mesmo homem que temos vindo a acompanhar ao longo das quatro temporadas. Este nem sequer é o homem cínico e violento que descobrimos depois da morte da Cally. Neste episódio, Tyrol pouco mais é do que um boneco, do qual os argumentistas se serviram para criar mais tensão no episódio. Afinal, só assim se pode explicar que, ao mesmo tempo que esteja aparentemente disposto a partir, Tyrol se preocupe em arranjar a Galactica e em recuperar o cargo que tinha anteriormente. Toda esta situação mostra apenas uma clara falta de conhecimento da personagem, e deixa-nos a todos com a sensação de que <a href="http://www.imdb.com/name/nm0260870/" target="_blank">Jane Espenson</a> não fez os trabalhos de casa e nem se preocupou em saber mais sobre este universo antes de escrever este episódio.</p>
<p style="text-align: justify;">Tivesse o episódio sido dedicado a este dilema, à questão do que significa ser humano, não teria sido mau. Não seria, certamente, aquilo que mais teríamos desejado depois de tantas revelações, mas pelo menos teria dado azo a discussões interessantes. Infelizmente, toda esta discussão foi secundária neste episódio, tendo-se optado, para nosso sofrimento, por dar primazia a tramas que figuram habitualmente nas telenovela da TVI.</p>
<p style="text-align: justify;">Ellen (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0894690/" target="_blank">Kate Vernon</a>) regressa à frota. Depois da sua fuga com Boomer da nave do Cavil, não havia dúvida de que o destino teria de ser este. Deixando de lado a óbvia pergunta de como é que Ellen e Boomer conseguiram encontrar a frota assim tão facilmente (há coisas em que é melhor nem pensar, para evitar bater com a cabeça na mesa de tanta frustração), esperava-se que este regresso permitisse aprofundar o mistério dos Final Five e da sua vida na Terra, interrompido tão bruscamente com a operação de Anders (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0873998/" target="_blank">Michael Trucco</a>). E, claro está, aguardava-se também com expectativa o momento do reencontro de Ellen e Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/" target="_blank">Michael Hogan</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">A cena do assassinato de Ellen pelo marido, em “Exodus, Part II”, é considerado pelos fãs desta série como uma das mais marcantes de toda a série, um momento chocante e devastador, soberbamente interpretado por ambos os actores. O reencontro deste casal era, por isso, aguardado com grande expectativa. Mas certamente ninguém estava à espera de um melodrama ridículo como este. Não, ninguém esperava que Ellen reagisse bem ao descobrir que Tigh e Caprica Six (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1065454/" target="_blank">Tricia Helfer</a>) estão à espera de um filho, o primeiro bebé totalmente <em>cylon</em>, o futuro de toda uma raça. Também ninguém esperava que, mesmo renascida, Ellen deixasse de ser quem era. Mas porquê, deuses, porque é que, em vez de nos trazerem de volta a Ellen de New Caprica, ou mesmo a Ellen de “No Exit”, resolveram ir buscar a piranha da primeira temporada? Porque é que em vez de pegarem na história principal, resolveram dedicar um episódio inteiro ao novo triângulo amoroso (e, de certa forma, incestuoso) Ellen/Tigh/Six? Haveria mesmo necessidade de regressar aos maus velhos tempos das crises amorosas? A terceira temporada e o “quadrado do inferno” Anders/Kara/Lee/Dee não foi tortura suficiente? Pelos vistos não, visto que neste episódio tempos não só temos direito a um triângulo amoroso, como também a juras de amor totalmente inacreditáveis e, no final, à morte do “futuro da raça <em>cylon</em>” só porque aparentemente, ninguém gostava dele. WTF??? Mas quem é que teve a brilhante ideia de desperdiçar actores talentosos numa história ridícula como esta? Sem comentários&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Para afundar ainda mais o episódio, a trama secundária esta semana é dedicada ao desinteressante culto do Baltar (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0130536/" target="_blank">James Callis</a>). Fã confessa que sou da personagem desde o primeiro momento, não há dúvida de que, ultimamente, ninguém sabe o que fazer com o pobre cientista/traidor/delegado/vice/presidente/traidor/pastor. O que é uma pena, porque não só Callis já mostrou que é capaz de grandes interpretações, como ainda por cima a mitologia da série reconhece-lhe um papel preponderante no final desta história. Depois das revelações que teve na <em>basestar</em>, de reconhecer que não pode continuar a fugir como até aqui tem feito, esperava-se que Baltar regressasse com um novo propósito, que voltasse com um destino definido. Mas aparentemente, estávamos todos enganados. Baltar regressa, sim, para junto daquelas que, cobardemente, tinha abandonado, mas regressa aos maus hábitos, com a ajuda da sua HeadSix, que se revela novamente. Melhor do que ter um culto de devotas é, aparentemente, liderar um culto de devotas armado, com a ajuda de Adama. As baixas durante o motim foram tantas, que se torna difícil manter a lei dentro da nave, razão pela qual os Sons of Aries têm conseguido aterrorizar as pobres mulheres de Baltar. Mas será que dar armas a fanáticos é a melhor forma de conseguir restaurar a lei? Depois de tudo o que se passou durante o motim, como é que Adama justifica rearmar civis? Mais uma dúvida que fica no ar, que lança sérias dúvidas sobre o destino desta história, e que nos deixa a nós, espectadores, com vontade de eliminar completamente este episódio da nossa memória.</p>
<p style="text-align: justify;">A cinco episódios do final, esperava-se muito. Esperava-se que as revelações do episódio anterior viessem a confluir com a trama principal, que todos os lados do conflito (humanos, <em>cylons </em>e <em>cylons </em>rebeldes) tivessem direito ao seu destaque. O que tivemos, pelo contrário, foi uma telenovela barata, cheia de melodramas dispensáveis, conflitos forçados e transplantes de personalidade inexplicáveis. Metade do tempo que Adama passou a olhar para as paredes da Galactica, deveria ter sido usada para nos mostrar o que se passa com Athena, Helo e com a pequena Hera, que de parte essencial da mitologia da série, parece ter sido relegada para último plano. Mais do que emoções forçadas ou a milésima mudança de rumo de Baltar, deveria ter-se mostrado o destino dos amotinados, dos civis e do governo. Infelizmente, aquilo que tivemos foi um episódio fraco, um dos piores de todas as temporadas, que não irá deixar saudades. Esperemos que os próximos (quatro, apenas quatro!) consigam trazer esta história de volta aos bons velhos tempos.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/59.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: 4×15 &#8211; No Exit (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 15:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “Salta um brufen aqui para a mesa do canto, se faz favor.” Esta terá sido a frase mais proferida no final deste episódio expositivo de “Battlestar Galactica”, que tantas dores de cabeça deu aos fãs mais acérrimos. Agora que estamos na recta final desta grande série, é natural que as respostas aos grandes mistérios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> “Salta um brufen aqui para a mesa do canto, se faz favor.” Esta terá sido a frase mais proferida no final deste episódio expositivo de “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>”, que tantas dores de cabeça deu aos fãs mais acérrimos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5847"></span>Agora que estamos na recta final desta grande série, é natural que as respostas aos grandes mistérios comecem a chegar, que se caminhe lentamente para um final idealmente fechado. Há muito que se esperava por estas respostas, por uma oportunidade de conhecer mais profundamente a história da criação dos cylons e dos próprios humanos, algo tão intrinsecamente enraizado na trama principal desta série. Quando pensamos assim, um episódio como este “No Exit” revela-se de extrema importância, ao oferecer-nos, em pouco mais de quarenta minutos, um resumo da história da civilização que há quatro temporadas seguimos. Mas por vezes, a mera exposição pode prejudicar a fluidez da história, resultando num menor impacto do episódio.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das maiores surpresas do episódio de estreia desta recta final de “Battlestar Galactica”, foi a revelação tão esperada do último Final Five, algo que teve imenso impacto não apenas por ter sido revelado tão cedo na história, mas também pelo choque que representou o regresso de uma personagem há muito desaparecida. Ellen Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0894690/" target="_blank">Kate Vernon</a>), a mulher que tudo fez pelo seu marido, que se mostrou disposta a trair a sua própria raça por amor era, na verdade, a peça que faltava neste tabuleiro. A partir do momento desta revelação em “Sometimes a Great Notion”, contavam-se os segundos até o seu reaparecimento, e este não defraudou as expectativas. A cena do despertar de Ellen, a relembrar os de Caprica Six e Boomer em “Downloaded”, mostra que, a partir de agora, nada mais irá ser o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">A confiança que Ellen parece exibir frente ao cylon e, especialmente, a forma como o robô responde aos seus pedidos, prova que existe uma relação mais profunda entre os Final Five e os modelos mecânicos, algo que já vínhamos a adivinhar desde “He That Believeth in Me”. Mais importante do que o facto de o robô obedecer às suas ordens é, no entanto, a forma como este parece demonstrar sentimentos quase humanos, modificando as suas extremidades para as assemelhar a uma mão e ajudar Ellen a sair do tanque. Já por diversas vezes tivemos a ocasião de ver os modelos mecânicos a exibirem reacções humanas, algo supostamente contrário à sua programação e algo que Cavil, em particular, tentou impedir com os tais controladores neuro-cerebrais. Embora a história dos modelos mecânicos nunca tenha sido devidamente explorada na série, supostamente por falta de tempo, deixa-nos adivinhar que algo importante ficou por contar, algo que poderá ser crucial para a história e para compreender o evoluir desta civilização. Algo que poderá ter acontecido, segundo o relato de Ellen, há muito, muito tempo atrás. Afinal, se os modelos mecânicos foram aqueles que descobriram o culto de um deus único, e que o transmitiram aos modelos humanóides da Décima Terceira Colónia, o que poderá isso dizer sobre a questão mais relevante desta série, sobre o que significa ser humano?</p>
