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	<title>TVDependente &#187; The Shield</title>
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	<description>Onde a televisão é levada a sério</description>
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		<title>The Shield: 7&#215;13 &#8211; Family Meeting (FX)</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 14:08:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “As the knight got closer, he saw the tower was even taller than he thought. It stood like a black fist, punching through the clouds and disappearing into the sky. He could hear faint sounds of the princess crying. She was scared. Scared that she would be trapped there&#8230; forever.” A vida não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> <em>“As the knight got closer, he saw the tower was even taller than he thought. It stood like a black fist, punching through the clouds and disappearing into the sky. He could hear faint sounds of the princess crying. She was scared. Scared that she would be trapped there&#8230; forever.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3387"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A vida não é um conto de fadas. Não existem locais mágicos onde todos os problemas desaparecem no último minuto, onde os maus são castigados e os bons, recompensados. A vida real é diferente, crua, imperdoável. Não há pessoas boas ou más, apenas pessoas que se encontram num lugar cinzento, que vivem com as consequências das suas acções. Pessoas, como aquelas que conhecemos no universo de “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0286486/" target="_blank">The Shield</a>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Assumindo-se desde o início como uma série diferente das outras, “The Shield” procurou sempre mostrar um lado mais real da vida de uma esquadra recheada de personagens moralmente contraditórias, onde os polícias corruptos convivem dia a dia com os melhores exemplos da bravura desta profissão. Foi desta maneira que nos conseguiram agarrar durante anos a ver personagens moralmente desprezíveis, mas que não deixavam de ter as suas qualidades redentoras. Em “The Shield”, nunca encontrámos “vilões” no sentido clássico da palavra. Mesmo aqueles que cometiam crimes desprezíveis, que roubavam e matavam, não deixavam de ser humanos. É por isso que a história dos Vendrell e, especialmente, do caminho que Shane Vendrell (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/" target="_blank">Walton Goggins</a>) percorreu desde o início, nos marca.</p>
<p style="text-align: justify;">De polícia corrupto, a assassino de um dos seus melhores amigos, a fugitivo da polícia. De mulherengo convencido, a pai de família extremoso, a marido derrotado. Walton Goggins mostrou, ao longo das temporadas, um leque de emoções variado, conseguiu vender-nos a evolução da sua personagem de tal maneira que, mesmo odiando aquilo que fez e o que representa, não podemos deixar de nos comover com o dilema em que se encontra, com o desespero que sente agora, no final da sua viagem. O momento decisivo, quando Mara (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0382920/" target="_blank">Michelle Hicks</a>) implora para que regressem a casa é, de certa forma, também o momento que sela o seu destino, e embora soubéssemos que não haveria um final feliz para os dois, a forma cruel como a sua história termina é uma daquelas cenas que não será possível esquecer durante muito tempo. Mesmo tendo admitido, no episódio anterior, que não havia fuga possível, que tinha chegado o final da linha, Shane procura convencer a mulher de que ainda há uma solução, mostrando-se um marido extremoso. As cenas entre os dois, ao longo da temporada, foram sempre poderosas, prova viva de que, por vezes, é possível encontrar a nossa alma gémea, mas nunca se tornaram tão difíceis de ver como neste episódio, em que assistimos à forma como Shane se prontifica a ajudar a mulher inválida nos seus momentos mais básicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o desfecho trágico há muito que estava anunciado, começa a ganhar forma mais clara a partir do momento em que Shane se vê num beco sem saída. O último confronto com Vic Mackey (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>) que, ao contrário das nossas expectativas, acaba por passar-se apenas por telefone, é um momento poderoso, não só pela força e pela raiva das palavras dos dois, pela forma como vemos dois antigos amigos a atacarem-se (e às suas famílias) sem piedade, mas também por descobrirmos, mais tarde, que esta foi a gota de água que levou Shane a tomar a sua decisão. Convencido (ou iludido) da inocência da sua mulher, Shane procurava arranjar forma de salvar Mara da prisão, estando disposto a entregar-se e a ser testemunha contra Vic. Mas quando descobre que a sua decisão chega tarde demais, que Vic já está a salvo graças ao contrato de imunidade que assinou com o I.C.E, o desespero leva-o a decidir não só matar-se, mas a levar consigo a mulher e o filho. Toda a cena de Shane na loja, a meter-se com a jovem empregada, a entregar-lhe o resto do dinheiro pelo qual a família tanto lutou, parece estranha à primeira vista, mas acaba por tornar-se ominosa quando vemos o desfecho da história. E torna-se então muito mais cruel.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário de muitas séries, onde as bandas sonoras são usadas como parte essencial da acção, como forma de evocar um momento especial, em “The Shield” são os silêncios que mais emoção consigo trazem. Depois daqueles quarenta segundos de silêncio no episódio anterior, que tanto conseguiram transmitir sem que uma única palavra tivesse sido pronunciada, o silêncio que encontramos em casa dos Vendrell, depois de Shane se ter suicidado, deixa-nos arrepiados, seguros de que o impensável aconteceu. Para um crime impronunciável, não são necessárias quaisquer palavras: a imagem de Mara, do pequeno Jackson e de Frances Abigail, que nem sequer teve a oportunidade de nascer, mortos na cama, como que a dormir, acompanhados pelas últimas prendas que um pai e um marido conseguiu trazer (um ramo de flores, um carrinho de brinquedo – um carro da polícia, para os mais atentos), vai ficar guardada nas nossas memórias. E a frase “Family meeting” nunca mais será esquecida.</p>
<p style="text-align: justify;">Fechado um capítulo desta história, permaneciam ainda em aberto muitos outros: uns mais interessantes, outros nem por isso. Aceveda (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0553468/" target="_blank">Benito Martinez</a>) foi uma personagem interessante nas primeiras temporadas. A sua luta contra Vic, a rivalidade que mostrava para com a Equipa de Intervenção punham-no, de início, do lado dos “bons”, mas uma análise mais cuidadosa à personagem mostra que, na realidade, ele não era mais do que o contraponto político de Vic. Ambos não se preocuparam em sacrificar outros para conseguir os seus objectivos, mesmo se Aceveda nunca tenha chegado a extremos tão grandes. Como termo de comparação, é interessante voltar a ver Aceveda na história, mas ao longo da sétima temporada o destaque que teve não foi totalmente merecido. Toda a história com o I.C.E, com a sua candidatura a presidente da câmara, com o rival que surge, no último momento, para lhe tentar roubar o local, poderia ter sido interessante noutros tempos, mas na recta final desta série, com tantas histórias ainda por fechar, teve um impacto menor do que o desejado.</p>
<p style="text-align: justify;">Tina (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0305519/" target="_blank">Paula Garcés</a>), Julien (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0413052/" target="_blank">Michael Jace</a>) e Danny (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0219748/" target="_blank">Catherine Dent</a>), pelo contrário, acabaram por não ter um grande destaque nos momentos finais. Ficaram em aberto algumas histórias, como a homossexualidade de Julien e o destino do bebé Lee, que parece ter desvanecido da memória de Vic. Mas nem sempre a vida nos apresenta círculos fechados, histórias com um final claro. Fica a certeza de que estas personagens, pelo menos, continuarão a viver, a lutar, a sobreviver em Farmington. A tentar transformar a comunidade num local melhor para todos. Mais sorte tiveram Billings (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0545687/" target="_blank">David Marciano</a>) e Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>). Depois de tudo o que fez, de passar anos e anos a dormir em serviço, a tentar enganar o Departamento e a irritar tudo e todos, Billings acaba como começou, nem mais rico nem mais pobre – o mesmo Billings de sempre. Dutch, pelo contrário, tem a satisfação de ver o seu trabalho reconhecido, de provar que é o melhor <em>profiler </em>da esquadra, e de finalmente conseguir engatar uma mulher mesmo sem tentar. Toda a história com o assassino em série júnior, que vinha a ser desenvolvida ao longo da temporada, prometia um impacto maior. Não foram poucos aqueles que acreditaram num desfecho mais trágico, com Lloyd a assassinar Dutch ou, pior ainda, Dutch a tornar-se naquilo que mais o fascina. Talvez por isso, a resolução mais simples tenha parecido estranha. Mas se o facto de termos a confirmação de que Lloyd matou a mãe não nos excita por aí além, pelo menos deu-nos a oportunidade de ver novamente em acção a grande Claudette Wyms (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/" target="_blank">CCH Pounder</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Michael Chicklis e Walton Goggins foram, ao longo da série, os grandes destaques. Deles saíram as melhores cenas, as melhores histórias, os melhores diálogos. Mas se fosse preciso escolher o terceiro lugar do pódio, teria de ir, sem sombra de dúvida, para CCH Pounder, que transformou esta Claudette Wyms num exemplo de como construir uma personagem. Em apenas um episódio, três confissões: a de Lloyd, que não vimos em cena, mas que sabemos que não tardava; a de Vic, na sala de interrogatórios, onde o silêncio disse mais do que muitos discursos; e a sua própria confissão, no gabinete, a Dutch. Os efeitos do lúpus, que há muito notávamos na capitã, continuam a fazer os seus estragos, da forma como sempre o fazem: em silêncio. A dor de Claudette, a fraqueza que de certeza deve sentir, que apenas a Dutch mostrou, nunca se irá repercutir no seu trabalho. Até ao final, até não conseguir mais, Claudette irá trabalhar, lutar pela sua esquadra e pela população de Farmington. Até ao final, Claudette manter-se-á a única personagem que nunca comprometeu os seus ideais. E se não teve a satisfação de ver o seu grande inimigo na cadeia, pelo menos teve o pequeno consolo de dar uma última facada em Vic, ao prender Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>) à sua frente e ao fazer Vic confrontar-se com todos os seus erros.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a cena na sala do interrogatório é impressionante graças, novamente, a uma brilhante interpretação de Michael Chiklis, a cena da prisão de Ronnie não lhe fica atrás. Até ao último momento, Ronnie pensou que estava livre, que a morte de Shane e o contrato que nunca assinou com I.C.E. lhe garantissem a liberdade. Até ao final, Ronnie manteve-se como o membro da Equipa de Intervenção que nunca traiu os seus amigos. Mas, tal como Lem na quinta temporada, é graças à sua lealdade que Ronnie vai acabar por pagar por todos os outros. Para uma personagem que nunca teve destaque nas primeiras temporadas, que literalmente entrou no episódio piloto para fazer número e porque é o melhor amigo do criador Shawn Ryan, é preciso louvar o trabalho de David Rees Snell, que foi crescendo nas suas interpretações e que, nos momentos finais, cercado de polícias, prestes a ser levado para o seu destino, tem o seu maior momento. A injustiça de que foi alvo faz-se sentir no seu olhar incrédulo perante a traição, nos berros que lança. <em>“What about my choice? What about the team? What about protecting the god-damned team?”</em> Em poucas palavras, a racionalização de Vic, de que tudo era pela sua família, cai por terra. E a vingança de Claudette conclui-se.</p>
