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	<title>TVDependente &#187; Liberdade 21</title>
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	<description>Onde a televisão é levada a sério</description>
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		<title>Liberdade 21: 1&#215;01 – Episódio 1 (RTP1)</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 22:46:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ZB</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “Liberdade 21” é a mais recente produção portuguesa feita para televisão. Valerá a pena a perda do nosso tempo ou é mais um produto a contribuir para o nosso afastamento da televisão feita em Portugal? Talvez a maior surpresa desta série portuguesa me chegue pela opção de ser filmada numa aproximação ao estilo documentário, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> “Liberdade 21” é a mais recente produção portuguesa feita para televisão. Valerá a pena a perda do nosso tempo ou é mais um produto a contribuir para o nosso afastamento da televisão feita em Portugal?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1401"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a maior surpresa desta série portuguesa me chegue pela opção de ser filmada numa aproximação ao estilo documentário, semelhante ao que acontece em “Friday Night Lights” ou “The Shield”, que, na minha perspectiva, é um método que consegue dotar o produto de mais realismo, como se as imagens captadas pela câmara fossem os nossos próprios olhos, nunca estáveis e sempre em busca dos detalhes.</p>
<p style="text-align: justify;">O outro aspecto a destacar seria os personagens, sobretudo três deles: Raul Vasconcelos (António Capelo), Afonso Ferraz (Ivo Canelas) e Sofia Martins (Rita Lello). Bem interpretados – apesar de haver um certo exagero do António Capelo em algumas cenas, a prestação do Ivo foi bastante agradável –, foram eles os pilares deste primeiro episódio. É verdade que também o Pedro Pimentel (Albano Jerónimo) e a Helena Brito (Ana Nave) tiveram relevância no episódio, especialmente o primeiro, mas foram os outros três que me captaram a atenção. O primeiro, Raul Vasconcelos, pela sua personalidade aguerrida, aquela mania de que as engata todas e o facto de mostrar não ter meias medidas na altura de dizer o que quer que seja. Prevejo que poderá ser um bom <em>comic relief</em> para a série. Pelo menos, neste episódio, foi-o com sucesso por duas ou três ocasiões. O Afonso Ferraz vê-se que é a estrela da companhia. Está habituado a ganhar e não aceita a derrota. É aquele personagem que é difícil não se gostar, pois dificilmente alguma vez desiste de lutar. A Sofia Martins transmitiu-me um sentimento muito semelhante. Do lado oposto, o Pedro Pimentel e a Helena Brito. Demasiado sisudos, com cara de poucos amigos e sem inspirarem grande confiança. E, depois, temos ainda o personagem da Inês Castel-Branco que, por alguma razão, ainda nem sequer apareceu neste episódio. Dos mais secundários, o Paulo Ruas (António Cordeiro) e a Júlia Paixão (Cléia Almeida) parecem ser boas apostas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em relação ao resto, houve coisas boas e más. Devo confessar que o arranque assustou-me um pouco. Começar com a distribuição de casos e o Raul logo a querer mostrar que ainda manda deixou-me de pé atrás. Houve uma linha de diálogo que parecia ter aparecido do nada, o António Capelo parecia um bocado eufórico de mais e a cena do “ainda é o meu nome que está em primeiro” não é inédita. Talvez uma abertura mais ligeira, mais introdutória à generalidade dos personagens, tivesse sido a melhor escolha. (Já agora, o genérico tem uma montagem interessante, mas a música não ajudou lá muito).</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto aos casos do episódio, que foram três, despoletaram-me sentimentos mistos. O principal, da mulher perseguida pelo ex-marido que não se quer divorciar, já foi visto. Um dos outros dois, foi interessante pelo tema, ainda pouco explorado na nossa ficção (a não ser que as novelas já andem a pegar nisto e eu não saiba) e ainda tabu na nossa sociedade, o de um homem que agora é mulher e precisa de mudar de identidade, mas não consegue devido ao preconceito de quem tem o poder de decisão. O outro, um mistério em torno de um roubo de identidade, também teve os seus momentos, sobretudo quando a relação do marido e da mulher sofreu um pequeno abalo. O problema de ambos foi terem sido tão pouco explorados. Acredito que tenham sido menos explorados para continuar noutro episódio. Pelo menos, foi a sensação que tive, visto terem ficado em aberto. Será?</p>
<p style="text-align: justify;">Dos três, o primeiro foi o único que teve cenas passadas no interior do tribunal, e também foi aí que perdeu o meu interesse. Faltou-lhe emoção. Sim, a cena do advogado de defesa a escrever numa folha de papel “não vejo um palmo” para descredibilizar uma das principais testemunhas foi engraçado, mas o resto foi fraco. Desde o interrogatório ao ex-marido até aquela reviravolta final pouco credível, com um traficante de armas à mistura. E, já agora, como será um dos assuntos mais debatidos em torno desta série, infelizmente, já estive envolvido num caso que me levou a julgamento e passaram mais de seis anos até tudo estar resolvido. Isto para não falar nos inúmeros e inusitados percalços que aconteceram pelo caminho. Bem, também é verdade que eu não dei um tiro em ninguém… Talvez seja por isso, que aqui tudo se resolveu tão depressa.</p>
<p style="text-align: justify;">“Liberdade 21” não é um produto que se possa comparar, por exemplo, a um “Boston Legal”. Nem pode. Nós não temos meios nem capacidades para fazer algo que possa sujeitar-se a tais comparações. O que podemos fazer é comparar com aquilo que temos e tivemos no passado na nossa realidade. E, se pensarmos dessa forma, “Liberdade 21” é um produto interessante e pode ser um novo e importante passo numa direcção certa.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/50.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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