<p style="text-align: justify;">Deixando as especulações para trás, regressemos então aos factos que nos são apresentados no episódio. Através das conversas de Ellen e Cavil (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001777/" target="_blank">Dean Stockwell</a>), e das memórias de Anders (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0873998/" target="_blank">Michael Trucco</a>), são-nos revelados alguns factos importantes para a cronologia desta série.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há +/- 3000 anos…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há mais de três mil anos atrás, os cylons humanóides viviam em Kobol com os humanos (e os deuses?), onde tinham já acesso à tecnologia que lhes permitia transferirem as suas consciências para outros corpos e assim ressuscitar. A dada altura, tem lugar o grande conflito que obriga esta civilização a separar-se. Os cylons humanóides saem de Kobol e iniciam a sua viagem em busca de um novo lar. Na sua viagem pelo universo, os cylons param no planeta com as algas (que vimos em “The Eye of Jupiter”) e constroem o templo que Tyrol (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234928/" target="_blank">Aaron Douglas</a>) descobre. Neste planeta, encontram um sinal que lhes indica o caminho para a Terra, onde se vêm a estabelecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Terra, a vida dos cylons parece estranhamente semelhante à nossa – tendo conseguido, a certo ponto, procriar, os cylons humanóides deixaram de usar a tecnologia que lhes permitia ressuscitar. Fica assim explicado o grande número de caras desconhecidas que vimos nos <em>flashbacks</em> de Tyrol. Entre a população da Terra, encontram-se os nossos já conhecidos Final Five: Ellen e Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/" target="_blank">Michael Hogan</a>), que já altura eram casados, Anders, Tori (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0788907/" target="_blank">Rekha Sharma</a>) e Tyrol. Os cinco trabalhavam no mesmo laboratório onde, aparentemente, tentavam recriar o processo de <em>download </em>usado em Kobol.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há 2000 anos…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sensivelmente há dois mil anos atrás, tem lugar, simultaneamente, o Holocausto na Terra, e o Êxodo das Doze Colónias de Kobol, detalhado nos escritos de Pythia. Na Terra, o Holocausto deu-se com a rebelião das máquinas, mais propriamente dos modelos mecânicos. Os Final Five, na altura precavidos contra este Holocausto, conseguem sobreviver graças à tecnologia que lhes permite transferir as suas consciências para uma Ressurection Ship em órbita. Apercebendo-se de que o ciclo iria perpetuar-se se não fizessem nada contra isso, os cinco decidem avisar os seus antigos criadores, partindo então à procura do povo das Doze Colónias. Não dispondo de motores FTL, vêem-se obrigados a viajar à velocidade normal, o que faz com que a viagem demore cerca de 2000 anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há 40 anos…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, chegados às Doze Colónias há cerca de quarenta anos, os Final Five descobrem que todo o seu esforço foi em vão. Os humanos das Doze Colónias encontram-se já em guerra com os seus próprios cylons mecânicos. Não querendo uma repetição do Holocausto vivido na Terra, os Final Five fazem então um pacto com os cylons mecânicos: se estes deixaram os colonos em paz, os Final Five ensinam-lhes o processo que permite criar modelos híbridos, algo que os cylons mecânicos tinham tentado, sem sucesso, fazer. As cenas de “Razor” ganham então um novo significado, ao percebermos para que servia o laboratório que Adama encontrou quando era jovem.</p>
<p style="text-align: justify;">Estabelecido o armistício, os cylons mecânicos e humanóides formam uma “colónia”, possivelmente num planeta longe das Doze Colónias, onde iniciam o processo de criação de híbridos. É neste ponto, então, que são criados os modelos já nossos conhecidos&#8230; e um desconhecido. O primeiro a sair da linha de montagem é Cavil, criado à imagem do pai de Ellen, e em honra deste agraciado com o nome “John”, que mais tarde viria a ajudar a criar os restantes híbridos: Leoben (2), D’Anna (3), Simon (4), Doral (5), Six (6), Daniel (7) e Sharon (8).</p>
<p style="text-align: justify;">Deixando de lado o factor repugnante desta descoberta, que dá à relação entre Ellen e Cavil em New Caprica um teor incestuoso, é mais interessante tentar perceber porque terá Ellen dado a Cavil as características que viriam a criar todo este dilema. A inveja, a raiva, o desprezo pelos humanos, o anseio por ser uma máquina melhor, todas estas foram características que Ellen escolheu para Cavil. Poderíamos aqui, talvez, encontrar o bode expiatório para todas as mortes e todo o sofrimento por que passaram os humanos. Poderíamos, aqui, neste momento, apontar o dedo ao culpado de toda esta história &#8211; Ellen. Mas como Tigh muito bem afirma, a culpa é mais difícil de atribuir do que pensamos, e não vale a pena lamuriar-nos sobre isso. O que é preciso é esquecer o rancor e procurar um novo caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Culpada ou não, não há dúvida de que as cenas entre Cavil e Ellen na <em>basestar </em>são intrigantes, não apenas porque nos ajudam a perceber melhor a cronologia da história, mas porque dão a Dean Stockwell a oportunidade de se revelar e de nos surpreender a todos com a força e a crueza dos seus discursos. Nestas cenas, conseguimos compreender quem é Cavil, qual a origem do ódio que o leva a instigar a rebelião contra os seus criadores e a fazê-los sofrer.</p>
<p style="text-align: justify;">Regressando à cronologia, Cavil, o primeiro “filho”, num momento de inveja, destrói o modelo número sete, Daniel, o favorito de Ellen, contaminando os seus clones, de forma a que este não possa ressuscitar. Mãos no ar quem acha que o aparecimento de mais um modelo cylon foi forçado? Todos de mãos no ar? Pois, bem me parecia. Não obstante o facto de, no início da segunda temporada, Boomer ter confessado a Baltar em “Resistance“ haver oito modelos cylon à solta na frota, em vez dos sete que julgávamos, o aparecimento deste “Daniel” soa extremamente forçado, e parece apenas uma forma de explicar o destino de Kara. Pela Internet fora, teorias há muitas – há quem defenda que Starbuck é, na verdade, Daniel, explicando assim algumas das características mais “masculinas” que ofenderam tantos machistas (!!!), mas a teoria mais consensual parece ser que Daniel é o elusivo pai de Starbuck, o artista brevemente mencionado no início da segunda temporada, e que desde então foi completamente esquecido. A ver vamos…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há +/- 30 anos…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de destruir o seu irmão, Cavil instiga uma rebelião contra os seus pais, assassinando-os. Quando os Final Five ressuscitam, Cavil bloqueia as suas verdadeiras memórias e, num acto final de vingança, coloca-os nas Colónias, com memórias falsas, em cargos chave, de forma a que possam ter um lugar privilegiado para assistir ao Holocausto que tanto tentaram evitar. Refugiando-se com os restantes seis cylons, Cavil manipula as memórias dos seus irmãos, impedindo-os de se lembrarem de Daniel e criando uma subrotina que os impede de pensar nos Final Five. Chega então a hora de planear o ataque final às Colónias.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há 4 anos…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um ataque nuclear destrói as Doze Colónias. Cinquenta mil refugiados, incluindo os Final Five, iniciam a sua viagem pela galáxia, à procura de um novo lar. O círculo começa a fechar-se.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de toda esta exposição, não há dúvida de que muitas das questões que, desde o início, nos atormentavam, se encontram agora esclarecidas. No entanto, entre questões que continuam em aberto, e outras que se levantam com este episódio, a confusão permanece.</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>O que aconteceu em Kobol antes da partida da Décima Terceira Colónia? Quem vivia em Kobol? Já existiam cylons mecânicos? Quem os criou – os deuses ou os humanos?</li>
<li>Quem deixou a sonda que infectou os cylons perto da nébula? Será este um sinal de que existia uma civilização que precede Kobol? Poderá esta civilização ter tido origem na Terra?</li>
<li>Ellen afirma que o culto de um deus único nasceu com os cylons mecânicos e apenas mais tarde foi adoptado pelos híbridos. Quando? Em Kobol? Ou nas Doze Colónias? Onde surgiu esta ideia?</li>
<li>Quem avisou os Final Five do Holocausto iminente? Terão estes cylons recebido visitas dos seus próprios “Head Figures”?</li>
<li>Onde se encontra a tal colónia onde os Final Five criaram os híbridos?</li>
<li>Cavil foi criado à imagem do pai de Ellen. E quanto aos modelos 2 a 8? Terão também tido uma origem semelhante?</li>
<li>O que aconteceu a Daniel? Poderá este ter conseguido escapar até Caprica? Poderá ter alguma coisa a ver com Daniel Graystone, impulsionador da clonagem nas Colónias e uma das personagens principais de “Caprica”?</li>
<li>Qual o significado das palavras de Anders antes da cirurgia?</li>
<li>Qual o significado de Hera, Baltar e Six na casa da Ópera?</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Estas são apenas algumas das dúvidas levantadas por este episódio. Quem quiser, pode sempre dar uma olhadela à Battlestar Wiki e deliciar-se com a muito detalhada <a href="http://en.battlestarwiki.org/wiki/No_Exit#Questions" target="_blank">compilação de dúvidas</a>, que prova o verdadeiro quebra-cabeças que este episódio foi.</p>
<p style="text-align: justify;">Deste lado, no entanto, embora se tenha gostado de descobrir mais sobre a mitologia desta série, não foi possível apreciar verdadeiramente o episódio, em grande parte devido à dificuldade que os argumentistas têm demonstrado, nos últimos tempos, em conciliar histórias diferentes. Depois dos três episódios dedicados ao motim, onde se mostrou, praticamente, apenas o lado humano do conflito, temos um episódio dedicado inteiramente aos cylons e à sua história passada. Se o volume de informação já por si era suficiente para dar cabo da cabeça a qualquer pessoa, o facto de se ignorar, quase totalmente, as consequências para os humanos do motim, provoca um corte abrupto na trama, que não deveria acontecer a tão poucos episódios do final. Mais do que dedicar um episódio inteiro a expor o passado, teria sido preferível espalhar estas revelações ao longo de vários episódios, para facilitar a assimilação da informação e, ao mesmo tempo, criar uma ligação à trama actual.</p>
<p style="text-align: justify;">Da maneira como foi escrito o episódio, momentos importantes, como a decisão sobre o destino do governo, em que Laura Roslin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001521/" target="_blank">Mary McDonnell</a>) e Lee Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0051397/" target="_blank">Jamie Bamber</a>) resolvem acabar com o poder quase absoluto da Presidente, a favor de uma democracia mais ao estilo europeu, com um possível Vice-Presidente e uma assembleia representativa das naves da frota, passam quase despercebidos. E mesmo tendo tido algum destaque, o grande tormento de Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001579/" target="_blank">Edward James Olmos</a>), ao aperceber-se que a sua querida nave literalmente a cair aos pedaços e que apenas uma intervenção radical, com a ajuda de componentes orgânicos da <em>basestar</em>, a poderá salvar, parece quase trivial perante todas as outras revelações do episódio.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/82.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: 4&#215;14 &#8211; Blood on the Scales (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 18:30:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “The truth is told by whoever is left standing.” Nunca uma afirmação foi tão verdadeira como esta, especialmente neste que é um dos melhores dramas actualmente a serem exibidos na televisão americana. A redenção. Característica típica da maioria das séries com que nos deparamos, é a sua tendência para nos oferecerem um episódio redentor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> “<em>The truth is told by whoever is left standing.</em>” Nunca uma afirmação foi tão verdadeira como esta, especialmente neste que é um dos melhores dramas actualmente a serem exibidos na televisão americana.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5949"></span>A redenção. Característica típica da maioria das séries com que nos deparamos, é a sua tendência para nos oferecerem um episódio redentor dedicado à personagem que irá morrer. Pode ser a personagem mais irritante de sempre, desespero tanto de fãs como de detractores, mas, no momento derradeiro, tem de ter sempre o seu momento de glória, onde prova que, afinal, não era assim tão má, apenas incompreendida.</p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente, “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>” não é uma é uma série qualquer e não nos tem forçado a aceitar redenções de última hora, algo que, numa série onde a linha entre o bem e o mal sempre se mostrou algo complexa, seria difícil de fazer. No desfecho deste motim tão violento, que consigo levou quase uma centena de almas, não há lugar a grandes discursos de despedida, muito menos a momentos redentores para os seus principais intervenientes. Aqui assiste-se apenas ao desenrolar natural dos acontecimentos, à morte dos principais opositores e ao final de uma crise que pode não ter tido o impacto que se esperava na trama global, mas que deixou marcas em toda a frota. E, no entanto… se tudo isto é verdade, se ao longo das temporadas sempre se respeitou a dicotomia entre o bem e o mal, porquê, então, vilificar desta maneira a personagem de Zarek (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0368745/" target="_blank">Richard Hatch</a>)?</p>