<p style="text-align: justify;">Por muitos dilemas e histórias ainda em aberto ao chegar a este derradeiro episódio, por muito que quiséssemos saber o que iria acontecer às restantes personagens, aquilo que mais nos intrigava era saber qual o destino final do homem que tudo controlou até aqui. As opções eram muitas – desde a morte, à prisão, até mesmo ao sair em liberdade -, mas certamente nada nos preparou para o que aqui vimos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para um homem que sempre se apoiou na ilusão de que tudo o que fazia era para o bem não só próprio, mas também da sua família, dos seus amigos, da comunidade em que trabalhava, este episódio representou o golpe final. Para vingar Lem, Vic Mackey ameaçou a família de Shane, o que levou à trágica decisão de Shane. Para salvar a sua família, Vic Mackey traiu o seu último amigo. Mas agora, as ilusões caem finalmente por terra. Descobrir que Corrine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1108664/" target="_blank">Cathy Cahlin Ryan</a>) estava a trabalhar com a polícia para o apanhar, que estava disposta a vê-lo na cadeia e afastá-lo completamente dos filhos, é um duro golpe, mas ver as consequências físicas das suas acções, ver as fotos da família Vendrell morta, é pior ainda. Toda a cena na sala do interrogatório é de uma tensão incrível: a forma como Claudette o põe, literal e figurativamente, no seu lugar, a recusa em olhar para as fotos e aceitar o seu papel na tragédia, os trejeitos da cara que escondem a dor, a violência com que ataca a câmara quando se apercebe de que viram a sua fachada a quebrar, confirmam mais uma vez aquilo que já sabíamos – que Michael Chiklis é um grande actor, e que domina completamente a sua personagem.</p>
<p style="text-align: justify;">O que sobra então deste grande homem?</p>
<p style="text-align: justify;">Três anos de lutas, de crimes, de corrupção, de violência. Três anos que terminam assim, de forma perturbadora, para Vic. Depois de tudo o que fez, do sofrimento que causou e das vidas que consigo levou, Vic acaba sozinho, em silêncio, num escritório, longe de tudo e de todos, apenas com a sua consciência por companhia. Entre o seu extenso rol de crimes contam-se um polícia assassinado por si, outro pelo seu protegido, outro na cadeia para o resto da vida, e uma família que se vê obrigada a fugir para cortar finalmente todos os laços que ainda os prendiam. É um homem derrotado aquele que vemos no final deste episódio, que perdeu a família, os amigos, o trabalho, a reputação. Um homem que se encontra numa prisão – não a verdadeira, isso seria demasiado fácil, demasiado óbvio -, mas uma prisão onde terá de permanecer três anos, tantos quanto aqueles em que governou as ruas.</p>
<p style="text-align: justify;">Habituado à acção, à força física, ao seu poder sobre os outros, o trabalho de secretária, uma pequena vingança cortesia de Olivia (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0390229/" target="_blank">Laurie Holden</a>), é tão constrangedor para Vic quanto o fato que o obrigam a usar, que o tornam mais atarracado do que nunca, que mostram o quão desconfortável se sente. As fotos que coloca na secretária, testemunho de tudo aquilo que teve e que perdeu (a mulher, os filhos, os amigos), não trazem consigo qualquer conforto – muito pelo contrário, deixam-nos ver mais uma vez a sua fachada a quebrar-se. E é assim, com o silêncio pesado do escritório no fundo, sem qualquer fala, que esperamos ver o final desta história nos olhos de Vic.</p>
<p style="text-align: justify;">Estávamos enganados.</p>
<p style="text-align: justify;">Aquilo que descobrimos ao longo destes anos todos, que vimos vezes sem conta nos oitenta e oito episódios que constituem esta série, é que Vic Mackey é impossível de derrotar. É por isso que, em vez de fecharmos a história com um momento de desespero, assistimos antes ao momento em que tudo muda. Vic recompõe-se, põe a arma nas calças, veste o casaco e sai, com um ar determinado. Vic Mackey não morreu. Vic Mackey não irá ficar por aqui. Vic Mackey está vivo e pronto para entrar em acção. Não há melhor homenagem a uma personagem do que esta.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é fácil terminar uma história, fechar a porta a personagens e histórias que fomos descobrindo ao longo dos anos, que marcaram lugar nas nossas memórias. Pior ainda é fechar a porta a uma das melhores séries policiais de sempre. Mas porque “The Shield” nunca desaponta, e porque a expectativa desta vez foi alcançada, “<em>Family Meeting</em>” é o episódio que irá entrar para a história desta série.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem resistiu até ao final, para quem acompanhou estas personagens e estas histórias ao longo dos últimos sete anos, a montagem final ao som de “<em>Long Time Ago</em>”, dos Concrete Blod, é uma homenagem merecida e uma oportunidade para relembrar todas as personagens e histórias que mais nos marcaram. Tal como as balas que Vic, Shane e Ronnie cravam permanentemente na sepultura de Lem, esta é uma série que não será irá ser esquecida. E esse é o maior tributo que se lhe pode prestar.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/100.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;12 &#8211; Possible Kill Screen (FX)</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 11:49:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] No ano de estreia, “The Shield” tomou de assalto os maiores prémios da televisão americana, vencendo um Emmy e dois Globos de Ouro. Desde então, nunca conseguiu mais do que umas esporádicas nomeações. Mas se há alguma justiça nestes prémios, a temporada final desta brilhante série merece um último reconhecimento. E este episódio prova [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #800000;">[SPOILERS]</span> </strong>No ano de estreia, “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0286486/" target="_blank">The Shield</a>” tomou de assalto os maiores prémios da televisão americana, vencendo um Emmy e dois Globos de Ouro. Desde então, nunca conseguiu mais do que umas esporádicas nomeações. Mas se há alguma justiça nestes prémios, a temporada final desta brilhante série merece um último reconhecimento. E este episódio prova que esse reconhecimento é mais do que merecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Há umas semanas atrás, quando os críticos de televisão americanos tiveram a oportunidade de ver os episódios finais de “The Shield” numa sessão dupla especial, o resultado foi um silêncio sepulcral que se prolongou por algum tempo, e que deixava prever dois episódios magníficos. Para os comuns mortais, que não têm a oportunidade de ver os dois episódios seguidos e são obrigados a aguentar mais uma dura semana pelos momentos finais, esta espera pode parecer uma tortura, mas a verdade é que ajuda a reflectir com maior frieza sobre os eventos deste penúltimo episódio.</p>
<p style="text-align: justify;">O sentimento que mais tivemos ao longo da temporada, que mais nos assombrou e nos deixou angustiados ao longo dos episódios, foi o medo do que poderia vir a acontecer àquelas personagens que temos vindo a acompanhar ao longo dos anos, que se tornaram quase reais para nós. Numa série em que a linha entre o bem e o mal sempre foi ténue, em que não há personagens completamente boas nem completamente más, não tivemos outra hipótese que não fosse abraçarmos as personagens tal como elas são, com todas as suas virtudes e defeitos. Foi essa a razão que nos permitiu gostar de polícias corruptos, de criminosos e assassinos que nunca poderiam ter redenção num mundo ideal. E foi também essa a razão pela qual nos vimos obrigados a abraçar a fuga desesperada de Shane (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/" target="_blank">Walton Goggins</a>) e de Mara (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0382920/" target="_blank">Michelle Hicks</a>), que nos vimos divididos entre desejar que tivessem de pagar pelos seus crimes, e que conseguissem fugir, pôr a salvo a família e o amor que nutrem um pelo outro. Talvez por isso, o nervosismo que nunca mais nos largou desde que o mundo de fantasia criado pelos Vendrell durante a fuga foi repentinamente quebrado, nos acompanhe desde o primeiro segundo em que vemos Shane a voltar às suas raízes em busca de dinheiro, e Mara no carro, armada, cúmplice como sempre. Mas se a certeza de que algo iria correr mal era já esperada, nada nos poderia fazer adivinhar a cena que se segue, que marca a família de forma brutal, e que acaba de uma vez por todas com a réstia de esperança que ainda sobrava.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao matar a rapariga inocente para salvar Shane, Mara assina a sua própria sentença. Desde o início que Mara sempre esteve do lado de Shane, a apoiá-lo, a guiá-lo, a ajudá-lo no seu caminho. Desde o início também, foi odiada por todos aqueles que a viam do lado de cá do televisor. Mas no momento em que assistimos à queda final da sua família, que ouvimos os seus gritos de dor, que vemos o desespero pelo que acabou de fazer, sabemos que é impossível continuar a odiá-la. A Mara que vemos no final do episódio é uma Mara diferente daquela que conhecemos ao longo das últimas três temporadas e, especialmente, da Mara que vimos desde que a vida mudou de forma irreversível. A mulher derrotada, que se tornou numa assassina, que implora que a levem de volta para casa, não é a mesma que conhecemos há quatro temporadas &#8211; é talvez a verdadeira face de uma mulher que tentou vingar, mas que saiu a perder. Uma cena de partir o coração, soberbamente interpretada por Michelle Hicks, que só não se destaca mais pela concorrência de outros grandes actores que tiveram também neste episódio a oportunidade de brilhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Se as lágrimas sentidas de Mara deixam qualquer um angustiado, o que dizer então do desespero que Shane sente ao se aperceber de tudo o que causou. Ao longo destes sete anos, Shane cresceu, modificou-se. De uma personagem unidimensional, o mais próximo do “<em>bad guy</em>” que esta série nos conseguiu dar, tornou-se num homem de família, que ama a mulher e os filhos, mesmo se não consegue deixar de os prejudicar. A arrogância que sempre o caracterizou não desapareceu totalmente – temos ainda alguns vestígios, quando assalta mais um criminoso em busca de alívio para a mulher -, mas esta é a primeira vez que Shane se apercebe verdadeiramente de que não há escape possível. A fuga vai ter de acabar mais cedo ou mais tarde, e agora que perdeu o seu maior apoio, agora que Mara desistiu e quer apenas regressar a casa, não será possível aguentar muito mais. Walton Goggins tem sido um actor consistente ao longo da série, fazendo-nos odiar e, ao mesmo tempo, gostar da sua personagem, mas neste penúltimo episódio excedeu-se. Shane domina todas as cenas em que aparece, desde o primeiro minuto no clube clandestino às lágrimas finais, quando se vê incapaz de salvar a sua família. A um episódio do final, sabemos que ninguém está a salvo, o que intensifica a dúvida sobre quem irá sobreviver, e torna toda a cena de Shane e Tina (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0305519/" target="_blank">Paula Garcés</a>) mais assustadora, mas é também por saber que estamos na recta final, que a admissão de Shane, de que não há saída possível, nos deixa mais assustados. Depois de várias temporadas de grandes interpretações, Walton Goggins já merecia um reconhecimento, mas depois do trabalho feito neste “Possible Kill Screen”, não há dúvida de que deveria levar para casa mais uma ou duas estatuetas para juntar ao Óscar que tem já na prateleira.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo que a vida muda irreversivelmente para a família Vendrell, Farmington continua também na sua espiral descendente. Billings (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0545687/" target="_blank">David Marciano</a>) continua a ser Billings, sempre com os seus esquemas; Danny (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0219748/" target="_blank">Catherine Dent</a>) está finalmente de volta, depois da ausência mais inexplicada de sempre; a mãe de Lloyd volta à ribalta, trocando-nos as voltas e deixando adivinhar um desfecho assustador para Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>). Quanto a Aceveda (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0553468/" target="_blank">Benito Martinez</a>), continua a tentar fazer-se de importante perante o I.C.E., mesmo se já deveria saber que, enquanto Vic por lá andar, nunca irá conseguir vingar. Todas estas são histórias interessantes, dedicadas a personagens interessantes, pontas soltas que convém arrumar antes do final da série. Mas depois de tudo o que vimos e ouvimos, perante tudo o que está a acontecer nos bastidores, e com a certeza de que resta apenas um episódio para o final, estas histórias acabam por perder-se um pouco na trama principal. Por muito que gostemos de Dutch e de Billings, de Danny e de Julien, o que queremos saber agora é como irá Vic Mackey conseguir salvar-se a si e ao que resta da sua equipa. Queremos ver qual o estratagema que irá usar para fugir novamente por entre as malhas da justiça. E se já adivinhávamos de que este episódio nos iria dar essa resolução, não esperávamos certamente que o fizesse desta maneira.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda a história do cartel e do I.C.E nunca foi a trama mais interessante da temporada, mas a importância que tinha vindo a receber ao longo dos episódios, a forma como Olivia (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0390229/" target="_blank">Laurie Holden</a>) se encontrava sempre no fundo do ecrã, deixava adivinhar que poderia vir a ser determinante. O que não era possível adivinhar é que o I.C.E. viesse a representar, para Vic, a tábua de salvação. Com Claudette (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/" target="_blank">CCH Pounder</a>) mais determinada do que nunca, e o perigo bem real que Shane ainda representa, Vic não tem outra hipótese senão jogar pelo seguro, e exigir que o I.C.E. reconheça oficialmente o seu papel, contratando-o como informante e exonerando-o de todos os seus crimes. O seu desespero é evidente, e o alívio que sente nos momentos antes de descobrir que o contrato de trabalho não se estende a Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>), acaba por confirmar mais uma vez aquilo que já tínhamos visto anteriormente: que Vic está cansado, farto de lutar, que quer livrar-se dos seus erros, dos seus crimes, dos seus pecados, e começar uma vida nova.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, vê-se obrigado a voltar atrás, pois a sua consciência não permitir sacrificar o seu irmão de armas. Até, é claro, descobrir que os seus crimes poderão afectar a sua família de sangue. Nem mesmo o homem mais duro consegue ver a sua família a ser arrastada para o fundo do poço pelos seus crimes, e é por isso que, ao assistir à prisão de Corrine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1108664/" target="_blank">Cathy Cahlin Ryan</a>), Vic assume finalmente que o jogo acabou, que não há saída possível, que vai ter de ir contra tudo aquilo em que acredita e sacrificar o único amigo que ainda lhe restava.</p>
<p style="text-align: justify;">Se esta série nos deu momentos memoráveis ao longo dos últimos sete anos, cenas que ficaram gravadas na nossa memória, não há certamente nenhuma que se compare à impressionante confissão de Vic na sala de interrogatórios. Assinado o contrato com o I.C.E, e selada a sua imunidade contra todos e quaisquer crimes cometidos, o que se segue são segundos de uma tensão inacreditável, em que quase conseguimos ouvir as dúvidas de Vic, a forma como se prepara para trair tudo aquilo que sempre defendeu. Quarenta segundos em que não acreditamos que Vic consiga avançar, quarenta segundos de uma actuação brilhante da parte de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>, que dão azo à cena mais chocante de sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal como Olivia e o seu chefe assistem incrédulos ao desenrolar da confissão, também nós assistimos de boca aberta à forma como Vic põe a nu todos os crimes cometidos por ele e pela sua equipa ao longo das sete temporadas, como hesita em denunciar o primeiro crime – a morte de Terry Crowley -, mas como se torna cada vez mais fácil, mesmo divertido, relatar os crimes com o avançar da confissão. Mais do que uma confissão para o seu contrato de imunidade, esta confissão é também um alívio para alguém que insistiu em iludir-se ao longo dos anos, em convencer-se de que tudo o que fazia era para o bem próprio mas também para o bem da sua comunidade, alguém que sempre se recusou a reconhecer o seu verdadeiro papel nesta história e que se viu agora obrigado a confrontar-se com a realidade. E se a expressão de horror de Olivia ao perceber com quem se aliou é compreensível, mais assustador é admitir que Vic tem razão quando afirma que podia tê-la prejudicado muito mais. Se a imunidade que aqui conseguiu vai vingar, se Vic conseguiu cumprir todas as regras e livra-se desta forma de tudo aquilo que fez ao longo dos anos, não sabemos ainda. Sabemos apenas que Ronnie está queimado e irá fazer companhia a Shane na cadeia, caso este seja capturado, e que as repercussões desta confissão irão afectar tudo e todos neste universo. E que esta brilhante cena se tornou um clássico instantâneo que terá de ser reconhecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque a poucos minutos do final não há tempo a perder, as consequências da confissão de Vic não se fizeram esperar. A expressão de desespero, de impotência, de absoluto horror de Claudette quando de apercebe de que Vic irá sair em liberdade, de que tudo aquilo por que lutou desapareceu com uma assinatura num papel, mostra o verdadeiro impacto que esta história teve, e dá mais uma vez a oportunidade a CCH Pounder de mostrar todo o seu potencial. A sua explosão à frente de Dutch, a forma como o ataca verbalmente deixam-nos com um coração apertado, ao sabermos que uma das missões mais importantes para Claudette, uma das razões porque continuava a trabalhar mesmo quando os efeitos da sua doença se faziam sentir, se tornou agora inatingível. Claudette perdeu, desta forma, uma das suas razões para continuar a lutar… e o apoio de Dutch poderá não ser suficiente para a manter no activo.</p>
<p style="text-align: justify;">Com tantas mudanças, choques e interpretações brilhantes, &#8220;Possible Kill Screen&#8221; é, sem sombra de dúvida, o melhor episódio da temporada e o melhor episódio emitido nos últimos sete anos. Até ao próximo, certamente.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/100.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;11 &#8211; Petty Cash (FX)</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 18:50:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] Testamento de uma grande série, é o facto de nos conseguir fazer sorrir, mesmo perante situações desesperadas, de nos fazer sentir pena de personagens que são, em essência, más, e de nos conseguir ainda surpreender pela positiva. Mas maior testamento é o facto de nos fazer esquecer tudo quando se aproxima o momento decisivo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> Testamento de uma grande série, é o facto de nos conseguir fazer sorrir, mesmo perante situações desesperadas, de nos fazer sentir pena de personagens que são, em essência, más, e de nos conseguir ainda surpreender pela positiva. Mas maior testamento é o facto de nos fazer esquecer tudo quando se aproxima o momento decisivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário de muitas séries, “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0286486/">The Shield</a>” nunca hesitou em construir grandes personagens secundárias, em lhes dar histórias e passados, em os deixar contribuir para a acção principal. Mas se, no passado, essa foi uma das mais valias da série, a três episódios do final chega o ponto em que temos de admitir que não queremos mais saber destas personagens, que queremos apenas voltar à acção principal, chegar rapidamente (ou talvez não) ao desfecho final. Talvez por isso, por muito boa que tenha sido a história de Julian e a actuação de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0413052/">Michael Jace</a> neste “<em>Petty Cash</em>”, fiquemos com a sensação de que foi apenas tempo desperdiçado, tempo que teria sido importante para o desenvolver da trama principal.</p>
<p style="text-align: justify;">A opção de Shawn Ryan, de ressuscitar personagens e situações passadas para esta temporada final, não deixa de ser interessante e, para aqueles que, como eu, adoram a continuidade de uma série, uma bela surpresa. Mas esta pequena homenagem aos fãs mais antigos pode acabar por tornar-se num pesadelo, quando o tempo escasseia e muitas histórias se encontram ainda por resolver. Qual a razão do regresso surpreendente de Tavon, para nunca mais se ouvir falar dele? Porquê tocar brevemente no tema da homossexualidade, se toda a história pessoal de Julian parece ter desaparecido há muitas temporadas atrás? Será mesmo necessário insistir nas pequenas aparições especiais de personagens que não vemos desde a primeira temporada? Porquê dedicar tantos minutos a tramas que são terciárias, se tanto, quando histórias secundárias importantes como a do assassino em série de Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/">Jay Karnes</a>), a doença de Claudette (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/">CCH Pounder</a>) e o desaparecimento de Danny (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0219748/">Catherine Dent</a>) se encontram ainda em aberto? Com tantas histórias ainda por resolver e tantas personagens com um fim ainda incerto, os dois episódios que ainda restam não parecem ser suficientes para atar todas as pontas soltas. E mesmo se a vida por vezes tem destas coisas, se a realidade dita que nem sempre conseguimos um desfecho concreto, seria uma pena que estas tramas não tivessem resolução.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, mesmo que a história dedicada neste episódio a Julian não tenha tido o impacto desejado depois de tudo o que temos visto, não deixa de ser uma boa oportunidade para dar destaque a uma personagem que esteve apagada durante muito tempo, e que permanece uma das poucas que não comprometeu os seus ideais em troca de um caminho mais fácil. Já a história de Aceveda (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0553468/">Benito Martinez</a>), o I.C.E, Olivia (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0390229/">Laurie Holden</a>) e o Cartel/Arménios/One Niners/todo-e-qualquer-outro-gangue-que-Vic-conheça, já começa a cheirar mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Serão os bandidos de Farmington assim tão inocentes, ao ponto de acreditarem em tudo o que saia da boca de Vic (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/">Michael Chiklis</a>)?! Tudo bem que esta é uma série de televisão que retrata uma história fictícia, mas a verdade é que se começa a esticar demasiado a realidade. A forma como Vic engana os One Niners para conseguir os 100 000 dólares que precisa para apanhar os Vendrell é demasiado rebuscada, e deixa-nos a pensar seriamente sobre a inteligência (ou falta dela) dos gangues de Farmington. Vic já não é polícia, já não tem autoridade sobre ninguém, mas continua a fazer aquilo que quer, a enganar tudo e todos como antigamente. Por muita influência que tivesse antes, por muita reputação que tivesse criado, não deveria ser possível arranjar tanto dinheiro assim tão facilmente, tal como não deveria ser possível continuar a trabalhar e a fazer planos para o futuro com o I.C.E com tantas suspeitas sobre a sua cabeça. E mesmo que se venha a provar mais tarde que isto tudo foi uma ilusão, que o I.C.E. estava apenas a enganar Vic para conseguir os seus intentos, que Vic e Ronnie não venham a ter nenhum futuro profissional, a verdade é que vai permanecer para sempre aquela sensação de que foi tudo demasiado forçado para ser possível.