<p style="text-align: justify;">Desde a sua primeira aparição no início da primeira temporada, Zarek mostrou ser uma personagem interessante, um antagonista que, pela força das suas palavras, nos forçava a questionar os nossos ideais, as nossas alianças. De revolucionário a terrorista e a assassino, de prisioneiro a agitador e a vice-presidente, Zarek percorreu um longo caminho nestas quatro temporadas. O seu destino, esse estava já traçado desde que se tornou num dos líderes deste motim, mas a forma como aqui se transforma quase num vilão parece algo contrário à personagem que temos vindo a descobrir. Sim, Zarek nunca teve problemas em mandar matar, como vimos em “Colonial Day” ou mesmo nas montanhas de Kobol em “Home, part 2”, mas o assassinato do Quórum neste episódio parece algo exagerado para o Zarek que conhecemos desde New Caprica. Mesmo sabendo que, ao rejeitar Zarek como presidente, o Quórum assinou a sua própria sentença de morte, e mesmo que este órgão do governo colonial pouco tenha tido que fazer ao longo das temporadas, a cena do fuzilamento, os tiros e os gritos em pano de fundo, não deixa ninguém indiferente. Infelizmente, mais do que a cena em si, é a sensação de que esta foi apenas uma estratégia para agravar o fosso entre Zarek e Gaeta, entre as duas faces do inimigo, que tira algum do impacto à história. Mais do que pelas suas observações correctas, mais do que pela certeza de que Zarek foi o único que aderiu em plena consciência a este motim, aquilo que irá marcar a sua personagem a partir de agora são os actos de violência que aqui cometeu, algo que não deixa de ser uma injustiça.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo contrário, a Gaeta (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0432228/" target="_blank">Alessandro Juliani</a>) cabe o papel daquele que sempre tentou lutar pelos seus ideais, mas que acabou por pagar pelas suas convicções. O desespero ao descobrir o assassinato do Quórum, a convicção com que confronta Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001579/" target="_blank">Edward James Olmos</a>) durante o “julgamento” em que insistiu, a raiva que demonstra pelo seu verdadeiro inimigo – os <em>cylons</em>, sempre os <em>cylons</em>, e todos aqueles que os ajudaram – todas estas emoções estão espelhadas no seu rosto, mas é talvez nos momentos mais calmos desta revolução que a personagem mais se destaca. No momento da decisão final, quando, nos aposentos do Adama, ordena o fuzilamento daquele que foi, em tempos, o seu líder, o seu modelo a seguir, conseguimos sentir a angústia de uma pessoa que perdeu o seu rumo. Ao longo de toda esta história, Gaeta esteve sempre do lado da razão, tentou defender as suas acções com o cumprimento da lei (“Y<em>ou want him to understand, I know you do</em>”), tentou dar voz aos oprimidos que estavam a ser completamente ignorados por aqueles que detinham o poder. Mas as mortes e a violência que o perseguem, que o forçam a tomar decisões para as quais não estava preparado, têm um impacto tão grande que apenas no final, com o desfecho trágico, deixam de se fazer sentir.</p>
<p style="text-align: justify;">Concordando-se ou não com a evolução da personagem, com o seu papel preponderante neste conflito e com o destino que lhe foi reservado, algo é impossível negar – Alessandro Juliani despede-se desta série com uma interpretação brilhante em todos os sentidos. “<em>I hope that people realize eventually who I am</em>”. As suas palavras para Baltar (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0130536/" target="_blank">James Callis</a>) na excelente cena final deste episódio, não deixam de ser um testemunho da evolução desta personagem mas, ao mesmo tempo, abrem um dilema. Teria sido este motim apenas uma expressão das frustrações de um oficial que viu os seus sonhos destruídos? Apenas uma vingança pessoal? O que aconteceu aos ideais de democracia que Gaeta tanto defendeu, agora que o <em>status quo</em> regressou ao inicial?</p>
<p style="text-align: justify;">Este é, talvez, o aspecto mais frustrante do episódio. A linha temporal que nos guia ao longo do episódio prova que, não obstante o que vimos em “The Oath”, o golpe foi extremamente rápido (tendo durado cerca de nove horas), que os amotinados não eram assim uma percentagem tão representativa da tripulação da Galactica, e que apenas graças ao factor surpresa o campo de Gaeta e Zarek conseguiu ganhar o controlo da nave. Apenas assim se explica a facilidade com que Starbuck (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0755267/" target="_blank">Katee Sackhoff</a>) e Apollo (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0051397/" target="_blank">Jamie Bamber</a>) conseguem resgatar os prisioneiros, como Adama convence os marines que o iam matar a juntarem-se ao seu lado, e como Romo Lampkin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0791968/" target="_blank">Mark Sheppard</a>) regressa à cena num <em>cameo </em>perfeitamente dispensável (haverá falta de advogados na frota? Precisam que Portugal exporte alguns?). Mesmo tendo em conta todos estes factores, fica a sensação que a resolução do episódio é apressada demais, fechada demais, o que acaba por tirar grande parte do impacto à história.</p>
<p style="text-align: justify;">A poucos episódios do final, há que deixar de ter medo de arriscar, de levar os actos às suas últimas consequências. A poucos episódios do final desta história, espera-se que as personagens principais comecem a cair, e que as várias tramas comecem a convergir num único ponto em direcção ao final. Nesse sentido, o motim poderia ter trazido uma grande evolução à história. Mas o que temos, no final, é um regresso quase ao ponto em que nos encontrámos em “Revelations”. Os dois lados do poder – os militares e o governo – continuam intactos. As duas raças continuam a seguir caminhos completamente separados. A trama política termina para dar lugar à trama mitológica. E os grandes dilemas levantados nestes três episódios – a democracia, o direito de escolha, o poder do povo – são novamente silenciados com os tiros que ressoam no hangar.</p>
<p style="text-align: justify;">Por todas estas razões, os momentos triunfantes, como a marcha para a vitória de Adama, e de júbilo, como o reencontro deste com a mulher que ama, tenham um impacto menor do que o esperado. Por todas estas razões, não é difícil compreender porque se acaba a apoiar Narcho (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0817819/" target="_blank">Sebastian Spence</a>), do lado dos inimigos, pela convicção que demonstra, em vez que Kelly (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0648153/" target="_blank">Ty Olsson</a>), que passa para o lado dos “heróis”, e que contribui para o final feliz da história.</p>
<p style="text-align: justify;">Devido ao facto de “The Oath” se ter centrado nas lutas internas entre os humanos desta frota, a facção <em>cylon </em>foi praticamente ignorada. Mas, com a captura dos <em>cylons </em>e amigos nesse episódio, e com a fuga de Roslin (<a href="http://www.imdb.com/character/ch0008087/" target="_blank">Mary McDonnell</a>) para a <em>basestar</em>, esperava-se que este “Blood on the Scales” nos desse, finalmente, o tão desejado salto para o mundo dos robôs. Infelizmente, mais uma vez se notou aqui a relutância em conjugar duas tramas distintas. Sem um líder claro desde a morte de Natalie e do desaparecimento de D’Anna, o manto de liderança dos <em>cylons</em> rebeldes acaba por cair sobre Roslin, que não cede a ameaças e consegue aguentar a situação até ao restabelecimento da ordem na Galactica. Quem já tinha saudades da Madame Airlock teve neste episódio um regresso em grande, com o poderoso “<em>I’m coming for all of you</em>”, e a constatação de Gaeta, de que ao eliminarem Adama, transformam efectivamente Roslin num líder político e militar, é bastante certeira… não fosse o facto de, no final do episódio, tudo ter regressado à normalidade. Mais uma vez faltou aqui a coragem de levar a personagem mais longe, de explorar os paralelos entre a sua liderança dos humanos e dos <em>cylons</em>, transformando Roslin, efectivamente, no líder que, desde o choque de “Revelations”, se tem recusado a ser, no líder de que esta frota tanto precisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Se os <em>cylons </em>a bordo da <em>basestar </em>poucos minutos de destaque tiveram, tirando o aparecimento de mais uma Six (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1065454/" target="_blank">Tricia Helfer</a>) que ainda agora chegou e já está na cama com Baltar, os <em>cylons </em>a bordo da Galactica, não tiveram melhor sorte. Depois de tudo o que se passou em “Guess What’s Coming To Dinner”, ver Athena (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0661825/" target="_blank">Grace Park</a>) a nem piscar os olhos quando Caprica Six pega em Hera, concretizando assim o sonho da Casa da Ópera, parece deveras estranho, mesmo se a situação era, na altura, perigosa. Helo (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0671886/" target="_blank">Tahmoh Penikett</a>) parece ter estado inconsciente durante praticamente todo o motim, e a sobrevivência de Anders (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0873998/" target="_blank">Michael Trucco</a>) ficou guardada para os próximos capítulos. Safaram-se, mais uma vez, Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/" target="_blank">Michael Hogan</a>), graças às suas tiradas sarcásticas, das quais iremos sentir falta quando a série terminar, e Tyrol (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234928/" target="_blank">Aaron Douglas</a>), que depois de passar horas a passear pelas entranhas da nave, descobriu o verdadeiro inimigo que poderá vir a acabar com a Galactica de uma vez por todas.</p>
<p style="text-align: justify;">No início da quarta temporada, há quase um ano atrás, Ronald D. Moore afirmou que, finalmente, a poderosa Galactica ia começar a mostrar a sua idade, a ressentir-se de tudo aquilo que já viveu, de tudo aquilo por que já passou. E se, por agora, esta é apenas uma fenda física, podemos especular que esta fenda representa muito mais do que o desgaste natural do metal, que é também uma alegoria ao cansaço desta frota, às pessoas que, há quatro anos, lutam pela sua sobrevivência, que vivem e morrem sem ver a luz ao fundo do túnel. Talvez seja este o verdadeiro início do fim para todos.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/82.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: 4&#215;13 &#8211; The Oath (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 20:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “I want you all to understand this. If you do this, there will be no forgiveness. No amnesty. This boy died honoring his uniform. You… you’ll die with nothing.” Qual o episódio de “Battlestar Galactica” que mais vos marcou ao longo destas quatro temporadas? Aquele que vos converteu definitivamente para a igreja de BSG? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #800000;">[SPOILERS]</span> </strong><em>“I want you all to understand this. If you do this, there will be no forgiveness. No amnesty. This boy died honoring his uniform. You… you’ll die with nothing.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span id="more-5485"></span></em>Qual o episódio de “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>” que mais vos marcou ao longo destas quatro temporadas? Aquele que vos converteu definitivamente para a igreja de BSG? Deste lado, “33” foi caso de amor à primeira vista, “You Can’t Go Home Again” a origem da primeira noitada, “Kobol’s Last Gleaming, part 2” o primeiro choque, “Pegasus” o momento de assumir do vício e “Crossroads, part 2” o desfecho que mais estarrecida me deixou. Mas por entre todos os episódios, todos os momentos que foram ficando gravados na memória, aquele que mais reacções físicas provocou foi a saga de New Caprica. “Occupation”, “Precipice” e o duplo “Exodus” mostraram uma realidade assustadoramente próxima da nossa, obrigaram–nos a reflectir sobre aquilo que somos e sobre aquilo em que acreditamos; fizeram-nos olhar para o inimigo com novos olhos, espelhando nele os nossos erros; fizeram-nos, por fim, confrontar as nossas escolhas. Desde essa altura, nenhum outro episódio tinha provocado uma agonia tão intensa deste lado. Isto é… até ao épico “The Oath” desta semana.</p>
<p style="text-align: justify;">Haverá alguém que tenha ficado indiferente a este episódio? Que não tenha passado 42 dos minutos mais tensos de sempre a ver o despertar da guerra civil? Que não tenha desesperado com o som dos tiros e dos gritos, com o número de corpos abandonados nos corredores, a ver velhos amigos (Seelix, Racetrack, Skulls, Connor, Kelly) a tornarem-se inimigos? E haverá alguém que não tenha dado um grito de júbilo ao ver Tigh e Adama a provarem, de uma vez por todas, que são mais duros de roer do que qualquer pretendente a herói de acção? É isto que “Battlestar Galactica” melhor faz. Esta não é uma série de acção, aqui sempre se apostou mais no desenvolvimento da mitologia e das personagens do que nos tiros e explosões. Mas sem dúvida que, quando acção é necessária, os argumentistas e os actores que encarnam estas personagem conseguem superar-se. E, nesses momentos, deixam-nos sem qualquer outro tipo de reacção que não seja:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>OH MY GODS WHAT THE FRAK!?!?! SAUL MOTHERFRAKKIN’ TIGH E BILL ADAMA</strong> <strong>ARMADOS ATÉ AOS DENTES</strong> A DAREM CABO DOS MARINES?? ÉPICO, MINHA GENTE, ÉPICO!! <strong>STARBUCK’S YIPPEE KI-YAY MOTHERFRAKKER MOMENT</strong>? LINDO! LINDO! LINDO! TO BE CONTINUED? <strong>TO BE CONTINUED</strong>?!?! MAS QUEREM DAR-NOS UM ATAQUE DO CORAÇÃO?!?!?</p>
<p style="text-align: justify;">Cof cof. Desabafos de lado, regressemos então à programação original.</p>
<p style="text-align: justify;">O que é preciso para mudar o mundo? Eloquência, apoiantes, dinheiro, armas? Sem dúvida que mudar o mundo é mais simples se tivermos este apoio. Mas por vezes… por vezes mudar o mundo é tão simples quanto arranjar um inimigo comum, algo contra o qual os outros se disponham a lutar, algo pelo qual se disponham a morrer. E se, ao longo dos últimos quatro anos, o inimigo esteve bem definido, com este “The Oath” a linha entre o bem e o mal, entre amigos e inimigos, deturpou-se de tal maneira, que já não sabemos bem em quem acreditar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada justifica as mortes a que assistimos neste episódio. Nada consegue justificar os corpos espalhados pelos corredores da Galactica, a despedida inglória dos pobres Laird (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0301925/" target="_blank">Vincent Gale</a>) e Jaffee (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0500551/" target="_blank">Michael Leisen</a>), o ataque aos cylons indefesos e as ameaças que lhes são feitas. Nada justifica os crimes que estão a ser cometidos. E, no entanto, mesmo sabendo que não há razão que o possa justificar, não deixamos de ficar divididos entre os dois lados do conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">Roslin e Adama, Zarek e Gaeta. Estes são os dois pólos antagónicos. Se os primeiros são os “heróis” no sentido típico da palavra, aqueles que protegeram os sobreviventes desde o início, que os guiaram e os mantiveram vivos, são também aqueles que mais erros cometeram. Roslin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001521/" target="_blank">Mary McDonnell</a>) e Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001579/" target="_blank">Edward James Olmos</a>) fizeram um pacto no início desta longa viagem, um pacto de trabalhar em conjunto, civis ao lado de militares, para encontrar uma nova casa e assegurar a sobrevivência da raça humana. Mas, ao longo do tempo, à medida que a relação entre os dois se alterou, este pacto foi sendo esquecido. E agora que o exército está, literalmente, na cama com o governo, que Roslin desistiu de lutar, Adama reverte para aquilo que melhor faz, aquilo que sempre o guiou – a força, a obediência. Infelizmente, o que Adama se esquece é que os civis não podem ser tratados desta maneira. Não é possível dar ordens aos civis e esperar que estes obedeçam cegamente. A população em geral precisa de saber que está envolvida no processo de decisão. Que as suas opiniões ainda têm algum peso. Quando os representantes eleitos já não o conseguem fazer, é preciso tomar medidas drásticas, e os líderes têm de ser derrubados.</p>
<p style="text-align: justify;">Já na terceira temporada tínhamos tido um gostinho do que poderia acontecer quando os líderes se afastam do seu povo de tal maneira que já não conseguem chefiar convenientemente. “Dirty Hands” pode não ter sido o melhor episódio da terceira temporada, mas mostrou-nos, claramente, as consequências de ignorar a população. Em “Dirty Hands, foi Tyrol quem tentou mostrar que algo está mal nesta sociedade: “<em>We&#8217;re leaving people behind. People are locked into their jobs. They have no control over their lives, they have no say. We&#8217;re abandoning them to their fate, it&#8217;s like we&#8217;ve marooned them on a planet</em>“. Mesmo que, no final do episódio, se tenha assistido a uma mudança, numa resolução que pareceu forçada demais, perfeita demais para esta série, a verdade é que as sementes do descontentamento não desaparecem tão facilmente quanto os líderes gostariam. Sim, esta não é uma sociedade perfeita, mas é a sociedade que têm, e com a qual é preciso lidar. As palavras de Roslin continuam tão actuais agora como nessa altura: “<em>And if this society is becoming truly polarized between an entrenched political class and a disenfranchised underclass, we are doomed. We won&#8217;t need the Cylons to destroy us, we&#8217;ll destroy ourselves.</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">E é aqui que nos encontramos de momento. Mais uma vez, Roslin e Adama fizeram orelhas moucas à população, aos seus medos e angústias, embrenharam-se de tal forma no seu próprio desespero e desilusão, que se esqueceram de governar. O vazio de poder, quando aparece, é difícil de combater, e é nesse momento que os oportunistas mostram a sua verdadeira face.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhando friamente para o dilema que nos é apresentado, não há dúvida de que Tom Zarek (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0368745/" target="_blank">Richard Hatch</a>) tem toda a razão nas críticas que faz aos líderes da frota, quando frisa que esta se encontra, para todos os efeitos, a enfrentar uma nova ditadura militar, tal como no início da segunda temporada. Este é o Zarek que conhecemos, o revolucionário, o prisioneiro de consciência, o homem que não hesita e que não olha a meios para conseguir vingar. Infelizmente, e tal como tantos outros que conhecemos da vida real, Zarek é também apenas um oportunista. Por muito belas palavras que diga, por muito que se mostre indignado com a situação actual, as suas propostas vão apenas no sentido de uma revolução, sem nunca falar no futuro. Criticar é muito fácil; oferecer uma nova solução parece sempre mais complicado.</p>
<p style="text-align: justify;">Já Gaeta (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0432228/" target="_blank">Alessandro Juliani</a>), o líder de facto da revolução, continua a ser um idealista, mesmo quando tudo dá para o torto. A sua evolução ao longo das temporadas, mas especialmente desde New Caprica, foi muito interessante, e a sua escolha para organizador do motim perfeitamente óbvia. Este é o homem que perdeu toda a confiança nos seus superiores, mas que continua com a ilusão de que pode contribuir para resolver a crise. A sua relutância em usar a violência física, mesmo depois das duras palavras que trocou com Kara no episódio anterior, revela-se de início na cena do assassinato de Laird, mas também na forma como consegue tirar Adama do poder sem o matar, recorrendo sempre ao código por que se regem os militares. No entanto, mesmo o golpe de estado mais bem planeado como este o foi (e há que admirar a forma como Gaeta conseguiu controlar tudo do seu pequeno painel de comunicações!) nunca poderá ser menos do que sangrento quando os ânimos estão tão exaltados. Com a acumulação de mortes no CIC e nos corredores da Galactica, Gaeta vê-se obrigado, também ele, a recorrer à violência ao ordenar o ataque ao <em>raptor </em>onde segue a Presidente, assinando, neste ponto, a sua própria sentença. Toda e qualquer justificação que pudesse ter desvanece-se com o número de vítimas inocentes deste conflito, e promete ter graves consequências para a personagem nos episódios finais.</p>