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo se muitos minutos foram desperdiçados em histórias menos importantes, e se a história não se desenvolveu tanto quanto desejávamos, a verdade é que “<em>Petty Cash</em>” conseguiu, ainda assim, dar destaque à trama principal e presentear-nos novamente com momentos de grande expectativa. Depois da tensão do episódio passado, Corrine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1108664/">Cathy Cahlin Ryan</a>) vê-se novamente a braços com uma situação difícil: encarregada por Vic para servir de correio de dinheiro para os Vendrell, Corrine desespera num parque, rodeada de drogados e vagabundos, com a policia à espreita e a consciência pesada. É interessante verificar que, mesmo depois de ter tomado a decisão de falar com a polícia, de entregar Vic à justiça e de afastar a família da sua influência de uma vez por todas, Corrine continua dividida entre a consciência e o coração. Ao contrário de Mara, que nunca deixou de ter fé no marido, Corrine ter balançado perigosamente entre estes dois opostos ao longo das temporadas, e quando julgávamos que tinha finalmente crescido, tomado a decisão correcta, assistimos ao regresso das suas dúvidas e indecisões. A piorar a situação está o facto de não só os Vendrell não terem vindo buscar o dinheiro, como de Vic se ter escapado da detenção mais uma vez, ao enviar Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/">David Rees Snell</a>) com o dinheiro no seu lugar. Se desta vez Ronnie saiu livre, a verdade é que este foi o momento decisivo para a personagem: Dutch e Claudette têm provas para o prender, e aguardam apenas pelo momento certo para o fazer. E nem a amizade de Vic ou a cumplicidade que desenvolveu com Billings (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0545687/">David Marciano</a>) o poderão salvar.</p>
<p style="text-align: justify;">Já do outro lado desta história, a vida também não está fácil para os Vendrell. Depois de perderem o dinheiro que os iria ajudar a começar uma nova vida, de se verem obrigados a fugir da lar fantasioso que tinham criado na mansão abandonada, e com a data do cortejo do presidente a chegar, Shane (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/">Walton Goggins</a>) e Mara (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0382920/">Michelle Hicks</a>) vêm-se desesperados para encontrar uma solução. A carta que enviaram para Claudette e que quase deu um ataque do coração a Ronnie (e um ataque de riso aos espectadores que repararam no curioso remetente) serviu apenas para distrair enquanto tentavam desesperadamente arranjar dinheiro que os ajude a fugir para o México. Mais uma vez, somos relembrados da terrível situação em que os dois se encontram, perseguidos por polícias e bandidos, amigos e inimigos, obrigados a assaltos infrutíferos a antigos locais de trabalho, sem ninguém em quem confiar. E mais uma vez, por todos os seus crimes, conseguimos desenvolver alguma empatia para com os seus dramas. Podem ser um casal de criminosos, um homem que traiu, roubou, matou, e a mulher que o ajudou a lidar com isso – mas são também um homem e uma mulher desesperados, um pai e uma mãe que tentam salvar a sua família, e que se vêm sem ninguém para onde se virarem. Mesmo depois de tantos anos de crimes e mortes e violência, o momento em que Shane encosta a cabeça no ombro de Mara e lamenta o facto de não ter amigos a quem recorrer, não consegue deixar ninguém indiferente. E não deixa de nos relembrar que o fim se encontra, cada vez mais, próximo.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/91.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;10 &#8211; Party Line (FX)</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 14:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] Party Line: um termo informal para a agenda de um partido político. Party Line: um sistema em que múltiplos telefones estão ligados a uma linha comum. Party Line: um episódio de contrastes em “The Shield”. Mais uma vez, são os contrastes entre as personagens, entre as suas atitudes e reacções, entre aquilo que deles [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> <em>Party Line</em>: um termo informal para a agenda de um partido político. <em>Party Line</em>: um sistema em que múltiplos telefones estão ligados a uma linha comum. <em>Party Line</em>: um episódio de contrastes em “<a href="http://www.imdb.com/title/tt0286486/" target="_blank">The Shield</a>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2550"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez, são os contrastes entre as personagens, entre as suas atitudes e reacções, entre aquilo que deles esperamos e o que acabamos por ver no final, que marcam este episódio. E se os contrastes se espelharam em todos, nenhum foi tão grande quanto o contraste entre as atitudes de Corrine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1108664/" target="_blank">Cathy Cahlin Ryan</a>) e Mara (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0382920/" target="_blank">Michelle Hicks</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Odiada tanto pelas restantes personagens como por muitos espectadores, Mara tem-se revelado, ao longo das temporadas, uma das figuras mais constantes. Não obstante o efeito Yoko Ono que parece ter trazido à Equipa de Intervenção, podemos creditar-lhe a forma como Shane (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/" target="_blank">Walton Goggins</a>) cresceu a partir do momento em que a conheceu, que se casou, que constituiu família. O que não significa, no entanto, que Shane tenha deixado todos os seus vícios. Muito pelo contrário: por causa de Shane, Mara foi agredida, perseguida, transformou-se numa fugitiva e arrastou consigo os filhos. Mas mesmo assim, não abandonou o marido. E a explicação para esse facto é simples: por muitos crimes que tenha cometido, por muitos Mandamentos que tenha destruído, Shane nunca mentiu a Mara, nunca fingiu ser mais do que era, nunca tentou ocultar a sua verdadeira personalidade. É essa frontalidade que explica o contínuo apoio ao marido de Mara, mesmo quando recebe, de mão beijada, a oportunidade de se entregar e sair em liberdade. Talvez por isso, não fosse uma surpresa maior a sua recusa em aceitar a proposta de Claudette (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/" target="_blank">CCH Pounder</a>). Resta saber é se a sua decisão foi a mais acertada, ou se poderá a vir ter consequências mais graves no futuro. O mundo de fantasia em que viveu nos últimos tempos, na casa desabitada, na piscina, na sala a brincar com o marido e com o filho, acabou por ser destruído rapidamente, com a fuga apressada e o encontro com os membros do gangue, e não irá ser tão fácil de recuperar, agora que o dinheiro se foi. Mas se há algo de que podemos ter a certeza, é de que Mara irá estar nesta história até ao fim… mesmo que isso acabe por a destruir.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário de Mara, Corrine, ao ser confrontada com todos os crimes do marido e com a violência que o continua a perseguir, acaba por sucumbir e contar à polícia tudo o que sabe. Inicia-se assim a jogada final: com a ajuda da nova aliada, Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>) e Claudette têm agora a oportunidade perfeita para voltarem ao controlo do jogo, para apanharem os Vendrell e, ao mesmo tempo, arranjarem provas suficientes para eliminar, de uma vez por todas, Vic (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>). O que resulta daqui é uma das cenas mais tensas de todo o episódio, quando, na cozinha, Corrine tem de enganar Vic enquanto espera pela chamada de Mara, que está a ser gravada por Claudette e por Dutch. Se a situação já de si era tensa, a certeza de que, na recta final, ninguém está seguro, ninguém tem passe livre para escapar da morte, acaba por nos deixar com uma ansiedade acrescida. Conseguirá Corrine enganar o marido? Ou irá Vic desconfiar e virar-se contra a ex-mulher? Qual dos dois sairá vitorioso no final?</p>
<p style="text-align: justify;">Quem também está a sentir a pressão a chegar de todos os lados é Vic. Embora não desconfie ainda que Corrine está a colaborar com a polícia, continua a ser chantageado por Shane, que exige que Vic reponha o dinheiro roubado pelos membros do <em>gang</em>, a ser pressionado por Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>) para fugir, e a não ter uma situação profissional segura, graças aos confrontos com Aceveda (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0553468/" target="_blank">Benito Martinez</a>). No meio de tantos dilemas, a solução oferecida por Ronnie é, novamente, a mais acertada: fugir. O tempo em que conseguiam safar-se de todas as investigações, em que a Equipa de Intervenção saía vitoriosa de todos as situações, chegou ao fim, e é preciso aceitá-lo antes que seja tarde demais. Mas, graças à impunidade que teve durante todos estes anos, Vic já não é capaz de tomar a decisão mais consciente, e recusa-se a fazer o que tem de ser feito. Acredita ainda piamente que conseguirá dar a volta por cima, conter Shane, e de que o I.C.E será o seu novo empregador. O problema é que Aceveda continua no seu caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Longe dos tempos em que era um comandante da polícia bem intencionado, o Aceveda que temos visto nas últimas temporadas está cada vez mais cínico e, de certa forma, a tornar-se naquilo que mais queria evitar, quando tentou acabar com a Equipa de Intervenção. Não podemos dizer que Aceveda tenha sido um polícia-modelo – muito pelo contrário, essa classificação está mais para Claudette do que para Aceveda –, mas pelo menos reconhecíamos nele uma vontade de fazer o bem. O problema chegou com o “incidente” de que foi vítima, que o começou a levar para um caminho mais extremo, e que o tem guiado também agora no ramo político. A história de Aceveda, das suas aspirações políticas, e da trama que envolve o I.C.E e o cartel não têm sido das favoritas por estas bandas, mas a verdade é que acaba por nos dar a oportunidade de ver o quanto Aceveda está a cair na tentação de resolver os seus problemas custe o que custar, doa a quem doer; de como Aceveda se torna cada vez mais, a cada dia que passa, em Vic. A forma como lida com Pezuella (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0727798/" target="_blank">F.J. Rio</a>) não deixa dúvidas de que também Aceveda se encontra na recta final, e de que o seu fim poderá não ser aquele que tinha planeado.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/91.