<p style="text-align: justify;">No meio de tanta angústia e tanto desespero, algumas notas positivas para personagens que pareciam ter perdido o seu caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo antes de descobrir o seu corpo carbonizado na Terra, há muito que Starbuck (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0755267/" target="_blank">Katee Sackhoff</a>) já não era a mesma. A Kara da primeira temporada, a piloto que tanto se dispunha a emborcar uns bons copos e a dar uns murros no seu oficial de comando como a salvar a vida dos colegas em manobras arriscadas no seu <em>viper</em>, desapareceu por volta da época de New Caprica. Em seu lugar encontrámos, recentemente, uma estranha cuja sanidade se tornava cada vez mais difícil de reconhecer. Depois de uma primeira metade desta última temporada desgastante para Kara, com os seus irritantes berros de que estavam a ir na direcção errada, nada melhor do que vê-la renascer das cinzas, pegar num par de armas e desatar a matar todos os que ameaçam os seus entes queridos. Não que os seus problemas estejam resolvidos; muito pelo contrário, a dúvida sobre a sua verdadeira identidade permanece, algo que de certeza ainda irá ter um grande impacto na história. Mas, por agora, o que interessa é o problema imediato, e isso significa deixar as dúvidas para trás e fazer aquilo que se faz de melhor – lutar, até ao fim. Kara é, talvez, do grupo de personagens do lado de cá do motim, a mais pragmática no momento, como o provam as suas palavras com Lee (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0051397/" target="_blank">Jamie Bamber</a>) e Adama. E com a escalada do dilema, sabemos que será sempre aquela em que podemos confiar.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo que Starbuck sai do poço em que se encontrava, também a Presidente parece despertar da apatia a que se tinha resignado, mostrando-se disposta a lutar novamente. Foi difícil ver uma pessoa que, ao longo dos últimos anos, sempre se revelou uma das personagens mais fortes, cair num tal estado de depressão, que nada a parecia afectar mais. Talvez por isso o seu renascimento, o regresso ao trabalho, seja bem-vindo, e acabe por revelar um interessante paralelo com o renascimento de Starbuck, algo que tem vindo a tornar-se cada vez mais notório desde “Faith”. Mais interessante ainda é ver que, confrontada com este dilema, é a Baltar (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0130536/" target="_blank">James Callis</a>) que Laura Roslin novamente recorre. Depois dos eventos de “The Hub” e “Revelations”, a relação entre os dois parece ter revertido para um nível de tolerância mútua, mas quando a situação o exige, a auto-preservação de Baltar, aquilo em que este tão especialista é, acaba por revelar-se de extrema importância para o desenrolar dos acontecimentos e para a segurança da Presidente. Não há dúvida de Baltar tem sido mal aproveitado nos últimos tempos, que a sua história parece ter perdido o sentido que, desde o início, tinha. Mas espera-se agora que, ao lado de Roslin, a história de Baltar possa entrar novamente nos eixos, e que seu papel nesta profecia se torne mais evidente.</p>
<p style="text-align: justify;">Num episódio tão tenso, tão recheado de acção, onde os nervos estão à flor da pele em cada cena, com as magníficas prestações de todo o elenco, o que faltou, então? É simples &#8211; ver o outro lado do conflito. O papel dos cylons, tanto dos que vivem na Galactica como os que estão na Basestar, tem sido um pouco ignorado nos últimos tempos. Já se começa a ter saudades de Athena (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0661825/" target="_blank">Grace Park</a>), Helo (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0671886/" target="_blank">Tahmoh Penikett</a>) e da pequena Hera, esperava-se mais da Six (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1065454/" target="_blank">Tricia Helfer</a>) e de Anders (Michael Trucco) e, especialmente, exigem-se mais cenas dedicadas a Tyrol (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234928/" target="_blank">Aaron Douglas</a>), a personagem que, no meio de todo este conflito, se mostrou mais igual a si próprio.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas como a história ainda vai a meio, e ainda faltam uns longos (loooongos!) dias até ao próximo episódio, ominosamente intitulado “Blood On The Scales”, resta-nos ir revendo os momentos finais deste belo episódio, com a família toda reunida em jeito de despedida, preparada para o confronto final. O beijo de Adama e Roslin, mais do que um mero contributo para os problemas cardíacos dos <em>shippers </em>(e para o grande embaraço de Starbuck e Lee), é um sinal de que o fim está a chegar para estas personagens, que muitas delas não irão resistir até ao baixar do pano. Deste lado, espera-se um grande final e que Saul Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/" target="_blank">Michael Hogan</a>) e o seu maravilhoso olho (que deveria ser considerado um actor à parte) continuem a dar cabo de tudo e de todos.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/94.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: 4×12 &#8211; A Disquiet Follows My Soul (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2009 09:38:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “People know something has to be done. The world is frakked, it’s upside down and someone has to turn it right side up. Are you that man?” Desespero e intrigas políticas. Yep, “Battlestar Galactica” está definitivamente de volta aos bons velhos tempos. Mesmo sendo um episódio indiscutivelmente mais fraco que o espantoso “Sometimes a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #800000;">[SPOILERS]</span> </strong><em>“People know something has to be done. The world is frakked, it’s upside down and someone has to turn it right side up. Are you that man?”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span id="more-5167"></span></em>Desespero e intrigas políticas. Yep, “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>” está definitivamente de volta aos bons velhos tempos. Mesmo sendo um episódio indiscutivelmente mais fraco que o espantoso “Sometimes a Great Notion”, a estreia de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0601822/" target="_blank">Ronald D. Moore</a> na direcção deste décimo segundo episódio da quarta temporada é interessante. Recheado de momentos introspectivos depois das revelações com que fomos surpreendidos na semana passada, “A Disquiet Follows My Soul” apresenta-nos a calma antes da tempestade que promete vir a assolar a vida de todos os sobreviventes.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início, a fricção entre as forças políticas e militares, entre os dois lados do poder, marcou presença nesta série na pessoa dos dois líderes máximos – Laura Roslin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001521/" target="_blank">Mary McDonnell</a>) e William Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001579/" target="_blank">Edward James Olmos</a>). Das discussões sobre tecnologia antes da queda das Colónias ao primeiro acordo no final da mini-série, do medir de forças no dia-a-dia até à lei marcial, do reencontro em Kobol à união contra as ameaças externas, o conflito entre estes dois poderes evoluiu à medida que a relação entre os dois protagonistas se foi modificando. Mas se, de início, Adama e Roslin iam servindo como consciência moral um do outro, agora, na recta final, mostram-se incapazes de o fazer. Os dois líderes, aqueles em quem todos se apoiavam, estão no final das suas forças, desistiram de lutar, e resignam-se aos seus respectivos destinos, resolvendo aproveitar o pouco tempo que ainda lhes resta para serem felizes.</p>
<p style="text-align: justify;">O desespero a que Roslin sucumbiu no episódio anterior leva-a a desistir de lutar contra a doença, a recusar-se a tomar a medicação e a seguir o plano de tratamentos prescrito pelo seu médico. As consequências não se fazem esperar: a euforia provocada pela diminuição da toxicidade no seu corpo fazem-na deixar de lado as decisões sobre os destinos da frota, entregando, de mão beijada, a presidência a Zarek. Não podemos criticar a escolha de Roslin nesta fase da sua vida: por muito que deva ser forte, por muito que sejamos obrigados a reconhecer que, ao desistir do tratamento, Roslin está apenas a escolher uma forma mais lenta de suicídio do que Dee no episódio anterior, não há dúvida de que já merece algum conforto depois de tudo aquilo por que passou, e a relação que finalmente é consumada com Adama não deixa de ser um dos momentos mais aguardados da série pelos <em>shippers</em> por esse mundo fora. Infelizmente, a felicidade tem tendência a preceder a tragédia nesta série, e os sorrisos com que os dois nos deixam no final do episódio não auguram nada de bom para uma relação que, segundo a mitologia que rege a série, está condenada desde o início. Resta saber se o “líder moribundo” de que falam as Escrituras é mesmo a Roslin, como acreditámos desde o início, ou se o cansaço que Adama revela nos últimos tempos não poderá vir a pregar-nos alguma surpresa.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a Adama, parece que a resolução tomada no final de “Sometimes a Great Notion”, o discurso motivador que mais uma vez se viu obrigado a proferir para a frota, não conseguiu convencer o próprio. Adama é um militar, apoia-se nas regras, depende das suas rotinas, mas tudo aquilo por que passou ao longo dos últimos três anos está finalmente a deitá-lo abaixo. O desespero que o levou a tentar o “suicídio assistido” parece, à primeira vista, ter desaparecido, e a tentativa de repor a ordem na frota revela-se tanto na forma decidida como ordena o ataque à refinaria, como no apanhar do lixo que invade o chão da Galactica, mas o cansaço provocado pelos últimos eventos evidencia-se nos seus olhos, nos seus gestos, nos comprimidos e no álcool consumidos cada vez com menos moderação…. e também nas decisões controversas que toma.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia de Adama, de aceitar a oferta dos <em>cylons</em>, uma contradição clara com aquilo que sempre marcou esta personagem, é um dos momentos de maior surpresa do episódio. A veemência com que negou qualquer utilização de tecnologia moderna no início desta viagem, como recusou sequer a ligação em rede de simples computadores da nave para melhorar as suas funções, desaparece num ápice com a sugestão inacreditável de integrar a tecnologia dos <em>cylons </em>nas naves da frota, de forma a aumentar o alcance dos saltos. Neste pequeno momento, vemos uma personagem que perdeu o seu caminho, que está cansado do seu trabalho, e que apenas quer seguir em frente e descansar. Tal como no caso de Roslin, não podemos culpar Adama por este sentimento tão humano, mas também não podemos deixar de admitir que as duras palavras de Zarek soam cada vez mais verdadeiras.</p>
<p style="text-align: justify;">Do lado de cá da televisão, assistimos ao desenrolar dos dramas, às lutas de poder, à evolução de ambas as sociedades – humana e <em>cylon</em>; vimos humanos a ajudar <em>cylons</em>, e <em>cylons </em>a traírem a sua raça para salvarem humanos. Nunca saberemos, com certeza, qual a razão que levou os <em>cylons </em>a aniquilar a humanidade, qual a razão do ódio que levou não a uma, mas a duas guerras devastadoras, tal como nunca saberemos de que forma contribuíram os humanos para a primeira revolta. Tudo isto sabemos do lado de cá. A frota, pelo contrário, aqueles pouco mais de trinta e nove mil refugiados que há três anos vivem nas naves, nunca teve acesso a nenhuma destas descobertas. Não é por isso, de estranhar, que a decisão unilateral de Adama, de colocar tecnologia estranha nas naves, com a ajuda dos modelos humanóides, caia que nem uma bomba entre estes refugiados. Como esquecer a morte de 50 mil milhões de pessoas, o genocídio de uma raça? Será mesmo possível pôr de lado toda a raiva e trabalhar em conjunto? As palavras de Lee em “Revelations” podem ser muito bonitas, mas se a integração de Athena (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0661825/" target="_blank">Grace Park</a>) na Galactica foi tão difícil, será mesmo concebível querer impingir esta aliança a toda a população?</p>
<p style="text-align: justify;">“<em>You know what the difference is between you and I, admiral? You wear that uniform, and I don’t.</em>” Gostemos ou não da personagem e do actor que a encarna, não há dúvida que, nesta recta final, é mais uma vez Tom Zarek (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0368745/" target="_blank">Richard Hatch</a>) o único que consegue ver a realidade. Graças ao seu passado obscuro, as advertências de Zarek ao longo das temporadas têm sido totalmente ignoradas por quem está no poder. Zarek tentou, para o bem e para o mal, lidar com quem colaborou com os <em>cylons </em>em New Caprica, e advertiu a presidente de que o julgamento público de Baltar poderia vir a dividir a frota. De ambas as vezes foi totalmente ignorado. De ambas as vezes se provou que tinha razão. E agora que a crise está instalada, mais uma vez as suas palavras verdadeiras são ignoradas.</p>