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;09 &#8211; Moving Day (FX)</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 15:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] O que fazer depois de um dos episódios mais tensos de sempre desta grande série? Parar, descansar, e desconstruir as personagens que julgávamos conhecer. Como o próprio título deixa adivinhar, &#8220;Moving Day&#8221; é o episódio de mudanças para todos os personagens. Com Shane (Walton Goggins) e a sua família em fuga, Vic (Michael Chiklis) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> O que fazer depois de um dos episódios mais tensos de sempre desta grande série? Parar, descansar, e desconstruir as personagens que julgávamos conhecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2088"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Como o próprio título deixa adivinhar, &#8220;<em>Moving Day&#8221;</em> é o episódio de mudanças para todos os personagens. Com Shane (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/" target="_blank">Walton Goggins</a>) e a sua família em fuga, Vic (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>) desempregado e à caça do inimigo, e os restantes polícias da esquadra ainda no escuro quanto à verdadeira história, a vida em Farmington nunca mais voltará a ser a mesma. E a nossa percepção das diversas personagens também não.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de sete anos de crimes, mortes e violência, já não restava qualquer dúvida de que Vic não era flor que se cheirasse. Mas ao longo desses sete anos tínhamos também tido provas de que ele não era o monstro que parecia à primeira vista, que muito do que fazia era para proteger a sua família e amigos. Infelizmente, com este episódio, tudo mudou, e o pragmatismo de Vic, a frieza com que admite o que tem de ser feito, deixa-nos incrédulos e desgostosos com alguém que julgávamos ter ainda alguma costela redentora. Que Shane merece um castigo pelo que fez, pelos problemas que causou à equipa e, especialmente, pela morte de Lem, é certo, mas a forma como Vic assume a inevitabilidade dos danos colaterais, que acredita que a morte de Mara (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0382920/" target="_blank">Michelle Hicks</a>) é a única solução, e que apenas a idade do pequeno Jackson o poderá salvar do destino dos pais, é assustadora, e deixa-nos adivinhar já que o confronto final será sanguento.</p>
<p style="text-align: justify;">Vic é um homem desesperado. A influência de outros tempos desapareceu, e uma simples informação torna-se agora quase impossível de obter. O trabalho que esperava conseguir com a ajuda de Olivia (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0390229/" target="_blank">Laurie Holden</a>) e do I.C.E. está em perigo, agora que Aceveda (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0553468/" target="_blank">Benito Martinez</a>) deu a volta por cima e identificou um poderoso chefe do cartel; e, pior do que tudo, os Vendrell parecem estar a conseguir escapar-se. Com tantas contrariedades, não é de admirar que, ao longo do episódio, o sentimento que Vic mais expressa seja o cansaço: está cansado da luta, cansado de não conseguir encontrar paz, cansado de ter de lutar contra aqueles que julgava serem amigos. A determinação que mostrava no final do episódio anterior, o bravado com que enfrentou Claudette, está a esmorecer, e o que se vislumbra agora é um homem prestes a ceder, como aquele que vemos na cena final, em casa da ex-mulher. Uma cena que poderá vir a ser a ser determinante, agora que Corrine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1108664/" target="_blank">Cathy Cahlin Ryan</a>) sabe todas as suas mentiras, todos os seus crimes, tudo aquilo que dela tentou esconder ao longo de tantos anos de vida em comum; agora que Corrine parece estar disposta a lutar contra ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Um pouco na sequência da cena entre as mulheres dos dois agentes principais deste jogo, que vimos no episódio anterior, &#8220;<em>Moving Day</em>&#8221; dá-nos novamente a oportunidade de verificar as diferenças entre Corrine e Mara. No escuro até agora, Corrine apresentou-se, ao longo das temporadas, como uma mulher fraca, que nem depois do divórcio se conseguiu distanciar dos dramas causados pelo ex-marido. Já Mara, odiada por quase todos desde o início, é a antítese de Corrine. A sua relação com Shane é extraordinária, na medida em que confiam totalmente um no outro. Shane sempre lhe revelou os seus segredos mais escuros, e Mara sempre esteve do seu lado para o apoiar, para o guiar, para o ajudar quando estava desesperado. E nem mesmo quando a vida dos seus filhos (o que já nasceu e a que há-de chegar daqui a uns meses) é ameaçada, a leva a deixar Shane. Como o prova mais do que nunca neste episódio, Mara estará do lado do marido para o bem e para o mal. Esperemos apenas que isso não se venha a revelar uma decisão errada.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas porque as mudanças do episódio não foram apenas para os protagonistas, este nono capítulo trouxe ainda outras grandes surpresas. A mais importante é, sem dúvida, a extinção da Equipa de Intervenção. Desde o primeiro episódio que este era o objectivo principal de Aceveda. Por ele se lutou, por ele morreram polícias, por ele sofreram muitos inocentes. E agora, repentinamente, a Equipa de Intervenção acaba, sem pompa nem circunstância. A aposta num momento tão anti-climático para algo que esperávamos há muito foi uma aposta arrojada dos escritores, mas talvez por isso tenha tido mais impacto, e permite dar um muito merecido destaque a uma das maiores personagens da série. A forma como Claudette (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/" target="_blank">CCH Pounder</a>) consegue uma pequena vitória no meio de tantas contrariedades é impressionante, e revela mais do que nunca a maturidade da sua personagem. A forma como consegue extrair de Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>) uma pequena parte da verdade, a forma como consegue impor-se mesmo perante os seus superiores (algo que, há algumas temporadas atrás, lhe deu imensos problemas) é determinante para este episódio, e poderá revelar-se essencial para o desfecho final. Também Claudette está cansada do sangue, da violência, dos crimes… e não irá certamente descansar até conseguir acabar com os problemas de Farmington.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando se chega a uma recta final, é necessário juntar as pontas soltas, organizar a trama para que se possa fechar com chave de ouro. E isso significa, geralmente, que as histórias secundárias são esquecidas em detrimento da trama principal. Mas porque &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0286486/" target="_blank">The Shield</a>&#8221; sempre se revelou capaz de manter a bom ritmo histórias paralelas, &#8220;<em>Moving Day</em>&#8221; regressa novamente ao caso do assassino em série de Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>), que esteve de molho nos últimos episódios. As dúvidas de Dutch permanecem, e a única forma que encontra para manter o suspeito debaixo de olho é aproximar-se de Rita. Mas agora que a mãe de Lloyd (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004920/" target="_blank">Frances Fischer</a>) começa a suspeitar de que algo está errado nesta história, o que irá acontecer a Dutch? Irá ter de sofrer a raiva de uma mãe que acredita piamente no seu filho? Ou poderá a história vir a sofrer uma reviravolta inesperada? Voltará Lloyd a matar? E poderá Dutch ser a próxima vítima?</p>
<p style="text-align: justify;">Até ao final da série, espera-se que todas estas histórias e todos estes dramas sejam resolvidos. Que a fuga de Danny (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0219748/" target="_blank">Catherine Dent</a>) seja descoberta por alguém, que os dilemas de Julien (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0413052/" target="_blank">Michael Jace</a>) tenham novamente direito a tempo de antena, e que Billings (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0545687/" target="_blank">David Marciano</a>) possa continuar a revelar-se a personagem mais divertida numa série que está cada vez mais negra.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/92a.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;08 &#8211; Parricide (FX)</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Oct 2008 21:30:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] Quando nos falta a eloquência, podemos sempre contar com as palavras dos que vieram antes de nós. E ao ver este &#8220;Parricide&#8221;, só uma frase me vem à cabeça: Oh my stars and f**king garters! Parricídio. O acto de matar o pai ou a mãe. Em sete temporadas, nunca um episódio de &#8220;The Shield&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #800000;">[SPOILERS]</span> </strong>Quando nos falta a eloquência, podemos sempre contar com as palavras dos que vieram antes de nós. E ao ver este &#8220;Parricide&#8221;, só uma frase me vem à cabeça: <em>Oh my stars and f**king garters!</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1944"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Parricídio. O acto de matar o pai ou a mãe. Em sete temporadas, nunca um episódio de &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt1243838/" target="_blank">The Shield</a>&#8221; teve um título tão ominoso quanto este. Talvez por isso as expectativas sejam grandes. Mas se a direcção da história acaba por ser diferente daquela de que estávamos à espera, não há como deixar de admitir que este é um dos melhores episódios de sempre desta magnífica série.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois dos momentos finais de &#8220;Bitches Brew&#8221;, a promessa de um desfecho trágico para a noite aumenta de intensidade quando vemos Shane (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/" target="_blank">Walton Goggins</a>) a preparar-se para cometer o acto. Mais uma vez, as cenas calmas, íntimas, familiares, com a fotografia da família Vendrell em grande plano e a cena no quarto do pequeno e adoentado Jackson, contrapõem-se com o ambiente pesado que se vive, com Shane a preparar a arma, a planear um álibi com a ajuda da mulher, a certificar-se de que irá cometer o crime perfeito, tal como o fez quando assassinou Lem. Esta justaposição de familiar e desconhecido, de certo e errado, de branco e negro, que se tornou numa das marcas da série, acaba por percorrer todo o episódio, contribuindo para momentos de tensão como há muito não víamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Shane prepara-se para cometer um dos seus piores crimes de sempre: matar o seu próprio pai. Não aquele que lhe deu vida, mas aquele que o criou, que o tornou naquilo que hoje conhecemos &#8211; prepara-se para assassinar Vic (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>). Mas embora a decisão esteja tomada, como o sabíamos desde &#8220;Animal Control&#8221;, Shane não deixa de se confrontar com dúvidas, e a angústia que sente por aquilo que tem de fazer acaba por ser a angústia que nos invade também a nós, espectadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início que sabemos que ninguém sai impune desta história. Que não há personagens totalmente boas, nem totalmente más, apenas personagens que escolheram o seu caminho e que, para o bem e para o mal, o terão de percorrer até ao fim. Talvez por isso tenhamos vibrado com os sucessos da Equipa de Intervenção, assistido boquiabertos à forma como conseguia escapar das situações mais complicadas, mesmo perante opositores de peso como Aceveda, Claudette, Dutch e Kavanaugh. E talvez por isso tenhamos, ao longo do episódio, um sentimento de angústia pelo destino das personagens: não queremos ver Vic e Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>) morrer assim, da mesma forma que também não queremos ver Shane a ser morto pelos amigos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem hesitar, o episódio salta logo para a acção, para o momento dos assassinatos, que acaba de forma algo anti-climática: Ronnie é salvo pela azelhice de Two Man, que não consegue cumprir a sua missão e apenas fere a conquista da noite, e Vic é salvo por um telefonema de Ronnie. Mas quando as balas se calam e a confusão diminui, a tensão aumenta. Como conseguirá Shane salvar a situação? Como conseguirá impedir a captura do atirador e salvar-se a si próprio?</p>
<p style="text-align: justify;">É este o momento de viragem. O momento em que nada voltará a ser o mesmo. Shane bem tenta, corre atrás de tudo e de todos, procura desviar todas as atenções, bloquear a investigação, impedir Two Man de ser capturado. Mas porque esta é também a derradeira história, não há como escapar: Two Man é capturado, e no interrogatório conta finalmente tudo a Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>) e Billings (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0545687/" target="_blank">David Marciano</a>): que foi chantageado por Shane, que foi ele quem encomendou o assassinato de Ronnie, que a culpa está, afinal, bem mais próxima de casa. Este é um momento arrepiante, não só pelas caras incrédulas de todos os que assistem ao desenrolar do interrogatório, mas também porque Shane está ali mesmo ao lado. O fechar de olhos de Shane, quando se apercebe de que Two Man vai quebrar, que vai contar a história toda é, ao mesmo tempo, de resignação e de determinação: agora que tudo está em aberto, resta-lhe fugir, e o último olhar que deita à sala da antiga Equipa de Intervenção, aquela que conhecemos deste o piloto, que palco de tantas cenas fulcrais foi, a sala que representava a essência destes quatro amigos, é também o último olhar que Shane lança à esquadra, antes de fugir para o carro e deixar para sempre aquelas bandas.</p>
<p style="text-align: justify;">A face de Vic, a incredulidade e a raiva que espelha quando se apercebe de que Shane conseguiu, mais uma vez, escapar-lhe, poderia ter sido um arrepiante fechar deste episódio. Um momento que iria ficar para a história e que nos deixaria já em pulgas para o próximo episódio. Mas porque Shawn Ryan sabe que a fórmula mais simples nem sempre é a melhor, reserva-nos ainda largos minutos para o rescaldo desta história.</p>
<p style="text-align: justify;">O corte da acção e a passagem para casa de Corrine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1108664/" target="_blank">Cathy Cahlin Ryan</a>) é um pouco abrupto. O que queremos ver agora é a reacção de Vic, de Ronnie e da restante esquadra, saber como irão iniciar a sua caça ao homem, saber se a fúria de Vic o irá deixar pensar friamente. Mas o que temos em sua vez é uma cena poderosa entre duas mulheres que se encontram em lados diferentes da cerca ao tentarem apoiar as suas famílias.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos criticam a influência de Mara (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0382920/" target="_blank">Michelle Hicks</a>) na vida da Shane, defendendo que este se começou a afastar de Vic quando se envolveu com ela. Não diria que este é o caso, pelo menos não é possível atribuir-lhe todas as culpas. O que Shane e Mara representam nesta história é almas gémeas, pois parecem estar sintonizados em todos os aspectos. Shane nunca teve problemas em contar tudo a Mara, confidenciar-lhe os seus maiores segredos e os seus maiores crimes; já Corrine, sempre tentou afastar-se desse lado da vida do ex-marido, tentou desculpar-se, não fazer perguntas, fingir que não sabia, algo que funcionou até que Kavanaugh a encostou à parede na quinta temporada e a forçou a admitir aquilo que há muito tentava esconder. E se desde essa altura Corrine tem vindo, pouco a pouco, a reconhecer que Kavanaugh tinha razão, que ignorar um problema não é resolvê-lo, nunca tinha sido confrontada com a verdade de forma tão pura e dura. Em poucos segundos, Mara confirma tudo aquilo que mais assustava Corrine: que Vic é corrupto, violento, um assassino. E que mesmo o divórcio não a conseguirá salvar do poço em que Vic caiu. As verdades de Mara são assustadoras, mas as suas ameaças ainda o são mais: Corrine será a ligação entre os Vendrell e Vic, terá de os avisar de todos os passos que a investigação esteja a percorrer, e ajudá-los assim a fugir. Por mais que queira, Corrine não conseguirá fugir, e nem mesmo a promessa que consegue arrancar a Vic, de que este será o último favor que lhe faz antes de se afastar definitivamente, parece trazer algum consolo. Se começou a temporada mais fraca, nos últimos episódios Corrine tem-se destacado, e é novamente através das suas palavras que conseguimos ouvir uma grande verdade: <em>&#8220;You have to pay some kind of price&#8221;</em>. Resta saber é se esse preço não poderá vir a ser pago em igual medida por outros.</p>
<p style="text-align: justify;">E quanto a Vic? O que irá ser dele agora que está no final da linha? Como temos visto, Vic não é homem de deixar histórias a meio, e mesmo com todos os dilemas causados por Shane, nunca se esquece do seu verdadeiro papel nas ruas. É por isso que, mesmo num episódio já de si tão recheado de emoções, não se deixam de lado as situações mais banais. Neste caso, a continuação da luta contra Pezuela, que desta feita mete ao barulho um padre de uma paróquia do distrito (interpretado pelo muito versátil <a href="http://www.imdb.com/name/nm0593734/" target="_blank">Silas Weir Mitchell</a>), e as ligações ao ICE. A uma semana de perder o distintivo, Vic procura, com a ajuda de Olivia (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0390229/" target="_blank">Laurie Holden</a>), arranjar influências para poder prosseguir o seu trabalho. Fica a dúvida se Vic o irá conseguir agora que tomou a decisão mais difícil de sempre e abandonou de vez a polícia. A cena da revelação de Shane foi impressionante, sem dúvida, mas o momento em que Vic finalmente entrega o seu distintivo, o símbolo do seu trabalho, do seu poder, do seu domínio das ruas e da esquadra &#8211; o símbolo, também, que desde o início deu o mote a esta série –, é indescritível, e será muito difícil de superar. Trocar o emprego pela perseguição a Shane poderá não ser a escolha mais racional, mas para Vic, o homem que sempre pôs os seus irmãos de armas à frente de tudo e de todos, que sofreu com as suas mortes e as suas traições, é a única escolha possível.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;The Shield&#8221; está a chegar ao fim, e com o círculo a fechar-se lentamente, a discussão final entre Vic e Claudette (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/" target="_blank">CCH Pounder</a>) relembra-nos a discussão com Aceveda (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0553468/" target="_blank">Benito Martinez</a>), há sete anos atrás, no final do episódio piloto &#8211; uma discussão de que Vic saiu, tal como desta vez, vitorioso. Mas a vitória de uma batalha não implica que a guerra esteja ganha, e até ao final, Claudette não será mulher de deixar Vic fazer o que quer. Veremos o que &#8220;Moving Day&#8221; nos irá trazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegados ao final (e a quem conseguiu terminar de ler este testamento, os meus parabéns), resta apenas uma questão. Porquê, poderão então perguntar, leva este episódio apenas um 97 na escala de classificação do TVDependente, se mereceu tantos elogios? É simples: por muito bom que este episódio tenha sido, por muito que tenha elevado a qualidade da temporada… é apenas o oitavo episódio. Até ao desfecho final, no dia 25 de Novembro, faltam ainda cinco episódios recheados de emoções. Cinco episódios que prometem solidificar a posição desta série no panteão das melhores séries policiais de sempre. Cinco episódios que irão, certamente, receber um perfeito (e muito merecido) 100.</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/97.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;07 &#8211; Bitches Brew (FX)</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 16:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] &#8220;Are you going to fight this just because you&#8217;re a fighter or because you want something good to come out of it?” É interessante ver como o episódio em que mais verdades foram admitidas, foi também o episódio mais excitante até agora. Se há algo de que &#8220;The Shield&#8221; sempre se orgulhou, foi de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> <em>&#8220;A</em><em>re you going to fight this just because you&#8217;re a fighter or because you want something good to come out of it?</em>” É interessante ver como o episódio em que mais verdades foram admitidas, foi também o episódio mais excitante até agora.</p>
<p style="text-align: justify;">Se há algo de que &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0286486/" target="_blank">The Shield</a>&#8221; sempre se orgulhou, foi de nos fazer gostar de uma personagem que é o antítese do típico protagonista. Vic Mackey é um polícia corrupto, violento, que não tem medo de atacar tudo e todos para conseguir atingir os seus objectivos. Por muito que apregoe gostar da sua família, não se coibe de a destruir ao dormir com outras mulheres, ao ter filhos bastardos, ao pôr todos em perigo com os seus negócios escuros. E, no entanto, pelo meio dos seus defeitos, das mortes e dramas que provocou, não conseguimos deixar de ficar fascinados pela personagem graças, em grande parte, à brilhante interpretação de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>, que elevou Vic a um patamar próprio. Vic não se deixa classificar, saltando entre o bom e o mau, entre o branco e o negro, ficando numa área cinzenta que é impossível de distinguir. Mas por vezes… por vezes conseguimos vislumbrar a sua personalidade, e &#8220;Bitches Brew&#8221; foi o episódio que trouxe o verdadeiro Vic de volta à ribalta.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de tantas mentiras e ilusões, de recusas em reconhecer a realidade, é bom ver que Vic é capaz de admitir o seu papel nos problemas que assolam quase todas as personagens, e que vão da rebeldia da filha aos dramas causados por Shane (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/" target="_blank">Walton Goggins</a>). Infelizmente, admitir os erros não é o mesmo que estar disposto a resolvê-los: perante o olhar incrédulo de Ronnie, Vic esforça-se por manter a ilusão de que pode transformar Shane, que este apenas precisa de um empurrão para voltar a ser a pessoa que era antes da Equipa de Intervenção, antes de conhecer Vic. Como vimos no final do episódio passado, isso é impossível, pois Shane já sabe que o ataque aos arménios foi uma tentativa de assassinato, mas isso não impede Vic de querer voltar atrás. E como se esta sua ilusão não fosse já suficiente, passa o episódio a forçar a sua vontade à familia. Corrine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1108664/" target="_blank">Cathy Cahlin Ryan</a>), a ex-mulher, já não acredita nas suas mentiras, e é mesmo a pessoa que o chama a atenção para o facto de estar a prejudicar tudo e todos com as suas atitudes, mas encontra-se sem saída, pois as ameaças de Vic no episódio anterior ainda estão muito presentes. Já Danny (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0219748/" target="_blank">Catherine Dent</a>) tenta resistir e afastar o filho de Vic, mas uma convocação para o Tribunal de Família obriga-a a fugir de Farmington. Infelizmente para Danny, não é fácil fugir da teia de Vic: Corrine tentou fazê-lo no final da primeira temporada, mas não chegou longe, e com os ânimos exaltados pelos últimos eventos, Vic não irá certamente reagir bem a esta fuga. Se a raiva que demonstrou quando se viu novamente enganado por Farrah (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1033193/" target="_blank">Mageina Tovah</a>, que regressa à série depois de três anos de ausência) deixa adivinhar alguma coisa, é que Danny poderá estar em perigo.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem também não está a reagir bem aos últimos acontecimentos é Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>). Desde o início da temporada temos vindo a assistir uma mudança da personagem: se nas primeiras temporadas pouco destaque teve, e apenas com a morte de Lem passou a ter um papel mais preponderante, na sétima temporada tem estado sempre presente. O primeiro episódio da temporada marcou desde logo uma nova fase para Ronnie – passou a ser, como Vic, como Shane, também um assassino -, e desde então tem-se tornado mais impiedoso. Em &#8220;Animal Control&#8221; provou que não irá perdoar Shane, tentando demover, infrutíferamente, Vic da ideia de salvar o colega, mas é neste episódio que expressa mais profundamente a sua raiva. Se ainda restava alguma dúvida, a forma como atacou Two Man prova as suas intenções para com Shane.</p>