<p style="text-align: justify;">Adama e Roslin já desistiram de lutar, Lee (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0051397/" target="_blank">Jamie Bamber</a>), que Zarek, a tanto custo, tentou recrutar desde “Bastille Day”, cuja aliança no Quórum julgou conseguir, usurpou o seu lugar de direito em “Sine Qua Non”, e regressa ao lado do pai nesta nova crise. Os líderes da frota estão a viver um sonho, recusam-se a reconhecer a realidade, a cumprir o seu papel e a acatar os ditames da lei. Para Zarek, este é o ponto de viragem. O primeiro passo, virar o Quórum contra a presidência ausente, contra Adama, não se fez esperar, e embora não tenha vingado, lançou as sementes da revolta que irão certamente trazer graves repercussões nos próximos tempos. A guerra civil avizinha-se. E no seu comando, estará, nada mais, nada menos, do que Felix Gaeta (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0432228/" target="_blank">Alessandro Julianni</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">A evolução de Gaeta, a sua caída na espiral de fúria que o faz aliar-se a Zarek, já foi devidamente debatida nas críticas aos webisódios “<a href="http://tvdependente.net/tag/the-face-of-the-enemy/" target="_blank">The Face Of The Enemy</a>” que precederam esta segunda fase da última temporada. Em retrospectiva, conseguimos perceber melhor o seu estado de espírito – não só se desvaneceram todas as últimas ilusões com a descoberta da Terra devastada, como ainda por cima acabou de perder uma das suas maiores confidentes. A sua revolta é evidente no desrespeito com que trata os seus oficiais superiores, mas especialmente nos insultos a Starbuck (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0755267/" target="_blank">Katee Sackhoff</a>) na sala dos oficiais. O Gaeta que vemos aqui é um homem no limite da sua paciência, que sempre tentou fazer o bem, respeitar tudo e todos e que, no final, foi injustiçado. Talvez por isso, os insultos que troca com Starbuck naquela que é, provavelmente, a melhor cena de todo o episódio, tenham tanto impacto, e nos transportem para a situação reversa a que assistimos em “Collaborators”, na terceira temporada. Nessa altura, foi Starbuck quem se aproveitou do desespero de Gaeta, mas agora é este quem se vinga no momento de maior incerteza de Kara. No entanto, por muito que seja interessante descobrir esta outra faceta de uma personagem que há muito julgámos conhecer, há, no entanto, algo que é impossível de ignorar: mesmo com todas as desilusões por que passou, Gaeta continua a ser, talvez, a única personagem a acreditar em ideais. A sua aposta em Zarek, mais do que uma mera vingança por tudo aquilo que sofreu, é uma tentativa (mais uma) de tentar restabelecer a ordem num mundo mergulhado em caos. É possível destruir os sonhos de Gaeta, mas é mais difícil destruir as suas ilusões de um mundo mais justo, melhor. O que irá acontecer quando também esta sua ilusão se desvanecer, quando verificar que, por muito que Zarek fale contra Adama e Roslin, também ele não tem mais do que uma ilusão do futuro, é algo que certamente iremos ainda descobrir.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas porque as ilusões não são paradigma apenas dos humanos, também do lado dos <em>cylons </em>assistimos a momentos que poderão vir a determinar todo o futuro desta raça.</p>
<p style="text-align: justify;">“<em>The first member of our family will be with us soon, Gaius. It&#8217;s time to make your choice&#8230; Come, see the face of the shape of things to come.</em>” Um dos momentos mais determinantes desta série revelou-se em “Kobol’s Last Gleaming, part II”, na belíssima cena na Casa da Ópera, quando Baltar descobriu o berço com a pequena Hera. A partir desse momento, a mitologia da série ganhou toda uma nova dimensão. O papel do primeiro híbrido humano/<em>cylon </em>– Hera – é um dos mistérios mais bem guardados da série, e um dos que mais voltas nos tem dado à cabeça, especialmente quando a revelação de quatro dos cinco Final Five destruiu por completo esta ilusão e nos apresentou mais um híbrido – Nicky, o filho de Cally (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0167435/" target="_blank">Nicki Clyne</a>) e de Tyrol (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234928/" target="_blank">Aaron Douglas</a>). Esta descoberta, no entanto, trazia consigo alguns problemas &#8211; o destino especial reservado para Hera teria de ser partilhado com Nicky. O que fazer, então? É simples: denegrir, mais uma vez, a pobre da Cally, fazendo com que Nicky seja filho não de Tyrol, mas do secundário Hot Dog (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0647453/" target="_blank">Bodie Olmos</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Embora seja comum na maior parte das séries, não ter uma história delineada até ao final resulta em momentos como este, em que sabemos perfeitamente que uma solução de última hora para um problema está a ser arranjada. Não convence ninguém, certamente, mas desta vez damos-lhes um desconto: a história não só nos traz de volta ao ecrã o grande Dr. Cottle (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0722413/" target="_blank">Donnelly Rhodes</a>), como também impulsiona uma evolução para a personagem de Tyrol. Provavelmente o Final Five que pior reagiu ao descobrir a sua verdadeira natureza, Tyrol parece estar a aceitar melhor a sua condição desde o <em>flashback </em>na Terra, e agora que a sua última ligação à humanidade (o filho) desapareceu, poderá vir a aceitar em pleno a sua natureza. A confusão dos pronomes não o impossibilita de saber, no entanto, muito bem aquilo que quer. Os <em>cylons </em>(e, por extensão, os Final Five), estão dispostos a ajudar, mas para isso querem ser considerados parte da frota, com todas as regalias que essa condição acarreta. Por muito que os <em>cylons</em> tenham estudado os humanos, os seus usos e costumes, não há dúvida que a decisão de quererem fazer parte da frota partiu de Tyrol, que conhece Adama e sabe que este irá respeitar o seu maior voto com todas as suas forças: proteger a frota, custe o que custar, e não a abandonar, mesmo que isso implique perdê-la. Um momento muito interessante, e que certamente irá ter continuação no próximo episódio, curiosamente intitulado “The Oath”.</p>
<p style="text-align: justify;">Reestabelecida a mitologia, o que dizer então do rebento de Caprica Six (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1065454/" target="_blank">Tricia Helfer</a>) e Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/" target="_blank">Michael Hogan</a>)? Pessoalmente, a única palavra que me vem à cabeça é “ewwwww!”. Infelizmente, os argumentistas não parecem ser da mesma opinião, e o destino do pequeno já está traçado: o primeiro feto cem por cento <em>cylon </em>representa o futuro desta raça, um futuro para lá dos <em>downloads</em>, agora que o The Hub foi destruído. Isso, é claro, pressupondo que consiga nascer. É que entre os humanos revoltosos que estão a planear a guerra civil e a fúria de Ellen quando (e se) voltar, o pequeno promete ter uma vida agitada.</p>
<p style="text-align: justify;">Para fechar mais uma crítica, uma reflexão apenas para o suposto guardião do futuro da raça <em>cylon</em>. O percurso de Baltar (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0130536/" target="_blank">James Callis</a>) nesta série é um dos mais interessantes, e a última reviravolta nas suas crenças é intrigante. Baltar sempre foi a personagem que melhor se adaptou às diversas situações, que previa as mudanças (com a ajuda da sua Head Six), conseguindo assim sair ileso de todos os dilemas em que se enfiou. Talvez por isso, a sua nova crença – ou falta dela – não soe tão inacreditável. Este é homem que começou a série a negar uma entidade suprema (“<em>There is no God or gods, singular or plural. There are no large invisible men (or women for that matter) taking a personal interest in the fortunes of Gaius Baltar</em>.”), que passou a acreditar no deus único dos <em>cylons </em>(“<em>I repent.</em>”), que nele encontrou o seu destino (“<em>I am an instrument of God.</em>”), que o transformou à sua própria imagem e nele encontrou a sua absolvição (“<em>God made us all perfect</em>.”), mas que agora, face à destruição encontrada na Terra, se vê a braços com uma crise de fé. Apenas temos, neste episódio, um pequeno vislumbre da revolta que sente contra um deus que considera, agora, injusto, mas o pouco que vimos deixa-nos com a certeza que a sua personagem irá ser ainda determinante para o final desta história.</p>
<p style="text-align: justify;">Até ao próximo episódio, “The Oath”, muito há ainda por digerir. Até lá, para passar o tempo, fiquem, como eu, a roer-se de inveja por não poderem estar presentes <a href="http://www.bearmccreary.com/blog/?p=1088" target="_blank">neste espectáculo</a>, que promete dar uma nova dimensão à maravilhosa banda sonora desta que é, para mim, uma das melhores séries de sempre.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/85.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: 4&#215;11 &#8211; Sometimes a Great Notion (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 20:10:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] &#8220;Sometimes I live in the country, Sometimes I live in town, Sometimes I have a great notion; Jumpin&#8217; in into the river and drown.” Fé, esperança, sonhos. Nas palavras de David Weddle, um dos argumentistas de “Sometimes a Great Notion”, o décimo primeiro episódio da quarta temporada de “Battlestar Galactica”, este é o tema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> <em>&#8220;Sometimes I live in the country, Sometimes I live in town, Sometimes I have a great notion; Jumpin&#8217; in into the river and drown.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span id="more-4867"></span></em>Fé, esperança, sonhos. Nas palavras de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0917131/">David Weddle</a>, um dos argumentistas de “Sometimes a Great Notion”, o décimo primeiro episódio da quarta temporada de “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>”, este é o tema mais universal sobre o qual se pode escrever. Para nós, aqui na Terra, o sonho é o emprego pelo qual trabalhámos durante anos e que perdemos com a crise; a casa, para a qual poupámos a vida inteira, e cujas prestações já não conseguimos pagar; a família perfeita, que perdemos num minuto. Desejos simples ou complexos, destruídos em segundos. Para os sobreviventes das Doze Colónias, o sonho maior era a Terra, descobrir um pedaço de chão habitável, reencontrar os seus irmãos distantes, reconstruir uma vida destruída e descansar de uma viagem que parecia interminável. Sonhos simples, também para eles.</p>
<p style="text-align: justify;">O que acontece, então, quando o maior sonho da nossa vida implode frente aos nossos olhos? Quando esteve tão próximo de nós, mas se torna agora inalcançável? O que fazer, quando o nosso maior sonho se transforma no nosso maior pesadelo? É isso que é explorado neste espantoso episódio de “Battlestar Galactica”.</p>