<p style="text-align: justify;">Do outro lado desta luta, &#8220;Bitches Brew&#8221; dá-nos também a oportunidade de explorar a duplicidade de Shane. Tal como Vic, Shane é uma personagem interessante, que não conseguimos classificar totalmente. Desde &#8220;Post Partum&#8221; que, sem sombra de dúvidas, é o inimigo mas por outro lado também tem mostrado ser um polícia decente (como no episódio anterior, com a história da menina que estava a ser perseguida pelo pai) e um homem de família. O início do episódio relembra-nos disso mesmo, com a cena familiar que podia passar-se em qualquer telenovela, não fosse o prenúncio de medo que se consegue pressentir e que se expressa finalmente nos últimos minutos, com Shane a encomendar o assassinato de Ronnie. Se &#8220;Animal Control&#8221; marcou o início do fim, &#8220;Bitches Brew&#8221; põe em marcha os acontecimentos que irão levar-nos até ao desfecho.</p>
<p style="text-align: justify;">Recheado de momentos excitantes, que nos deixam já em pulgas para saber o que irá acontecer agora que Shane marcou Ronnie para morrer, e de desenvolvimento há muito esperados, como a decisão final que irá pôr um termo à carreira de Vic nos próximos dez dias e o novo confronto com Aceveda (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0553468/" target="_blank">Benito Martinez</a>), o grande destaque do episódio tem de ser, no entanto, para um momento bem mais calmo entre duas das melhores personagens desta série. A amizade que liga Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>) a Claudette (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/" target="_blank">CCH Pounder</a>) esteve sempre presente desde o início, e nem algumas altercações na quarta temporada conseguiram diminuir a sua intensidade, mas em &#8220;Bitches Brew&#8221; temos provas da verdadeira força que os liga. Claudette tem-se debatido com os sintomas do Lupus e o stress de ser capitã, e isso reflecte-se na sua vida pessoal. A casa de Claudette, que Dutch viu durante o caso da semana, é um espelho dos problemas com que Claudette tem vivido, e assusta qualquer pessoa&#8230; excepto Dutch. Dutch sabe que Claudette precisa de ajuda: foi por isso que tentou aproximar a chefe de Danny, e é por isso que não hesita em contratar uma empregada para arrumar lhe arrumar a casa. Não assistimos aqui a recriminações, a atribuições de culpa &#8211; o que vemos aqui é, simplesmente, um amigo a ajudar o outro sem pedir nada em troca. É destes momentos que se fazem grandes episódio, e é também esta uma das razões para, agora sim, poder dizer que &#8220;The Shield&#8221; está em grande forma e que irá, certamente, apresentar um grande desfecho daqui a seis episódios.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/93.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;06 &#8211; Animal Control (FX)</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 17:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “Sometimes it&#8217;s too late to apologize, no matter how much you mean it.&#8221; Pedir desculpas é difícil, por vezes mesmo impossível, quando meras palavras não são suficientes para justificar um crime. Há dois anos, uma granada mudou irremediavelmente o rumo desta história, destruindo pelo caminho uma amizade de vários anos. Desde essa altura esperamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> “<em>Sometimes it&#8217;s too late to apologize, no matter how much you mean it.</em>&#8221; Pedir desculpas é difícil, por vezes mesmo impossível, quando meras palavras não são suficientes para justificar um crime.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-994"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Há dois anos, uma granada mudou irremediavelmente o rumo desta história, destruindo pelo caminho uma amizade de vários anos. Desde essa altura esperamos pelo desfecho de uma das melhores séries policiais de sempre. E se ainda faltam alguns episódios para o final, a verdade é que “<em>Animal Control</em>” marca claramente o início do fim.</p>
<p style="text-align: justify;">As máscaras levantadas no terceiro episódio da sétima temporada não enganaram ninguém: Vic (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>) nunca poderia perdoar Shane (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/" target="_blank">Walton Goggings</a>) pela morte de Lem, e Shane nunca iria confiar em Vic a ponto de pôr a sua vida (e a da sua família) em perigo. Mas se as mentiras ditas pareciam ser para benefício um do outro, a verdade é que, de certa forma, eram também uma ilusão pessoal. Vic recusa-se a reconhecer o seu papel naquilo em que Shane (e Ronnie, e mesmo Lem) se tornou; recusa-se a reconhecer que poderá ser, no fundo, o catalisador de todos estes problemas. É por isso que, do alto da sua arrogância, decide preparar a emboscada a Shane, tentando, de uma só vez, resolver os problemas com os arménios e vingar o seu camarada perdido. Shane, pelo contrário, sempre tentou justificar a morte de Lem como um sacrifício para o bem de todos. Para ele, não havia outra saída – ou Lem morria, ou Kavanaugh conseguia destruí-los a todos &#8211; e nenhum pedido de desculpas, mais ou menos sentido, altera o facto de que agiu conscientemente em “<em>Postpartum</em>”. Até que, finalmente, caem por terra todas as máscaras: Shane sabe agora que apenas a sua morte poderá vingar o assassinato de Lem, e que Vic e Ronnie tudo farão para o conseguir. Resta saber o que irá Shane fazer agora que sabe que não tem outra saída, e que dispõe de cem mil dólares para se vingar.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>You know what the worst part is? They think I&#8217;m too stupid to even realize it.</em>” Não podemos dizer que Shane seja estúpido, longe disso: tem provado, ao longo das temporadas, que consegue safar-se das situações mais perigosas e implicar outros pelos seus crimes. Mas a verdade é que também nunca foi capaz de escolher o melhor caminho. O passado de Shane está repleto de erros, que têm o condão de regressar quando menos se espera… o que acontece exactamente neste episódio, com o regresso de Tavon (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0924552/" target="_blank">Brian J. White</a>). A última vez que vimos Tavon, no final da terceira temporada, encontrava-se no hospital, resultado de um acidente de carro provocado depois de um confronto com Mara (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0382920/" target="_blank">Michelle Hicks</a>) e Shane. Durante bastante tempo, Tavon esteve convencido de que tinha atacado Mara, e por isso nunca fez queixa, mas agora que finalmente se lembrou do que se passou naquela noite fatídica, promete vir estragar a vida dos dois novamente. Num episódio recheado de tensão, é preciso admitir que a cena final com Mara sozinha em casa, antes de Shane chegar, foi assustadora – já sabemos que a série não hesita em nos chocar, e não seria de estranhar que Tavon viesse ajustar contas com Mara um dia destes, provando que as famílias dos membros da equipa nunca estarão seguras.</p>
<p style="text-align: justify;">Num episódio dedicado ao arrependimento, não houve personagem que dele conseguisse escapar. Para além de voltar atrás na sua decisão e tentar salvar Shane, Vic torna a causar angústia à mãe dos seus filhos, Corrine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1108664/" target="_blank">Cathy Cahlin Ryan</a>). Embora a história da familia Mackey tenha sido interessante e importante para o desenvolvimento de Vic nas primeiras temporadas, a verdade é que ultimamente tem tido destaque a mais, o que acaba por penalizar os episódios. Felizmente, desta vez não tivemos de sofrer com mais uma aparição de <a href="http://www.imdb.com/name/nm1188915/" target="_blank">Autumn Chicklis</a>, sobrando mais tempo para dedicar ao caso da semana.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Tina encontra um homem nú num beco, coberto de sangue, é hora do detective-maravilha Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>) entrar em acção. Desde que começou a investigar o caso do assassino em série júnior, Dutch não tem estado nos seus melhores dias, e isso vê-se claramente neste episódio. É claro que a história do homem era suspeita, tendo já sido apresentada uma queixa por agressão contra ele, mas daí a pensar imediatamente na sua culpa é um exagero. Dutch está claramente a ficar obcecado por assassinos em série, o que o leva a confrontar o homem sem qualquer prova, e o resultado não podia ser outro: a incerteza leva o homem a suicidar-se na sala de interrogatórios, mesmo na altura em que fica provada a sua inocência. O que resulta daqui é um curioso momento para Dutch, que implora a Billings (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0545687/" target="_blank">David Marciano</a>) que seja um verdadeiro parceiro, pois sem ajuda não consegue trabalhar bem. Um momento de fraqueza como este é coisa inédita para Dutch, e leva-nos a pensar que algo mais poderá estar escondido nesta recaída de Dutch. Esperemos que não venha a ter consequências mais graves, pois não me parece que Billings consiga vir a substituir Wyms (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/" target="_blank">CCH Pounder</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Desculpas, promessas e arrependimentos – de tudo isto foi feito o melhor episódio da temporada até aqui, que deixa uma grande expectativa para os momentos finais. Se fosse mulher de fazer apostas, diria que algumas cenas que pareceram de menor importância, como as dúvidas de Olivia, a decisão de Aceveda e, especialmente, as duras ameaças de Wyms a Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>), podem vir a ser fulcrais para os próximos episódios. Mas como deste lado se tem imenso azar ao jogo, prefiro deixar-vos descobrir sozinhos o que irá acontecer.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/92a.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;05 &#8211; Game Face (FX)</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 10:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] “Putting Pezuela away is a down payment on me being able to live with myself.&#8221; É engraçado como as pessoas – mesmo aquelas de quem menos o esperamos – se conseguem iludir a si próprias. Shane (Walton Goggins) nunca foi a mente mais racional da Equipa de Intervenção, sendo mesmo o catalisador dos maiores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong> <span style="color: #800000;">[SPOILERS</span>] </strong><em>“Putting Pezuela away is a down payment on me being able to live with myself.&#8221;</em> É engraçado como as pessoas – mesmo aquelas de quem menos o esperamos – se conseguem iludir a si próprias.