<p style="text-align: justify;">A chegada à Terra, a meio da quarta temporada, em “Revelations”, foi surpreendente, não apenas pelo estado em que esta se encontra, mas por deixar tanto em aberto para os episódios finais. O objectivo principal deste povo, desde a mini-série há cinco anos atrás, era encontrar o mítico planeta Terra, casa da Décima Terceira Colónia, encontrar um refúgio dos Cylons e reconstruir a Humanidade. Mas, em poucos minutos, o sonho foi irremediavelmente destruído. Feita a grande revelação, o que resta agora é lidar com as consequências desse momento. E é exactamente por isso que este se revela um dos melhores episódios de toda a série.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que desvendar o mistério da identidade do último <em>cylon</em>, e mais do que mostrar grandes batalhas espaciais, o forte desta série foram sempre as personagens e as suas relações, a forma como reagem aos eventos e como lidam uns com os outros. Neste episódio, por entre as surpreendentes revelações, o que acaba por marcar é exactamente a humanidade das personagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Os sobreviventes das colónias, os <em>cylons </em>a bordo da nave rebelde, todos se encontram devastados pela descoberta desta Terra, mas ninguém representa tão bem essa desolação como Dee, Roslin e Adama.</p>
<p style="text-align: justify;">Na recta final de uma série como esta, não é de estranhar que as mortes se sucedam, mas há aquelas mortes que nos conseguem, mesmo assim, chocar. A morte da Cain na segunda temporada era previsível, mas o suicídio de Gina, pelo contrário, foi um golpe de génio da parte de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0601822/" target="_blank">Ronald D. Moore</a>. Duck, Jammer e Kat, na terceira temporada, quase foram esquecidos com o choque dos destinos de Ellen e Starbuck, da mesma forma que o assassinato de Cally é ofuscado pela trama principal na quarta. Mas a morte de Dee (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0565973/" target="_blank">Kandyse McClure</a>), mesmo previsível, não deixa de ser um choque para todos. Fiel e trabalhadora, Dee era, desde a mini-série, uma das personagens secundárias mais constantes e, por isso mesmo, a personagem ideal para mostrar o desalento que assola toda a população. Mais do que o graffiti pintado pelos corredores da Galactica, mais do que as rixas sem sentido que a rodeiam, o desespero de Dee no solo de uma Terra destruída é a face visível do desespero de toda uma população que não tem, a partir de agora, nada mais que lhes dê alento. Se as cenas do <em>recap </em>deixavam adivinhar que não  ia passar deste episódio, e a calma com que regressa à Galactica nos mostra que a sua decisão está tomada, não há dúvida de que o acto em si foi surpreendente, por seguir um momento terno com Lee (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0051397/" target="_blank">Jamie Bamber</a>), um dos poucos neste episódio, e pela crueza com que foi filmado. Aquele que é, certamente, o momento de violência mais gráfica até aqui, acaba por ilustrar o sentimento geral de toda a população, e deixa-nos com pena de uma personagem que já não tinha direcção desde metade da segunda temporada.</p>
<p style="text-align: justify;">Do cidadão comum, passamos para os líderes. Desde o início, a Roslin e o Adama representaram os pilares da frota, os dois pólos de uma sociedade destruída, os dois líderes que iriam levar o seu povo até uma nova morada, as figuras parentais com quem todos podiam contar. Mas, após a chegada à Terra, o que encontramos são duas pessoas derrotadas, que desistem de lutar.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Roslin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001521/" target="_blank">Mary MacDonnell</a>), com um cancro em fase terminal, a sofrer diariamente em tratamentos que a deixam esgotada, devastada pela recente notícia de que uma das suas confidentes era, na verdade, uma <em>cylon</em>, o golpe foi particularmente duro. As profecias que a guiavam e em que acreditava piamente, nunca falaram numa civilização destroçada, igual, de certa forma, àquela que deixaram para trás nas Doze Colónias. Da imensa alegria de finalmente reconhecer os seus sentimentos por Adama e do último salto para a Terra, Roslin passa para uma depressão sem precedentes numa personagem que, desde o início, frente a todos os problemas, sempre se mostrou forte. A sua expressão, ao descer do <em>raptor</em>, confrontada com uma tripulação expectante, é aflitiva, e a sua recusa em falar com o Quórum, em sequer dirigir uma palavra à população, é o exemplo de alguém que aceitou a derrota, que desistiu de lutar. Queimar as profecias de Pythia, o livro que, desde “Flesh and Blood” na primeira temporada, a guiou, é a expressão física daquilo que vemos por detrás dos seus olhos, e que nos deixa receosos do que poderá acontecer a esta personagem, e nem mesmo a pequena planta do solo da Terra, que guarda religiosamente, deixa qualquer conforto.</p>
<p style="text-align: justify;">Já Adama (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001579/" target="_blank">Edward James Olmos</a>), que tinha sucumbido ao desespero em “Revelations”, parece lidar melhor com a descoberta inicial da Terra destruída mas, ao longo do episódio, o peso do desalento e, especialmente, a morte de Dee, fazem-no regressar ao local escuro de onde tinha conseguido sair a muito custo, e procurar o suicídio com a ajuda de Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/" target="_blank">Michael Hogan</a>). Ao contrário de Roslin, que sempre foi o lado racional deste par, Adama caracterizou-se desde o início pela sua emoção e impulsividade, que o fez arriscar a segurança de toda a frota e mesmo de toda a humanidade na busca de um único piloto ou no salvamento dos colonos em New Caprica. Mas, agora que tudo parece irremediavelmente perdido, que aqueles que ama estão a sofrer e a morrer, Adama parece ter, também ele, desistido de lutar. A cena entre Adama e Tigh é, mais uma vez, difícil de ver, tal como em “Sine Qua Non”. Aqui estão dois amigos, que se conhecem há vinte anos, que dependem um do outro, que, no fundo, se complementam… e que, por isso mesmo, se conseguem magoar profundamente. As palavras de Adama para Tigh são chocantes, especialmente quando se referem à falecida Ellen (palavras que, ao rever a cena, ganham uma nova dimensão, por anunciarem a revelação final), mas a amizade que os une acaba por resistir a mais uma dura prova. Esta não é a altura de sucumbir ao desespero, esta é a hora de, mais uma vez, tomar as rédeas do poder e guiar os sobreviventes. “<em>All of this has happened before, and all of it will happen again</em>” – a ominosa frase que nos tem guiado ao longo das temporadas ganha aqui novo significado, com o comunicado de Adama à frota. Chegou a hora de partir, de procurar uma nova casa, de seguir as pegadas da Décima Terceira Colónia depois do seu próprio Holocausto, tal como há três anos atrás. Veremos se Adama não está aqui a cometer o mesmo erro, e se não estará a comprometer o futuro da Humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A natureza cíclica do tempo e a sua relação com a história do povo das Doze Colónias é um dos mistérios ainda por resolver, uma das partes mais interessantes da mitologia deste universo, e uma das questões que mais dores de cabeça tem dado aos espectadores. A história simples que julgávamos conhecer desde o início – Kobol, a partida das tribos, a fundação das Doze Colónias de um lado do universo e da Décima Terceira Colónia na Terra, a criação dos <em>cylons</em>, a primeira guerra, o armistício, os <em>cylons </em>humanóides, o Holocausto e o Êxodo – parece tornar-se, de um momento para o outro, numa fantasia. A descoberta de uma Terra devastada por bombas nucleares há 2000 anos, de vestígios de centuriões e de <em>cylons </em>humanóides muito antes de qualquer um deles ter sido criado do outro lado do universo, arrasa com qualquer teoria que pudéssemos ter criado. Se modelos <em>cylons </em>mecânicos e humanóides se encontravam na Terra há dois mil anos, de onde vieram? Não foram, certamente, criados pelos humanos. Poderá ter havido outra tribo de humanos, antecessora dos colonos, que os tenha criado? Nesse caso, porque não se encontraram nenhuns corpos humanos? Ou será que tudo isto é falso, que os humanos não o são na verdade, que são todos <em>cylons</em>? Poderemos ter assistido, ao longo destas quatro temporadas, a guerras fratricidas, por mero desconhecimento de causa?</p>
<p style="text-align: justify;">Teorias há muitas, explicações variadas que chegam de todos os pontos do globo. Deste lado, depois de muito pensar e de arranjar uma grande dor de cabeça, não se conseguiu chegar a conclusão nenhuma, razão pela qual serão evitadas especulações neste ponto. O Ronald D. Moore prometeu que, no final, tudo fará sentido, e que a cronologia será explicada. Para mim, isso é suficiente por agora. Mais importante do que tentar desvendar a cronologia é perceber qual o seu significado para as personagens e, especialmente, para os Final Five.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois da surpreendente revelação de quatro dos cinco Final Five na segunda parte de “Crossroads”, a ânsia de saber mais sobre o passado destes quatro, especialmente de Tigh, tem sido muita. Como é que os quatro conseguiram sobreviver, por mero acaso, aos ataques, e encontrar um refúgio na Galactica? Tigh e Tyrol (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0234928/" target="_blank">Aaron Douglas</a>) são mais fáceis de explicar, uma vez que estavam ambos destacados na nave. Se pensarmos que a Tory (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0788907/" target="_blank">Rehka Sharma</a>) é, na verdade, um substituto de última hora para o Billy, a sua presença e cargo importante junto do governo farão também mais sentido, e dão algum alento a quem ainda hoje sente a falta do “menino” da Presidente. Já o papel de Anders (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0873998/" target="_blank">Michael Trucco</a>) é mais difícil de explicar. O jogador sobreviveu às bombas por se encontrar nas montanhas a treinar. Tornou-se o líder inexperiente de uma guerrilha em Caprica e sobreviveu meses sem qualquer apoio formal, até ser resgatado por Starbuck. Coincidência das coincidências, em New Caprica, depois da invasão dos <em>cylons</em>, torna-se num dos líderes da Resistência, juntamente com os restantes quatro. A história, já de si complexa, torna-se mais intrigante quando descobrimos que os quatro viviam na Terra, que têm memórias dela, que se conheciam no passado (presente? futuro?). Qual a possível explicação? Por agora temos ainda poucos dados, e apenas o <em>flashback </em>de Tyrol nos deixa visualizar um pouco dessa outra vida, que tão semelhante à nossa parece. O bairro onde Tyrol vive podia ser um bairro de qualquer cidade deste planeta, recheado de desconhecidos (nenhum deles cópia dos modelos <em>cylons </em>humanóides que conhecemos), de cor, de sons (do sino de uma igreja ou catedral!!), de vida. O que poderá isto significar para a linha temporal desta história? Quando o iremos descobrir?</p>