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-862"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Shane (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0324658/" target="_blank">Walton Goggins</a>) nunca foi a mente mais racional da Equipa de Intervenção, sendo mesmo o catalisador dos maiores dilemas em que esta se encontra de momento, mas em “Game Face” mostrou que, por vezes, consegue ser mais razoável do que Vic (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Quando, no terceiro episódio desta temporada, me interroguei sobre a forma como Vic consegue iludir tudo e todos, deixei de fora a outra grande questão – a forma como Vic tem ignorado os problemas mais próximos de si. Ao descobrir que a agente Murray (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0390229/" target="_blank">Laurie Holden</a>) se encontra ao serviço de Pezuela, pondo em risco a guerra que tem vindo a orquestrar e as famílias de todos os membros da equipa, Vic deveria ter escolhido o caminho mais simples: entregar a Pezuela os documentos de chantagem, e livrar-se de uma vez por todas das suas ligações ao cartel. Mas, sabendo que isso daria a Pezuela o livre-trânsito para transformar Farmington no seu domínio, Vic não aceita os conselhos de Shane e Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>), e continua a tentar seguir o seu plano original. O problema é que, até agora, nunca teve um plano, tendo apenas reagido aos vários eventos &#8211; uma situação que arrasta cada vez mais estes homens para o fundo do poço. Com o avançar da temporada, Vic transforma-se assim cada vez mais na personificação de um dos lemas da série, que dita que a “consciência é perigosa” (“<em>conscience is a killer</em>”), e de certeza que não será o suposto arrependimento de Olivia que o irá conseguir salvar.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o aprofundar dos dilemas profissionais, a vida pessoal de Vic vê-se também cada vez mais afectada. Por muito cruel que seja pedir a qualquer pai que se afaste de um filho, temos de admitir que Danny (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0219748/" target="_blank">Catherine Dent</a>) tem toda a razão na opção que tomou quando olhamos para a espiral de crime em que Cassidy (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1188915/" target="_blank">Autumn Chiklis</a>) se encontra. Depois do álcool, é a vez de Cassidy experimentar drogas durante uma festa de “chulos e prostitutas”, algo que assusta considerando a idade dos jovens presentes. Não parece haver nada que trave Cassidy – nem a mãe, nem o pai, e muito menos a lei. Resta saber até onde irá conseguir ir&#8230; e se a importância que tem tido nos últimos tempos não será um prenúncio de um papel preponderante para a personagem na queda de Vic.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto a história principal da temporada (a mais do que eminente queda de Vic e da sua equipa) pouco evolui, “Game Face” dá mais uma vez destaque às histórias e às personagens secundárias. Se o caso da semana (o rapto e violação de uma filha de um mafioso) não é muito interessante, dando-nos apenas a oportunidade de ver uma excitante perseguição automóvel, algo raro neste universo, já o desenvolvimento da história de LLoyd (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0973177/" target="_blank">Kyle Gallner</a>) acaba por se ligar a uma das melhores histórias da quinta temporada, a do assassino em série Kleavon (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1530474/" target="_blank">Ray Campbell</a>). Depois de sete anos já percebemos que os instintos de Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>) são certeiros, mas a sua obsessão com Lloyd, mais do que profissional, pode vir a tornar-se mais pessoal. Irá a história de Lloyd e Dutch transformar-se num dos maiores choques da temporada? Irá Lloyd conseguir iludir a polícia? Irá ele matar Dutch? Ou irá, pelo contrário, Dutch sucumbir aos instintos que o levaram a cometer um crime no episódio “Strays”, na terceira temporada? Seja quem for que saia vitorioso deste confronto, uma coisa é certa… Para Kleavon não há dúvidas de que Lloyd tem todas as marcas de um assassino em série.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se a troca de Kleavon e Dutch é interessante, o momento do interrogatório a Wyms (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001634/" target="_blank">C.C.H. Pounder</a>) é sem dúvida o mais marcante de todo o episódio. Kleavon foi o criminoso que mais afectou Wyms, que a fez perder o controlo e admitir as suas fraquezas. Depois do seu papel preponderante na vida de Wyms na quinta temporada, não esperávamos vê-lo novamente; mas, como tantos outros nestes momentos finais, Kleavon regressa para destabilizar ainda mais uma situação já de si problemática. A pressão sobre Wyms continua: depois das queixas inacreditáveis do jovem assassino em &#8220;<a href="http://tvdependente.net/2008/09/the-shield-7%c3%9702-snitch-fx/" target="_blank">Snitch</a>&#8220;, que poderão ter consequências graves para o seu comando, Claudette vê-se agora a braços com um assassino em série já condenado, que tanta escapar da pena de morte pondo culpas onde elas não existem. Se a cena dos dois a degladiarem-se novamente na sala de interrogatórios relembra os grandes momentos da quinta temporada, sem dúvida a melhor de todas, deixa também um certo pesar por mostrar, mais uma vez, que os criminosos conseguem sempre escapar impunes, enquanto que aqueles que trabalham com toda a seriedade acabam sempre prejudicados.</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/89.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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		<title>The Shield: 7&#215;04 &#8211; Genocide (FX)</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Sep 2008 09:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>syrin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[SPOILERS] Há muito que se lhe diga sobre uma série que, sete anos depois, continua a surpreender. E se a trama principal continua um pouco confusa, a verdade é que &#8220;Genocide&#8221; apresenta uma reviravolta interessante nesta sétima temporada de &#8220;The Shield&#8220;. Uma das queixas que tinha nos episódios anteriores era o facto de Vic (Michael [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>[SPOILERS]</strong></span> Há muito que se lhe diga sobre uma série que, sete anos depois, continua a surpreender. E se a trama principal continua um pouco confusa, a verdade é que &#8220;Genocide&#8221; apresenta uma reviravolta interessante nesta sétima temporada de &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0286486/" target="_blank">The Shield</a>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-550"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das queixas que tinha nos episódios anteriores era o facto de Vic (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0004821/" target="_blank">Michael Chiklis</a>) estar a conseguir enganar tudo e todos de maneira extremamente fácil. Não é muito verosímil ter, em todos os episódios, Vic e Shane (<a href="http://www.imdb.com/character/ch0016968/" target="_blank">Walton Goggins</a>) a conseguirem deitar mais achas para a fogueira que é a guerra entre os arménios e o cartel sem se queimarem uma única vez, e muito menos acreditar que ninguém na esquadra perceba que está a ser enganado. Infelizmente, a sorte dos dois está a acabar, e embora tenham conseguido mais uma vez escapar-se do perigo imediato, surge um elemento novo, um peão escondido, que poderá deitar tudo a perder.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa temporada que está constantemente a trazer à cena antigas personagens de temporadas passadas, o destaque que a agente do FBI Olivia Murray (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0390229/" target="_blank">Laurie Holden</a>) tem tido parecia um pouco estranho. Não poderia ser apenas mais uma conquista para Vic, como o foi Becca Doyle na quinta temporada, mas também não estava a ter um papel predominante, parecendo ser apenas mais um peão ao serviço de Vic. Mas como Aceveda (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0553468/" target="_blank">Benito Martinez</a>) descobre, Olivia está na verdade ao serviço de Pezuela (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0727798/" target="_blank">F.J.Rio</a>), pondo desta forma em risco tudo aquilo por que Vic lutou. Resta agora saber o que irá Olivia fazer com a informação de que dispõe – irá contar a Pezuela? Ou irá pedir a ajuda de Vic para se livrar do peso que tem sobre a sua cabeça? Seja qual for a sua escolha, o cerco começa a apertar-se, e não vai ser tão fácil continuar este jogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Num episódio em que os confrontos dominaram (Vic vs. Pezuela, os arménios vs. o cartel), são outros, mais próximos, que nos deixam apreensivos. Muitos tentaram destruir a Equipa de Intervenção: de Aceveda aos gangues, de Kavanaugh aos traficantes, todos tentaram, sem sucesso, derrubar Vic, mas o sentimento de irmandade que existia entre os seus membros conseguiu protegê-los ao longo dos anos. Só que agora que a série está a chegar ao final, poderão ser os conflitos internos a deitar tudo a perder. Depois da morte de Lem, tudo parece ter-se alterado, e a Equipa de Intervenção nunca mais foi a mesma: Ronnie (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0811027/" target="_blank">David Rees Snell</a>) continua a distanciar-se, e Shane mostra cada vez mais a sua falta de carácter. Também dentro da família Mackey, os ânimos parecem cada vez mais exaltados, agora que Cassidy (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1188915/" target="_blank">Autumn Chiklis</a>) cresceu e se apercebeu de que o pai não é o santo que julgava. Se a expressão de Vic ao constatar que Shane não se interessa pelo destino do bairro é esclarecedora, o desespero que revela ao ser confrontado pela sua própria filha sobre os seus crimes passados deixa-nos pressentir o desfecho trágico desta história.</p>
<p style="text-align: justify;">Apenas é de lamentar que a personagem que esteja a ganhar cada vez mais destaque mais importância nesta série, e que poderá ser um dos elementos que irá deitar abaixo Vic e tudo o que ele representa, como é o caso de Cassidy, seja interpretada por uma actriz tão fraca. Os momentos em que aparece em cena são cada vez mais penosos, mas a diferença entre uma boa interpretação e uma interpretação medíocre nunca ficou tão claro como durante a cena entre Cassidy e Danny (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0219748/" target="_blank">Catherine Dent</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Para além de todos estes dilemas, &#8220;Genocide&#8221; traz-nos de volta aquilo de que há muito se sentia falta – o verdadeiro Dutch (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0439813/" target="_blank">Jay Karnes</a>), detective-mor de Farmington. Quem viu todas as temporadas anteriores percebeu que, por muitos defeitos que tenha, o faro de investigador de Dutch raramente se engana, e é por isso que, quando ele desconfia ter encontrado um assassino em série, nós acreditamos na sua opinião. E mesmo se a ajuda de Billings (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0545687/" target="_blank">David Marciano</a>) não tenha sido suficiente para desvendar o caso neste episódio, temos a certeza de que não será a última vez que vamos ouvir falar de Lloyd Denton (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0973177/" target="_blank">Kyle Gallner</a>).</p>
<p><img src="http://tvdependente.net/wp-content/uploads/notas/87.jpg" alt="" /></p>
<p>[starrater]</p>
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