<p style="text-align: justify;">E quanto a Starbuck (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0755267/" target="_blank">Katee Sackhoff</a>)? Poderá também ela ser um antigo habitante da Décima Terceira Colónia? Num episódio já tão recheado de revelações, a descoberta do <em>viper </em>que Kara pilotava em “Maelstrom” é mais um choque para todos os que acompanham a série fielmente desde o primeiro episódio. No momento em que Laura Roslin iniciou a viagem mitológica que a fez encontrar a Terra em “Flesh and Blood”, Kara descobriu também pela primeira vez que o destino lhe reservou algo de especial. Ao longo da série, fomos tendo provas de que Kara tinha algo de especial, algo que transformou Leoben (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0719678/" target="_blank">Callum Keith Rennie</a>), que o fez tornar-se obcecado por ela, como vimos em New Caprica. Se, ao longo da série, o seu destino esteve sempre presente, embora em pano de fundo, a partir de “Maelstrom” e, especialmente, de “Razor”, tudo mudou. As profecias dos híbridos, de que Kara Thrace é o arauto da morte, que irá levar a Humanidade até ao seu fim, trouxeram este mistério para primeiro plano, algo que acabou por ter graves consequências para a personagem. É impossível não gostar de Kara nas primeiras temporadas, não apreciar, por um lado, a personalidade maior do que o mundo, o seu humor, as brigas em que se mete, os charutos e os copos de ambrósia que consome como se não houvesse amanhã, que remetem para a personagem original da série dos anos 70 e, de outro, a sua bravura e a sua mestria dentro do <em>cockpit</em>, que tantas vezes foi essencial para salvar a humanidade. Mas, a partir de New Caprica, do trauma que sofreu dentro daquela casa-prisão, Kara transformou-se noutra pessoa, e a sua espiral de decadência acabou por levá-la a cometer erros atrás de erros, a trair os votos do seu casamento, a pôr em perigo amigos e companheiros, até ao momento da sua morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem, como eu, viu esta série de rajada, alguns meses depois da terceira temporada ter terminado, acabou por não acreditar nem por um momento na suposta “morte” de Kara em “Maelstrom”. Quem acompanhou a série passo a passo, também não deve ter ficado muito convencido pelas juras de Ronald D. Moore, de que a Kara tinha mesmo morrido, sabendo que esta era uma personagem integral para a história. Mas depois de ver este “Sometimes A Great Notion”, temos de tirar o chapéu a RDM. A descoberta macabra que Kara e Leoben fazem, de um <em>cockpit </em>com um corpo carbonizado num campo abandonado, um corpo que é de Kara, é mais um momento impressionante num episódio que tantas surpresas trouxe. Mais do que o choque de Kara, é a reacção de Leoben, o fiel companheiro das profecias, aquele que sempre disse conhecer o destino de Kara e que a tentou guiar na direcção do mesmo, que mostra o verdadeiro impacto que esta descoberta tem. Leoben está, claramente, aterrorizado, não consegue encontrar uma explicação para as dúvidas de Kara, e a sua reacção instintiva, de fugir, por entre os angustiantes gritos de Kara (“What am I?!), é uma das cenas que marca este episódio. Kara não é o último Final Five, como descobrimos neste episódio, mas também não sabemos o que poderá ser. Poderá Kara ser um dos habitantes originais da Terra, um dos <em>cylons </em>que, tal como os restantes Final Five, morreu no holocausto? Será que a visão da Terra que descreveu em “He That Believeth In Me”, de campos verdes e de mares azuis cristalinos, é apenas uma memória dos tempos antes do holocausto, tal como a música que Anders relembra, e o <em>flashback </em>de Tyrol?</p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma dúvida que fica para resolver nos próximos episódios, e que, por agora, permanece enterrada nas cinzas da pira funerária onde Starbuck cremou o seu próprio corpo. Não há dúvida de que todo o episódio foi espantoso, que as cenas filmadas na Terra são poderosas, mas a imagem de Kara a queimar o seu próprio corpo no lusco-fusco do entardecer, é extremamente impressionante, e tem mais impacto por seguir imediatamente a cena em que Roslin queima as profecias de Pythia, provando, mais uma vez, que a viagem destas duas mulheres é paralela.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o final do episódio, chega também o momento de partir. A decisão de Adama, de deixar a Terra e ir em busca de uma nova casa para os refugiados, marca o abandono definitivo de um povo guiado por profecias e fé, por lendas do passado e sinais duvidosos. Como Lee diz no discurso que não temos oportunidade de ouvir, este é o momento de deixar para trás o peso da história, e de construir uma nova vida, livre de qualquer influência do passado. Palavras bonitas, mas que não conseguem convencer D’Anna (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0005128/" target="_blank">Lucy Lawless</a>), que decide ficar na Terra devastada. A decisão de D’Anna é surpreendente, especialmente porque a número três sempre foi um dos modelos mais decididos, uma líder nata, mas nas palavras que troca com Tigh, conseguimos sentir a devastação que, também ela, sente. A D’Anna foi a responsável pela obsessão das profecias junto dos <em>cylons</em>, aquela que tudo fez para encontrar a Terra e os Final Five, aquela que mais sofreu por esta causa. E, por isso, é também aquela que mais sente o desespero pela destruição do seu sonho. Se, como o criador da série diz, a viagem de D’Anna termina aqui, não é ainda claro, mas de certeza que a sua falta será sentida por todos os que gostam da série.</p>
<p style="text-align: justify;">“<em>&#8216;To be born again,&#8217; sang Gibreel Farishta tumbling from the heavens, &#8216;first you have to die.&#8217;</em>” Estas palavras, proferidas nos “Versos Satânicos” de Salman Rushdie, sempre tiveram uma ressonância no universo mitológico de “Battlestar Galactica”, mas nunca se tornaram tão relevantes, como nos minutos finais deste episódio. Depois da revelação da Terra destruída, da identidade dos corpos, da descoberta do corpo de Kara, parecia que os choques teriam, finalmente, terminado. Mas, em poucos minutos, o nosso mundo é novamente abalado pela revelação do mistério que, há dois anos, nos deixava à beira do desespero: a identidade do <em>cylon</em> final. De todo o lado chegavam apostas, algumas mais sérias, outras mais absurdas, mas depois de “Crossroads”, ficou claro que qualquer um podia ser o elemento final desta equação. Não sei é se alguém teria, verdadeiramente, apostado nesta personagem em particular. Numa reviravolta surpreendente, o <em>flashback </em>de Tigh mostra-nos Ellen (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0894690/" target="_blank">Kate Vernon</a>), debaixo de escombros, a despedir-se do marido, e a dizer que o voltaria a ver em breve. Ellen Tigh: bêbada, promíscua, interesseira, informadora dos <em>cylons</em>, envenenada pelo marido em New Caprica numa das cenas mais tristes do brilhante “Exodus”, é o elo final do mistério, aquele que, nas suas próprias palavras, sabia que iria renascer. De um momento para o outro, tudo aquilo em que acreditámos durante anos desvanece-se, e deixa-nos de volta à estaca zero. Quem são os Final Five? Qual a sua história? Como é que sobreviveram, quando toda a sua raça (aparentemente) morreu no holocausto? Qual a ligação destes <em>cylons </em>aos restantes modelos humanóides? Onde está Ellen? E o que irá fazer Tigh agora que descobriu a verdade?!</p>
<p style="text-align: justify;">Dúvidas, muitas e diversas, é o que temos para digerir nos próximos dias, até que chegue “A Disquiet That Follows My Soul”. Até lá, podem sempre deliciar-se com <a href="http://www.bearmccreary.com/blog/?p=981" target="_blank">o excelente e detalhado artigo</a> de Bear McCreary sobre este episódio, que nos mostra um outro lado do processo de criação desta grande série.</p>
<p style="text-align: justify;">A viagem final da Galactica ainda agora começou, e a depressão já está instalada. Tenham à mão os vossos anti-depressivos, porque os nove episódios finais não irão, certamente,dar descanso a ninguém.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/100.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>Battlestar Galactica: The Face Of The Enemy &#8211; Webisódio 10 (Sci-Fi Channel)</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 10:08:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Felix? What are you gonna do?&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4699"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um dos aspectos mais interessantes desta nova versão de &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0407362/" target="_blank">Battlestar Galactica</a>&#8220;, é a forma como se pegou numa série clássica, ao mesmo tempo divertida e inocente, ao bom estilo dos anos 70, e se criou um novo universo, ao mesmo tempo próximo e distante do nosso. Por cá não existem naves espaciais capazes de saltos mais velozes do que a luz, nem robots de lata que criam clones humanos, e muito menos planetas míticos que poderão ser a salvação da humanidade. Por cá temos apenas guerras políticas, sociais, religiosas, pessoais. Mais do que uma visão do futuro, aquilo que esta série nos tem apresentado, que o género da ficção científica tão bem procura fazer, é criticar, subvertidamente, o nosso mundo, os nossos erros, dando-nos uma visão distorcida daquilo que nos recusamos a reconhecer. É por esta razão que, ao contrário da original, não existem nesta série heróis no verdadeiro sentido da palavra, e muito menos vilões de capa, com sorrisos sinistros que, do alto da sua poltrona, planeiam o fim dos seus inimigos. Aquilo que temos são homens e mulheres verdadeiros, com qualidades e defeitos, apanhados entre a espada e a parede, forçados a cometer actos impensáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Se, no rol de grandes personagens que temos nesta história, a viagem mais interessante acabou por ser a de Baltar, não há dúvida que o caminho que Gaeta (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0432228/" target="_blank">Alessandro Juliani</a>) percorreu desde a mini-série tem sido interessante. O idealista, aquele que tudo fazia pelos seus superiores, pela Galactica, aquele deixou de lado a vida pessoal para servir as Doze Colónias, para cumprir os seus deveres, vê aqui, nestes dez <em>webisódios</em>, com a tragédia a bordo do <em>raptor </em>e o recordar de New Caprica, destruída a última réstia de esperança que tinha. Mais do que a invasão de New Caprica, mais do que a arma que aponta a Baltar, do que o tribunal de guerra, mais do que o ataque na cela, do que a mentira que contou no julgamento de Baltar, do que a perna que perdeu… este é o momento em que a vida de Gaeta muda, em que toma a decisão que poderá vir a afectar tudo e todos nos dez episódios finais desta saga. Qual a decisão que tomou, que tanto inquieta Hoshi (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0238694/" target="_blank">Brad Dryborough</a>), não sabemos ainda, mas quem viu os <em>trailers</em> de promoção aos episódios finais, fica já com a sensação de que Gaeta poderá ter um papel de destaque no conflito que se avizinha. As palavras que troca com Tigh (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0389581/" target="_blank">Michael Hogan</a>), o desdém com que trata um oficial superior, não deixam qualquer dúvida de que o idealista, o Gaeta que conhecíamos, desapareceu para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminada assim a história, desvendado o mistério do assassino, e faltando apenas poucos dias para o fim deste <em>hiatus</em> do inferno, fica apenas a certeza de que, embora tenham ajudado a suportar melhor a espera, estes <em>webisódios</em> não se revelaram tão importantes para a história como os dez capítulos de “The Resistance”, mas que conseguiram ser mais interessantes do que os dedicados ao jovem William Adama. A aposta neste novo meio de comunicação, nesta nova forma de manter o contacto com os fãs, é sem dúvida, uma boa opção, e irá certamente continuar a revelar-se importante nos tempos vindouros. Esperemos apenas que, com o tempo, nos voltem a apresentar histórias interessantes.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Webisódio 10</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><object width="480" height="295" data="http://www.youtube.com/v/zkNAzJDYxF0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/zkNAzJDYxF0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
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